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O texto a seguir fala sobre tópicos sensíveis e podem causar gatilhos.
Os efeitos climáticos têm se intensificado no decorrer dos anos, tornando desastres naturais consequências cada vez mais comuns. No Brasil, as enchentes no Rio Grande do Sul ganharam os holofotes de forma trágica, devastando regiões e impactando diretamente milhões de famílias. No entanto, as tragédias não decorreram apenas das mudanças climáticas, mas também de más gestões públicas e da negligência quanto aos protocolos de inundação, entre outros fatores.
Em boletim divulgado pela Climatempo, a meteorologista Josélia Pegorim analisa o fenômeno El Niño e expõe fatores indicativos de que as possibilidades de ocorrência de um evento tão forte quanto o de 2024 não estão distantes.
Como acontece o El Niño?
No texto, Josélia afirma que os números e as probabilidades sobre a intensidade do El Niño baseiam-se em anomalias de temperatura da superfície do mar na região central do Pacífico Equatorial. Ela destaca que as chances de um evento “moderado” estão diminuindo, enquanto, em contrapartida, as probabilidades de um evento “forte” ou “muito forte” só aumentam. Diante disso, as perguntas que ficam são: caso essas projeções se concretizem, as cidades afetadas anteriormente terão condições de evitar uma nova tragédia? Os governos municipais estão atentos aos erros passados para não repeti-los? Estamos preparados para enfrentar um evento que pode ser tão ou mais intenso que o de 2024?
Maior enchente da história do Rio Grande do Sul
Formado pela junção do rio Jacuí, rio dos Sinos, rio Caí e o rio Gravataí, o lago Guaíba exerce uma função fundamental para a região de Porto Alegre, banhando diretamente 5 municípios com sua extensão de 50 km, A paisagem da região é um dos pontos turísticos mais buscados na capital gaúcha. Porém, com uma certa frequência um lugar de tamanha beleza pode se tornar um pesadelo, a região já sofreu ao menos 12 grandes enchentes na sua história e após 83 anos a enchente de 1941 perdeu seu posto. Perdurando do final de abril até meados de maio, a enchente de 2024 veio depois de 5 meses das calamidades de 2023 e tomou a posição de maior tragédia climática do Rio Grande do Sul e do Brasil.


As marcas do desastre de 1941 ficaram para a história, servindo por oito décadas como base para as obras de engenharia da capital, mas o ano de 2024 veio para exceder todos os recordes e limites conhecidos. Enquanto a cheia histórica do século passado atingiu o ápice de 4,76 metros, a catástrofe mais recente elevou o nível do Guaíba à marca de 5,35 metros, superando a capacidade do sistema de diques e comportas projetado justamente com base nos dados de 1941.

