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Renan do Couto é um dos principais narradores da ESPN Brasil, conhecido por ser “a voz do ciclismo de estrada”, se destacou pela sua versatilidade e voz marcante em suas narrações. Graduado na Faculdade Cásper Líbero, trabalhou na Rádio Gazeta e no site Grande Prêmio, onde ganhou o prêmio Mobil Claudio Carsughi da Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo, pela melhor reportagem sobre automobilismo com “A fila anda, mas quem é o próximo brasileiro com chances de estrear no Mundial de F1?”.
Atualmente, além de ser conhecido por narrar o ciclismo, ele também se aventura com a bicicleta nas horas vagas, o que o fez se destacar por viver o esporte. Uma paixão que começou na infância, e que deu forças para o crescimento da modalidade no cenário nacional.

Caleb: Pra começar, uma pergunta simples. Você tem uma memória de quantos esportes você já narrou nesses 10 anos de ESPN?
Renan: Eu não tenho o número na cabeça agora. Eu já fiz a conta, mas esqueci, porém já passou de 20. Eu já narrei nas quatro ligas americanas [Futebol Americano, Basquete, Baseball e Hóquei no Gelo], futebol, automobilismo [Fórmula 1, Endurance, DTM e MotoGP], ciclismo, rugby, tênis, golfe, vôlei, atletismo, snowboarding, skate, motocross, X Games [competição de esportes radicais] e o de comer hot dog eu já fiz também [Nathan´s Hot Dog Eating Contest]. Eu posso estar esquecendo alguns.
Caleb: Desde que você começou seus trabalhos na ESPN e sua época no canal Grande Prêmio, você ficou muito popular por ser um narrador que está sempre presente em diversos esportes. Mas qual é o seu esporte favorito de narrar? E o menos favorito? Um em que você pensa que poderia estar trabalhando com outra coisa.
Renan: É até difícil, eu não tenho filho, então não sei como é a história de escolher filho preferido, se existe mesmo ou não. Mas, claro que por ter começado a praticar também, eu comecei a gostar muito de fazer as transmissões de ciclismo. A competição e a dinâmica da competição que eu acho legal, mas é juntar com as paisagens, com a história, com viagens, junta muita coisa que eu gosto. Por isso eu acho que é um negócio bem legal e bem desafiador, porque é bem difícil fazer a transmissão de ciclismo.
Hoje eu tenho feito, regularmente, cinco esportes, então eu não tenho feito tantas coisas fora disso. Não tem um que eu menos gosto, mas eu te digo, por exemplo, que eu não fiz lutas, eu não fiz boxe, eu não fiz outras modalidades de luta, e não é algo que eu gosto e que eu tenho vontade de fazer. E até já disse lá [ESPN] que gostaria de não fazer. Eu até gosto um pouco de boxe, de assistir um pouco boxe, ou das histórias, mas não tenho vontade de trabalhar com isso.
Caleb: Pelo Brasil ser um país que foca muito em poucos esportes, não são todos que conseguem tanta popularidade entre os brasileiros, os fãs de esportes menos populares, podem ser vistos como “chatos” nas transmissões, já que nesses nichos, eles exigem que as transmissões tenham mais aprofundamento dentro do contexto do esporte. Em uma transmissão como essa, de que maneira você consegue atender o público nichado e também tornar a transmissão interessante para alguém que não conhece o esporte?
Renan: Uma coisa que eu sempre penso para qualquer transmissão é que eu tento fazer uma transmissão que eu gostaria de assistir, porque eu sou chato assistindo, eu reparo nas coisas, eu presto atenção, então eu tento fazer uma transmissão que eu gostaria de assistir, eu me empenho muito para isso. E aí nesse esforço eu acho que o público nichado acaba percebendo, acaba reconhecendo.
Ao mesmo tempo, você sempre tem que tentar trazer mais gente, e tem esporte que não é tão conhecido mesmo, ou a dinâmica não é clara, então você tem que estar entendendo o jogo e tudo para conseguir narrar, e falando para quem gosta, porque aquele cara que gosta ele está ali o tempo todo também, e ele quer algo a mais, mas você tem que tentar, de forma sutil, encaixar explicações, encaixar termos, encaixar frases que ajudem a esclarecer o que está acontecendo ali para quem não é do nível, para quem é novo.
