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Campus Samambaia UFG — Uma história em concreto
Jornalismo de drone · Campus Samambaia · UFG
Uma história em concreto
O Campus Samambaia da UFG completa mais de seis décadas. Visto de cima, o crescimento é visível — e ainda não parou.
Por Sofia CostaGoiânia, 2026LabNotícias · FIC/UFG
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Em 1962, a Universidade Federal de Goiás recebeu, por decreto presidencial, uma fazenda de 250 hectares na periferia de Goiânia. No local funcionava uma escola agrotécnica que havia fechado por falta de recursos. Dali nasceu o Campus Samambaia.
Hoje, o campus ocupa mais de 1.700 hectares, concentra a reitoria e a maior parte dos cursos da UFG e abriga um parque tecnológico com laboratórios que têm equipamentos únicos na América Latina. Esta reportagem mostra, com imagens aéreas captadas por drone, como esse crescimento aconteceu, da fazenda ao polo de inovação.
Todas as imagens aéreas recentes são do Banco de Imagens Goiano de Drones. Registros históricos do campus, onde indicado, são do acervo do CIDARQ/UFG.
1960
ano de fundação da UFG
1.700
hectares de campus
60+
anos de história em concreto
196201
Escola de Agronomia — onde tudo começou
Em 1945, o governo estadual doou ao Ministério da Agricultura uma área de 250 hectares — a Fazenda Samambaia — para sediar a Escola Agrotécnica de Goiânia. A instituição fechou por falta de recursos. Em 24 de outubro de 1962, um decreto presidencial transferiu o terreno à UFG.
As condições eram precárias. Os primeiros alunos chegavam de carroceria de caminhão — quando chovia, faziam o resto a pé. Em 1964, uma greve garantiu o transporte por ônibus.
Fazenda Samambaia transferida para a UFG · 24/10/1962
Escola de Agronomia (EA/UFG), Campus Samambaia, Goiânia, 15 de maio de 2026. Foto: Sofia Costa
196302
Escola de Veterinária e Zootecnia
Em 30 de janeiro de 1963, o Conselho Universitário autorizou os cursos de Agronomia e Veterinária. Em 1966, o presidente Castello Branco assinou a Lei nº 5.139, criando a Escola de Agronomia e Veterinária (EAV) — uma escola unificada, não duas como queriam os idealizadores.
A separação veio em 1981, quando a EAV foi dividida em Escola de Agronomia (EA) e Escola de Veterinária (EV). As duas funcionam até hoje no mesmo terreno da fazenda original.
EAV · Lei nº 5.139, 14/10/1966 · dividida em 1981
Escola de Veterinária e Zootecnia (EVZ/UFG), Campus Samambaia, Goiânia, 15 de maio de 2026. Foto: Sofia Costa
Enquanto a EAV seguia sozinha na fazenda, a UFG crescia pelo centro de Goiânia de forma dispersa, improvisada, em prédios inadequados. Uma comissão de arquitetos e engenheiros concluiu o inevitável: a universidade precisava de um campus integrado. O professor Irineu Borges do Nascimento, da Escola de Engenharia, viajou por vários campi brasileiros em busca de referência e encontrou na Universidade de Brasília.
O período era de contradições intensas. Como descreveu a professora Célia Maria Ribeiro em artigo na Revista UFG Afirmativa, foram anos de “continuidade na descontinuidade”: o regime militar investiu pesado nas universidades, mas ao mesmo tempo silenciou vozes, fechou jornais estudantis, prendeu professores e extinguiu centros de debate político. Construir o novo campus era, ao mesmo tempo, uma conquista e uma estratégia de controle.
Arthur Moreira, técnico em arquivo do CIDARQ/UFG, guarda os registros que contam essa história. Segundo ele, a decisão de transferir a universidade para o Samambaia não foi só administrativa, ela tinha um componente político. “Desde a época final de 60 pra 70 começou a expansão da UFG pra cá, porque ele [o professor Colemar] queria tirar os alunos daquele centro de Goiânia onde tinha muitos policiais e trazer pra cá, não só porque ele queria, ele foi influenciado a fazer isso por causa da ditadura. Existia muita pressão da polícia porque a manifestação de estudantes era forte no centro.”
197103
Os primeiros blocos — Humanidades I e II
A pedra fundamental do Campus Samambaia foi lançada em 4 de maio de 1971, no km 12 da rodovia Goiânia-Nerópolis. As obras dos primeiros sete blocos começaram naquele ano. Em 1972, as estruturas foram inauguradas — eram os prédios que abrigariam o IMF, o IQG, o ICB, o ICHL e o Instituto de Artes. Os dois Prédios de Humanidades — I e II — fazem parte desse conjunto original e abrigam hoje a Faculdade de História, a Faculdade de Filosofia e a Biblioteca Seccional das Humanidades.
Pedra fundamental · 4 de maio de 1971
Prédio de Humanidades II, Campus Samambaia, Goiânia, 14 de setembro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
197304
O primeiro instituto a chegar
Em maio de 1973, o Instituto de Ciências Humanas e Letras (ICHL) foi o primeiro a se instalar no campus. Logo vieram o IMF, o IQG e o ICB. A Biblioteca Central foi inaugurada no mesmo ano, mas provisoriamente — no prédio da Faculdade de Direito, no centro de Goiânia.
A transferência não foi simples. O professor Tiettre Couto Roza, do IQG, descreveu o processo como “um martírio”: equipamentos eram transportados sem proteção, expostos a sol e chuva. A imprensa local criticou as condições. A adaptação levou anos.
Primeiro instituto no campus · maio de 1973
Vista aérea dos institutos pioneiros do Campus Samambaia — IQ, ICB e Restaurante Universitário ao fundo, Goiânia, 21 de outubro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
Restaurante Universitário (RU/UFG), Campus Samambaia, Goiânia, 21 de outubro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
197705
A reitoria chega ao campus
Até 1977, a Reitoria da UFG funcionava na 5ª Avenida, no Setor Universitário. Naquele ano, ela se transferiu para o Samambaia, junto com uma extensão do Restaurante Universitário. O prédio atual da reitoria só foi inaugurado em 2002, durante o mandato da reitora Milca Severino Pereira.
Reitoria no campus · 1977 · prédio atual inaugurado em 2002
Dados · Campus Samambaia · UFG · 1962–2026
64 anos de construção
Cada marco representa uma estrutura ou conjunto de obras inaugurado no campus. Toque ou passe o mouse para ver o detalhe.
* Baseado em: Jornal UFG, Revista UFG Afirmativa nº 3, Reitoria Digital UFG, SIBI/UFG, Escola de Agronomia/UFG e Parque Tecnológico Samambaia/UFG.
Registro histórico · abril de 1988
O campus em 1988: os blocos originais de 1972 já estavam consolidados, a Reitoria e o Restaurante Universitário funcionavam no Samambaia desde 1977. A Biblioteca Central ainda ficava no centro de Goiânia — ganharia sede própria no campus só em setembro do ano seguinte.
Campus Samambaia, UFG, Goiânia, abril de 1988. Foto: Anatoly Kravchenko
198906
Biblioteca Central Prof. Alpheu da Veiga Jardim
A Biblioteca Central foi criada em 1973, mas funcionou por 16 anos num prédio provisório da Faculdade de Direito. Só em 13 de setembro de 1989 ganhou sede própria no Samambaia — 29 anos depois da criação da UFG. Hoje reúne quase 153 mil exemplares físicos e 7 mil e-books.
Biblioteca Central · sede no campus desde 13/09/1989
Biblioteca Central Prof. Alpheu da Veiga Jardim (BC/UFG), Campus Samambaia, Goiânia, 26 de novembro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
Registro histórico · 1990
Em 1990, a Biblioteca Central já havia se instalado no campus — inaugurada em setembro de 1989. O Samambaia tinha então sua estrutura acadêmica básica completa, mas ocupava uma fração do que seria décadas depois.
Nos anos 2000, o campus ganhou estruturas que deixaram de ser apenas acadêmicas. Prédio da reitoria, centro de eventos, centros de aulas equipados com projetores e ar-condicionado.
200207
Prédio da Reitoria
Inaugurado em 2002 durante o mandato da reitora Milca Severino Pereira, o prédio fica em frente à Escola de Música e Artes Cênicas. Concentra o Gabinete da Reitoria, as principais pró-reitorias e secretarias como a de Relações Internacionais e a de Comunicação.
Prédio da Reitoria · inaugurado em 2002
Prédio da Reitoria (UFG), Campus Samambaia, Goiânia, 15 de maio de 2026. Foto: Sofia Costa
Registro histórico · 1992
O campus em 1992 — mesma estrutura do início dos anos 1990. Passaria ainda mais de uma década até a próxima grande onda de construções, impulsionada pelo REUNI a partir de 2008.
Centro de Cultura e Eventos Prof. Ricardo Freua Bufáiçal
Inaugurado em 12 de dezembro de 2008, o CCE é o espaço multiuso do campus. Sedia todas as colações de grau da Regional Goiânia, o Conpeex, o Espaço das Profissões e outros eventos de grande público.
CCE · inaugurado em 12/12/2008
Centro de Cultura e Eventos Prof. Ricardo Freua Bufáiçal (CCE/UFG), Campus Samambaia, Goiânia, 21 de outubro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
Entrada do Parque Tecnológico Samambaia com ipê amarelo em flor, Campus Samambaia, Goiânia, 14 de setembro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
201309
Parque Tecnológico Samambaia — o início
Em dezembro de 2013, foi inaugurado o CRTI — Centro Regional para o Desenvolvimento Tecnológico e Inovação —, primeiro prédio do Parque Tecnológico Samambaia. Com 1.704 m², o laboratório atende empresas, centros de pesquisa e o setor acadêmico. A área do Parque é de 179 mil m². Em 2017 viria o segundo prédio: a Agência UFG de Inovação.
CRTI · inaugurado em dezembro de 2013 · Parque Tecnológico Samambaia
2008–201310
A expansão do REUNI
O Programa REUNI, lançado pelo governo federal em 2007, viabilizou uma onda de obras no campus. Foram entregues quatro Centros de Aulas — Aroeira (2008), Baru, Caraíba e Pequi —, cada um com 29 salas e capacidade para 1.350 alunos. Novas sedes surgiram para o IME, INF, IESA, FAV, Labicom e Lapig. O Cercomp e o Ciar também ganharam prédios próprios.
Expansão REUNI · 2008–2013
Centro de Aulas Baru (CAB/UFG), Campus Samambaia, Goiânia, 7 de outubro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
2010s11
Oca Indígena, Centro de Saúde e moradia estudantil
O Núcleo Takinahakỹ de Formação Superior Indígena é a única graduação em Educação Intercultural para povos indígenas do país. O Centro de Saúde do Campus atende as 40 mil pessoas da região norte de Goiânia, entre servidores, alunos e moradores do entorno. A Casa do Estudante Universitário (CEU V) ampliou a moradia estudantil no campus.
Núcleo Takinahakỹ · Centro de Saúde · CEU V
Núcleo Takinahakỹ de Formação Superior Indígena (NTFSI/UFG), Campus Samambaia, Goiânia, 14 de setembro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
A partir de 2017, o Parque Tecnológico entrou em ritmo acelerado. Em menos de dez anos, o complexo passou de um prédio para sete — financiados por Finep, Fapeg, Petrobras e outras parcerias. Cada inauguração trouxe mais empresas, pesquisadores e equipamentos para dentro do campus.
201712
Agência UFG de Inovação
Inaugurado em 18 de dezembro de 2017, o segundo prédio do Parque Tecnológico tem 1.555 m² e custou R$ 4,8 milhões. Sob o mesmo teto, funcionam a Pró-reitoria de Pesquisa e Inovação (PRPI) — criada em 2013 para coordenar a política de pesquisa científica, propriedade intelectual e empreendedorismo da UFG —, o NIT/UFG, o CEI e o IPElab Unidade I. Também sedia empresas incubadas e residentes.
Agência UFG de Inovação · PRPI · 18/12/2017 · R$ 4,8 milhões
201813
IPElab — laboratório aberto de prototipagem
Inaugurado em dezembro de 2018 em parceria com o Sebrae Goiás e a Fapeg, o IPElab reúne impressoras 3D, fresadoras, tornos e outros equipamentos. O espaço é aberto a estudantes, inventores e empresários. Em 2019, o galpão de máquinas foi ampliado em 240 m².
IPElab · inaugurado em 20/12/2018 · UFG/Sebrae/Fapeg
202014
LIFE — Laboratórios Integrados para Inovação em Ciências Farmacêuticas
Inaugurado em dezembro de 2020, o edifício LIFE tem mais de 2.000 m² e custou R$ 9 milhões. Reúne quatro laboratórios voltados à pesquisa farmacêutica: Farmatec, iBIOM, ToxIn e cNanoMed, todos vinculados à Faculdade de Farmácia da UFG.
