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Nas últimas semanas, Goiânia tem enfrentado sérios transtornos provocados pelo aumento do volume de chuvas. Temporais intensos, concentrados em curtos períodos, têm causado alagamentos em diversos pontos da capital, levando à emissão de alertas da Defesa Civil e à mobilização de equipes de emergência. Ruas, avenidas, áreas comerciais e espaços públicos foram diretamente afetados pelo grande acúmulo de água, comprometendo a circulação de pessoas e veículos e aumentando os riscos à população.
Entre os locais atingidos está a Feira da Lua, tradicionalmente realizada aos sábados na Praça Tamandaré, na Região Central da capital. O espaço ficou completamente alagado, dificultando a circulação de pessoas e o funcionamento das barracas. Mesmo sob chuva intensa, feirantes tentaram manter as atividades, mas relataram prejuízos e insegurança. A situação evidenciou a vulnerabilidade de eventos ao ar livre diante de episódios extremos de chuva.
Na Região Oeste, moradores do Jardim Atlântico acompanharam a elevação significativa do nível do lago no Parque Cascavel, resultado direto do acúmulo de água das chuvas. A situação gerou apreensão, especialmente em áreas próximas ao parque. Já na BR-153, uma das principais rodovias que cortam Goiânia, o tráfego precisou ser interrompido temporariamente devido às condições da pista, comprometidas pelo volume de água.
Um dos pontos mais críticos voltou a ser a Marginal Botafogo, historicamente afetada por alagamentos em períodos chuvosos. No local, um homem precisou ser resgatado pelo Corpo de Bombeiros Militar de Goiás (CBMGO) após o veículo em que estava ficar submerso. Registros em vídeo mostram o motorista inicialmente sobre o carro, cercado pela água, até ser retirado em segurança com o auxílio de uma corda. A ocorrência reforça o risco de trafegar por vias conhecidas por alagamentos durante temporais.

Outras situações de perigo também foram registradas. Uma adolescente de 13 anos ficou presa debaixo de um carro após ser surpreendida pela força da enxurrada no Setor Pedro Ludovico. Segundo o CBMGO, a jovem teve dificuldade para respirar e chegou a ficar desacordada por alguns minutos. O resgate foi realizado pelo Batalhão Bombeiro Militar, e a vítima foi encaminhada para uma unidade hospitalar, onde passou por avaliação médica.
Ainda de acordo com os bombeiros, houve registro de enchentes na Rua 90, em frente ao Parque Areião. A força da água arrastou diversos veículos, alguns com pessoas ainda dentro, sem qualquer controle dos motoristas. Um caminhão foi utilizado no resgate de ocupantes dos automóveis. Apesar da gravidade da situação, não houve confirmação de feridos ou mortes.
A Defesa Civil desempenha um papel fundamental em períodos de chuvas intensas, atuando na prevenção, no monitoramento e na resposta a situações de risco que colocam a população em perigo. Em Goiânia, o órgão realiza o acompanhamento constante das condições meteorológicas, mapeia áreas vulneráveis a alagamentos e deslizamentos, orienta moradores sobre medidas de segurança e atua de forma integrada com o Corpo de Bombeiros, serviços de emergência e demais órgãos municipais, realizando vistorias, isolando áreas de risco e prestando apoio às pessoas afetadas. Marcelo Lucio, gerente operacional da Defesa Civil falou um pouco sobre a responsabilidade desse órgão para o bom funcionamento da capital.
“A defesa civil cuida da gestão de risco e desastres na cidade, fazendo o mapeamento das áreas de risco, críticos de alagamento, ou em situações que analisamos que possam causar problemas à população no geral. O mapeamento das áreas de risco são contínuos, ocorre por meio das equipes em campo, das câmeras ou denúncias da própria população”.
Como parte dessas ações, a Defesa Civil passou a emitir alertas de perigo diretamente aos celulares da população, em uma medida recém-implantada para reforçar a segurança durante episódios de chuva intensa. No comunicado, o órgão orienta os moradores a evitarem transitar por áreas com histórico de alagamentos ou sinalização de perigo, como a Marginal Botafogo, além de recomendar a redução de deslocamentos durante os temporais.

O alerta é acionado a partir do monitoramento contínuo realizado pelo Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (Cimehgo/Semad), que utiliza uma rede de pluviômetros distribuídos pela capital para acompanhar os índices de chuva em tempo real e antecipar cenários de risco, permitindo que as informações cheguem de forma imediata à população e contribuam para a prevenção de acidentes. Assim, como afirma o Gerente do centro, André Amorim, em entrevista.
“Hoje em Goiás estamos com um projeto muito audacioso em que nós temos uma rede de alerta em todo o Estado. Em Goiânia possuímos cerca de 25 pluviômetros, que emitem alertas a cada 10 minutos. Assim, com 24 horas de antecedência passamos a informação para a central de como está o índice de chuva em certa região e conseguimos ir analisando o evento ao longo desse período.”
Os recorrentes alagamentos registrados em Goiânia durante períodos de chuva intensa também evidenciam problemas estruturais na infraestrutura urbana da capital. A insuficiência e o envelhecimento do sistema de drenagem, aliados ao crescimento urbano acelerado e, em alguns casos, à ocupação desordenada do solo, dificultam o escoamento adequado da água da chuva. Como consequência, vias importantes, áreas residenciais e espaços públicos acabam sendo rapidamente inundados, aumentando os riscos à população e gerando prejuízos. Especialistas apontam que a situação reforça a necessidade de investimentos contínuos em obras de drenagem, manutenção preventiva e planejamento urbano capaz de acompanhar as demandas da cidade.
