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Conciliar trabalho e universidade é uma realidade muito comum e desafiadora para jovens brasileiros que tentam garantir formação acadêmica sem abrir mão da renda.
Em 2023, de acordo com a PNADC-Educação do IBGE, cerca de 6,9 milhões de jovens com idades entre 18 e 29 anos estavam matriculados no ensino superior no Brasil. A grande maioria desses universitários, 66,4%, já estava ativa no mercado de trabalho. Em contrapartida, apenas 33,6% se dedicavam integralmente aos estudos. Os números revelam uma realidade desafiadora: a cada dez estudantes na universidade, sete se veem na necessidade de conciliar a rotina acadêmica com o trabalho. Esse malabarismo, por sua vez, cria um cenário de evidente sobrecarga, que inevitavelmente coloca em risco tanto a permanência quanto o desempenho desses jovens no ambiente universitário.
A rotina de dupla jornada cria desafios que transcendem o simples esgotamento físico. A lista de obstáculos é longa e inclui a escassez de tempo para estudar, a dificuldade crescente de acompanhar o conteúdo das disciplinas, o risco real de evasão universitária e um impacto significativo na saúde mental dos estudantes. Para muitos, a necessidade de contribuir com a renda familiar ou custear os próprios estudos torna o trabalho indispensável, mesmo que isso comprometa o aproveitamento acadêmico.
A rotina de quem precisa conciliar trabalho e universidade costuma ser marcada pela pressa e pelo cansaço. A estudante Carolina Silva, que cursa o ensino superior e trabalha no período da tarde, relata que seus dias começam cedo e seguem em ritmo acelerado. “Eu acordo cedo e vou pra faculdade. Assim que termina a aula, eu almoço correndo e pego o ônibus pra conseguir chegar no serviço a tempo. Quando termina, pego o ônibus pra casa e só consigo estudar as coisas da aula quando chego e janto”, conta a estudante.
O impacto da jornada dupla também se reflete no desempenho acadêmico. O cansaço acumulado já trouxe consequências dentro da sala de aula. “Já dormi em sala porque estava muito cansada e também já tive que sair antes da aula acabar pra pegar o ônibus, sem contar deixar de estudar porque estava muito cansada do serviço”, relata.
A realidade de estudantes que conciliam trabalho e universidade evidencia a necessidade de políticas públicas voltadas à permanência estudantil. Medidas como ampliação de bolsas, flexibilização de horários, oferta de auxílios financeiros e programas de apoio psicológico são apontadas como fundamentais para reduzir a evasão e garantir que o acesso ao ensino superior também se traduza em conclusão de curso.
Diante dessa complexa realidade, as políticas públicas de permanência estudantil tornam-se absolutamente cruciais. Nas universidades federais, por exemplo, o Programa Nacional de Assistência Estudantil (PNAES) foi criado justamente para garantir as condições mínimas de que estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica precisam para seguir no ensino superior. Oferecendo auxílios essenciais como moradia, alimentação, transporte e bolsas permanência, o PNAES busca não só reduzir a evasão, mas também aliviar os impactos pesados da dupla jornada entre estudo e trabalho, que é a realidade de uma grande parcela dos universitários brasileiros. Na Universidade Federal de Goiás (UFG), a gestão desses auxílios fica a cargo da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (PRAE), que gerencia os programas de assistência destinados a amparar os estudantes em maior vulnerabilidade socioeconômica.
A realidade de conciliar trabalho e ensino superior escancara um desafio estrutural enfrentado por milhões de jovens no Brasil. Embora o acesso à universidade tenha avançado, a permanência continua dependendo de políticas públicas eficazes, apoio institucional e condições financeiras que realmente permitam ao estudante focar em sua formação acadêmica sem pôr em risco a saúde, o desempenho e o futuro profissional. Iniciativas como o PNAES e os programas de assistência da PRAE na UFG são passos importantes, claro, mas o cenário geral deixa claro que garantir o direito à educação vai muito além do ingresso, exige ações contínuas que reconheçam e amparem a dura realidade do estudante trabalhador.
