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Dentro da teoria da comunicação, duas teorias me chamam a atenção: a teoria crítica e a teoria sistêmica. A primeira está voltada diretamente para questionar as estruturas de poder da indústria cultural e suas relações de dominação, enquanto a segunda se dedica ao estudo das interações e relações entre as partes de um sistema, analisando-o como um todo, e não apenas seus elementos isoladamente.

Sobre a notícia Biblioteca Mário de Andrade recebe subsídio de R$ 4 milhões para preservação e digitalização de acervo, percebe-se desde o título como essas duas teorias se relacionam com o fato.

Em primeiro lugar, o grande investimento do governo na digitalização do acervo da biblioteca não apenas protege os documentos da deterioração do papel, mas também democratiza o acesso ao conhecimento. Esse conteúdo não estará disponível apenas para pesquisadores, mas também para o público em geral, especialmente no caso do Arquivo Histórico e da Seção de Obras Raras e Especiais. A cultura contida nesses documentos deixa de ser tratada como mercadoria ou moeda de troca, tornando-se um bem acessível a todos, gratuitamente. Dessa forma, recursos de grande valor histórico e cultural serão eternizados na internet.

Em organizações complexas como a Biblioteca Mário de Andrade e o próprio Governo, observa-se a aplicação da Teoria Sistêmica, que identifica gargalos de comunicação entre os diferentes setores da biblioteca, tanto internamente quanto em sua relação com o exterior. Um dos principais desafios era a comunicação com os usuários do acervo, que agora poderão usufruir de forma muito mais ampla e organizada dos materiais disponíveis.

Uma biblioteca é, por essência, uma instituição de serviço de informações. Como afirma (Shera, 1970), ela desempenha um papel fundamental na manutenção do equilíbrio social, na preservação cultural e no complemento às atividades educacionais.

As duas teorias e a notícia se complementam de maneira natural, pois ambas partem do princípio de que o conhecimento deve ser compartilhado, e não restrito a uma elite. Há não muito tempo, apenas pessoas com condições financeiras podiam ter bibliotecas pessoais e desfrutar do privilégio de adquirir livros e informações. Agora, pouco a pouco mais pessoas de rendas mais baixas passam a poder comprar livros, ir a bibliotecas e se interessar pela leitura.

Assim, conclui-se que é de extrema importância que a informação — seja por meio de livros, notícias ou arquivos acadêmicos — seja disponibilizada a todos que desejam acessá-la. Isso vale tanto para bibliotecas públicas quanto para produções acadêmicas que adotam políticas de acesso aberto, garantindo que o conhecimento circule livremente.

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