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Historicamente, a inclusão de mulheres no mercado de tecnologia é um problema, mesmo com avanços, o número de homens nesse setor ainda é consideravelmente maior, uma pesquisa da Serasa Experian de 2024 aponta que apenas 0,07% da população adulta feminina no Brasil trabalha na área de TI, enquanto o percentual é cinco vezes maior entre os homens (0,34%). Além disso, uma pesquisa pela empresa Yoctoo em 2019 diz que cerca de 82% das mulheres disseram já ter sofrido algum tipo de preconceito nessa área.
Na visão de Heloisy Rodrigues, primeira mulher formada em Inteligência Artificial na América Latina, essa diferença é cultural: “O que eu vejo é que, às vezes, a gente, quando era criança, o menino ganhava um videogame, ganhava um computador. E com isso ficava mais fácil ele aflorar o desejo de mexer com tecnologia, de mexer com jogos, essa parte era muito fácil para ele. Enquanto as meninas nunca tiveram esse estímulo. Então brincava de boneca, de cozinha, tem essa discrepância já na parte ali da infância mesmo, acaba que é bem cultural, mas tá mudando”, declara.
Além dessa situação, as que optam por se arriscar nessa área ainda são menosprezadas por colegas durante a sua formação acadêmica. Bianca Visco, estudante no curso de Inteligência Artificial na UFG, relata: “Ainda dá pra perceber certo preconceito, principalmente no começo do curso, quando algumas pessoas acabam subestimando a capacidade das mulheres em trabalhos ou atividades em grupo. Quando entrei no curso, sempre que o professor pedia para formar grupos, as meninas faziam juntas pelo fato de os meninos não nos incluírem, fazendo até mesmo algumas piadinhas de que ‘é melhor as meninas juntas, que talvez possa sair alguma coisa’”, relata.
“Como mulher na computação, enfrentei ambientes pouco diversos. Respondi com atuação ativa em ações de divulgação, mentoria e criação de ambientes acolhedores nas disciplinas e projetos”, relata Telma Soares, líder no processo de criação do curso de Bacharelado em Inteligência Artificial.
Superação
Além desses desafios, existem outras barreiras para serem superadas. Heloisy relata que sua maior dificuldade no começo foi, por ser novidade, a inexistência de turmas anteriores na UFG para dialogar sobre o curso. Já Telma relata uma dificuldade em tirar o curso do papel, devido à necessidade de acumular funções, burocracia, necessidade de criar um centro de excelência, dentre outras coisas.
Outro ponto que colabora para que haja uma predominância masculina é a falta de divulgação sobre as importantes figuras femininas no setor. Um dos nomes mais importantes é o de Ada Lovelace, que criou aquilo que acabou sendo o primeiro algoritmo para ser projetado em uma máquina. Predominantemente no Reino Unido, há a comemoração do “Ada Lovelace Day”, na segunda terça-feira de outubro, desde 2009. O dia serve para relembrar figuras femininas esquecidas importantes da matemática e da tecnologia.

Projeções para o futuro
Entretanto, apesar das dificuldades, as expectativas para o futuro são positivas. O crescimento de mulheres na área de Tecnologia da Informação (TI) tem superou o crescimento masculino em 1,5% entre 2020 e 2023, segundo a Brasscom.
Para Bianca, que escolheu o curso por ser uma área promissora e ampla, há otimismo sobre a ampliação da igualdade de gênero: “Acredito que, com o passar dos anos, essa diferença vai diminuir ainda mais. Desde que comecei a faculdade, já percebo um aumento gradual no número de mulheres interessadas pela área. Com o crescimento da importância da inteligência artificial e a visibilidade que ela tem alcançado, penso que o curso vai se tornar mais concorrido entre todos, sem distinção de gênero. Provavelmente, no futuro, será algo natural ver uma turma equilibrada entre homens e mulheres, como acontece em outras áreas mais tradicionais. Essa mudança já começou, e acredito que tende a se fortalecer cada vez mais, à medida que mais pessoas conhecem e se identificam com o potencial da tecnologia”, argumenta.
Telma e Heloisy concordam na importância de uma maior diversidade para ampliação de inovações. Para ambas, um ambiente de trabalho mais diversificado, com pessoas com visões diferentes, tende a ampliar o número de ideias. Elas também concordam que o governo federal tem criado projetos que visem essa ampliação da diversidade, incentivando mais mulheres a entrarem na área.
Telma, inclusive, como professora líder no curso de Inteligência Artificial da UFG, tem boas esperanças para o futuro e trouxe os planos: “A tendência é aumentar a transferência de conhecimento para a sociedade por meio de projetos com a indústria e com o setor público, ampliando oportunidades para estudantes e fortalecendo o ecossistema regional. A diversidade e a inclusão continuarão sendo parte central dessa agenda — não apenas por justiça social, mas porque são alavancas concretas de inovação e competitividade.”
Já Heloisy acredita na possibilidade de equidade de gênero no setor em breve e aconselha aquelas que estão entrando na área: “Uma dica para as mulheres é realmente participar de eventos, se unir com outras mulheres aí que já estão trilhando um caminho parecido”, recomenda.
