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No Artigo “ Títulos de disciplinas problemáticas: tornando nosso catálogo mais equitativo, diverso e inclusivo na Unidade de Bristol”. É apresentado um projeto da Universidade de Bristol que busca tornar seu catálogo de biblioteca mais equitativo, diverso e inclusivo, abordando títulos de assunto considerados problemáticos ou ofensivos. “Este projeto é uma resposta à crescente atenção de estudantes, pesquisadores e bibliotecários sobre o impacto de termos angustiantes e ofensivos nos catálogos” (Cooper; McManus, 2025, p. 1, tradução nossa).

Utilizando o recurso “Locally Preferred Subjects” da plataforma WorldShare Management Services (WMS) da OCLC, a equipe da biblioteca desenvolveu um procedimento para analisar e substituir esses termos. O projeto envolveu a formação de um grupo de trabalho interequipes para desenvolver práticas e fluxos de trabalho locais, considerando desafios técnicos e fazendo escolhas informadas sobre substituições de assuntos. O processo incluiu a extração de dados do catálogo, a identificação de termos problemáticos e a pesquisa de alternativas, com foco inicial na Biblioteca de Artes e Ciências Sociais (ASSL), que representa aproximadamente 40% dos acervos impressos da universidade. 

As áreas iniciais de foco incluíram as classificações centradas na escravidão, Pessoas com deficiência ou Aspectos Públicos da Medicina .  A equipe consultou políticas, listas de termos preferenciais e declarações de posição de outros sites de bibliotecas, arquivos e museus para identificar alternativas, reconhecendo que alguns termos, como “geriátrico”, podem ser problemáticos em alguns contextos, mas aceitáveis em outros. 

À luz da Teoria Crítica, o projeto da Universidade de Bristol pode ser visto como um esforço para desconstruir e questionar as estruturas de poder inerentes à linguagem e classificação tradicional em bibliotecas. Os títulos de assunto, historicamente desenvolvidos dentro de contextos que perpetuam preconceitos e discriminações, são avaliados e corrigidos para promover uma representação mais justa e equitativa. A Teoria Crítica argumenta que o conhecimento e sua organização não são neutros, mas refletem ideologias dominantes. Ao identificar e substituir termos prejudiciais e ofensivos,  o projeto desafia a autoridade e a neutralidade percebida dos sistemas de classificação existentes, como os da Biblioteca do Congresso, e busca empoderar os usuários ao fornecer uma linguagem mais inclusiva. A iniciativa da universidade em colocar Igualdade, Diversidade e Inclusão no topo de sua agenda  alinha-se com o objetivo da Teoria Crítica de expor e combater as desigualdades sociais e estruturais.

Em termos da Teoria da Representação, o projeto reconhece que a linguagem utilizada nos catálogos não é meramente descritiva, mas performativa, ou seja, ela cria e molda a realidade social. Títulos de assunto podem, intencionalmente ou não, reproduzir estereótipos e marginalizar certos grupos, causando angústia e ofensa.  A biblioteca está reavaliando como certos conceitos são representados e buscando uma linguagem que seja mais respeitosa e historicamente precisa, evitando termos que possam eufemizar ou suavizar realidades,  portanto é um reconhecimento da complexidade da representação: o que é considerado problemático ou preferível pode variar entre diferentes contextos culturais e institucionais.

A possibilidade de os usuários ainda pesquisarem usando termos originais, mas serem alertados sobre a substituição e a disponibilidade de termos sensíveis, demonstra uma abordagem matizada à representação, permitindo a visibilidade da linguagem histórica enquanto promove alternativas mais inclusivas.

REFERÊNCIAS 

COOPER, Liz;  McMANUS, Damien. Títulos de disciplinas problemáticas: tornando nosso catálogo mais equitativo, diverso e inclusivo na Unidade de Bristol. 2025. Disponível em: https://journals.cilip.org.uk/catalogue-and-index/article/view/715. Acesso em: 29, jun de 2025

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