LIFE · dezembro de 2020 · R$ 9 milhões
Edifício LIFE, Parque Tecnológico Samambaia, Goiânia, 15 de maio de 2026. Foto: Sofia Costa
202014B
FUNAPE — sede própria no Parque
No mesmo mês de dezembro de 2020, a Fundação de Apoio à Pesquisa da UFG (Funape) inaugurou sua sede própria no Parque Tecnológico, com 1.772 m² e R$ 5,5 milhões investidos — encerrando décadas de funcionamento em espaços locados dentro do campus.
FUNAPE · dezembro de 2020 · R$ 5,5 milhões
Sede da FUNAPE, Parque Tecnológico Samambaia, Goiânia, 15 de maio de 2026. Foto: Sofia Costa
Os dois prédios mais recentes do campus, inaugurados entre novembro de 2025 e janeiro de 2026, somam R$ 64,5 milhões em investimentos. O campus que começou com uma fazenda hoje tem equipamentos que não existem em mais nenhum lugar na América Latina.
nov. 202515
CEMEP — pesquisa em petróleo e energia
Inaugurado em 11 de novembro de 2025, o CEMEP recebeu R$ 45 milhões, a maior parte da Petrobras. O prédio abriga equipamentos únicos no Brasil — entre eles um espectrômetro de massas de 15 tesla, capaz de analisar a composição química de petróleo e biocombustíveis — e o primeiro laboratório da América Latina para análise de isótopos agrupados de metano.
CEMEP · inaugurado em 11/11/2025 · R$ 45 milhões · Petrobras
CEMEP — Centro de Excelência em Estudos Moleculares, Energia e Petróleo, Parque Tecnológico Samambaia, Goiânia, 15 de maio de 2026. Foto: Sofia Costa
jan. 202616
Colabora+ — o prédio mais novo do campus
Inaugurado em 9 de janeiro de 2026, o Colabora+ tem 1.772 m² e custou R$ 19,5 milhões, financiados por Finep e Fapeg. Foi construído em 18 meses e já nasceu completamente ocupado. Sedia o Centro de Inteligência Artificial (CEIA), o CIAP, o Centro de Empreendedorismo e Incubação (CEI) e o Centro de Competência Embrapii em Tecnologias Imersivas (Akcit).
Na inauguração, a reitora Angelita Pereira de Lima disse que o prédio “materializa quatro anos de trabalho e reafirma o papel da universidade pública no desenvolvimento social”.
Colabora+ · inaugurado em 9/1/2026 · R$ 19,5 milhões · Finep/Fapeg
Colabora+ — Centro de Inovação e Empreendimentos Tecnológicos, Parque Tecnológico Samambaia, Goiânia, 15 de maio de 2026. Foto: Sofia Costa
Campus Samambaia · Outras estruturas
O campus que o drone encontrou
Além dos prédios que marcaram a cronologia do campus, o Samambaia reúne faculdades, laboratórios, espaços esportivos e equipamentos de infraestrutura que formam o dia a dia de uma cidade universitária com mais de 40 mil pessoas.
EMAC — Escola de Música e Artes Cênicas
Surgiu em 1996 com o desmembramento do Instituto de Artes, que funcionava desde 1972. Abriga a Escola de Música — uma das fundadoras da UFG, criada em 1956 como Conservatório Goiano de Música.
Campus Samambaia, Goiânia, 26 de novembro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
IAC — Instituto de Artes da Cena
Criado em 2025 após 17 anos de propostas. A primeira proposta de criação foi apresentada em 2008, mas só em 2025 as condições foram consolidadas. O curso de Dança, que era da FEFD, passou a integrar o IAC.
Campus Samambaia, Goiânia, 26 de novembro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
FIC — Faculdade de Informação e Comunicação
Instalada como Facomb em 20 de agosto de 1997, após desmembramento do ICHL. Em 2013, com o REUNI, tornou-se FIC. Abriga os cursos de Jornalismo (o mais antigo, criado em 1966), Publicidade, Relações Públicas, Biblioteconomia e Gestão da Informação.
Campus Samambaia, Goiânia, 21 de outubro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
Labicom — Laboratórios de Comunicação e Informação
Inaugurado em 28 de agosto de 2013, o Labicom é o maior projeto laboratorial da FIC. Reúne agências-escola dos cursos de comunicação e estruturas de produção audiovisual, pesquisa e redação.
Campus Samambaia, Goiânia, 14 de setembro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
FH — Faculdade de História
Originada do desmembramento do ICHL, um dos institutos pioneiros instalados no campus em 1973. Hoje ocupa prédio próprio no Samambaia.
Campus Samambaia, Goiânia, 7 de outubro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
FL — Faculdade de Letras
Também originada do ICHL, instalado no campus em 1973. Ocupa prédio próprio no Samambaia ao lado da FH e do CAA.
Campus Samambaia, Goiânia, 7 de outubro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
FACE — Faculdade de Administração e Ciências Econômicas
Prédio próprio no Samambaia. Fica próxima ao CAB e ao INF, na área da expansão do REUNI.
Campus Samambaia, Goiânia, 7 de outubro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
IME — Instituto de Matemática e Estatística
Herdeiro do Instituto de Matemática e Física (IMF), um dos primeiros a se instalar no campus em 1973. Ganhou sede própria com a expansão do REUNI a partir de 2008.
Campus Samambaia, Goiânia, 14 de setembro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
IESA — Instituto de Estudos Socioambientais
Criado a partir do desmembramento de unidades ligadas à Geografia e ao meio ambiente. Abriga o Lapig — Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento, referência nacional em monitoramento do Cerrado.
Campus Samambaia, Goiânia, 14 de setembro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
INF — Instituto de Informática
Prédio inaugurado com o REUNI. Fica ao lado do CAB e do FACE. Em 2012, transferiu o curso de Gestão da Informação para a FIC.
Campus Samambaia, Goiânia, 7 de outubro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
CAA — Centro de Aulas Aroeira
Primeiro dos quatro centros de aulas entregues pelo REUNI, em 2008. Cada centro tem 29 salas e capacidade para 1.350 alunos simultâneos. O nome homenageia espécies nativas do Cerrado.
Campus Samambaia, Goiânia, 21 de outubro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
CAC — Centro de Aulas Caraíbas
Um dos quatro centros de aulas do REUNI. Fica próximo ao IME e ao IESA, na área de expansão do campus.
Campus Samambaia, Goiânia, 7 de outubro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
FEF — Faculdade de Educação Física
Criada como Coordenação de Educação Física em 1978, tornou-se faculdade em 1996. O prédio foi inaugurado em 1994. A área é de aproximadamente 100 mil m² e inclui campo de futebol, ginásio, duas piscinas, pista de atletismo e quadras. Em março de 2026, voltou à denominação Faculdade de Educação Física após o curso de Dança migrar para o novo IAC.
Campus Samambaia, Goiânia, 21 de outubro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
Piscinas da FEF
A FEF mantém duas piscinas — uma olímpica e uma infantil — abertas à comunidade por meio de projetos de extensão. Natação e hidroginástica estão entre as atividades oferecidas à população do entorno do campus.
Campus Samambaia, Goiânia, 21 de outubro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
Centro de Esportes da UFG
Gerido pela PRAE — Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis —, atende prioritariamente estudantes de baixa renda. Conta com academia e quadra poliesportiva, com horários disponíveis também para atléticas e eventos estudantis.
Campus Samambaia, Goiânia, 15 de abril de 2026. Foto: Raniê Solarevisky
TV UFG
A Rádio Universitária UFG foi inaugurada em 1965, na Alameda Botafogo. O prédio atual no Campus Samambaia abriga três estúdios com isolamento acústico, auditório para 110 pessoas e departamentos de jornalismo e produção. A TV UFG funciona sob a mesma estrutura da Fundação RTVE.
Campus Samambaia, Goiânia, 7 de outubro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
Árvore Solar
Instalada em 5 de junho de 2018, Dia Mundial do Meio Ambiente, como símbolo do projeto UFG Sustentável em parceria com a Enel. É uma palmeira metálica de 11 metros com dez painéis fotovoltaicos, localizada entre o Centro de Convivência e a EMAC. O campus também conta com 2.440 placas solares instaladas nos telhados, inauguradas em junho de 2019.
Campus Samambaia, Goiânia, 26 de novembro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
DEI — Departamento de Educação Infantil
Creche universitária que atende filhos de servidores e estudantes da UFG. Fica no Campus Samambaia, próximo à FIC, FH e CAC.
Campus Samambaia, Goiânia, 7 de outubro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
LAMES — Lab. de Métodos de Extração e Separação
Criado em 2003 com recursos da FINEP (CTPetro), o LAMES é vinculado ao Instituto de Química e atua em pesquisa, ensino e prestação de serviços em Química e Ciências Ambientais. Coordena projetos financiados por FINEP e CNPq com empresas dos ramos petroquímico, farmacêutico e alimentício, e captou cerca de R$ 40 milhões em 20 anos de atuação.
Campus Samambaia, Goiânia, 21 de outubro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
Lapig — Lab. de Sensoriamento Remoto e Geoprocessamento
Vinculado ao IESA, é referência nacional no monitoramento do Cerrado e de pastagens brasileiras por imagens de satélite. Produz dados usados por pesquisadores, órgãos públicos e imprensa.
Campus Samambaia, Goiânia, 21 de outubro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
LabTIME — Lab. de Tecnologia da Informação e Mídias Educacionais
Desenvolve soluções digitais para o ensino e produziu as plataformas AvaMEC e AvaCAPES, usadas pelo Ministério da Educação em todo o país. Já produziu cerca de 3 a 4 mil horas de programação educacional para o MEC e oferece cursos de extensão gratuitos abertos ao público.
Campus Samambaia, Goiânia, 21 de outubro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
NUPEC — Núcleo de Pesquisa em Ensino de Ciências
Nasceu em 2002 como um grupo informal de alunos e professores do Instituto de Química e foi oficializado em 2004. Reúne professores do IQ, IF e ICB, além de docentes da rede básica estadual e municipal. Realiza encontros quinzenais para discutir ensino de ciências, formação docente e questões ambientais.
Campus Samambaia, Goiânia, 21 de outubro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
CRTI — Centro Regional para o Desenvolvimento Tecnológico e Inovação
Inaugurado em 9 de dezembro de 2013, o CRTI foi o primeiro prédio do Parque Tecnológico Samambaia. Com investimento de R$ 20 milhões de Finep, Fapeg, Sectec, UFG e emendas parlamentares, oferece dez técnicas instrumentais organizadas em quatro divisões — de microscopia eletrônica de varredura a cromatografia líquida de alta resolução. Atende instituições de ensino e pesquisa de todo o país.
Parque Tecnológico Samambaia, Goiânia, 15 de maio de 2026. Foto: Sofia Costa
Espaço Intercultural Indígena
Em 10 de fevereiro de 2025, a UFG lançou a pedra fundamental do novo Espaço Intercultural Indígena. Com 3.723 m² e R$ 17,8 milhões do PAC, o complexo prevê auditório para 340 pessoas, alojamento, refeitório, redário e área infantil — com conclusão prevista para julho de 2026. É complementar ao Núcleo Takinahakỹ, que desde 2006 oferece a única licenciatura em Educação Intercultural para povos indígenas do país e, em 2025, contava com 270 alunos de 27 povos.
Campus Samambaia, Goiânia, 15 de maio de 2026. Foto: Sofia Costa
NDH — Núcleo de Direitos Humanos
O Programa de Direitos Humanos da UFG existe desde 10 de dezembro de 1999. Em 2010, formalizou-se como Núcleo Interdisciplinar de Pesquisa, Ensino e Extensão. Em dezembro de 2018, inaugurou sede própria no Campus Samambaia em parceria com o Ministério Público do Trabalho. Mantém o Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Direitos Humanos (PPGIDH), com mestrado desde 2012 e doutorado aprovado em 2018.
Campus Samambaia, Goiânia, 15 de maio de 2026. Foto: Sofia Costa
CIDARQ — Centro de Informação, Documentação e Arquivo
Criado pela Resolução CONSUNI n.º 002/2010, o CIDARQ guarda a memória institucional da UFG. A sede no Campus Samambaia gerencia o Sistema Eletrônico de Informações (SEI) e o acervo arquivístico digital da universidade. Mantém também a Casa da Memória — um prédio de 1930, tombado como patrimônio histórico em 1982, no centro de Goiânia — onde pesquisadores e jornalistas encontram os registros mais antigos do campus.
