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Desafios que os migrantes africanos enfrentam no dia a dia
Goiás é o 14º estado com maior número de imigrantes registrados no país, conforme dados de 2022. Dos 6.384 inscritos no Cadastro Único, 3.398 são mulheres e 2.986, homens. Eles estão distribuídos em 218 municípios, sendo que a maioria veio da Venezuela, 3.156 pessoas. Em segundo estão os migrantes do Haiti (503), Colômbia (142) e Bolívia (127) e o da África que é composta majoritariamente por Guineenses (Guiné-Bissau).
Goiânia é responsável por receber 40% dos migrantes, refugiados e apátridas com registros ativos na Polícia Federal (PF). Logo após Anápolis, as cidades de Aparecida de Goiânia (10%), Valparaíso de Goiás (3,2%) e Rio Verde (2,3%) são as cidades com o maior número de estrangeiros.
O professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG), mestre em educação e doutor em ciências da religião, Pedro Sahium explicou que a maior parte dos imigrantes em Anápolis é de africanos, especialmente de Guiné-Bissau, Senegal e da República Democrática do Congo. Deste grupo, grande parte escolhe o Brasil pelo referencial de estudos e seminários ou do apoio que existe nas mesquitas, local de culto islâmico.
Ele destaca que uma das grandes barreiras dos estrangeiros africanos é o racismo presente na sociedade brasileira. “Eu tenho alunos que são desses três países africanos e eles me falam que sentem o preconceito da população, é o preconceito contra os negros, esse preconceito existe, é o racismo que, infelizmente, continua a acontecer”, lamentou.
Naiengham Duarte Nancassa, estudante de Pedagogia na UFG afirma que já sofreu muito preconceito no meio dos colegas da faculdade e na rua. Segundo ele, a universidade não oferece acompanhamento psicológico para esses estudantes de intercâmbio. ”Imagina você chegar num país onde o racismo é enraizado aí você deparar com dificuldades para entender as pessoas. Isso é lamentável demais”, afirma.
De acordo com Augosto Mendes, presidente da Associação de Migrantes e Apátridas de Goiás (Amira-Go), até agora não existe uma emenda parlamentar que defenda direitos dos migrantes africanos contra o racismo e xenofobia, mas a organização tenta dar encaminhamento às autoridades competentes para que eles possam resolver a situação da vítima. “Há muita exclusão social para migrantes Africanos. Isso demonstra a falta de leis para proteger essas pessoas”, afirma o presidente da Amira-Go.
Para Saturnina da Costa, assessora de articulação política e assistência técnica em migração contra tráfico de pessoas, coordenadora da rede de Apoio aos migrantes, refugiados e Apatridas de Goias ( REMIGA) e coordenadora da comunidade dos migrantes de Goias ( COMIGO), afirma que a questão de migração tem vários fatores, principalmente a questão da instabilidade política que se vê em alguns países africanos. “Essas pessoas optam por melhorar sua vidas indo para outros países em busca da estabilidade econômica social. A REMIGA e o COMIGO reuniram vários imigrantes de diferentes países para dar apoio, atendendo às demandas básicas dessas pessoas em colaboração com outras organizações, com a Cátedra Sérgio Vieira de Melo da UFG. A ideia dessa rede de colaboração é a de que, quando um migrante está com problema, ela possa ajudar a resolver o problema”, explica.
Desafios que os migrantes africanos enfrentam no dia a dia
O Presidente da Amira-Go realçou as principais dificuldades enfrentadas pelos migrantes: “além do racismo, é a burocracia para obter documentação. Além disso, muitos têm barreiras linguísticas, o que dificulta o atendimento em serviços públicos essenciais, especialmente entre migrantes de países francófonos. Também enfrentam obstáculos para o reconhecimento profissional e para conseguir emprego, já que algumas empresas acabam discriminando ou tratando mal esses trabalhadores. Esses fatores compõem as maiores barreiras vividas pelos migrantes na região”, descreve.
No segundo semestre de 2023, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) conduziu processos de escuta e diálogo com pessoas refugiadas sobre diferentes recortes temáticos, como acesso a emprego e renda, assistência social e educação. Chamado de “Diagnóstico Participativo”, é um mecanismo de compreensão e análise das principais reivindicações de refugiados e migrantes em Goiás. Falta de apoio econômico e assistência social, barreira linguística, falta de informações sobre programas sociais e casos de xenofobia em sistemas públicos de atendimento estão entre as dificuldades mais citadas por essa população.
“Fica claro que dão prioridade [no atendimento público] para os brasileiros. Se for estrangeiro, criam muitas dificuldades e barreiras, solicitam mais documentos do que é exigido e por isso, às vezes, desistimos”, afirmou um homem durante a realização de uma etapa do processo.
Na perspectiva da validação do diploma Biany Lourenço Comitrate coodenadora da Gerencia de Direitos Humanos do de Goias, realça esse assunto como principal demanda da partes dos imigrantes africanos porque até agora eles nao conseguiram ter a validação do diploma, e outra questao da degnidade e inclusao social a moradia e o trabalho, lembrando que todos os migrantes dentro do estado de Goias deveria receber todos os beneficios que qualquer Goiano tem.
Nilda Keny trancista africana da Guiné-Bissau no estado de Goias afirmou ter passado por dificuldades enormes quando chegou, porque tinha que trabalhar e estudar para poder pagar contase o lugar onde morava nao estava em boas condiçoes.” sinto falta do apoio das politicas publicas com os imgrantes africanos ” conclui.
