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A olimpíada é um evento que para o mundo e que mexe com os sentimentos e carreiras de muitas pessoas. Para chegar lá é necessário investimento, determinação e amor ao esporte, porém este primeiro fator, o investimento, é um grande desafio no Brasil e em Goiás essa questão não é diferente.

Atualmente, os clubes que investem nas modalidades olímpicas são o Vila Nova e o Goiás. O Vila tem o futebol feminino da base ao profissional e o vôlei masculino e feminino de base, já o Goiás tem o vôlei masculino profissional e o tiro com arco. Além deles, existem projetos independentes como a Neurologia Ativa (vôlei), o Projeto Impacto (taekwondo), o Goianos (flag football) e muitos outros, porém eles quase sempre acabam esbarrando nas dificuldades financeiras.

Falta de investimento

Os esportes olímpicos são muito carentes de investimentos empresariais e ficam reféns de incentivos públicos para conseguirem se manter, porém o estado de Goiás não investe o suficiente para esses esportes existirem e evoluírem, tornando a profissionalização restrita a quem tem um amor irracional pelo esporte ou pelos que têm dinheiro para se dedicar exclusivamente ao esporte.

Isso fica claro quando Rafael Andrade, atleta de ginástica de trampolim que se classificou para as Olimpíadas do Rio 2016 sem receber nenhuma bolsa do Estado, dá a seguinte declaração:

“É um lugar [Goiás] que não produziu tanto quanto poderia e poderia ajudar mais os atletas. É um Estado que não se importa em cuidar [dos atletas]. Não sei nem se eles sabem que sou goiano.”

“Tive a sorte de ter uma família que me bancasse.”

-Rafael Andrade, em entrevista ao O Popular

Foto: Ricardo Bufolin/CBG

Além disso, em uma situação mais crítica, a equipe de vôlei masculino Neurologia Ativa teve que abandonar a vaga na superliga B por questões financeiras. Seu presidente, Sávio Beniz, atribuiu parte dessa culpa à falta de cultura de investimento no esporte em Goiás.

“Rodamos o projeto com dinheiro do meu bolso e com recursos da Lei do Incentivo ao Esporte. Estou com uma dívida enorme para pagar, trabalho muito para isso, mas é difícil.”

“Muitas empresas são familiares e não existe cultura de investir no esporte. A visão que muitos departamentos de marketing têm é justamente isso. Investe no futebol por ser massificado, mas no vôlei e basquete, por exemplo, o público é mais específico e a dificuldade é maior.”

-Sávio Beniz em Entrevista ao O Popular

Não foi a primeira vez que uma equipe de vôlei de Goiânia passou por problemas desse tipo: em 2013, o Monte Cristo teve que mudar de cidade para conseguir se manter financeiramente.

Por outro lado, essas dificuldades não se restringem aos clubes de menor expressão, e os diretores de esportes olímpicos do Vila e do Goiás também falaram sobre o assunto.

“Os esportes, infelizmente, no nosso estado, não têm a valorização devida. Apesar de ser uma questão que está no artigo 217 da Constituição Federal, o esporte e o lazer não são garantidos no Estado. A ausência de políticas públicas eficazes voltadas ao esporte é o maior problema de Goiás há mais de 20 anos.”

-Willian Mendes, diretor de esportes olímpicos do Vila Nova

Foto: Diogo Moura / Vila Nova

“Nós sempre recebemos algumas sugestões para firmarmos parcerias nas modalidades olímpicas e paralímpicas. Contudo, é necessário trabalhar com os pés no chão, solidificando um de cada vez. Quando um estiver bem estruturado e andando quase sozinho, aí sim abriremos outro, e por aí vai. Afinal, não adianta começar todos de uma vez, porque isso complicaria a gestão.”

-Ricardo Picinin, diretor de esportes olímpicos do Goiás, em enstrevista ao Esporte Goiano

Arte: Goiás Esporte Clube

Além de tudo isso, a falta de investimento em quadras poliesportivas, seja em quantidade quanto em preservação e reparação das existentes, é outro fator que dificulta a prática e a ascensão de atletas olímpicos goianos.

Foto: Guilherme Alves/Jornal Opção

Apesar disso, existe uma lei de incentivo ao esporte no estado, o Pró-Goiás Atleta, que teve início em 2019 e oferece 600 bolsas para os atletas locais. Porém, apenas isso não é o bastante para mudar o panorama do esporte em um estado com mais de 7 milhões de habitantes.

Histórico em olimpíadas

O estado de Goiás, apesar de tudo, já produziu alguns atletas olímpicos e inclusive medalhistas olímpicos como Carlos Jayme, na natação, que ganhou bronze no revezamento 4×100 nos jogos olímpicos de Sydney em 2000, sendo a primeira medalha olímpica goiana na história. E mais tarde, Dante Amaral, no vôlei, conquistou três medalhas, a primeira de ouro nas Olimpíadas de Athenas em 2004, a segunda e a terceira de prata nas olimpíadas de Pequim e de Londres em 2008 e 2012, respectivamente.

Desde as olimpíadas de 2000, o estado de Goiás foi representado 16 vezes, dando uma média de pelo menos 2 atletas goianos por edição. Que em 2028 nos Jogos Olímpicos de Los Angeles essa média aumente ou ao menos se mantenha, para que o esporte olímpico goiano cada vez mais seja notado e incentivado pelos órgãos públicos.

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