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Sophia Caetano

As plataformas de streaming online atualmente carregam uma extensa lista de conteúdo audiovisual, reproduzindo desde filmes e séries, até shows de música, stand-ups de comédia e peças teatrais. E este é o grande motivo para as pessoas preferirem não sair de casa para apreciar esse tipo de arte em salas de cinema e teatros. O comodismo que é poder assistir o que desejar diretamente do sofá, é, desde o seu surgimento, uma ameaça para a indústria cinematográfica e para que ela continue sendo reproduzido em salas de cinema.


1990-2000
1990-2000

Locadoras

As locadoras eram o principal meio de acesso a filmes fora das salas de cinema. Os espectadores precisavam se deslocar até uma loja física para alugar fitas VHS e, posteriormente, DVDs. O lançamento nos cinemas era seguido por um longo período de espera até a chegada às locadoras.

1992
1992

Star Works

O primeiro serviço comercial de streaming de vídeo foi o Star Works, lançado pela Starlight Networks em 1992. Funcionava como um software que permitia o acesso a vídeos MPEG-1 em movimento sob demanda, porém era limitado à computadores conectados a mesma rede local. Mas ao decorrer dos anos, outras plataformas de streaming de vídeo foram surgindo, como o YouTube em 2005 e a Netflix em 2007, que são reprodutores de streaming famosos até hoje.

2011
2011

Lançamento da Netflix

 A Netflix chega ao Brasil em 2011, oferencendo a reprodução de filmes e séries online. Mesmo não tendo um catálogo extenso e a qualidade que temos atualmente, esse lançamento foi extremamente revolucionário pela praticidade de pessoas poderem acessar o audiovisual sem precisar alugar ou comprar DVDs, e abriu as portas para as inúmeras assinaturas de serviços similares que conhecemos hoje.

2020
2020

Pandemia

Com o fechamento temporário dos cinemas devido à pandemia de COVID-19, as plataformas de streaming registraram um crescimento significativo. Muitos estúdios passaram a lançar filmes diretamente no ambiente digital, hábito que contribuiu para mudanças duradouras no comportamento do público.

2025
2025

Disputa entre streaming e cinema

Atualmente, a indústria audiovisual busca equilibrar a experiência das salas de cinema com a conveniência das plataformas digitais. Especialistas defendem a manutenção da chamada “janela de exibição”, período em que um filme permanece exclusivo nos cinemas antes de chegar ao streaming. Ao mesmo tempo, o aumento do número de plataformas e a facilidade de acesso ao conteúdo continuam influenciando a frequência do público nas salas de cinema.


Múltiplas plataformas

Reprodução/G1
Reprodução/Exame

Para o analista de sistemas Lucas Roque, a multiplicação das plataformas de streaming nos últimos anos também contribuiu para a mudança dos hábitos de consumo audiovisual. Segundo ele, cada serviço busca atrair assinantes por meio de diferenciais próprios, como catálogos exclusivos, produções originais, transmissões ao vivo ou conteúdos voltados para públicos específicos. Essa variedade oferece mais opções e conveniência aos espectadores, que passaram a encontrar uma grande quantidade de filmes e séries sem sair de casa. Como consequência, a ida às salas de cinema deixou de ser a principal forma de acesso a lançamentos audiovisuais para parte do público, contribuindo para a redução da frequência de espectadores nos cinemas.

Lisandro Nogueira, professor de Crítica e História do Cinema e doutor em Cinema pela USP, afirma que ainda é muito vantajoso para a indústria cinematográfica ter um filme estreado nas salas de cinema. “Tem país que obriga o filme a só ir para o streaming depois de três ou quatro meses [nos cinemas], como na França. Aqui no Brasil nós estamos perdendo isso, os filmes entram imediatamente no streaming. Tem filmes que depois de um mês já entram no streaming e tem outros que nem para a sala de cinema vão”.

A sala de cinema ainda é importante como uma primeira vitrine, não tenha dúvida.

– Lisandro Nogueira

A passagem dos filmes pelas salas de cinema antes da chegada ao streaming fortalece a valorização cultural e comercial das produções. O lançamento nas telonas gera maior repercussão pública, movimenta a crítica especializada e cria uma experiência coletiva que dificilmente é reproduzida no consumo individual das plataformas digitais. Além disso, o desempenho nos cinemas costuma aumentar a visibilidade do filme posteriormente nos serviços de streaming. Dados da National Association of Theatre Owners (NATO), entidade que representa exibidores de cinema nos Estados Unidos, apontam que filmes lançados primeiro nos cinemas tendem a alcançar melhor desempenho comercial e maior reconhecimento do público quando chegam às plataformas digitais. A entidade defende que a chamada “janela de exibição” ajuda a ampliar o interesse do público e prolonga a vida útil das produções no mercado audiovisual.

O professor comenta sobre o individualismo das pessoas, que hoje estão preferindo ver filmes na sua própria privacidade, sem terem que frequentar locais coletivos, como os cinemas físicos. “Ver filme em casa é muito ruim em relação a assistir na sala de cinema. Em casa você tem a luz acesa, pode ter o celular ligado, as pessoas conversam. Na sala de cinema, não. Você vai ali para ver um filme mesmo, concentrado. E essa preferência é muito ruim para a experiência estética, porque é perdido aquilo que foi formado em todo o século XX, que é a experiência mágica e coletiva da sala de cinema”. Apesar de assistir filmes por plataformas de streaming ser mais prático e acessível financeiramente – não é necessário gastos com locomoção e os preços de ingressos estão equiparados com os de assinatura dos serviços online – é perdido tudo que se pode ser vivenciado em coletivo dentro das salas de cinema, com os equipamentos de som e de imagem feitos para tornar a sua experiência a melhor possível.

Geração Z

Mas isso não significa que esse é o fim das telonas. No website da Variety foi publicada uma matéria que afirma que, por mais que a maior parte do público alvo das plataformas de streaming sejam pessoas menores de 35 anos, 87% da geração Z frequentou salas de cinema no último ano. Diferente das pessoas nascidas antes dessa geração, os jovens hoje vão no cinema com a intenção de se divertirem, e não para apenas se distraírem uma vez ou outra. Quando um filme retrata adolescentes e jovens adultos usando as salas de cinema como local para encontros românticos ou para se divertirem com os amigos, é um reflexo da realidade atual, em que a geração Z é um dos principais públicos que mantém o cinema físico de pé.

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