Campus Samambaia, Goiânia, 15 de maio de 2026. Foto: Sofia Costa
FAV — Faculdade de Artes Visuais
Herdeira do Instituto de Belas Artes de Goiás, criado em 1960, a FAV nasceu em 1996 com o desmembramento do Instituto de Artes da UFG. Em 25 de março de 2013, inaugurou prédio exclusivo no Campus Samambaia: 4.400 m² com ateliês, laboratórios e auditório. Oferece sete cursos — entre eles Arquitetura e Urbanismo, Design Gráfico e Design de Moda — e dois programas de pós-graduação stricto sensu.
Campus Samambaia, Goiânia, 15 de maio de 2026. Foto: Sofia Costa
Em 62 anos, o Campus Samambaia passou de uma fazenda com uma escola fechada a um dos maiores polos de inovação do Centro-Oeste. O Parque Tecnológico, que começou com um prédio em 2013, tem hoje sete estruturas e não parou de crescer. O campus que o drone vê hoje não é o mesmo de dez anos atrás, e esperamos que não seja o mesmo daqui a dez anos.
Imagens históricas do campus podem ser solicitadas ao CIDARQ — Centro de Informação, Documentação e Arquivo da UFG (cidarq@ufg.br). Imagens atuais: Banco de Imagens Goiano de Drone – BIGOD.
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No início de maio, foi detectado um foco de gripe aviária (H5N1) em uma granja comercial no Rio Grande do Sul. Em pouco mais de um mês, já foram registrados seis casos ao longo das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil. Dentre os estados,Goiás foi um dos afetados.
O primeiro caso da doença foi registrado no dia 15 de maio, em Montenegro (RS), e em 13 de junho, a Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP), onde há alta taxa de mortalidade, apareceu em uma granja em Santo Antônio da Barra, na região de Rio Verde. A notícia representou um grande perigo para a economia nacional e local, já que o País é o maior exportador de carne de aves no mundo.
Segundo o Ministério de Agriculta e Pecuária (MAPA), uma semana após o primeiro foco, estavam suspensas exportações nacionais para 21 países, incluindo China, União Europeia e África do Sul, que compõem ranking dos principais destinos do frango brasileiro.
Confira abaixo, um mapa desenvolvido por meio da DeepSeek AI sob comando da autora, para visualização dos focos de gripe aviária no País.
Mapa de Casos de Gripe Aviária – IAAP 2025
Mapa de Focos de IAAP – 2025
Monitoramento de Gripe Aviária no Brasil
🐔 MONITOR IAAP
Influenza Aviária em Goiás: Santo Antônio da Barra
No dia 13 de junho, foi confirmado o primeiro (e único) caso de gripe aviária em aves de subsistência em Santo Antônio da Barra, no sudoeste goiano. Em apenas quatro dias, a Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa) já havia aplicado as principais medidas para conter e erradicar os ricos de disseminação da doença.
A Agrodefesa é a instituição estadual responsável pela vigilância de criações comerciais, de subsistência e aves silvestres, além de ser responsável por respostas emergenciais e pela educação sanitária sobre avicultura, dentre outras atribuições.
De acordo com o órgão, a atuação contra a H5N1 contou com a coordenação do Centro de Operações de Emergência Zoossanitária (Coezoo) e ocorreu em três frentes:
Zona de foco
Eliminação de 233 aves que apresentaram sintomas ou estiveram em contato com aves contaminadas;
Desinfecção de todas as instalações usadas na criação (22 mil m²);
Enterro dos animais em valas sanitárias, de acordo com o Plano Nacional de Contingência da Influenza Aviária.
Zonas de vigilância
Vistoria de 194 propriedades em um raio de 10km do foco;
Inspeção dupla em 25 propriedades mais próximas no raio de 3km;
Instalação de duas barreiras sanitárias, com 200 abordagens de orientação e desinfecção de veículos.
Região geral
350 visitas domiciliares e ações em escolas, feiras e comércios para realizar educação sanitária com população regional;
Total estimado de pessoas alcançadas com informações sobre prevenção e notificação da influenza aviária: 1,3 mil.
A partir do encerramento do foco, a próxima medida é o período de vazio sanitário na propriedade foco. A duração mínima é de 28 dias, e até 15 de julho, o produtor está impedido de começar qualquer nova criação de aves no local. De acordo com a Agrodefesa, são enviadas equipes de vigilância a cada dois dias para verificar o foco, e semanalmente para propriedades localizadas dentro da zona de vigilância.
Além desse caso, não há mais nenhum foco registrado ou em investigação no Estado.
Como identificar a gripe aviária?
Foto por: Alex P.
A transmissão da gripe aviária ocorre a partir de secreções e fezes das aves infectadas, que podem estar presentes em água e alimentos contaminados.
É possível identificar a doença a partir de um conjunto de sintomas. De acordo com a professora de ornitopatologia da Escola de Veterinária e Zootecnia (EVZ) da UFG,Ana Almeida, os principais sistemas afetados são o respiratório e o neurológico, com apresentação de sinusite, torcicolo, hemorragia em crista, barbelas e pernas e parada súbita de produção de ovos ou produção de ovos despigmentados.
O presidente da Associação Goiana de Avicultura (AGA), Marcos Café, acrescenta que o andar cambaleante, diarreia, queda de produtividade, inchaço nas juntas e extremidades arroxeadas também podem ser indicadores da infecção.
Ave apresenta sinais de gripe, o que fazer?
Seja galinha, pato, ganso, pombo ou aves silvestres de qualquer tipo, se você perceber os sintomas acima em alguma ave, é necessário avisar as autoridades responsáveis. Lembre-se: produtor, veterinário ou cidadão, a notificação de suspeita de doenças é obrigatória, de acordo com a Instrução Normativa nº 50, de 24/09/2013.
Você pode notificar a suspeita de quatro maneiras diferentes:
Contato do Núcleo de Epidemiologia e Emergência Sanitária da Gerência de Sanidade Animal da Agrodefesa:
WhatsApp – (62) 3201-3776
E-mail: gesan@agrodefesa.go.gov.br
Notificação pessoal em qualquer unidade da Agrodefesa.
Para os produtores que não notificarem ou não cumprirem com as obrigações de biosseguridade estabelecidas em normativas, a Agrodefesa adverte que as consequências são a interdição da propriedade e a suspensão da atividade comercial, além de multas administrativas e impedimento de emissão de Guia de Trânsito Animal (GTA).
Caso o não cumprimento aconteça mais de uma vez, o dono da granja pode perder certificações sanitárias e sofrer responsabilização penal, principalmente se houver omissão que facilite a propagação do vírus.
A partir da denúncia registrada, a Agrodefesa inicia os seguintes protocolos de resposta:
Deslocamento de equipe especializada em até 12 horas, para isolamento da propriedade;
Coleta de amostras e envio para análise laboratorial;
Interdição da granja e suspensão temporária de movimentações de aves, ovos e materiais;
Delimitação das zonas de controle e comunicação ao Mapa.
Caso o foco seja confirmado, os próximos passos são:
ações zoossanitárias de erradicação (sacrifício sanitário);
desinfecção;
educação sanitária na região;
barreiras sanitárias.
O mais cedo que um caso for reconhecido e denunciado, mais rápida será a resposta dos órgãos responsáveis para a contingência da doença.
Tive contato com uma ave contaminada, eu também vou morrer?
A resposta simples é: não.
Ana Almeida alerta que não há risco de contaminação pela ingestão de ovos ou carne de frango, e que o risco de contração da doença é pequeno: “profissionais que atuam em aviculturas possuem maior risco de infecção, porém, o risco de transmissão é baixo. É possível contrair a doença a partir do contato com secreções respiratórias e fezes de aves infectadas, mas as pessoas infectadas apresentam quadros respiratórios leves“.
Para evitar qualquer tipo de contaminação com a zoonose (doença transmissível para humanos), o presidente da AGA destaca ser necessário obedecer às medidas de biossegurança, que também servem para prevenir entrada de doenças nas granjas, já que a maioria das contaminações são levadas ao sistema produtivo pelo homem.
Quanto à ingestão de alimentos provenientes dos rebanhos avícolas, Marcos Café também reforça: “são produtos totalmente seguros,tanto a carne de frango quanto o ovo, eles não transmitem influenza aviária, e podem continuar sendo consumidos tranquilamente“.
Quais os riscos que a gripe aviária apresenta para a economia?
A disseminação da influenza pode acarretar uma consequência drástica para o produtor. “Se [a contaminação] for em postura comercial, onde as empresas trabalham com grau de concentração alto, podemos falar de uma granja que perde todo seu plantel de aves da noite para o dia“, comentou o presidente da AGA sobre as consequências de uma epidemia.
Segundo a Agrodefesa, por conta dos protocolos de segurança, mesmo produtores que não tenham registrado foco de contaminação podem ser impedidos de produzir e comercializar aves vivas nas zonas de controle.
De acordo com o órgão de defesa agropecuária, o monitoramento de aves silvestres ocorre em concordância com o Programa Nacional de Sanidade Avícola (PNSA), por meio de amostras em propriedades próximas à áreas de risco, como regiões de lagoas, rios, barragens e unidades de conservação com aves migratórias.
Vigilância e apoio ao produtor
Para funcionamento seguro, é necessário que as granjas avícolas sigam as instruções normativas já estabelecidas, que incluem diversos requisitos para proteger o rebanho de contato com aves silvestres e impedir a entrada de agentes patológicos que possam causar doenças e outras pragas.
A Agrodefesa é a entidade responsável por realizar a fiscalização do cumprimento das normativas a partir de visitas técnicas, auditorias sanitárias, fiscalização de documento, em eventos, barreiras sanitárias e denúncias.
Controle de acesso como cercamento, portões, pedilúvios, desinfecção de veículos e roupas;
Barreiras físicas para impedir acesso de aves silvestres e roedores;
Controle rigoroso da entrada de pessoas, veículos, insumos e equipamentos;
Registros atualizados de mortalidade, vacinação e movimentação de lotes;
Plano de biosseguridade aprovado e afixado na propriedade.
Organizações como a própria Agrodefesa e a Associação Goiana de Avicultura (AGA) formam uma cadeia de apoio ao cidadão, juntamente com o MAPA, promovendo capacitações ao produtor. Por meio delas, é possível realizar e participar de ações de educação sanitária, conscientização sobre doenças e treinamentos de planos de contingência, prezando pelo desenvolvimento da produção avícola goiana.
Algumas outras entidades que oferecem apoio ao pequeno, médio e grande produtor são: Universidade Federal de Goiás (UFG), Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), Agência Goiana de Assistência Técnica, Extensão Rural e Pesquisa Agropecuária (Emater), Universidade Estadual de Goiás (UEG) e Fundo de Desenvolvimento da Pecuária em Goiás (Fundepec).
Confira abaixo, infográfico sobre o monitoramento da gripe aviária desde o primeiro caso deste ano. A aplicação foi desenvolvida com auxílio de Inteligência Artificial (DeepSeek), sob observação e auditoria da autora desta reportagem.
Monitoramento de IAAP em 2025 no Brasil
Monitoramento de Influenza Aviária em 2025 no Brasil
Painel de dados com foco nas ocorrências confirmadas de IAAP para o ano de 2025.
🐦IAAP MONITOR
Última Ocorrência Reportada em Goiás (2025)
Município
Situação
Detalhes da Ocorrência
Ocorrência
Data Confirmação
Espécie
Tipo de Exploração
Principal
O que é IAAP?
IAAP (Influenza Aviária de Alta Patogenicidade) é uma doença viral altamente contagiosa que afeta aves domésticas e silvestres.
A notícia representou um alívio para produtores brasileiros. Até o momento da publicação desta reportagem, 16 países retiraram as restrições quanto à importação de frango do Brasil. São eles: Argélia, Bolívia, Bósnia e Herzegovina, Egito, El Salvador, Iraque, Lesoto, Líbia, Marrocos, Mianmar, Montenegro, Paraguai, República Dominicana, Sri Lanka, Vanuatu e Vietnã.
Permanecem em suspensão total de importações os países: Albânia, Argentina, Canadá, Chile, China, Filipinas, Índia, Macedônia do Norte, Malásia, Mauritânia, Paquistão, Peru, Timor-Leste, União Europeia e Uruguai.
Suspensão limitada ao Rio Grande do Sul: África do Sul, Angola, Arábia Saudita, Armênia, Bahrein, Bielorrússia, Cazaquistão, Coreia do Sul, Cuba, Kuwait, México, Namíbia, Omã, Quirguistão, Reino Unido, Rússia, Tajiquistão, Turquia e Ucrânia.
Suspensão limitada ao município de Montenegro (RS): Catar, Emirados Árabes Unidos e Jordânia.
Suspensão limitada aos municípios de Montenegro, Campinápolis e Santo Antônio da Barra: Japão.
