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Sophia Caetano

A Secretaria Municipal de Mobilidade divulga dados que indicam que acidentes com mortes vêm aumentado em 2025, e as principais vítimas são motociclistas e pedestres

Conforme dados do Observatório da Segurança Pública, entre 2023 e 2024, 1.205 motociclistas e passageiros morreram em acidentes de trânsito em Goiânia. Somente no primeiro semestre de 2025, já foram contabilizadas 243 mortes, indicando que o levantamento final tem tendência a aumentar e surpreender em relação aos anos anteriores, refletindo a falta de políticas de segurança e fiscalização nas vias.

Foto: Reprodução/Polícia Militar

Apesar de relatos de melhora pontual em alguns corredores urbanos, a realidade mostra que o risco para quem anda de moto segue alarmante. No Brasil, a taxa de mortes causadas por acidentes de trânsito envolvendo motocicletas atingiu 6,3 óbitos por 100 mil habitantes em 2023, alta de 12,5% em relação a 2022, segundo o relatório Atlas da Violência 2025, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Isso evidencia que o aumento em localidades como Goiânia está em sintonia com uma tendência nacional, onde as motos vão tomando espaço entre os meios de transporte mais letais.

No primeiro semestre de 2025, o Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (HUGOL), em Goiânia, atendeu 1.948 vítimas de acidentes de trânsito, das quais 75% eram motociclistas. Hospitais em municípios vizinhos também registraram percentuais semelhantes, como no HEAPA (em Aparecida de Goiânia), com 736 motociclistas atendidos, correspondendo a mais de 70% dos casos. Esses números deixam claro que acidentes envolvendo motos se vinculam à sobrecarga de serviços de saúde e a dependência de políticas de prevenção.

Quantas mortes por dia?

Um levantamento do Departamento Estadual de Trânsito de Goiás (Detran-GO) informa que, no estado de Goiás, quatro motociclistas morrem a cada três dias.

O engenheiro e professor de Transportes do IFG, Marcos Rothen, destacou que os principais fatores para o aumento dos acidentes são a engenharia de trânsito, a educação e a fiscalização. Segundo ele, há falhas na sinalização, o que deixa os motoristas sem a devida orientação e contribui para os acidentes. Além disso, o processo de formação dos condutores é considerado simples e caro. Por fim, Rothen ressalta que, mesmo com educação, sempre haverá quem desrespeite as leis de trânsito, e cabe à fiscalização coibir essas infrações. No entanto, a capital goiana falha em fiscalizar muitos locais, justamente onde os acidentes são mais frequentes.

O especialista também afirma que campanhas de conscientização podem até dar algum tipo de resultado, mas sempre pequeno. Para o pesquisador, as campanhas têm que ser vistas junto com a fiscalização. Mesmo que Goiânia possua muita fiscalização eletrônica, em bairros mais afastados esse padrão não se aplica, e é exatamente onde a maioria dos acidentes acontecem. Os motoristas precisam saber o motivo de respeitar as regras de trânsito e serem fiscalizados, para saberem que há risco de receberem uma multa e, assim, respeitarem a sinalização.

Segundo informativo da Polícia Rodoviária Federal (PRF), quase 30 pessoas morreram em acidentes envolvendo motocicletas somente nas rodovias goianas no início de 2025. Esse dado evidencia que não se trata apenas de trechos urbanos: a mobilidade regional, acesso rápido e alta velocidade contribuem para o risco elevado dos motociclistas. A combinação de velocidade, falta de acostamento ou proteção lateral, e falhas de sinalização nessas vias colocam os condutores numa situação de vulnerabilidade ainda maior.

Velocidade de veículos

“Goiânia tem investido muito no aumento da velocidade. Até praças estão sendo cortadas ao meio para poder dar mais velocidade para os veículos”, diz Marcos. 

Na atual gestão de Sandro Mabel, a permissão dada a motos para utilizarem os corredores exclusivos para ônibus, permite que pilotem com maior velocidade, o que não dá muitos resultados positivos e coloca a vida dos motociclistas e de outros veículos em risco. A velocidade está diretamente conectada com a ocorrência de acidentes e com a gravidade deles. 

O motorista de aplicativo goianiense Fernando Torres seguia para levar a esposa ao trabalho quando um carro, com quatro ocupantes, avançou o sinal vermelho em alta velocidade e atingiu a motocicleta em que o casal estava. O impacto lançou Fernando sobre o veículo, fazendo-o cair do outro lado da via. Ele sofreu fraturas expostas na perna esquerda, quebrada em três partes. O condutor do automóvel tentou fugir sem prestar socorro e, mesmo após infringir as leis de trânsito, se recusou a arcar com os prejuízos. Apenas após um processo judicial, Fernando conseguiu receber indenização pelos danos materiais, mas nenhuma reparação foi paga pelos danos físicos ou morais.

“Atualmente tô trabalhando de carro, acho que vou esquecer de moto por um bom tempo”, afirma Fernando. 

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