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As plataformas de apostas online emergiram como um fenômeno global, atraindo milhões de usuários. Nos últimos meses, a discussão sobre as casas de apostas no Brasil ganhou destaque, especialmente após a prisão de influenciadores e a implementação de novas regras pelo governo.
A promessa de enriquecimento rápido levanta questões sobre as consequências sociais que essas plataformas podem gerar. A ideia de que as apostas online são apenas uma forma de entretenimento ignora o impacto profundo que têm sobre milhões de brasileiros, especialmente aqueles das classes média e baixa. A sedução das apostas cria um ciclo destrutivo de endividamento e vulnerabilidade financeira.
Bolsa Família nas Casas de Aposta
Com o aumento da popularidade dessas plataformas, surge a preocupação com beneficiários do Bolsa Família utilizando o benefício para apostar. As casas de apostas, por meio de influenciadores, promovem a ilusão de ganhos rápidos e fáceis. Segundo levantamento do Banco Central, os beneficiários do Bolsa Família gastaram R$3 bilhões em apostas no mês de agosto de 2023, representando mais de 20% do total distribuído pelo programa, que foi de aproximadamente R$14 bilhões no período.
Esse cenário levanta um dilema ético: como garantir que os auxílios sociais sejam destinados a atender às necessidades básicas, em vez de alimentar hábitos prejudiciais?
O governo federal e o Congresso discutem a proibição do uso do Bolsa Família em apostas online, como forma de proteção aos mais vulneráveis.
Influenciadores na Divulgação das Bets
Seja nas redes sociais, em uniformes de times de futebol ou em comerciais de TV, a publicidade de plataformas de apostas está por toda parte. A promoção por influenciadores digitais desperta preocupação quanto à normalização dessas atividades, especialmente entre o público jovem. A prisão da influenciadora Deolane Bezerra e o pedido de prisão do cantor Gusttavo Lima, ambos envolvidos com a divulgação de apostas, reacenderam o debate sobre o papel dos influenciadores no incentivo a esse mercado.
Esses influenciadores muitas vezes mostram a si mesmos jogando e apostando, revelando supostos lucros e exibindo estilos de vida luxuosos, o que contribui para a construção de um cenário sedutor. Essa estratégia levanta sérias questões sobre responsabilidade social, dado o impacto que essas mensagens têm na formação de hábitos de consumo e comportamento, especialmente entre jovens e pessoas economicamente vulneráveis.
Relatos de Vício em Apostas



Proibição e Regulamentação
As apostas esportivas online foram permitidas no Brasil em 2018, por meio de uma lei sancionada pelo então presidente Michel Temer (MDB). No entanto, a regulamentação dessas apostas só começou a ser discutida em 2023, e uma nova lei foi aprovada pelo Congresso e sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no final de dezembro de 2023.
O Ministério da Fazenda autorizou cerca de 199 marcas, operadas por 95 empresas de apostas, a continuar operando no país. Há quem defenda a proibição total dessas plataformas como uma medida de proteção aos cidadãos, enquanto outros argumentam que a regulamentação pode gerar receitas significativas para o país. No entanto, a regulamentação precisa vir acompanhada de medidas eficazes para proteger os consumidores e prevenir vícios, como campanhas de conscientização e limites rigorosos sobre a publicidade.