Suspensão limitada à zona: Hong Kong, Maurício, Nova Caledônia, São Cristóvão e Nevis, Singapura, Suriname e Uzbequistão. O reconhecimento de zonas específicas é denominado regionalização, conforme previsto no Código Terrestre da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) e no Acordo sobre Medidas Sanitárias e Fitossanitárias (SPS) da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Esta reportagem foi inteiramente apurada, redigida e editada por humanos. Também contém um Álbum de Artistas interativo desenvolvido com auxílio de inteligência artificial, utilizada para gerar códigos e automações.
A artista de rap Ebony lançou no último mês o terceiro álbum de sua carreira, o “KM2”, ou “Queimados”. Com 11 faixas que mesclam trap, rap, gospel, funk e trance, entre outros estilos musicais, a rapper renovou sua discografia – dessa vez com letras mais intimistas e com uma carga política logo na faixa-título.
A música escolhida para abrir o álbum, “KM2”, retrata a realidade da Baixada Fluminense e a onda de assassinatos que ocorreram nos últimos quatro anos na região metropolitana do Rio de Janeiro. Ebony e Larinhx, DJ que colabora na canção, mesclam relatos de moradores da região, reportagens jornalísticas e conseguem encaixar a voz de um vendedor de balas descrevendo seus produtos. Ao citar “Bala de canela, bala de mel, bala mentos, balas toffee, coraçãozinho”, as artistas acrescentam sons de tiros a cada doce citado.
Temas como religião, abuso, hipersexualização, competição feminina e busca pelo amor estão presentes nas canções, alcançando quem escuta o disco de forma íntima. Geovanna Gomes, estudante do curso de Direito da Universidade Federal de Goiás, é uma das ouvintes que se sentiram tocadas pelo álbum, principalmente com a faixa “Não Lembro Da Minha Infância”.
“Sua temática relacionada à infância é provavelmente o que mais toca e chama atenção, onde paramos pra refletir sobre como os acontecimentos de quando éramos crianças influenciam na nossa vida adulta.”, afirmou a jovem de 19 anos. Ela completa: “São traumas que persistem, dores que influenciam na nossa personalidade e na forma de ver o mundo”. No disco, a cantora reflete sobre momentos onde vivenciou abusos ainda muito nova.
Geovanna conta que se sentiu representada ao ouvir as músicas, onde Ebony fala sobre crescer em um lar religioso e receber orientações sobre casamento, além de precisar ser “mansa” para conseguir ter um marido – um dos trechos da canção já citada acima. “Hoje, para mulheres como nós, que passamos por essa quebra de paradigma e nos tornamos independentes, homens de fato são meros acessórios”, diz a jovem.
Ebony traz em KM2 temas como dor, desejo e fé enquanto mulher negra. Para a estudante de Direito, essa escolha é extremamente importante: “Sua relação com o desejo desde seus trabalhos anteriores traz um contraste com aquilo que se espera das mulheres, mostrando que nós também podemos sentir, dominar e não apenas ser conduzidas”, fala. Ela também cita outras artistas com trabalhos semelhantes, mas igualmente importantes: Mc Luanna, Ajuliacosta, Duquesa e Tasha e Tracie.
Geovanna diz que um dos pontos positivos do álbum também é a presença de críticas sociais em músicas descontraídas: “Em ‘Hong He’, uma das suas músicas mais animadas, traz como pré-refrão ‘absorventes eram pra ser de graça, as crianças não saem de casa, vim do futuro ainda ligam pra raça, na escola não aprendi nada’”. Por fim, ela afirma: “Em sua faixa de abertura, a valorização da comunidade em que viveu também mostra algo que já existe na cena mas que precisa ser resgatado, pois não esquecer as origens é um passo importante, sobretudo para artistas do rap”.
Solo fértil
Para que Ebony e outros artistas possam ascender no meio musical e falar de suas vivências na periferia, organizações culturais que os apoiem são necessários. A presença dessas instituições auxilia os jovens que possuem o desejo de fazer arte a partir da realidade que conhecem. Ayah Akili, produtora cultural da Organização Negra Periférica Carolina Maria de Jesus, de Goiânia, fala um pouco sobre as suas impressões do álbum da cantora.
Ayah afirma que o KM2 “coloca em evidência o protagonismo de mulheres negras em sua própria sexualidade, gestão de seus negócios, de suas dores, sua estética e sua maneira insubmissa de transitar no mundo”. Além disso, a produtora cultural discorre sobre território como centralidade, que parte da memória coletiva como povo: “O hip hop, por natureza, é um movimento bairrista, cuja estética textual é constituída por elementos regionalistas que vão desde a linguagem, à expressão e autoetnografia em cada composição”, afirma.
Ela continua: “Em Goiás não é diferente: a tradição do hip hop em manter a fidelidade de ser um instrumento de denúncia e observação do cotidiano de um cidadão marginalizado está presente da velha à nova escola”. Akili também apresenta os desafios que artistas enfrentam em suas carreiras: “Acredito que questões econômicas, educacionais e tecnológicas são os principais desafios. É um custo muito alto ser artista independente. No que tange ao aspecto educacional, no Estado de Goiás temos artistas negros homens e mulheres de grande potência, poder de influência, originalidade. No entanto, é preciso oportunizar a estes veículos de formação política, educativa e sociocultural que consiga comportar a diversidade e a característica intransigente do movimento”.
Confira dicas de artistas goianos por Ayah Akili:
Artistas de Goiás no Hip Hop
Artistas de Goiás que usam o Hip Hop como instrumento de denúncia e observação do cotidiano de um cidadão marginalizado
Cl A Posse
Canta sobre a realidade do jovem negro em Aparecida de Goiânia, na década de 2000.
Inà Avessa
Canta as tradições e conflitos de uma jovem negra de nossa década.
Ivo Mamona
Canta a realidade do Bairro da Vitória, periferia de Goiânia.
Prethaís
Pontua vivências marcadas pela condição territorial de quem transita no entorno do Distrito Federal, e também da condição de mulher negra em diáspora.
A produtora cultural afirma que a existência de organizações como a Organização Negra Periférica Carolina Maria de Jesus “planta no seio das comunidades o princípio da autorresponsabilidade na gestão de seu trunfo individual e coletivo, enquanto povo”. Ela continua: “A atuação de base comunitária fortalece e alimenta a autoestima e a consciência histórica, pois estes espaços convocam cada cidadão e cidadã a repensar os valores e princípios herdados do contexto colonial, que perpetuam até hoje violências sistêmicas contra essas populações”.
Por fim, Akili diz que “ações, programas que busquem reparação, proteção e consciência dos territórios, mitigando a desigualdade econômica que reflete no desempenho educacional dos povos negros em todo país” são meios que fortalecem artistas independentes. “Além da importância da sociedade em se organizar para enfrentar as consequências da colonização. O álbum de Ebony atua diretamente na denúncia dessas desigualdades históricas”, conclui.
Entre abandono e maus-tratos, Goiânia representa um lugar com altos índices de animais em situação de rua.
“Não consigo mais contar quantas foram as vezes que eu já tive que freiar o carro em cima da hora por conta dos animais, e isso não é culpa deles, eles estão só tentando sobreviver no caos que é o trânsito de Goiânia, mas mesmo assim acabam atrapalhando muito no trânsito.”
Essa fala é de Adriana Cândida, trabalhadora autônoma que lida com o trânsito diariamente. Assim como Adriana, vários outros motoristas lidam com esse problema, haja vista o grande número de animais que vivem em situação de rua em Goiânia. Esse é um número em constante crescimento: de acordo com o Centro de Zoonoses de Goiânia, somente nos últimos anos houve um aumento significativo no número de cães e gatos abandonados nas vias públicas da capital.
Além de ser um assunto de saúde pública e segurança no trânsito, o cenário dos animais nas ruas evidencia também um descaso das políticas públicas que atuam para a resolução do problema. A escassez de movimentos para a castração, juntamente à baixa fiscalização de casos de abandono e maus-tratos atuam ainda mais para o aumento dos animais em situação de rua.
Enquanto isso, as Organizações Não Governamentais (ONGs) trabalham incansavelmente para atender a essa população. Mas, com a ausência de apoio governamental para essas organizações, elas não conseguem financiamento satisfatório, dependendo exclusivamente dos valores recebidos por doações. Essa perspectiva de abandono faz com que o trabalho das ONGs seja limitado.
O crime de abandono
No ano de 1998, foi criada a Lei de Crimes Ambientais, correspondente legal para o crime de abandono de animais. Em 2020, com a sanção da Lei nº 14.064/20, as penalidades ficaram ainda mais rígidas. Atualmente, a prática de maus-tratos contra cães e gatos passou a ter pena de dois a cinco anos de reclusão, além de multa e proibição da guarda de animais. Apesar do que a legislação nos diz sobre o tema, a aplicação dela ainda é um desafio.
Na capital goiana, o papel de fiscalizar esses crimes é dos órgãos como a Vigilância Sanitária e a Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra o Meio Ambiente (DEMA). Porém, o número de denúncias vem se demonstrando ser muito menor do que o número de casos reais de maus-tratos. Além disso, muitas pessoas não ponderam a real importância desse canal de denúncias e o utilizam para coisas que não representam nenhum risco real a algum animal. Como, por exemplo, denúncias por latidos, algo natural para os cães, assim como afirma a Polícia Civil do Estado de Goiás na Cartilha Informativa Grupo de Proteção Animal.
“IMPORTANTE: A cada 100 denúncias de maus-tratos a animais, apenas 5 viram procedimento. Então, ANTES DE DENUNCIAR, certifique-se do que realmente está acontecendo, procure ver o animal e sua condição física. Só o barulho provocado pelo animal não significa que ele está sendo vítima do crime de maus-tratos; evite denunciar por desavenças com vizinhos, e excesso de barulho; para estes casos, há outros meios de se denunciar. Procure o maior número de provas (fotos e vídeos) e, sendo possível, procure saber os motivos de o animal estar naquela condição. Talvez a família responsável precise de ajuda por não ter condições e, nesses casos, não é a Polícia Civil que deve ser acionada.”
Além da falta de denúncias, a estrutura de acompanhamento dos casos reduzida também dificulta a punição dos responsáveis. A maioria das fiscalizações só acontece após denúncias formais e, mesmo assim, os flagrantes de abandonos são raros. Por conta disso, grande parte das pessoas que abandonam animais nas ruas segue impune de seus crimes.
Os impactos do abandono na saúde
O cotidiano urbano é extremamente movimentado e conturbado, com comércios movimentados, muitas opções de atividades de lazer e ruas extremamente superlotadas, o que é totalmente normal para os cidadãos em geral, mas é extremamente prejudicial para a saúde dos animais em situação de rua.
A vida nas ruas expõe os animais a perigos constantes, tanto no que diz respeito aos acidentes, justamente porque eles se sentem perdidos em meio ao caos do trânsito, quanto sobre doenças. Sem acesso a condições básicas como casa, água tratada, banhos regulares e comida, muitos animais estão sujeitos a doenças, quando não evoluem para casos mais graves. A respeito disso, a redação conversou com o Dr. Thiago Souza Branquinho, médico veterinário da UFG e pós-graduado em clínica e cirurgia. Thiago nos disse sobre como essa falta de apoio pode comprometer a saúde do animal.
“Os animais que estão na rua, sem apoio de ninguém, sofrem muitos riscos em relação a acidentes. A gente acaba atendendo muitos animais que são atropelados. Entre eles, os animais acabam brigando então eles podem desenvolver machucados mais severos. A desnutrição também é um ponto importante, o animal que não está sendo bem alimentado, não tem uma água de qualidade, acaba tendo uma predisposição a formar várias doenças.”
Para além do sofrimento individual dos animais, há um risco coletivo. Algumas doenças podem ser transmitidas para seres humanos, como a leishmaniose e a raiva. Esses casos são considerados zoonoses, e o aumento da população de animais de rua sem controle e sem vacinação coloca em risco a saúde pública. Sobre isso, Thiago explica:
“A doença que a gente mais se preocupa é a raiva. Hoje está uma situação até um pouco controlada, mas a raiva é uma doença que não tem cura. E ela, obrigatoriamente, vai levar ao óbito. Tanto dos animais quanto das pessoas. Mas tem outras doenças que a gente pode pensar. Sarnas a gente pode ter problema. Existem doenças que são transmitidas por carrapato que é a febre maculosa.”
A perspectiva de um abrigo
Diante da ausência de políticas públicas eficazes, os abrigos e organizações independentes acabam sendo o principal, e muitas vezes o único, refúgio para os animais em situação de rua. Um desses locais é o Refugados, abrigo localizado na região metropolitana de Goiânia, que acolhe cães e gatos abandonados e vítimas de maus-tratos. O espaço, mantido por doações e pela dedicação de voluntários, abriga hoje mais de 120 animais entre o espaço do abrigo e os lares temporários. Em entrevista com Rayane Araújo, uma das representantes do abrigo, ela nos explica mais sobre como é o funcionamento da instituição.
