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Gabriel Maranha
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Amanheceu o dia, escuto o barulho das panelas e minha mente em seu ápice do poder começa a viajar e imaginar o que estava acontecendo. Não era nem 6h30 e minha mente já estava a todo vapor e começava a imaginar coisas, até entrando em dilema moral comigo mesmo: devo ou não trabalhar? Depois da luta contra minha própria mente, me levanto, me arrumo e vou trabalhar. A caminho do trabalho vou para o ponto de ônibus, onde a minha Mente voa novamente e pensa que quanto mais eu espero o ônibus, menos tempo ele leva para chegar. Depois desse paradoxo matinal, entro no ônibus.

Ao entrar procuro dois lugares, que se eu conseguir, posso definir como o primeiro sucesso do meu dia. O lugar alto ou o lugar solitário: com um eu posso ter míseros minutos de sono e no outro, posso ficar próximo à janela, onde eu posso deixar minha mente com um espaço livre para voar, onde, com a paisagem da janela, eu posso imaginar cenários que irão me entreter até chegar no meu trabalho.

Chego no trabalho com o maior desânimo, olho ao meu redor, vejo pessoas como eu, pessoas que estão trabalhando muito por pouco. Antes de começar a trabalhar, minha mente viaja novamente, voa alto e imagina se tivesse ganhado na mega, onde estaria. De repente a minha mente cai e para de voar: era minha chefe me exclamando e chamando atenção, em silêncio vou para o estúdio de gravação gravar algo importante, e a mente voa: me imaginei como o Jimmy Olsen gravando o Superman e caio de novo na minha chefe perguntando por que esqueci de focar a câmera. Termino meu trabalho e o que resta é a faculdade e ir embora para minha casa. A caminho da faculdade aonde vou lutar para um futuro melhor e a mente voa, onde imagino o futuro me enfrentando com espadas e armas.

Depois da luta mental, consigo assistir à aula, professora falou que minha dicção está ruim, preciso treinar a garganta e logo minha Mente viaja e penso minha garganta carregando peso. Depois vou a feira com os colegas aonde tem muitas coisas que me chamam atenção e comer um pastel sentado na mesa acompanhando as conversas e enquanto isso a Mente voa: imagino que em vez de passar minhas noites com colegas, uma namorada seria melhor, os colegas falam que sou desatento e fazem alguma brincadeira aleatória e a Mente cai do seu vôo. Termino a faculdade e vou para casa.

Chego e ignoro todos: minha Mente, de tanto voar e cair ao longo do dia, está cansada. Quero apenas deitar e dormir mais antes do sono. A minha Mente me prega uma peça aonde me sinto solitário e que não há ninguém comigo. Mas logo vou para cama e ponho uma série aleatória só para a Mente aquietar e logo eu durmo e minha Mente acalma. Talvez ela realmente não voe, mas só tenha TDAH.

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