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Esta reportagem foi inteiramente apurada, redigida e editada por humanos. Também contém Mapa e Infográfico interativos desenvolvidos com auxílio de inteligência artificial, utilizada para gerar códigos e automações.
No início de maio, foi detectado um foco de gripe aviária (H5N1) em uma granja comercial no Rio Grande do Sul. Em pouco mais de um mês, já foram registrados seis casos ao longo das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil. Dentre os estados, Goiás foi um dos afetados.
O primeiro caso da doença foi registrado no dia 15 de maio, em Montenegro (RS), e em 13 de junho, a Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP), onde há alta taxa de mortalidade, apareceu em uma granja em Santo Antônio da Barra, na região de Rio Verde. A notícia representou um grande perigo para a economia nacional e local, já que o País é o maior exportador de carne de aves no mundo.
Confira abaixo, um mapa desenvolvido por meio da DeepSeek AI sob comando da autora, para visualização dos focos de gripe aviária no País.
Mapa de Focos de IAAP – 2025
Monitoramento de Gripe Aviária no Brasil
Influenza Aviária em Goiás: Santo Antônio da Barra
No dia 13 de junho, foi confirmado o primeiro (e único) caso de gripe aviária em aves de subsistência em Santo Antônio da Barra, no sudoeste goiano. Em apenas quatro dias, a Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa) já havia aplicado as principais medidas para conter e erradicar os ricos de disseminação da doença.
De acordo com o órgão, a atuação contra a H5N1 contou com a coordenação do Centro de Operações de Emergência Zoossanitária (Coezoo) e ocorreu em três frentes:
Zona de foco
Zonas de vigilância
Região geral
A partir do encerramento do foco, a próxima medida é o período de vazio sanitário na propriedade foco. A duração mínima é de 28 dias, e até 15 de julho, o produtor está impedido de começar qualquer nova criação de aves no local. De acordo com a Agrodefesa, são enviadas equipes de vigilância a cada dois dias para verificar o foco, e semanalmente para propriedades localizadas dentro da zona de vigilância.
Além desse caso, não há mais nenhum foco registrado ou em investigação no Estado.
Como identificar a gripe aviária?

A transmissão da gripe aviária ocorre a partir de secreções e fezes das aves infectadas, que podem estar presentes em água e alimentos contaminados.
É possível identificar a doença a partir de um conjunto de sintomas. De acordo com a professora de ornitopatologia da Escola de Veterinária e Zootecnia (EVZ) da UFG, Ana Almeida, os principais sistemas afetados são o respiratório e o neurológico, com apresentação de sinusite, torcicolo, hemorragia em crista, barbelas e pernas e parada súbita de produção de ovos ou produção de ovos despigmentados.
O presidente da Associação Goiana de Avicultura (AGA), Marcos Café, acrescenta que o andar cambaleante, diarreia, queda de produtividade, inchaço nas juntas e extremidades arroxeadas também podem ser indicadores da infecção.
Ave apresenta sinais de gripe, o que fazer?
Seja galinha, pato, ganso, pombo ou aves silvestres de qualquer tipo, se você perceber os sintomas acima em alguma ave, é necessário avisar as autoridades responsáveis. Lembre-se: produtor, veterinário ou cidadão, a notificação de suspeita de doenças é obrigatória, de acordo com a Instrução Normativa nº 50, de 24/09/2013.
Você pode notificar a suspeita de quatro maneiras diferentes:
Para os produtores que não notificarem ou não cumprirem com as obrigações de biosseguridade estabelecidas em normativas, a Agrodefesa adverte que as consequências são a interdição da propriedade e a suspensão da atividade comercial, além de multas administrativas e impedimento de emissão de Guia de Trânsito Animal (GTA).
Caso o não cumprimento aconteça mais de uma vez, o dono da granja pode perder certificações sanitárias e sofrer responsabilização penal, principalmente se houver omissão que facilite a propagação do vírus.
Tive contato com uma ave contaminada, eu também vou morrer?
A resposta simples é: não.
Ana Almeida alerta que não há risco de contaminação pela ingestão de ovos ou carne de frango, e que o risco de contração da doença é pequeno: “profissionais que atuam em aviculturas possuem maior risco de infecção, porém, o risco de transmissão é baixo. É possível contrair a doença a partir do contato com secreções respiratórias e fezes de aves infectadas, mas as pessoas infectadas apresentam quadros respiratórios leves“.
Para evitar qualquer tipo de contaminação com a zoonose (doença transmissível para humanos), o presidente da AGA destaca ser necessário obedecer às medidas de biossegurança, que também servem para prevenir entrada de doenças nas granjas, já que a maioria das contaminações são levadas ao sistema produtivo pelo homem.
Quanto à ingestão de alimentos provenientes dos rebanhos avícolas, Marcos Café também reforça: “são produtos totalmente seguros, tanto a carne de frango quanto o ovo, eles não transmitem influenza aviária, e podem continuar sendo consumidos tranquilamente“.