“Hoje nós temos duas funcionárias fixas que cuidam da limpeza, alimentação e bem-estar dos animais, além de uma rede com cerca de 20 voluntários que ajudam em eventos de adoção, nas redes sociais e na busca por parcerias”
A chegada de novos animais ao Refugados acontece principalmente por meio das redes sociais. São dezenas de pedidos de ajuda recebidos diariamente, mas nem todos podem ser atendidos. Quando há vagas, a equipe realiza o resgate e dá início ao processo de cuidado.” O primeiro passo é a triagem veterinária, com exames e avaliação do estado geral do animal. Depois vem a vacinação, vermifugação e castração. Só então ele pode vir para o abrigo ou ser encaminhado a um lar temporário”, relata Rayane Araújo.
Com a falta de investimento do Poder Público, todo o financiamento do abrigo parte, exclusivamente, de doações do público geral, o que torna limitados os recursos disponíveis para que o abrigo atenda ainda mais animais. Rayane nos diz mais sobre essa perspectiva:
“A principal dificuldade hoje no abrigo é realmente manter as despesas de manutenção básicas, que é o aluguel, água, energia, salário dos funcionários, que são despesas muitas vezes menosprezadas pelas pessoas, então muita gente pensa que dá para manter um abrigo com trabalho voluntário, mas não é bem assim, então são as despesas mais altas, alimentação, veterinário.”
Rayane também destaca que outra forte dificuldade enfrentada pelo abrigo é o estereótipo de que apenas animais mais novos são queridos. Segundo ela, isso faz com que a adoção de animais mais velhos caia, isso contribuí para que alguns animais não tenham a chance de serem adotados nunca.
Uma cidade mais amiga dos animais
Confira um painel interativo para saber mais sobre algumas instituições de apoio a animais. Ao clicar no nome, mais informações serão exibidas.
Assim como outras cidades mais avançadas nesse assunto, Goiânia precisa traçar metas para combater os índices de animais em situação de rua, proporcionando moradias estáveis e o acesso a necessidades básicas. Além disso, projetos de lei que propõem a criação de ainda mais clínicas veterinária públicas mostram-se fundamentais para romper com esse atraso.
Na capital goiana, no entanto, os avanços ainda são tímidos. Faltam políticas permanentes de castração, campanhas de adoção, educação ambiental nas escolas e fiscalização ativa contra maus-tratos. A articulação entre poder público e abrigos independentes, como o Refugados, poderia ser um primeiro passo rumo a uma política mais abrangente e sensível. Afinal, são essas instituições que, mesmo com recursos limitados, têm feito o que deveria ser responsabilidade do Estado: acolher, tratar e encaminhar animais vítimas do abandono.
Como lembra Rayane Araújo, voluntária do Refugados, “você pode não mudar o mundo, mas pode mudar o mundo de um animal”. O enfrentamento desse problema exige uma mobilização coletiva, onde governo, sociedade civil e indivíduos se reconheçam como corresponsáveis.
Em casos de maus-tratos ou abandono, a população pode e deve denunciar. Em Goiânia, as denúncias podem ser feitas à Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra o Meio Ambiente (DEMA) pelo telefone (62) 3201-7287 ou pelo e-mail: demagoiania@policiacivil.go.gov.br. Também é possível acionar a Secretaria Municipal de Saúde por meio da Gerência de Zoonoses, pelo telefone (62) 3524-3134. Para que a denúncia tenha mais chances de ser investigada, é importante reunir provas, como fotos, vídeos e endereço do local. Denunciar é uma forma de proteger os animais e contribuir para uma cidade mais justa e segura para todos.
Esta reportagem foi inteiramente apurada, redigida e editada por humanos. Também contém um Quadro de Jogos interativo desenvolvido com auxílio de inteligência artificial, utilizada para gerar códigos e automações.
Após cerca de oito anos de sucesso do console anterior, jogadores veteranos estão animados para a nova geração que promete ainda mais desempenho e possibilidades.
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O Nintendo Switch 2 já está entre os jogadores desde o último dia 05 e desde então já atingiu números extraordinários em relação tanto a consoles da própria Nintendo, quanto em comparação com as concorrentes.
Segundo dados fornecidos pela empresa, em apenas quatro dias o console atingiu a marca de 3,5 milhões de unidades vendidas. Superando, em muito, o lançamento do primeiro Switch, que em seu primeiro mês vendeu 2,7 milhões de unidades.
Nos últimos tempos a gigante Nintendo se manteve afastada da tão polêmica e controversa Guerra dos Consoles travada por Sony (Playstation) e Microsoft (Xbox). Essas duas se mantiveram por um longo período em uma disputa fervorosa que visava o desenvolvimento da máquina mais poderosa, que entregasse desempenho, gráficos e a performance mais incrível possível para os jogadores.
Em muitas análises, um dos trunfos da Nintendo para se manter nesse mercado foi justamente se colocar fora dessa corrida, focando em agradar um publico bem diferente, que não exigia gráficos hiper-realistas nem desempenhos extraordinários. Além da atenção especial que a Nintendo sempre teve com os consoles portáteis, a empresa passou a olhar não somente para os jovens que já amavam videogames, mas também para seus familiares que não sabiam nada a respeito.
O Nintendo Wii, por exemplo, foi um marco na indústria ao construir experiências muito diferentes de jogo, que possibilitavam que pessoas de todas as idades pudessem jogar e se divertir com o videogame, mesmo que não possuíssem experiências prévias com jogos eletrônicos.
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Mudança
ㅤㅤUma das grandes novidades a respeito do Switch 2, vem acompanhando o novo foco da empresa em fornecer uma experiência mais próxima dos consoles concorrentes no que diz respeito à potência do hardware de seu novo produto. Logo de cara foi anunciado que alguns dos grandes games dos últimos anos iriam compor a biblioteca de jogos do console, incluindo o premiadíssimo Elden Ring e o controverso Cyberpunk 2077, com rumores também para uma possível versão de Red Dead Redemption 2.
ㅤㅤMesmo com esse novo escopo de possibilidades, que fogem do tradicional da empresa, os consumidores veteranos parecem deixar de lado o acesso aos chamados jogos third party (nome dado a produtos de empresas que não estão afiliadas de nenhuma forma a empresa do console) e estão focando justamente nos jogos first party (jogos que fazem parte da mesma empresa no console).
Para fins didáticos, você pode conferir a lista de jogos do Switch 2, diferenciando as definições de first e third party ao interagir com o recurso a seguir:
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Biblioteca de Jogos do Nintendo Switch
Biblioteca do Nintendo Switch 2
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Um exemplo disso é Victor Rachik, Coordenador de Recrutamento e Seleção, que também se dedica, desde 2020, ao competitivo de Pokémon VGC (Video Game Championships), o circuito anual de competições organizado de forma oficial pela Pokémon Company. Para ele, que já é consumidor da Nintendo desde bem pequeno, o ponto central para sua migração do Switch para o Switch 2 está justamente nas franquias exclusivas, em especial o Pokémon, claro.
Atualmente ainda não foram lançados novos jogos dessa que é a maior franquia do entretenimento (Pokémon) para o Switch 2, porém alguns pontos-chave parecem motivar e convencer os jogadores de que a compra é válida.
O primeiro ponto é a nova versão do último game lançado da franquia principal, Pokémon Scarlet/Violet, que sofreu muito tecnicamente para rodar no Switch, um console considerado fraco em processamento. Inclusive, o jogo passou por muitos problemas e críticas, principalmente no lançamento, devido ao estado complicado em que se encontrava: com muitos bugs e problemas graves de performance.
Para jogadores como Victor, que se dedicam muito a esse jogo em específico, onde são jogados os campeonatos atuais do VGC, a experiência de rodar Scarlet/Violet no Switch 2 tem sido bem mais agradável e prazerosa.
O segundo ponto são os lançamentos futuros: Pokémon Legends Z-A chega ainda esse ano, e apesar de ser confirmado que chegará tanto para o Switch quanto para o Switch 2, uma boa parte dos fãs já prefere a versão do novo console, talvez até mesmo para evitar o desgaste anterior.
Ainda sim, mesmo não tendo sido anunciada formalmente, muito se especula que a décima geração da franquia, que virá com um jogo sem título anunciado, se tratará de um game exclusivo para o Switch 2.
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Comunidade
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Quando se fala em Pokémon, é quase inevitável pensar no forte laço que um jogador precisa criar com a comunidade. A franquia, desde seu início, promove uma experiência marcada pela interação, cooperação e, claro, pela competitividade. A desenvolvedora incentiva ativamente a troca de experiências, estratégias e, principalmente, dos próprios monstrinhos entre os jogadores, tornando a comunidade parte essencial da jornada individual de cada jogador.
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Reprodução: Enterteinment Tonight
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As trocas de Pokémon podem ser feitas tanto entre amigos quanto com desconhecidos ao redor do mundo. Esse aspecto colaborativo está no centro da franquia, e é justamente por isso que cada título principal é lançado em duas versões distintas. A intenção não é que um único jogador compre ambas, mas sim que ele conheça outras pessoas com a versão que não possui, incentivando a troca de Pokémon exclusivos e promovendo conexões sociais dentro e fora do jogo. ㅤㅤ
Nesse mesmo espírito, se fortaleceu uma comunidade online chamada Inimigos da Gamefreak (nome que brinca com o descontentamento constante dos jogadores com a produtora do jogo) que você pode acessar clicando aqui. Ela reúne fãs não somente dos monstrinhos de bolso, mas também de diversos outros jogos populares da empresa. ㅤㅤ
Um desses fãs é Lucas Marinho, que trabalha formalmente como contador e se dedica também a administrar essa comunidade, atuando também em um canal de comunicação sobre Pokémon e Nintendo Switch dentro da comunidade. ㅤㅤ
Lucas já é consumidor da marca há mais de 10 anos, sendo atraído justamente Pokémon, contudo, a possibilidade de experimentar novas franquias em seu ápice técnico chamou atenção.
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“A compra do Nintendo Switch 2 não se deu exatamente por Pokémon… O motivo que fez eu querer comprar o Switch 2 foi justamente porque eu gostei muito da proposta do Switch e tinha alguns jogos que eu ainda queria jogar. O Switch me expandiu para novas franquias, e aí justamente quando tô nesse momento de experimentar outras franquias além de Pokémon e Splatoon (meus favoritos), foi anunciado o Switch 2, que poderia rodar essas franquias na sua maior capacidade, como Zelda Breath of the Wild, que eu tô jogando agora.”
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Apesar das várias boas notícias e toda a empolgação com o novo console, ainda existe uma preocupação que pode impactar comunidades como a de Lucas, que uma parcela dela se envolve em campeonatos amistosos de Pokémon VGC. Assim que o formato oficial migrar para os eventuais jogos exclusivos de Switch 2, um fatia do grupo pode acabar ficando de fora por conta da barreira financeira que existe ao adquirir o novo console, que é encontrado à venda por mais de R$ 4.500,00.
ㅤㅤPor mais que essa comunidade represente uma minúscula parcela dos jogadores ao redor do mundo, é preciso considerar o quanto o cenário em volta desse jogo pode ser impactado com a iminente e necessária migração da base de jogadores de um console para o outro.
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Ainda está difícil adquirir um Switch 2
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Reprodução: Tech Advisor
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Mesmo com os preços assustadoramente altos, principalmente para os brasileiros, o Switch 2 vem se tornando um artigo raro de se encontrar devido à altíssima demanda, principalmente nos primeiros dias de venda.
Aqui no Brasil nada com essa situação foi registrada, mas muita que já pagou ainda está na ânsia de por as mãos no console. Uma dessas pessoas é o Zé do Area Zero Podcast, que é um fã de longa data dos jogos da Nintendo.
Com seu canal do YouTubee seu Spotify, Zé permanece otimista com o console, mesmo sem tê-lo em mãos ainda. Um dos pontos centrais de seu interesse são as novas funcionalidades do console, que incluem funções de gravação e de chats de voz com amigos que estiverem jogando juntos, o que pode ser um facilitador a mais para a produção de conteúdo a que se dedica.
Esta reportagem foi inteiramente apurada, redigida e editada por humanos. Também contém um Quiz interativo desenvolvido com auxílio de inteligência artificial, utilizada para gerar códigos e automações.
O mundo fitness tem ganhado cada vez mais espaço e adesão populacional. Segundo o banco Itaú, em 2023, houve um aumento de 35% no valor de transações relacionadas a esse mercado, sendo ele basicamente feito na compra de suplementos alimentares e no pagamento de mensalidades em academias.