Então, numa transmissão de ciclismo, no meio da transmissão, você entra num assunto e outro, você encaixa uma explicação sobre a classificação geral, sobre as cores das camisas. Do jogo de futebol americano, de repente sobre as descidas, ou as posições, ou o movimento que o jogador fez. Tentar fazer isso de forma sutil, porque de tempos em tempos você conta algo, que o cara que está chegando pensa “ah, então é por isso que isso acontece”, mas sem também ficar muito repetitivo, ou muito didático para aquele cara que já passou dessa fase e que está voltando lá e está assistindo com você todo dia.
Caleb: E ainda continuando sobre uma transmissão para alguém que desconhece o esporte, agora eu quero perguntar do seu lado, como foi quando você começou, a ter que fazer transmissão de alguma modalidade que você não conhecia muito?
Renan: Já passei bastante por isso, e tem muita modalidade que ainda passaria de novo. A primeira coisa é levar a sério e se empenhar o dobro para você ter uma imersão naquilo e estar por dentro de todos os assuntos principais. O time, o que significa o jogo, o que significa o campeonato, é identificar os jogadores, os atletas e a dinâmica do negócio, acho que isso é primordial, porque se você chegar despreparado, você vai deixar isso muito na cara. E tratar com respeito, porque o público também percebe, cada esporte é um pouco diferente, mas dependendo da modalidade, o cara pode estar com o pé atrás com você, porque ele nunca te ouviu falar sobre o esporte dele, ele acha que você é só mais um ali, mas se ele vê que você está tratando com respeito, ele vai te respeitar também.
Isso começa até na relação com o comentarista, porque é o comentarista que vai estar na transmissão com você, pra você mostrar para aquele cara que está ali trabalhando também, que está levando aquilo a sério, para quem o esporte é obviamente muito importante, senão ele não seria o especialista naquele esporte, você mostrar para esse cara que você quer fazer direito, que você quer respeitar o esporte dele, e junto com ele, fazer uma transmissão que seja boa e de qualidade.
Acho que tem níveis e níveis, sabe? Tem esporte que, quando eu peguei para narrar, eu tinha pouquíssimo conhecimento, tinha esporte que eu conhecia mais, só que eu não dominava. Vou te dar um exemplo, quando eu entrei na ESPN, me perguntaram depois de algumas semanas se eu faria as transmissões do hóquei no gelo, e eu falei que não acompanhava e nem conhecia o jogo, eu já tinha jogado no videogame quando criança, sabia meia dúzia de times, mas eu não conhecia o jogo. E eu fiquei um mês assistindo, eu via a transmissão na cabine junto com o narrador que estivesse fazendo naquele dia, eu via como é que eles se organizavam, como que eles anotavam a escalação, como que eles memorizavam os jogadores. Fui tentando prestar atenção, para depois de um mês, eu falar que eu dava conta de fazer, e entrei em pânico nos primeiros cinco minutos, assim, de “nossa, eu não vou dar conta”. Aí, respirei e tudo, e continuei depois, então, esse é um exemplo.
E outro exemplo que eu posso falar é o tênis, porque tem um público que é muito exigente, é um esporte que é nicho, mas tem muito público no Brasil, e que tem muita gente fazendo trabalho de qualidade no tênis. Quando eu fui fazer a primeira vez, eu tinha mais noção do tênis do que eu tinha de outros esportes, eu acompanhei ao longo da vida, mas acompanhava por cima, de curioso, nunca tinha “mergulhado” para trabalhar com aquilo. Então eu não tinha tudo na cabeça dos jogadores, de referência, ou de algum lance, algo que eles tinham feito, tudo que o público tinha. É você saber que o cara que está em casa sabe mais do que você, provavelmente, não adianta você querer saber tudo. Você precisa aprender os termos do esporte, os padrões de como fazer a transmissão, como apresentar, e ter um mínimo de informação para você levantar a bola para o comentarista e ter uma conversa com ele, para você conseguir, a partir disso, fazer a transmissão ter qualidade.
Para você saber o que perguntar para o comentarista, para você prestar atenção no que ele fala, para você ver para onde você tem que olhar, para você treinar o seu olho e fazer a transmissão.