Quais os riscos que a gripe aviária apresenta para a economia?

Assim que foi confirmado o foco de IAAP no Brasil, alguns países já suspenderam a importação de frangos brasileiros, uma situação preocupante para Goiás. O Estado é o quarto maior exportador de carne de frango do País (5,3%), com destaque para as produções de corte e postura nas regiões de Itaberaí e de Rio verde, de onde saiu o foco estadual de H5N1.
A disseminação da influenza pode acarretar uma consequência drástica para o produtor. “Se [a contaminação] for em postura comercial, onde as empresas trabalham com grau de concentração alto, podemos falar de uma granja que perde todo seu plantel de aves da noite para o dia“, comentou o presidente da AGA sobre as consequências de uma epidemia.
Segundo a Agrodefesa, por conta dos protocolos de segurança, mesmo produtores que não tenham registrado foco de contaminação podem ser impedidos de produzir e comercializar aves vivas nas zonas de controle.
Vigilância e apoio ao produtor
Para funcionamento seguro, é necessário que as granjas avícolas sigam as instruções normativas já estabelecidas, que incluem diversos requisitos para proteger o rebanho de contato com aves silvestres e impedir a entrada de agentes patológicos que possam causar doenças e outras pragas.
A Agrodefesa é a entidade responsável por realizar a fiscalização do cumprimento das normativas a partir de visitas técnicas, auditorias sanitárias, fiscalização de documento, em eventos, barreiras sanitárias e denúncias.
Organizações como a própria Agrodefesa e a Associação Goiana de Avicultura (AGA) formam uma cadeia de apoio ao cidadão, juntamente com o MAPA, promovendo capacitações ao produtor. Por meio delas, é possível realizar e participar de ações de educação sanitária, conscientização sobre doenças e treinamentos de planos de contingência, prezando pelo desenvolvimento da produção avícola goiana.
Confira abaixo, infográfico sobre o monitoramento da gripe aviária desde o primeiro caso deste ano. A aplicação foi desenvolvida com auxílio de Inteligência Artificial (DeepSeek), sob observação e auditoria da autora desta reportagem.
Monitoramento de Influenza Aviária em 2025 no Brasil
Painel de dados com foco nas ocorrências confirmadas de IAAP para o ano de 2025.
IAAP (Influenza Aviária de Alta Patogenicidade) é uma doença viral altamente contagiosa que afeta aves domésticas e silvestres.
Caracteriza-se por:
- Alta taxa de mortalidade em aves
- Potencial de rápida disseminação
- Significativo impacto econômico
- Risco zoonótico (transmissão para humanos)
Situação atual: focos encerrados!
Desde o dia 17 de junho, o Japão suspendeu temporariamente importações de carne de aves de origem em Santo Antônio da Barra, e de ovos férteis e pintos de um dia de todo o estado de Goiás. Contudo, a Organização Mundial da Saúde Animal (OMSA) declarou o caso de IAAP em Montenegro (RS) como encerrado na sexta-feira (20).
A notícia representou um alívio para produtores brasileiros. Até o momento da publicação desta reportagem, 16 países retiraram as restrições quanto à importação de frango do Brasil. São eles: Argélia, Bolívia, Bósnia e Herzegovina, Egito, El Salvador, Iraque, Lesoto, Líbia, Marrocos, Mianmar, Montenegro, Paraguai, República Dominicana, Sri Lanka, Vanuatu e Vietnã.
- Permanecem em suspensão total de importações os países: Albânia, Argentina, Canadá, Chile, China, Filipinas, Índia, Macedônia do Norte, Malásia, Mauritânia, Paquistão, Peru, Timor-Leste, União Europeia e Uruguai.
- Suspensão limitada ao Rio Grande do Sul: África do Sul, Angola, Arábia Saudita, Armênia, Bahrein, Bielorrússia, Cazaquistão, Coreia do Sul, Cuba, Kuwait, México, Namíbia, Omã, Quirguistão, Reino Unido, Rússia, Tajiquistão, Turquia e Ucrânia.
- Suspensão limitada ao município de Montenegro (RS): Catar, Emirados Árabes Unidos e Jordânia.
- Suspensão limitada aos municípios de Montenegro, Campinápolis e Santo Antônio da Barra: Japão.
- Suspensão limitada à zona: Hong Kong, Maurício, Nova Caledônia, São Cristóvão e Nevis, Singapura, Suriname e Uzbequistão. O reconhecimento de zonas específicas é denominado regionalização, conforme previsto no Código Terrestre da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) e no Acordo sobre Medidas Sanitárias e Fitossanitárias (SPS) da Organização Mundial do Comércio (OMC).
*Todas as informações de países são dados do MAPA.
O último caso registrado de gripe aviária foi em Jabotical (SP), em ave silvestre, no dia 21 de junho. Em casos de aves de granja, o foco mais recente foi o de Santo Antônio da Barra (GO). Todos os focos confirmados constam como encerrados no sistema do MAPA.
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