Dentro das redes sociais este crescimento é visível, o número de influenciadores não para de crescer, a maioria trabalha fornecendo informações relacionadas a área de treinamento físico e de dieta, disponibilizando conhecimento específico e gratuito para a população. Entretanto, a quantidade de desinformação publicada nas redes é preocupante. O usuário é constantemente bombardeado por receitas e dietas mirabolantes que prometem resultados espetaculares, mas o que realmente se enxerga é o aumento do número de pessoas com transtornos alimentares. O Jornal da USP publicou em 2023 que cerca de 10 milhões de pessoas no Brasil possuem algum tipo de inquietação relacionada à comida.
Dentre essas diversas receitas milagrosas, a que mais ganhou espaço e adesão do público é a Dieta Low Carb. Para entender um pouco mais sobre o assunto, conversamos com a doutoranda em nutrição pela Universidade Federal de Goiás, Fabiana Kattah.
Auto prescrição alimentar
Fabiana alerta sobre os riscos de não consultar um nutricionista antes de iniciar qualquer tipo de dieta: “Quando um nutricionista vai montar um plano alimentar, a gente fica atenta aos nutrientes, micronutrientes principalmente o que as pessoas leigas não conseguem quantificar. O risco de fazer uma dieta por conta própria é ficar com deficiências nutricionais”. A professora completa que também há risco de se consumir mais ou menos algum tipo de alimento específico, por exemplo: dentro de uma dieta restritiva é necessário equilibrar, principalmente, a quantidade de carboidrato, proteína e gordura.
Pensando especificamente na dieta Low Carb, a doutoranda diz que o padrão ideal de consumo seria de até 26% de carboidratos. Dentro de um curto prazo, em até 6 meses, o resultado é rápido, principalmente quando é analisada a perda de peso na balança, pois o indivíduo consegue eliminar uma grande quantidade de líquido. Porém, quando pensamos em perda de gordura, a nutricionista indica sempre olhar a longo prazo. Completando o seu raciocínio, Fabiana comenta que ao se comparar dietas low carbs com dietas mais moderadas dentro de um ano o resultado é o mesmo.
“A longo prazo! Quando a gente tá pensando em tratamento de perda de peso, a gente nunca vai pensar em curto prazo, por que é algo pra vida toda, e a longo prazo não existe diferença” diz a nutricionista
Inicialmente as pessoas perdem uma grande quantidade de água, conseguindo um bom resultado na balança, o que pode servir de motivação. Porém, em um maior período de tempo, as pessoas mostram mais dificuldade de manter uma dieta tão restrita.
Principais riscos
Segundo Fabiana, o principal sintoma relacionado a dieta é um intestino preso. Normalmente, dentro de dietas low carbs, existe uma restrição no consumo de fibras, o que gera a constipação, além do desbalanço no consumo de proteínas que também pode gerar uma prisão de ventre. Além disso, o excesso de proteínas pode gerar aumento de ácido úrico, o que pode levar a pedras nos rins. Também há riscos de desenvolvimento de transtornos alimentares, afirma Fabiana. Ela acredita que eles estão diretamente relacionados a dietas restritivas e à falta de acompanhamento nutricional.
Quiz interativo: descubra mitos e verdades sobre dietas encontradas nas redes sociais
Quiz: O que você sabe sobre a dieta Low Carb?
Realizado em um patrimônio mundial da humanidade, o festival promove o diálogo entre arte, povos tradicionais e os desafios urgentes da crise climática.
A primeira capital do estado de Goiás, cidade conhecida como Goiás Velho, é um patrimônio histórico e cultural da humanidade, que possui sua arquitetura antiga preservada e uma beleza natural. Ela foi ocupada no contexto da expansão colonial do território, por bandeirantes que procuravam por ouro. Hoje, o pacato município é ocupado por milhares de turistas todos os anos, que procuram por conhecimento histórico e experiências culturais. Entre os diversos eventos marcantes que acontecem todos os anos na cidade, o Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (FICA) é um evento que reúne artistas nacionais e internacionais para mostrar e premiar produções audiovisuais que tratam sobre questões ambientais.
Neste ano, a 26ª edição aconteceu entre os dias 10 e 15 de junho, contando com participações especiais de Ailton Krenak e Matra Kalunga. O festival elabora debates e rodas de conversa sobre as crises climáticas e a valorização de comunidades tradicionais, além da exibição de centenas de filmes e quatro mostras competitivas. A programação, que é gratuita, também promove shows de cantores regionais e grandes nomes da música brasileira, como os Paralamas do Sucesso, Mart’nália e Zeca Baleiro. É um evento que marca a população da cidade de Goiás e de muitos outros que vêm de fora para prestigiar os filmes e a beleza do município.
Abertura FICA 2025. Foto: Luana Sampaio
O Papel do FICA na Memória Viva de Goiás
O festival é realizado anualmente desde 1999. Ele foi o primeiro festival de cinema do Brasil e um dos maiores do mundo. Localizado em uma cidade histórica, o evento discute as relações entre o meio ambiente e comunidades tradicionais. A cidade de Goiás possui uma arquitetura histórica que não pode ser modificada. Segundo a superintendente de fomento e gestão cultural da Secretaria de Cultura (Secult) Goiás, Raissa Coutinho, a estrutura do evento, que é montada todos os anos, deve respeitar essa arquitetura da cidade e se adaptar a seu formato.
“Tudo que acontece na cidade de Goiás precisa respeitar uma cidade de quase 300 anos que é patrimônio mundial pelo UNESCO, há quase 30 anos. Então, a gente respeita todas as questões patrimoniais, inclusive na montagem das estruturas. Nada é montado sem ser autorizado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Então, a gente dialoga o tempo todo com a cidade, com a prefeitura, com os órgãos de controle, como o caso do IPHAN”, declara.
O evento conta com demonstrações de filmes e vídeos que variam entre categorias de temática ambiental, cinema goiano, produções na Cidade de Goiás e cinema de povos tradicionais. Além disso, também acontecem rodas de conversa e debates. Com o passar dos anos, atrações musicais também passaram a ser incluídas na programação. Este ano acontece a 26ª edição, que conta com a presença de fóruns ambientais e o fórum ambiental infantil, criado no ano passado. Segundo Raissa Coutinho, este último fórum é importante para dar voz às crianças de Goiás.
“As crianças que nasceram na mesma época em que o FICA começou, hoje já têm 26 anos. Isso é muito significativo. No ano passado, quando o festival completou 25 anos, a gente refletiu sobre essa trajetória e decidiu trazer as crianças de hoje para o microfone, para participarem também”, afirma a superintendente.
O festival conta com uma rica programação que visa falar não só sobre meio ambiente, mas também sobre comunidades e povos tradicionais.
“Hoje a gente fala do cinema ambiental e de várias áreas dentro do cinema ambiental, mas a gente fala também de questões de comunidades e questões sociais. É a hora que se coloca na mesa tudo isso. É um festival muito amplo”, conta Raissa Coutinho.
O FICA dá espaço para diversas comunidades tradicionais, como povos indígenas e quilombolas. A Tenda Multiétnica, presente no evento, é o lugar dedicado a toda essa experiência cultural e compartilhamento de saberes. Com palestras, rodas de conversa, apresentações e workshops, a tenda traz muito dos costumes de cada povo tradicional. Marta Kalunga, liderança quilombola e cineasta, diz que, ao exibir filmes com produções dessas comunidades, o festival ajuda na valorização dos costumes e a mostrar tudo isso ao público.
“O cinema leva conhecimento e faz isso de uma forma rápida. Ele ajuda a expandir e divulgar nossa cultura. Enquanto nós vamos passando essas tradições de geração em geração, o cinema consegue mostrar para muito mais pessoas, de maneira mais direta e acessível, o que realmente é nosso”, afirma Marta Kalunga.
Todos os anos, o FICA é um evento muito esperado por toda a comunidade vila-boense e pelos turistas. A superintendente da Secult Goiás explica que, antigamente, só existia cinema na cidade de Goiás durante a época do FICA, então a população esperava por esta oportunidade rara de assistir aos filmes do festival. Hoje, por mais que o cenário tenha mudado, as expectativas continuam sendo as mesmas.
“O festival, ele ainda está no momento mais maduro dele, mas ele ainda tem muito campo pela frente. Sempre tem públicos novos, as pessoas se renovam no FICA”, declara Raissa.
Raissa Coutinho também afirma que, nos palcos do FICA, já passaram grandes nomes de artistas nacionais. Ela diz que “é difícil a gente achar um grande artista que não tenha passado pelo FICA. E esses que não passaram, quando passam, eles ficam encantados porque vêem a força, o tamanho do festival, e a relevância de se tratar de questões ambientais, de se discutir questões ambientais tão relevantes”
Além disso, o festival internacional é um grande impulsionador do comércio local, gerando um vasto desenvolvimento para o município. De acordo com a superintendente da secretaria de cultura do estado, no ano passado, foram investidos aproximadamente 5 milhões de reais, e a cada 1 real investido, voltaram 3. Um movimento de R$15 milhões durante os dias do festival. Neste ano, o investimento foi ainda maior, com 6,1 milhões de reais sendo dedicados à realização do evento.
Comércio Local Ganha Fôlego com o Festival
Moradores locais se preparam todos os anos para presenciar o evento que dura 5 dias. Vendedores abastecem seus estoques e funcionários trabalham longas jornadas, tudo para atender aos vários turistas que visitam a cidade nesta época do ano. Segundo o morador local e vendedor de sorvetes na praça do Coreto, Guimercino Barbosa, o FICA, além de ajudar na divulgação de uma cidade histórica, também traz uma grande variedade de clientes novos, impulsionando o comércio local.
“O FICA veio para a nossa cidade e se tornou uma oportunidade para os moradores. Além de divulgar bem a nossa cidade, uma cidade turística, dá a oportunidade de complementar as vendas das famílias locais. Então, os turistas aqui fazem muita diferença”, diz o vendedor local.
Guimercino Barbosa está no comércio desde o início do FICA. Ele explica que, nas primeiras edições do festival, o impacto era ainda maior. “O 5° festival a gente tem registrado até hoje como um dos melhores que teve aqui na cidade.” No 26°, o movimento diminuiu, mas ainda foi positivo. O vendedor de sorvetes diz que “as pessoas vêm não só para participar do festival, elas vêm também para gastar, para movimentar a economia de Goiás.”
A vendedora de uma loja de artesanatos e doces, Maria Alexandrina, também reconhece que as edições iniciais do festival tiveram mais impacto para os comerciantes, “os primeiros eram bem melhores para a venda, depois foi diminuindo.” Mesmo assim, os comerciantes ainda trabalham horas dobradas durante essa época, para conseguir atender todos os turistas. “A gente contrata mais funcionários para ficar durante o festival”, afirma Maria Alexandrina. E Guimercino Barbosa também diz que é preciso produzir de quatro a cinco vezes mais sorvete e ficar aberto até 2 horas da manhã para atender a demanda.
Os vendedores reconhecem que o Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental possui grande importância cultural e local, não só para o comércio, mas também como instrumento educativo que discute sobre questões ambientais urgentes e a valorização dos povos.
“O festival educa as pessoas. Torna elas mais conscientes. A questão do meio ambiente e de tudo. As pessoas entendem que nós precisamos mudar as atitudes. Precisamos ter mais compaixão com a natureza”, declara Gumercindo Barbosa, morador local e vendedor de sorvete.
Festival ambiental em contradições locais
Apesar de ser um festival muito importante para a cultura de Goiás e de todo o país, o FICA ainda precisa percorrer um longo caminho para garantir que todas essas discussões sejam ouvidas. A cidade de Goiás, apesar de possuir uma beleza histórica, apresenta algumas contradições quando se trata em receber uma diversidade de pessoas. No centro – que é onde ocorre a maior parte das atividades do festival – as ruas e calçadas são de pedra, o que dificulta a locomoção. A líder quilombola Marta Kalunga destaca que a estrutura do centro da cidade pode impossibilitar o acesso de pessoas que apresentam restrições locomotoras, como cadeirantes.
“Nesta cidade falta uma rampa. As pessoas mais velhas, da terceira idade, por exemplo, teriam muita dificuldade para andar aqui. Tem que ter uma calçada limitada para essas pessoas, para cadeirantes também. E aqui não tem nada disso. Então eu acredito que falta pouca coisa, mas tem que prestar mais atenção”
Outra questão é a estrutura trazida para o festival em si. Gumercindo Barbosa, que acompanha o FICA desde suas primeiras edições, destaca a falha na estrutura e na organização do evento. “Poderia ter mais um pouquinho de organização. Só mais um pouco, para ficar uma coisa bem boa. Porque, às vezes, os turistas reclamam um pouco dessa questão do banheiro. Estrutura mesmo, o pessoal reclama um pouco. Então, assim, eu acho que deveria melhorar um pouco a estrutura”, afirma o morador local da cidade de Goiás.