O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel, afirmou em um vídeo publicado em suas redes sociais que a Marginal Botafogo deve passar por obras e intervenções estruturais para reduzir os recorrentes alagamentos no local. Segundo ele, a prefeitura já planejou um projeto orçado em R$120 milhões e deve acionar o Tribunal de Contas do Município (TCM) para viabilizar a execução de uma obra emergencial. Entre as medidas previstas estão intervenções para acelerar o escoamento da água e a construção de dois piscinões, um no complexo viário em direção ao Estádio Serra Dourada e outro nas proximidades do Parque Areião, com o objetivo de conter o volume da chuva e evitar transbordamentos. Mabel, também enfatizou no vídeo o bom funcionamento das atuais medidas de segurança instaladas.
“Aqui na Marginal Botafogo inunda sempre, é uma obra muito grande que tem que ser feita e nós vamos fazer, mas tem algumas coisas que podemos fazer para aliviar ou esvaziar a água mais rápido. Mandamos fazer um projeto que são R$ 120 milhões em obras. Vamos fazer dois piscinões, um vai para o complexo viário que vai para o Serra Dourada e outro pouco abaixo do Areião e, com isso, nós vamos conter essa água. Nossa equipe e o sistema de alerta também funcionaram bem.”
Diante do risco provocado pelas chuvas intensas, a recomendação das autoridades é que a população adote cuidados básicos de segurança para evitar acidentes. A orientação é evitar deslocamentos desnecessários durante os temporais e não trafegar por vias conhecidas por alagamentos. Motoristas e pedestres também devem evitar atravessar áreas inundadas, já que a força da água pode surpreender. Em situações de risco, a indicação é buscar abrigo em locais seguros e acompanhar os alertas emitidos pelos órgãos oficiais, como a Defesa Civil, que seguem monitorando as condições climáticas na capital.
“É importante que a população dê a devida atenção às mensagens de alerta que são enviadas. Evitem sempre continuar transitando em locais que não conseguem enxergar com clareza por conta da enxurrada, ou evitem sair no momento em que recebem o alerta ou que observem que tem uma chuva se aproximando, todas essas medidas de segurança facilitam muito o trabalho da defesa civil e ainda colabora para a proteção da população” Marcelo Lúcio, Gerente operacional da Defesa Civil.
Para manter a população informada e reduzir riscos durante períodos de instabilidade climática, o Cimehgo/Semad disponibiliza portais digitais com dados atualizados sobre a previsão do tempo e o monitoramento das chuvas em todo o estado. As plataformas reúnem informações como alertas meteorológicos, mapas de precipitação, boletins hidrológicos e previsões de curto e médio prazo, permitindo que cidadãos, órgãos públicos e equipes de emergência acompanhem em tempo real a evolução das condições climáticas. O acesso aos portais facilita a tomada de decisões, contribui para a prevenção de acidentes e reforça a atuação integrada entre a população e os órgãos responsáveis pela gestão de riscos associados às chuvas intensas.
“Passo pela Botafogo todos os dias, e moro aqui perto da avenida, infelizmente não tenho a possibilidade de faltar ao trabalho e a faculdade todas as vezes em que ocorre um temporal. Realmente acho que sejam necessárias mais medidas por parte dos governantes, mas com a criação desse alerta já fica mais fácil para a gente observar e se prevenir quando possível”. Maria Eduarda Ferreira, 21, estudante de Direito.
Para a população, os episódios recorrentes de alagamentos e enxurradas têm gerado um sentimento constante de insegurança e apreensão. Moradores relatam medo de sair de casa durante os temporais, preocupação com a possibilidade de ficarem presos em vias alagadas e receio de prejuízos materiais, além do risco à própria vida. A imprevisibilidade das chuvas intensas e a repetição de ocorrências em pontos já conhecidos da cidade reforçam a sensação de vulnerabilidade, especialmente entre quem vive ou precisa circular diariamente por áreas mais suscetíveis a alagamentos.
“Com os dados [do Cimehgo/Semad], conseguimos enviar alertas a toda a população que está em áreas de risco. Além disso, realizamos o mapeamento dos locais que podem ser atingidos pelas fortes chuvas e enxurradas. Por exemplo, quando identificamos um alto índice pluviométrico no início da Marginal Botafogo, enviamos um alerta às pessoas que estão na parte inferior da avenida ou em áreas próximas, para evitar que mais motoristas utilizem esse trajeto e para quem já está transitando pelo local consiga sair com segurança.”
A atuação conjunta entre o Cimehgo/Semad e a Defesa Civil é fundamental para o enfrentamento dos impactos causados pelas chuvas intensas na capital. Enquanto o Cimehgo é responsável pelo monitoramento das condições climáticas e pela produção de boletins técnicos com os índices de chuva e previsões meteorológicas, a Defesa Civil utiliza essas informações para planejar ações preventivas, emitir alertas à população e atuar de forma rápida em áreas de risco. Essa integração permite antecipar cenários críticos, orientar moradores e fortalecer as medidas de proteção, contribuindo diretamente para a redução de danos e a preservação de vidas.