Caleb: Indo para a sua carreira como narrador em geral, o que te motivou a escolher a narração? Porque eu já vi em algumas outras entrevistas que você, desde cedo, já tinha vontade de ser especificamente narrador.
Renan: Não sei o que me motivou, eu achava legal. Eu, já criança, com sete, oito anos, achava legais as narrações, gostava de assistir na TV, de escutar no rádio, já prestava atenção em diferentes caras e ficava imitando, jogando no videogame, ou testando com os amigos aqui em São Paulo, lá em Minas. E eu gostava, e cresci com isso na cabeça já, e isso está comigo a vida inteira praticamente.
Caleb: Você falou muito da importância do comentarista na transmissão. Queria saber como é a relação que um narrador e um comentarista precisam ter em uma transmissão, e também se tem algum comentarista específico que foi muito importante na sua formação.
Renan: Acho que tem que ser uma relação que no ar seja de diálogo e de um levantar a bola para o outro, não pode ser “eu vou lá, eu narro, eu falo uma coisa, aí o comentarista entra e fala outra”. Tem que ser uma troca, porque eu acho que eu tenho que estar preparado para tirar o melhor do comentarista também, ou fazer uma pergunta para o comentarista que ele possa colocar da melhor forma, também perceber alguma coisa e já jogar para ele, e complementar algo que ele falou com uma informação, uma estatística, com alguma coisa que eu observei. Então é uma relação de troca, uma relação de diálogo, que você vai afinando ao longo do tempo. Tem os comentaristas que você vai trabalhar mais, que você vai trabalhar menos, que você vai conversar mais fora do ar, que você vai conversar mais no ar, ou que você vai conversar durante os intervalos, depende do esporte que você está fazendo, mas é algo que você vai aprimorando ao longo do tempo.
E aí quando perguntam nome, até fico com medo, “será que vou ser justo, vou esquecer alguém”, vou tentar não esquecer, talvez eu deixe alguém de lado aí. Mas só para dar alguns exemplos, o Antony Curti que eu fiz muito jogo de NFL, de College [Futebol americano universitário], era alguém com quem eu conversava muito sobre transmissão e tudo, temos idades parecidas, então a gente foi crescendo junto, muitas conversas sobre o jogo que a gente ia fazer ou sobre transmissão em geral que a gente estava, que a gente não estava, nisso a gente conseguiu muito um ajudar o outro. O Ubiratan Leal, que eu faço transmissões de baseball e de futebol, também um cara que eu conversei muito sobre transmissão, sobre jornalismo, sobre o trabalho com ele. O Celso Anderson, que faz as provas de ciclismo comigo, ele me ajudou muito a entender o esporte, tanto na TV, como também fora da TV, porque viu que eu gostava de pedalar e me colocou para praticar o ciclismo também, e isso daí me abriu a aprender muita coisa sobre o esporte. Foi um cara que me ajudou muito, e não necessariamente com a parte jornalista, porque ele não é um jornalista, mas de olhar para o esporte e o sentir de uma outra forma. Então, são três caras com quem eu trabalhei muito ao longo desses dez anos, com quem eu troquei muito também, em termos dos comentaristas que estiveram comigo, e que cada um ajuda a puxar alguma coisa. Tem mais gente também, mas aí eu vou me alongar demais para falar de cada um.
Caleb: Falando sobre o ciclismo, você falou da importância do Celso, tanto na transmissão como fora da transmissão. Há quatro anos, em 2021, você começou a praticar o ciclismo até de maneira profissional. Queria perguntar para você como é essa aventura no ciclismo, não só dentro das cabines, mas também pedalando.
Renan: Em 2021 foi a primeira vez que eu fiz uma prova, eu já estava até pedalando antes. Nunca pratiquei de maneira profissional ou competi para uma equipe profissional, embora tenho corrido a categoria elite aqui no Brasil em 2023, que é ir no meio dos profissionais, mas eu não era um atleta de uma equipe profissional. Mas é algo que é um lazer, é algo lúdico, uma diversão, algo que me empolga como pessoa, porque é legal. Eu sempre gostei de praticar esportes em geral, de jogar bola… E eu comecei a pedalar, sempre andei de bicicleta ao longo da vida, mas comecei a ter uma frequência maior, em um nível mais alto, e comecei a gostar. Eu gosto de competir, comecei a competir entre os amigos, aí fui em algumas provas de federação de categoria por idade, provas amadoras, porque eu gosto, mas isso sim, isso te faz enxergar tudo de uma forma diferente, porque eu, quando comecei a pedalar nesse nível, comecei a prestar mais atenção em detalhes do comportamento dos atletas, em termos táticos, dentro da prova, ou de técnica, sensações, ou do que você consegue ter noção quando você está dentro de um pelotão.