Além da estrutura, a organização do festival, em relação aos horários, segundo Marta Kalunga, também poderia melhorar. A cineasta discute sobre o fato de a programação colocar vários filmes para passar ao mesmo tempo e em locais diferentes. Ainda de acordo com Marta, as sessões de filmes indígenas e quilombolas deveriam possuir exibição aberta na Tenda Multiétnica, para facilitar o acesso e a visibilidade das pessoas.
FICA 2025: As Vozes e Narrativas em Competição
O Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental conta com 4 mostras competitivas, cada uma delas com uma grande quantidade de filmes, seja de longa ou curta metragem.
A Mostra Internacional Washington Novaes é dedicada à exibição e avaliação de filmes sem restrição de país ou tempo, e com temáticas ambientais. Nela, estão presentes os longas metragens: O silêncio das Ostras; Terra Encantada – O Diabo Velho; Nós vivemos aqui; Isto é tudo nosso; Mãos à Terra; Tijolo por Tijolo. E os curta metragens: Encontro das Águas; Entre as Cinzas; Cavaram uma cova no meu coração; A Nave Que Nunca Pousa; O Último Varredor; Marés da Noite; Travessia e Lichens are the Way.
Entre os prêmios dedicados a esta categoria, estão: Melhor longa‑metragem – Prêmio Cora Coralina (R$ 35.000); Melhor curta/média – Prêmio Acari Passos (R$ 15.000); Melhor direção – Prêmio Carmo Bernardes (R$ 10.000); Melhor filme goiano (na mostra internacional) – Prêmio João Bennio (R$ 20.000); Escolha da imprensa – Prêmio José Petrillo (R$ 10.000); Escolha do público – Prêmio Luiz Gonzaga Soares (R$ 10.000); Escolha do júri jovem – Prêmio Jesco Von Putkammer (R$ 10 000).
Na categoria de cinema Goiano competiram os filmes produzidos no estado de Goiás de qualquer tamanho, gênero e temática. Os longas metragens são: Goiânia Rock City; Mambembe e Planta de Raiz Profunda. Os curta metragens: Jamming – O ano em que Junior Marvin morou em Goiânia; Rocha, substantivo feminino; A mulher esqueleto; Entressonho; Fidèle; Tingui. Suas premiações são: Melhor longa (R$ 11.000); Melhor curta (R$ 8.000); Direção – longa e curta – (R$ 8 000 / R$ 7.000); Fotografia, roteiro, edição, atuação, som, trilha, direção de arte (R$ 6.000 cada).
A mostra Becos da Minha Terra é dedicada a curta metragens (até 30 minutos) produzidos por vila-boenses, na cidade de Goiás. As obras que competem nessa categoria são: Acorda, João; Atitudinal; Debaixo do Pé de Pequi; Gambá; Lockdown; Lusco-Fusco; Para Carlos; Rap Doc; Sol Noturno; Tom de Ameaça. As premiações dessa mestra são: Melhor filme e melhor direção (R$ 5.000 cada) e melhor edição, som e roteiro (R$3.000 cada).
Também existe a mostra Cinema Indígena e Povos Tradicionais, que são filmes produzidos ou dirigidos por pessoas indígenas ou comunidades tradicionais. Os longa metragens são: Originárias; Bye Bye Amazônia e Aldeia Multiétnica. Já os curta metragens são: Sukande Kasáká (Terra Doente); Djaexá Porãa – Um olhar para o Futuro; Momat – Ritual da Tucandeira na Comunidade Waikiru em Manaus/Amazonas; ADOBE: habilidades tradicionais da construção Kalunga; Aguyjevete Avaxi’i; Minha câmera é minha flecha. Suas premiações são: Melhor longa‑metragem (R$10.000) e Melhor curta‑metragem (R$5.000).
Além das 4 mostras competitivas, existem também mostras não competitivas e sessões especiais paralelas. Como por exemplo o FICA Animado, que é uma mostra principalmente composta por animações infantis, com abordagens mais leves e otimistas sobre o meio ambiente, com o objetivo pedagógico de conscientizar o público infantojuvenil.
Cine Teatro São Joaquim. Foto: Renato Cândido
Os Vencedores do FICA 2025
A 26a edição do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental encerrou no dia 15 de junho, domingo, com a cerimônia de premiação e o show da banda Os Paralamas do Sucesso. Segundo o site oficial do Governo de Goiás, o festival distribuiu R$220 mil em prêmios que variam entre R$5 e R$35 mil, distribuídos entre filmes de todas as quatro mostras. Pelo botão abaixo, será possível visualizar a lista de filmes premiados da edição de 2025.
O FICA 2025 foi um evento que marcou muitos com a importância de se preservar o meio ambiente e a cultura daqueles que cuidam dele. De acordo com a superintendente da Secult Goiás, é graças ao festival que as discussões sobre crises ambientais tomaram espaço na cidade de Goiás.
“Goiás não era uma cidade com uma discussão ambiental tão forte. Hoje, está no topo desse debate, muito por conta das três universidades públicas presentes aqui – a UFG, o IFG e a UEG. Professores e alunos estão extremamente envolvidos, tanto com o festival quanto com as questões ambientais. Acredito que o nível de diálogo sobre meio ambiente na cidade é muito alto, graças ao espaço que o audiovisual e o cinema ambiental abriram para essas discussões”, afirma Raissa Coutinho.
Esta reportagem foi inteiramente apurada, redigida e editada por humanos. Também contém um Recomendador de Filmes interativo desenvolvido com auxílio de inteligência artificial, utilizada para gerar códigos e automações.
Crianças descansam em monumento histórico da Cidade de Goiás após atividades da Tenda Multiétnica do FICA 2025 (Foto: Luana Sampaio/LabNotícias)
O Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Fica 2025) encerrou sua 26ª edição com recordes históricos. Foram 1.446 produções inscritas de 88 países, a maior volume já registrado. Além da cifra recorde de R$ 6 milhões em investimentos para estruturação do evento. Ao longo de seis dias das mostras e apresentações, o FICA reuniu mais de 40 mil pessoas na histórica Cidade de Goiás. Os dados são da organização do festival e da Prefeitura vilaboense.
Neste ano, o tema foi “Cerrado: a savana brasileira e o equilíbrio do clima”. 43 documentários, vídeos e filmes concorreram aos R$ 220 mil em prêmios, entre R$ 5 mil e R$ 35 mil por categoria. A dupla de cineastas Victória Álvares e Quentin Delaroche foi laureada com o prêmio Cora Coralina, o mais importante do festival, pelo longa-metragem Tijolo por Tijolo. O filme pernambucano foi o grande vencedor desta edição ao amealhar quatro troféus. No discurso, a diretora Victória Álvares destacou o caráter de resistência da obra. “Esse nome remete, obviamente, à vida de crise, de aumento da construção da casa, mas remete também a como conseguimos construir esse filme. Filmamos num contexto de pandemia, num país que não tinha Ministério da Cultura. É importante celebrarmos nossas vitórias, mas lembrar também das nossas trajetórias de luta. A gente precisa ter audácia!”, declara.
O LabNotícias preparou uma ferramenta exclusiva para conhecer os filmes das mostras competitivas que mais combinam com você.
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O festival é organizado em quatro mostras. A principal é a Mostra Internacional Washington Novaes em que são apresentadas obras de vários estados brasileiros e países. O nome da categoria é uma homenagem ao jornalista e ativista ambiental Washington Luís Rodrigues Novaes (1934-2020). As obras dele são referência no campo ambientalista e indigenista por usar documentários e livros para vocalizar a realidade da degradação socioambiental do Brasil. Washington foi presidente de honra do FICA e idealizador de programas como o “Globo Repórter”.
Os filmes dessa mostra podem ser premiados em oito quesitos, como melhor direção, melhor longa-metragem e júri jovem. “Tijolo por Tijolo” levou quatro deles: Prêmio Cora Coralina – melhor longa-metragem, Prêmio Carmo Bernardes – melhor direção, Prêmio José Petrillo – Júri da Imprensa e Prêmio Jesco Von Puttkamer – Júri Jovem.
Além dessas categorias, são mais 19 prêmios distribuídos em outras três mostras: Mostra do Cinema Goiano, Mostra do Cinema Indígena e Povos Tradicionais e Mostra Becos da Minha Terra. Confira na aplicação interativa abaixo todos os ganhadores do FICA 2025.
🏆 Vencedores do FICA 2025 ⭐
Cultura, arte, gastronomia e debate
O 26º Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (FICA) contou com uma programação que foi além da cinematográfica. Foram realizados minicursos, oficinas, feiras de artesanato e gastronomia. Além disso, o debate das questões ambientais reuniu nomes como o ambientalista e líder indígena Ailton Krenak, os cineastas Vincent Carelli e João Moreira Salles.
O universitário Gustavo Martins conta a experiência de participar pela primeira vez do festival e de conhecer a antiga capital goiana “Estar em Goiás pela primeira vez foi muito especial, principalmente no contexto acadêmico, pois me senti imerso nos livros de história podendo contemplar toda a arquitetura única da cidade. O FICA esteve muito bem-organizado, com cinemas confortáveis e bem climatizados, com entrada gratuita para assistir aos curtas [e aos longa-metragem]. Além disso, a gastronomia não deixou a desejar com diversas opções de pratos deliciosos e o toque caseiro”, explica o jataiense.
A estudante Natália Eduardo participou da mostra indígena e do debate sobre raízes culturais “Foi muito interessante você ver essa diversidade e riqueza cultural imensa. Foi muito interessante porque foi a primeira vez que visitei o FICA e entregou muita coisa”, explica. Ela destaca a surpresa positiva do festival não se restringir às salas de cinema, mas abarcar toda a cidade histórica “Quando soube sobre o FICA, imaginei ser algo cultural voltado ao cinema, mas lá percebi que tinha todas essas propostas […] como trazer a sociedade para entender melhor aquilo [debate ambiental] por meio das conversas com os povos originários e iniciativas do governo”, relata.
Cinema goiano vivo
O festival é o maior do estado e um dos maiores do país. Além de promover o debate ambiental por meio do cinema, o produtor de cinema e audiovisual Augusto Ramos destaca o papel do FICA como meio de promoção ao cinema local. “É um gás que dá pra gente que produz [cinema] independente. É uma oportunidade de a gente mostrar o nosso trabalho, mostar que o cinema goiano tá firme, atuante, apesar do pouco reconhecimento”, explica. Augusto atuou como assistente de direção Dandara, o curta participou da edição deste ano do festival. “É um filme que fala sobre ancestralidade de uma criança preta. Foi bem interessante falar sobre o racismo no ambiente escolar, porque acontece bastante. […] O processo [de produção] foi muito interessante, mas ver como chega ao público, às crianças, é bem gratificante”, relata sobre a obra dirigida por Raquel Rosa.
O bacharel em cinema explica como ainda há barreiras a serem quebradas para o cinema estadual. “Não é no FICA deste ano ou do ano que vem. Essa sementinha [do cinema goiano] já vem sendo plantada há um tempo para florescer mais à frente. É algo que ainda precisa de um tempinho”. Augusto Ramos cita o caso do filme goiano Oeste Outra Vez, homenageado nesta edição do FICA, que ganhou repercussão nacional e internacional. Em entrevista em maio ao repórter Renato Candido do LabNotícias, o cineasta do longa, Erico Rassi, destacou o êxito das produções locais. “É certamente o melhor momento da cinematografia goiana, que chegou a ficar 40 anos sem produzir um longa-metragem. O desafio agora é consolidar esse momento e expandir toda a cadeia produtiva, para que a nossa produção se torne cada vez mais relevante”, respondeu.
O produtor pontua que iniciativas complementares para fomentar a produção cultural de Goiás. “As políticas públicas em relação ao audiovisual ainda são bem precárias. Ainda falta bastante iniciativa nessa parte. As leis de incentivo ajudam, mas não são o ideal. Falta, não sei, um sindicato do cinema, um órgão como uma Ancine goiana”. Ele também pontua a potência do cinema universitário para o estado “Hoje, por exemplo, a gente tem faculdade em Goiânia, em Goiás [velho], de cinema, e não tem um festival ou um apoio específico ao cinema universitário, sabe? E tem coisas boas sendo produzidas no âmbito universitário”, destaca.
