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 A escolha deste caso ocorreu pelo interesse na maneira como a temática do livro foi abordada e transformada em um evento de grande e de impacto cultural. A mobilização e criação de uma grande estrutura para conseguir todo o suporte necessário aos moradores do Rio de Janeiro ou até visitantes presentes na cidade para mobilizar e incentivar à leitura. Essa junção, livro e brincadeira foi bastante pertinente ao modo como eles queriam chegar aos seus objetivos, utilizando do destaque a cidade Rio de Janeiro concedida como  “A capital mundial do livro”, para fomentar ainda mais este prestígio.O destaque na reportagem: “diversão, aprendizado e muita interação com o universo da leitura”, transmite a ênfase que os organizadores e que, o evento quer transmitir ao seu público. 

Espaço da Biblioteca fantástica
A Bienal traz uma biblioteca surpreendente, criada para explorar o livro a partir de outras formas, tecnologias e arquiteturas. Um lugar sem paredes e absolutamente lúdico, que funciona como um portal para o futuro. Na Biblioteca Fantástica – o novo espaço de 500m² dedicado ao público infantil (Ferrer, 2025).
https://riocomcriancas.com.br/2025/05/10/bienal-do-livro-2025/

      O espaço: “biblioteca fantástica: é por ele um espaço lúdico e sem paredes onde tudo se conecta: livros, crianças, personagens e histórias.” Ganhou este nome devido ao manuseio diferente do objeto livro, onde eles podem ganhar “vida” e se tornar um brinquedo, não apenas aquele objeto intocável, protegido, estável, estereotipado por muitos anos. Além disso, tem programação para todos os públicos com diversas atividades que serão realizadas para desenvolver a imaginação, leitura e conexões. Algumas dessas programações são: Inventa Que Eu Desenho,O Que Você Pensa Quando Falo África, Curto-circuito.

       Para além desses eventos, irão trazer pessoas conhecidas do mundo literário ou que têm influência quando se trata de curiosidades, ciência e influenciar no aprendizado, ou seja, uma super produção e organização para esforço e o empenho para trazer a leitura de volta a circulação social.

     Sendo assim, a primeira teoria que se relaciona com o caso, é a Teoria Crítica. Desse modo:

“A teoria crítica de Horkheimer entende que, embora diversos, “saber ” e”agir ” podem estar juntos, pois a atitude crítica se baseia no conhecimento, mas também na realidade social enquanto um produto das ações capitalistas dos homens (Carnaúba, 2010, p. 201).

Tal teoria traz como objetivos questionar a sociedade, promover autonomia entre os indivíduos e evitar os sistemas de desigualdade. Dessa forma, o caso busca promover a participação de público de todas as idades, sem a exclusão e que possa atender ao que o evento veio,  justamente emergir o desejo da leitura e mudar a percepção do objeto livro. De acordo com Carneiro, Moraes e Cabral (2024), a Teoria Crítica busca uma compreensão crítica da realidade com vistas à sua transformação, o que só se torna possível por meio da apropriação da informação e da criação de novos conhecimentos. Ainda que, à primeira vista, determinadas ações — como eventos literários, visitas a parques temáticos ou palestras com influenciadores — não pareçam cumprir rigorosamente os critérios de debates críticos ou discussões sobre minorias, elas podem configurar-se como espaços iniciais de reflexão e transformação. A participação de crianças e jovens nesses ambientes, através do manuseio de livros, contato com a literatura, a ciência e a criatividade,especialmente quando promovem o contato direto com obras literárias, debates e experiências simbólicas que contribuem para a formação crítica dos sujeitos

Outro mais, a teoria da Representação também se encaixa neste ensaio. Ela enfatiza a ideia de que os sistemas devem ser vistos como totalidades, onde a interação entre as partes é mais importante do que o funcionamento isolado de cada uma. Além disso, a teoria significa representar, tornar algo presente novamente — um objeto, uma idéia, uma realidade,por algum meio simbólico seja palavras, imagens, códigos, categorias e até números. Diante disso, pode ser visto quando eles movimentaram a cidade do Rio de Janeiro em um “Book Park”, com experiências imersivas que colocam o livro como protagonista.”

Quando falamos de livros – objeto central da Bienal – estamos nos referindo a elementos fundamentais na construção do conhecimento. Toda representação é situada, sendo cultural, histórica e política, e deve buscar contemplar múltiplas perspectivas individuais. Isso se reflete, por exemplo, no desenvolvimento de parques temáticos dentro da Bienal, onde cada espaço representa um universo literário específico, mas que, ao mesmo tempo, se articula com os demais, promovendo uma experiência coletiva e integrada.

Outro ponto importante trazido pela reportagem é a concepção do evento como um espaço-refúgio para crianças, famílias e educadores, promovendo uma conexão com a leitura como uma “rede social real”. Essa proposta evidencia o papel comunicacional e pedagógico dos livros, relacionando-se diretamente com o acesso à informação e seu impacto no desejo de pesquisa e no desenvolvimento intelectual. Dessa forma, a organização da Bienal se relaciona com a ideia de que a representação media a relação entre sujeitos e o mundo. A leitura, nesse contexto, não é neutra: ela representa o mundo e, ao mesmo tempo, forma os sujeitos leitores.

O ambiente da Bienal configura-se como um campo simbólico de mediação cultural, no qual a teoria da representação oferece subsídios para compreender essa dinâmica. Trata-se de uma abordagem crítica e formativa da representação do conhecimento, que se manifesta ao tornar os livros elementos visuais e vivenciais. Por meio da criação de espaços lúdicos, contação de histórias, torneios de fantasias e representações de personagens, a Bienal propõe experiências que estimulam o pensamento, incentivam a troca de saberes e promovem a valorização da diversidade cultural

Portanto, a teoria sugere que sistemas sociais, como educacionais ou administrativos, não devem ser analisados apenas por suas partes constituintes, mas sim, pela interação e funcionamento conjunto como o apoio de escolas, um dos meios que a Bienal do Livro usou para promover o alcance de muitas pessoas aos locais de forma a  incentivo.

REFERÊNCIAS

CARNAÚBA, Maria Érbia Cássia. Sobre a distinção entre teoria tradicional e teoria crítica em Max Horkheimer. KÍNESIS: Revista de estudos dos pós-graduandos em Filosofia, v. 2, n. 3, p. 195-204, 2010. Disponível em: https://revistas.marilia.unesp.br/index.php/kinesis/article/view/4345. Acesso em: 10 maio 2025.

CARNEIRO, J. C. R. B.; MORAES, R. P. T. DE; CABRAL, R. M. A ação cultural e a apropriação da informação sob a perspectiva da teoria crítica. Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação, v. 20, p. 1–21, 2024.

Bienal do Livro: programação para jovens e crianças terá “Biblioteca Fantástica”, labirinto, “Inventa Que Eu Desenho” e mais. Disponível em: https://g1.globo.com/guia/guia-rj/noticia/2025/06/02/bienal-do-livro-programacao-para-jovens-e-criancas-tera-biblioteca-fantastica-labirinto-inventa-que-eu-desenho-e-mais.ghtml. Acesso em: 10 jun. 2025

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