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Na era das redes sociais, parece que apenas livros contemporâneos, muitas vezes lançados recentemente, dominam o cenário digital. A impressão que se tem é que influenciadores literários só abordam obras que estão no hype do momento, deixando os clássicos em segundo plano. Porém, será que é impossível viralizar falando sobre livros clássicos?
Complexidade dos clássicos
Muitos argumentam que o público jovem não tem interesse nesse tipo de leitura, preferindo obras contemporâneas mais leves e de fácil consumo.
Isso acontece porque muitos livros contemporâneos seguem uma estrutura linear e acessível, que pode não exigir do leitor um nível profundo de interpretação. Já os clássicos demandam uma leitura mais atenta e uma análise mais complexa.
Essa diferença também se reflete nas redes sociais, onde influenciadoras literárias geralmente optam por livros recentes, muitas vezes porque essas obras oferecem uma conexão mais imediata e fácil com o público. No entanto, essa abordagem pode limitar a profundidade das discussões, já que muitas dessas obras apelam para dramas facilmente reconhecíveis, repetindo fórmulas e narrativas já exploradas inúmeras vezes.
Público dos clássicos
Clássicos são frequentemente trabalhados em contextos escolares e têm um apelo que ultrapassa barreiras geracionais. Sua complexidade e linguagem, por terem sido escritos em outras épocas, podem parecer desafiadoras, mas são esses mesmos aspectos que conferem às obras o status de atemporais.
Há um equívoco comum de que o público dos clássicos é formado apenas por leitores mais velhos ou intelectuais. No entanto, a realidade é que muitos jovens estão redescobrindo essas obras, motivados por influenciadores que sabem comunicar a profundidade desses textos de maneira acessível e cativante.
Perfis como os de Isabella Lubrano, Tatiana Feltrin e Aladim dos Livros mostram que há um público disposto a consumir e discutir literatura clássica, mesmo que essas obras exijam mais dedicação do que os livros atuais.
– Isabella Lubrano, 35 anos: com seu canal “Ler Antes de Morrer”, possui 710 mil inscritos no YouTube, 145 mil seguidores no Instagram e uma produção consistente de conteúdos sobre clássicos. Com resenhas, audiobooks e discussões, ela consegue atrair um público que busca mais do que apenas entretenimento.
– Tatiana Feltrin, 44 anos: com 642 mil inscritos no YouTube e 156 mil seguidores no Instagram, também dedica grande parte do seu conteúdo a livros clássicos.
– Aladim dos Livros: com 1,26 mil inscritos no YouTube 95,2 mil seguidores no Instagram, com cerca de 35% a 40% do conteúdo voltado para livros clássicos.
Clássicos podem viralizar
Um exemplo claro de que livros clássicos podem conquistar o público jovem e viralizar é o caso da influenciadora americana Courtney Henning Novak, que viralizou ao ler “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis, como parte de um desafio no TikTok. A reação inesperada e emocionada de Courtney gerou um enorme engajamento nas redes sociais, provando que obras clássicas, podem capturar a atenção até mesmo de públicos que, a princípio, não têm familiaridade com a literatura clássica brasileira.
Courtney fez comentários como: “O que eu deveria fazer com o resto da minha vida?” e “Eu não consigo nem imaginar o quão bom isso é em português”, mostrando o impacto que a obra teve sobre ela e como essa conexão genuína com um clássico ressoou com milhares de seguidores.
Conexão com a cultura Pop
Clássicos como “1984” de George Orwell, “Dom Quixote” de Miguel de Cervantes, “Os Lusíadas” de Luís Vaz de Camões, “A Divina Comédia” de Dante Alighieri e “Orgulho e Preconceito” de Jane Austen não são apenas livros antigos. São obras que capturam a essência da condição humana, abordando temas universais que continuam relevantes, oferecendo reflexões profundas sobre a sociedade e o comportamento humano.
Os clássicos não estão apenas nos livros antigos, mas também permeiam a cultura pop contemporânea. Muitas séries, filmes e até obras literárias modernas se inspiram em narrativas clássicas, reimaginando suas tramas e personagens para o público atual.
Essas referências oferecem uma excelente oportunidade para criadores de conteúdo: ao conectar os clássicos com elementos da cultura pop, é possível atrair seguidores que querem entender as raízes dessas histórias e suas implicações. Além disso, formatos criativos como vídeos curtos, memes e debates ao vivo ajudam a tornar esses livros mais acessíveis e atraentes, quebrando o estigma de que clássicos são “difíceis” ou “chatos”.
A profundidade dos clássicos, o exemplo de influenciadores que já exploram esse nicho e o apelo emocional que essas obras podem gerar são provas de que, com a abordagem certa, é possível conquistar e engajar um público fiel. Apostar nos clássicos é, portanto, um caminho não apenas para viralizar, mas também para enriquecer as discussões literárias e formar leitores mais críticos e informados.
E sabe qual é um livro clássico muito interessante para começar? “Frankenstein”, da autora Mary Shelley, da editora Pé da Letra. Olha só essa foto que mostra que é possível ter uma experiência imersiva com efeitos sonoros interativos por QR Code. Pode ficar tranquilo, até porque, mesmo que você diga que a escrita é difícil, não tem como dizer que é chata. E convenhamos, é um ótimo jeito de mostrar para os seus seguidores que consumir literatura clássica é legal e ajuda a formar senso crítico.