26 anos de FICA
Reunião de selecionados para a edição 2025 do festival contou com 1078 inscrições de 77 países e 27 unidades da federação. (Lucas Diener/Secult-GO)
O festival internacional de cinema foi iniciado em 1999 com segundas intenções: impulsionar a candidatura da cidade de Goiás à Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco. O grupo de amigos ativistas ambientais idealizou o festival como atrativo para consolidação da antiga capital goiana como coração cultural do país. Os idealizadores do FICA, Luiz Felipe Gabriel, Jaime Sautchuk, Adnair França e Luís Gonzaga Soares, se uniram ao cineasta mineiro João Batista de Andrade para realizar a estreia do FICA entre 2 a 6 de junho de 1999. Batista desenvolveu a estratégia, desde a primeira edição do festival, de estabelecer premiações monetárias para atrair expositores ao projeto. O mineiro foi responsável por estabelecer o formato final do FICA, além de criar o regulamento e homenagear personalidades da cultura de Goiás.
Por se tratar de um grupo de fundadores diversos, composto por jornalista, publicitários e socióloga, a ideia do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental sempre foi ampla, o que se mantem até hoje. Jaime Sautchuk, jornalista e um dos idealizadores, conta que a história da criação do festival daria “um filme de aventura, cheio de alegrias e fortes emoções”. A ideia surgiu do pedido do então futuro governador Marconi Perillo por um evento que “colocasse Goiás no mapa”. Com o pedido em mente, Sautchuk comentou com a esposa e socióloga Adnair França. Ela foi a responsável por sugerir um festival de cinema que evoluiu para a ideia do FICA a partir das conversas com os demais fundadores.
O jornalista destaca no livro “Dossiê FICA: Uma Aventura Maravilhosa” o episódio do convite ao colega de profissão Washington Novaes para participar da empreitada. “Mandei um fax a ele explicando a ideia e perguntando se ele toparia fazer parte do grupo. Ele respondeu que andava muito ocupado e que não queria assumir mais compromissos. Em novo fax, eu disse a ele que não ofereceria mesmo uma tarefa dessas a algum desocupado. Na hora, ele me telefonou, rindo, e aceitou”, relata. Outro momento que destaca na obra é o da morte de Gonzaga Soares pouco tempo antes do festival estrear. Apesar da perda, ele ressalta o sucesso do evento pelo trabalho do grupo.
FICA 2026
A edição do próximo deve ser confirmada ainda neste ano. Em geral, o processo de planejamento começa no segundo semestre. Já as inscrições para os membros das comissões de seleção de filmes devem começar em fevereiro. Ficam para abril os chamamentos públicos de inscrições das obras para as mostras competitivas. Algumas semanas depois, começa a fase de seleção de apresentações artísticas ou culturais, de exposições de artes visuais e de atividades formativas.
Esta reportagem foi inteiramente apurada, redigida e editada por humanos. Também contém Audiodescrição e diversos Infográficos interativos desenvolvidos com auxílio de inteligência artificial, utilizada para gerar códigos e automações.
Sob esse panorama, o cenário educacional goiano espelha um desafio nacional, mas com contornos específicos que evidenciam as desigualdades estruturais do sistema de ensino. Embora o estado tenha registrado avanços graduais na conclusão da educação básica, saltando de 26,6% em 2016 para 31,0% em 2024, o ritmo de crescimento ainda é insuficiente para superar o déficit educacional acumulado ao longo das décadas.
“Como profundo defensor das juventudes, compreendo que esses dados revelam uma ausência de políticas públicas que garanta de fato um direito constitucional que é o direito à educação”, afirma Luís Duarte Vieira, presidente do Centro de Formação, Assessoria e Pesquisa em Juventude – Cajueiro. O Cajueiro é uma associação civil sem fins lucrativos, com sede em Goiânia e atuação em todo território nacional, que possui três eixos estruturantes em sua atuação: a formação, a assessoria e a pesquisa em juventude.
Luís destaca a concepção de alguns pesquisadores que falam da juventude “Nem-Nem”, que nem trabalha e nem estuda. No entanto, para Vieira, há um outro grupo de pesquisadores — com o qual o Cajueiro se identifica — que considera o olhar da perspectiva da juventude “Sem-Sem”: juventude sem estudo e sem trabalho devido a ausência de políticas públicas.
“Nós estamos falando de jovens empobrecidos, em situação de vulnerabilidade e com uma série de direitos negados. E a educação é apenas mais um dos múltiplos direitos que são negados às juventudes”, salienta.
Distribuição por Nível de Instrução – Visualização Avançada
Evolução do Nível Educacional
Distribuição da população de 25 anos ou mais por nível de instrução (2016-2024)
5.5%
Sem Instrução (2024)
26.2%
Fundamental Incompleto (2024)
7.4%
Fundamental Completo (2024)
4.9%
Médio Incompleto (2024)
31.3%
Médio Completo (2024)
4.2%
Superior Incompleto (2024)
20.5%
Superior Completo (2024)
Como interagir: Clique nos ícones acima para destacar cada nível de instrução no gráfico. Passe o mouse sobre os elementos para ver detalhes. Use os botões no topo para alternar entre dados do Brasil e de Goiás.
Perfil dos que não concluíram a educação básica
Entre os 43,4% que não finalizaram a educação básica obrigatória, o perfil é diversificado: 4,2% são pessoas sem instrução formal, 26,0% possuem ensino fundamental incompleto, 6,7% completaram apenas o ensino fundamental e 6,5% começaram, mas não terminaram o ensino médio.
“Este indicador é mais relevante para pessoas que, por idade, já poderiam ter finalizado seu ciclo regular de escolarização, geralmente por volta dos 25 anos”, explica o documento do IBGE, destacando a importância de analisar essa faixa etária específica.
Magna Fonseca, 50 anos, se enquadra nos 26,0% que sequer concluíram o ensino fundamental. Magna abandonou os estudos na 5ª série (atual 6º ano), quando engravidou do seu primeiro filho aos 13 anos. Desde então, nunca mais retomou os estudos e atualmente trabalha como diarista. “Se eu tivesse condições, eu voltaria para a escola de novo. Pelo menos para terminar”, declara.
Magna é um reflexo das disparidades educacionais, em que 23,5% das mulheres abandonam os estudos devido a gravidez na adolescência. Apesar disso, a maior causa de evasão escolar permanece sendo a necessidade de trabalhar, tanto para homens (53,6%) quanto para mulheres (25,1%). Essas disparidades também se aprofundam quando analisadas por cor ou raça.
Em 2024, a taxa de analfabetismo para pessoas brancas foi de 2,7%, enquanto para pessoas pretas ou pardas atingiu 4,1% — uma diferença de 1,4 ponto percentual. Entre idosos, essa desigualdade se amplifica dramaticamente: a taxa de analfabetismo de pessoas brancas com 60 anos ou mais foi de 9,6%, enquanto entre pessoas pretas ou pardas chegou a 17,7%.
Disparidades Educacionais por Cor/Raça – Visualização Avançada
Disparidades Educacionais por Cor/Raça
Taxas de analfabetismo na população geral e entre idosos (2024)
2.7%
Brancos (população geral)
4.1%
Pretos/Pardos (população geral)
9.6%
Brancos idosos (60+)
17.7%
Pretos/Pardos idosos (60+)
Principais achados: As taxas de analfabetismo são significativamente maiores entre pretos e pardos em comparação com brancos. Entre idosos, a disparidade se amplifica dramaticamente, com pretos/pardos idosos apresentando taxa quase 2 vezes maior que brancos idosos.
Analfabetismo persiste, principalmente entre idosos
Paralelamente ao déficit na educação básica, Goiás ainda enfrenta o desafio do analfabetismo. Em 2024, o estado registrou 213 mil pessoas com 15 anos ou mais analfabetas, representando uma taxa de 3,6% — uma redução de 0,4 ponto percentual em relação a 2023.
O analfabetismo em Goiás revela um padrão geracional marcante: enquanto a taxa geral é de 3,6%, entre pessoas com 60 anos ou mais ela salta para 14,0%, quase quatro vezes superior à taxa dos mais jovens. Aurilene Nascimento, de 56 anos, é um exemplo dessa realidade.
Nascida em São João do Carú, no Maranhão, quando jovem estudou apenas até a 1ª série (atual 2° ano), o suficiente para aprender pelo menos a escrever o próprio nome. Após o falecimento do seu pai, foi obrigada a interromper os estudos para ajudar na lavoura e prover o sustento da família. Apesar disso, ao longo da vida, Aurilene aproveitou as poucas oportunidades que teve para estudar — que, infelizmente, não foram muitas.
“Quando eu fui tendo meus filhos, eu tentei estudar, mas o meu marido nunca me deixou ir pra escola porque tinha as crianças pra cuidar. Os filhos cresceram, mas depois vieram os netos. Aí quando eu pensava de novo em ir para a escola, tinha os meus netos pra cuidar”, relata Aurilene, destacando uma vida inteira voltada para os cuidados com a família.
Ainda assim, a vontade pelo conhecimento nunca arrefeceu. “Estou velha, mas agora eu vou estudar de novo. Em nome de Jesus”, completa Aurilene, desejosa em não ser mais parte da estatística que posiciona a população idosa de pretos e pardos como a mais afetada pelo analfabetismo no país, e o Maranhão como o quinto estado com a maior taxa de analfabetos.
Taxa de Analfabetismo no Brasil – Visualização Avançada
Taxa de Analfabetismo no Brasil
Distribuição por Unidade da Federação em 2024 (População de 15 anos ou mais)
5.1%
Média Nacional
14.3%
Maior Taxa (AL)
1.8%
Menor Taxa (DF)
3.6%
Média em Goiás
0-3%
3-6%
6-9%
9-12%
12%+
Como interpretar: O mapa mostra a taxa de analfabetismo por estado em 2024. Cores mais escuras indicam taxas mais altas. Passe o mouse sobre cada estado para ver detalhes. A taxa considera pessoas de 15 anos ou mais que não sabem ler ou escrever um bilhete simples.
Mulheres lideram avanços educacionais
Um dado que se destaca é o protagonismo feminino nos avanços educacionais. No ensino superior, 36,4% das mulheres de 18 a 24 anos frequentam ou já concluíram o ensino superior, superando a meta nacional de 33%. Entre os homens, esse percentual é de apenas 26,3%.
A diferença se mantém quando analisada a população jovem de 15 a 29 anos: 19,5% das mulheres estão ocupadas e estudando, contra 17,4% dos homens. Enquanto 35,0% das mulheres se dedicam exclusivamente ao trabalho, entre os homens esse percentual sobe para 54,2%.
Samanta Nascimento, graduanda em Jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG), é um exemplo disso. Neta de Aurilene, seu principal encorajamento para estudar vêm justamente dos seus avós, que trabalharam duro para dar aos netos circunstâncias diferentes das suas.
“Meus avós sempre me incentivaram a ler e a estudar, pois sofreram na pele com a falta de oportunidades que o analfabetismo traz. Para mim, ser uma das primeiras da família a chegar ao ensino superior é uma sensação de dever cumprido”, ressalta Samanta.
Educação avança, mas desafios persistem
Os dados revelam que, apesar dos avanços graduais, Goiás enfrenta desafios estruturais significativos para universalizar o acesso à educação de qualidade. O déficit de 43,4% na conclusão da educação básica entre adultos reflete não apenas problemas atuais do sistema educacional, mas também as consequências de décadas de investimento insuficiente em educação.
Luís Duarte Vieira, em sua atuação como presidente do Cajueiro, destaca como um dos seus maiores motivos de orgulho a Trilha Uni, projeto que ajuda a preparar alunos para ingressarem na faculdade. “É um modo de contribuir com os jovens que desejam realizar os vestibulares e o Enem”, destaca. Apenas na primeira chamada, em 2025 o Trilha Uni contribuiu para a aprovação na universidade de 18 estudantes participantes do programa.
Assim, as iniciativas do Cajueiro seguem em consenso com as recomendações do IBGE, que evidenciam que o principal desafio segue sendo “reduzir as desigualdades de acesso ao ensino superior, além de promover um combate efetivo ao atraso escolar e desenvolver políticas de incentivo à permanência na escola”, conclui o relatório.
Informações sobre EJA
Educação de Jovens e Adultos (EJA): Atualmente, a Secretaria de Estado da Educação disponibiliza turmas EJA em diferentes municípios para que as pessoas a partir de 15 anos de idade possam concluir a Educação Básica. As turmas são ofertadas de forma presencial ou à distância (EJATec). A oferta é feita em etapas, sendo a 1ª etapa correspondente aos anos iniciais do Ensino Fundamental (1º ao 5º ano); a 2ª etapa equivalente aos anos finais do Ensino Fundamental (6º ao 9º ano); e a 3ª etapa ao Ensino Médio (1ª a 3ª série). Podem se matricular no Ensino Fundamental jovens e adultos a partir dos 15 anos de idade. Já os interessados em concluir o Ensino Médio precisam ter, no mínimo, 18 anos de idade. Para esclarecimento de dúvidas, entre em contato com geeja@seduc.go.gov.br ou (62) 3243-6763.