Foto: THAYNÁ WEISSBACH/JC
Ao atingir 478 municípios, cerca de 95% do território gaúcho, o evento não foi apenas uma inundação severa, mas um colapso sistêmico que afetou a vida de 2,4 milhões de pessoas. A tragédia escancarou a vulnerabilidade de infraestruturas e as falhas em um processo histórico de construção do risco, forçando o deslocamento de mais de 660 mil cidadãos , no dia 19 de maio, por terem perdido suas residências. Além das perdas materiais, infelizmente os números contabilizados foram de 185 óbitos, 806 pessoas feridas e 23 desaparecidas.
Os impactos também são notáveis na esfera econômica, o prejuízo total foi estimado em R$ 88,9 bilhões com um déficit de aproximadamente R$ 7 bilhões comparado ao arrecadamento de 2023, e atingindo desde a infraestrutura logística, com danos em 11.572 km de estradas que dificultou o abastecimento de alimentos e água potável na época.
Os parágrafos a seguir são sobre tópicos sensíveis e podem causar gatilhos.
O estudo do WRI Brasil enfatiza que a falha na governança não se resumiu apenas à ausência de planos, mas a um modelo de desenvolvimento que historicamente priorizou o crescimento econômico de curto prazo em detrimento das pautas ambientais e sociais. Essa negligência manifestou-se na falta de priorização orçamentária, evidenciada pelo fato de que, em 2024, apenas 60% dos municípios gaúchos declaravam ter dotação orçamentária para ações de prevenção e preparação. Além disso, o relatório aponta para uma abordagem fragmentada entre os níveis de gestão, onde “silos institucionais” e a falta de mandatos executivos para instâncias regionais, como os comitês de bacias, impediram que o planejamento fosse integrado e eficaz para proteger o território como um todo. Paulo Salomon mora em Porto alegre e relatou como foi ver as ruas que ainda estavam alagadas mesmo depois das enchentes:
“Quando tu ia pros lugares que foram alagados, era terrível. Tu via as casas todas embaixo da água e o cheiro muito forte, porque, na realidade, os esgotos é que não dão conta e a água volta [para a superfície], né? E as bombas d’água entraram em colapso também.”
O relato foi confirmado pelas análises técnicas posteriores, que confirmaram que 20 das 23 casas de bombas de Porto Alegre falharam ou precisaram ser desligadas preventivamente quando a água invadiu seus motores, deixando o caminho livre para a inundação avançar sobre a malha urbana.
No que tange aos impactos da desigualdade, o desastre escancarou uma “cartografia da desigualdade social”, onde o acesso restrito ao mercado imobiliário formal empurra as populações de menor renda para as áreas de maior risco, como várzeas e encostas declivosas. O estudo reforça que a negligência com a justiça climática afetou desproporcionalmente grupos vulnerabilizados, incluindo pessoas em situação de rua, trabalhadores informais, pequenos agricultores e comunidades tradicionais, que possuem menor capacidade financeira de recuperação após a perda de seus meios de subsistência. Essa sobreposição de vulnerabilidades foi agravada pela ausência de integração entre as políticas de adaptação climática e de proteção social, a exemplo dos diversos casos de violências sexuais registradas nos abrigos, onde muitos deles aconteciam nas casas das vítimas e foram escancaradas nos abrigos.
Investimentos e reconstruções
Para responder a essas falhas e preparar o estado para os novos extremos climáticos como o previstos pela Josélia Pegorim, o governo estadual estruturou o Plano Rio Grande, que planeja investimentos totais de R$ 14 bilhões em mais de 200 projetos de reconstrução e resiliência climática. Uma das frentes centrais é a recuperação e modernização dos sistemas de proteção contra cheias; somente para Porto Alegre e Canoas, foram destinados mais de R$ 400 milhões para obras em diques e casas de bombas. Essas melhorias incluem a elevação de painéis elétricos em 18 estações de bombeamento, para evitar novos desligamentos, e o fechamento definitivo de oito comportas do Cais Mauá que se mostraram pontos críticos de vulnerabilidade.
Além das obras físicas, o estado investiu na ampliação da capacidade de monitoramento para enfrentar a possibilidade de um El Niño forte ou muito forte, como alertado por especialistas. Foi criada uma rede própria de radares meteorológicos e instaladas 125 novas estações hidrometeorológicas, permitindo previsões mais ágeis e precisas. Complementando essa estrutura, o lançamento do novo Sistema de Alerta Hidrológico do Guaíba passou a oferecer dados antecipados para 17 municípios da região. Paralelamente, houve um esforço de governança para que todos os 497 municípios gaúchos revisassem seus planos de contingência, buscando garantir que a estrutura pública esteja pronta para agir preventivamente antes que uma próxima placa de altura máxima da enchente não tenha que ser colocada no Mercado Público de Porto Alegre.
A seguir alguns pontos turísticos antes e depois da enchente em Porto Alegre:
Cais Mauá


Foto 1: André Ávila/Agência RBS — Foto 2: Aryel Martins/RBS TV
Estádio Beira Rio


Foto 1: Max Peixoto/ Estadão Conteúdo — Foto 2: Divulgação/ Sport Clube Internacional
Passo Municipal/ Prefeitura Velha


Foto 1: Gustavo Mansur — Foto 2: Divulgação/ Prefeitura de Porto Alegre
Arena do Grêmio


Foto 1: Carlos Fabal/AFP — Foto 2: Luciano Lanes/Arquivo PMPA
Essa reportagem teve o auxílio de Inteligencia Artificial apenas para montar o código em HTML do card explicativo sobre como ocorre o El Nniño e o gráfico interativo.