Só que também do treinamento, porque eu comecei a treinar, então, para eu treinar, eu tinha que fazer o quê? Fui atrás de aprender sobre isso, com o treinador, ou lendo livros e artigos, então eu comecei a me envolver mais com o lado do treinamento que um atleta tem, com o lado da nutrição, da recuperação, ou da logística para você participar de uma prova, da parte técnica da bicicleta, foi muita coisa que eu comecei a pesquisar, também por pedalar, também pensando em mim.
Então, são conceitos também que me ajudam a entender os outros esportes, que eu consigo levar para o trabalho em outros esportes. Muita atenção no tênis, por exemplo, eu tinha que acabar comentando isso, mas até mesmo no futebol e outras coisas, são coisas que vão se somando, conhecimento que você vai adquirindo, e vai usar ao longo da vida, até porque a gente trabalha com informação, então quanto mais informação a gente puder absorver, melhor.
Caleb: Agora voltando um pouco sobre as suas experiências como narrador, eu queria fazer uma pergunta mais pessoal, qual é a transmissão que você considera a mais especial da sua carreira?
Renan: Eu sou ruim nisso, de guardar qual foi a mais especial, porque muita coisa eu acabo até esquecendo. Bom, eu acabei de narrar a final do US Open agora no fim de semana, que foi algo especial, Sinner e Alcaraz [Finalistas do torneio], o tamanho que os dois já estão adquirindo no tênis, então com certeza esse fim de semana foi um momento legal.
Tour de France [Torneio de maior prestígio no ciclismo], tem algumas etapas que ficam muito marcadas. Uma etapa em 2022, que foi da emboscada que o Vingegaard e a equipe fizeram para o Pogačar [Após um acidente, Vingegaard esperou por Pogačar], foi uma etapa que ficou muito marcada para quem é fã de ciclismo, então essa daí com certeza foi uma corrida que foi muito legal de ter feito.
Ano passado, o final do beisebol, o Yankees e Dodgers, a série toda, mas especialmente o primeiro jogo [Nesse jogo, o Dodgers virou no final do jogo com um Home Run, quando o rebatedor joga a bola para fora dos limites do campo], foi um jogo muito, muito legal, muito marcante. Jogos de futebol, de Premier League em geral, sempre são legais, a intensidade do jogo, a diferença de fazer algum clássico, eu fiz um City e Liverpool [Os dois principais times da Inglaterra nos últimos oito anos] na última temporada, mais outros vão também, mas para destacar três, três eventos aí, esses três que eu falei, do tênis, do tour e do beisebol. Eu estou esquecendo coisas, você talvez lembre de alguma outra coisa que eu fiz.
Caleb: Eu tenho uma vaga lembrança de você ter narrado o último gol do Jota [Jogador português vítima de um acidente de carro em 04/07/2025, aos 28 anos].
Renan: Foi, depois que eu me liguei disso até, acho que alguém postou e me marcou depois, o último gol foi contra o Everton, foi 1×0, o último gol do Jota. É algo que quando você faz na hora, você nunca vai pensar, que depois você vai me lembrar daquela narração desse jeito. E as vezes que eu revi, até penso, foi uma narração legal, foi uma narração normal, porque era um gol legal, um clássico, mas você não pensa no que vai acontecer depois.
Caleb: E teve algum acontecimento inesperado em alguma transmissão? Algo como a vez do padre que invadiu uma maratona e atrapalhou o brasileiro de ser campeão da medalha de ouro, que quando você estava narrando teve que transmitir aquilo para quem estava assistindo?
Renan: Estão acontecendo esses protestos todos na Volta à Espanha [Torneio de ciclismo] deste ano, já foram duas etapas que tiveram o final alterado com pessoas entrando e bloqueando a estrada nessas manifestações contra Israel. Então sim, algo, se enquadra um pouco nisso. O que está me vindo à cabeça de que algo extra, não é extra-quadra, mas extra-esporte, é o que está acontecendo agora nessa Volta à Espanha.
