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A mecanização rural cresceu muito no Brasil nas últimas décadas, e dados do IBGE apontam que em 2017 havia em torno de 1,2 milhão de tratores nos estabelecimentos agropecuários. Nesse mesmo período, cerca de 1,5 milhão de trabalhadores rurais perderam seus empregos no campo, em vista que se tornou mais viável o uso das máquinas como meio de produção.
O proprietário da Estância Tamburil, Amarildo Pires, afirma que os tratores e maquinários são as melhores opções para um produtor rural, visando os benefícios econômicos e produtivos. Apesar do valor caro das máquinas, o custo fica menor a longo prazo, além de produzirem mais que a mão de obra humana, e em menos tempo. Segundo ele, para entrar no mercado global, o produtor tem que ter a visão de que o investimento na tecnologia de sua produção é de extrema importância.
Amarildo é criador de gado leiteiro e usa das máquinas para facilitar na ordenha do leite de suas vacas. Além disso, as máquinas também o ajudam no plantio da própria ração que seu gado consome.
“Com a ordenha manual, leva-se cerca de dez minutos por animal. Já na ordenha mecânica, esse tempo diminui pela metade”
Amarildo Pires
Mas mesmo com as evoluções tecnológicas tomando espaço no campo e beneficiando os grandes produtores, os trabalhadores rurais e pequenos proprietários vão perdendo o seu espaço no agronegócio. Segundo o Censo Agropecuário de 2017, há um aumento grande na contratação de mão de obra terceirizada (cooperativas, empresas) para operar ou dar suporte às máquinas. Isso significa que, embora ainda haja emprego, muitas funções estão sendo terceirizadas e trabalhadores rurais diretos estão sendo substituídos por uma mão de obra “por contrato”.
A especialização e capacitação dos pequenos agricultores seria uma saída para que a mecanização não os prejudicassem, e sim os adaptassem às evoluções. Porém, segundo a Revista Rural, há uma “carência preocupante” de mão de obra especializada no campo, em que muitos trabalhadores não têm experiência ou formação para operar equipamentos agrícolas de alta tecnologia. O gerente técnico do Censo Agropecuário do IBGE, Antonio Carlos Florido, menciona a falta de políticas públicas e a necessidade de maior investimento na qualificação.
A queda foi mais intensa quando se trata da agricultura familiar: nela, a população ocupada caiu cerca de 2 milhões de pessoas entre 2006 e 2017. Isso indica que os pequenos produtores, que são tradicionalmente responsáveis por grande parte do trabalho rural no Brasil, foram especialmente afetados pela mecanização. Para muitos, a substituição do trabalho manual por máquinas representa não só perda de emprego, mas também o fim de um modo de vida característico do interior.
Nelson Guiar é um trabalhador da zona rural há mais de 30 anos, e por estar nesse meio há tanto tempo, acompanhou toda a evolução do campo e a substituição das pessoas por máquinas, e também sofreu as consequências desse processo. “Foram me dispensando com o tempo. Meu trabalho manual já nem se comparava com a rapidez que uma máquina tinha”, afirma Nelson. Ele também fala sobre o quão difícil seria capacitar pessoas que viveram e trabalharam manualmente no campo a vida toda, pois além de não haver trabalho para todos, muitos não tiveram acesso a uma boa educação, que seria uma base fundamental para ter a habilitação para conduzir as máquinas.
A mecanização, apesar de impulsionar a produtividade e garantir competitividade ao agronegócio brasileiro, evidencia que o avanço tecnológico não tem sido acompanhado pela inclusão dos trabalhadores que sustentaram o campo por décadas. Para muitos pequenos produtores e trabalhadores rurais, a transição não ocorre de forma equilibrada, e as oportunidades de qualificação ainda chegam de forma lenta e desigual.
Então como promover inovação sem ampliar as desigualdades no campo? Especialistas da Embrapa, em relatório de 2025, alertam que a modernização do campo só será inclusiva se vier acompanhada de capacitação profissional e políticas públicas que garantam a inclusão dos trabalhadores rurais. Programas como o Pnater – que tem como objetivo priorizar os públicos que historicamente foram os mais excluídos dos processos de desenvolvimento – são apontados como fundamentais para garantir a inclusão produtiva de agricultores familiares diante da mecanização, porém, ainda precisam ser ampliados e fortalecidos.