Caleb: Falando um pouco mais sobre a transmissão em si, até do ciclismo mesmo, e de alguns esportes americanos. Essas transmissões geralmente são mais longas e a depender da competitividade do evento, pode se tornar até um pouco entediante. Então como você e os comentaristas trabalham para conseguir manter a transmissão chamativa?
Renan: Preparação. Primeiro sim, a gente tem que gostar, você perguntou de esporte se tem mais ou menos afinidade. Quanto mais você gosta do esporte, mais você vai encontrar coisas que vão te empolgar naquele evento que você está narrando. E segundo é a preparação: tem que ter conteúdo, tem que ter informação. Eu tenho a cabeça muito de jornalista, sabe? Eu brinco, acho que ser engraçado faz parte, mas eu tenho o pé na informação, então acho que é estar bem preparado, ter o máximo de repertório possível para contar uma história, para lembrar do que um jogador fez antes, algo que tenha a ver com a torcida, que é o que vai te ajudar a preencher aquele espaço da transmissão e sempre trocando com o comentarista, tendo o que conversar com o comentarista para que o tempo passe mais facilmente.
Caleb: Na sua visão, dado de conta que o Brasil vem dando mais espaço para outros esportes. Podemos ver o jogo da NFL em São Paulo, o crescimento de visibilidade de outras ligas. Você acha que o seu trabalho ajudou nessa mudança? Acha que os outros esportes estão crescendo no Brasil?
Renan: O meu trabalho em si, não sei quanto que o meu trabalho ajudou, acho que é parte de um todo. No meio de um todo, eu tento deixar a minha contribuição fazendo o melhor que eu posso, que é apresentando o esporte, contando a história do esporte para as pessoas, me empolgando com o esporte. No caso do ciclismo, que eu comecei a praticar até em redes sociais, acabo postando um pouco mais [Hoje, Renan também escreve sobre suas experiências, no Substack], já recebi mensagem de gente que falou que começou a pedalar porque me viu pedalando ou me viu nas transmissões e gostou de assistir e foi atrás de pedalar. Então, algum tijolinho ali a gente com certeza acaba colocando.
E que bom, né? Acho que é algo legal. Tento não pensar que eu sou mais importante do que eu sou, acho que se não fosse eu, podia ser outra pessoa, mas, sim, qualquer jornalista, qualquer área, fazendo o trabalho bem feito, acaba colocando um tijolinho ali que pode impactar em alguma pessoa a fazer algo diferente, a se preocupar com a saúde, com o bem-estar, ou querer praticar um esporte ou outra decisão relacionada a qualquer coisa da vida que ela decida ali porque ela viu numa reportagem, num texto. Acho que tem alguns tijolinhos ali que a gente[Jornalistas] foi colocando com o tempo, dá pra ficar feliz.
Caleb: E pra encerrar, qual é o recado que você deixa pra quem quer seguir o jornalismo esportivo, principalmente na profissão do narrador?
Renan: Tem que gostar muito de buscar informação, seja como for, seja conversando com as pessoas, lendo, assistindo documentário, tem que buscar a informação porque ela é o que vai te deixar confortável quando você estiver no ar, você tem que tirar de algum lugar o que você vai falar. Então você tem que estar informado, preparado, tem que ter esse repertório, ter cuidado e ter respeito pelo que você está fazendo porque sempre tem alguém vendo, por bem ou por mal.
Se é um dia que você não está legal, pode ter alguém vendo e vai te marcar por aquilo ou se você está bem, alguém está vendo e vai te marcar por aquilo por bem ou por mal e esse alguém pode ser alguém que vai te dar uma oportunidade de emprego, pode ser o seu chefe, um amigo, os pais de algum jogador, tem que ter muito esse cuidado também. Sempre tem alguém vendo aquela transmissão e acho que eu ou você talvez já tenha visto algum cara fazer um comentário que você marcou e pensou “que bobagem que ele falou”, de repente não vê aquele problema todo dia, nem viu tudo, mas você marcou aquilo. É por isso que eu falo que tem que ter esse cuidado e nunca vai agradar todo mundo também, se você tratar com seriedade, com respeito, você vai estar fazendo um bom trabalho já.
