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JOAO VITOR SOUZA RODRIGUES
Reprodução: GloboEsporte

Na manhã de 30 de junho de 2002, às 9 e 40, o árbitro apitava o fim de jogo e o Brasil se consagrava pentacampeão do mundo. Tudo parecia perfeito, o que ninguém esperava é que depois daquele dia, a seleção entraria na maior seca de sua história.

O’que aconteceu na eliminação de ontem é a culminação de 24 anos de má gestão, onde se acha que apenas o peso da camisa vai ganhar jogo, como se as copas ganhas por Pelé, Ronaldo e Romário, fossem entrar em campo, onde se nega a realidade e não se aceita que o futebol mudou, não estamos mais em uma época em que jogar contra Japão e Marrocos é garantia de goleada.

Diferentemente de antes, hoje temos um problema de base, não formamos mais Cafus nem Robertos Carlos, muito menos camisas 10 clássicos com Pelé, Rivelino e Zico. Além disso, há uma falta de identificação do torcedor com os jogadores. Hoje temos uma cultura de venda insana, onde muitas vezes os garotos com 16 anos já estão vendidos para grandes clubes da europa antes mesmo de estrear no profissional. Também não se pode esquecer dos vários escândalos de administração no futebol brasileiro.

Para entender melhor a situação, vamos voltar em cada uma das copas depois do penta para buscar o’que deu errado em cada um desses ciclos para a copa.


O quadrado mágico (2006)

Reprodução: Folha de S.Paulo

Vamos voltar anos atrás, mais especificamente no ciclo para a copa do mundo de 2006 na Alemanha. A seleção chegava na competição com muito otimismo, já que além de ser a atual detentora do título mundial, também era a atual campeã da Copa América de 2004 e da Copa das Confederações de 2005, além de ter liderado as Eliminatórias para a Copa. 

A equipe comandada pelo histórico Carlos Alberto Parreira, o técnico do tetra, vinha com o experiente Cafu, consolidado como capitão, além do tão falado quadrado mágico, que contava com Ronaldinho, que vivia seu auge e tinha acabado de ser eleito duas vezes o melhor jogador do mundo, Ronaldo, que é considerado por muitos o maior centroavante da história, Kaká, que no ano seguinte seria eleito o melhor do mundo, além de Adriano, que foi eleito o melhor jogador do campeonato italiano.

A realidade foi muito diferente do esperado, com um quadrado mágico que nunca chegou nem perto da expectativa, onde um Ronaldinho melhor do mundo faz uma copa bem longe desse título, e com um Ronaldo que chegava simplesmente como o jogador com o maior índice de massa corporal entre todos os jogadores daquele mundial.

Parreira chegou a afirmar que:

“Eles (jogadores) chegaram de um jeito que não deveriam ter chegado. Só que não havia como fazer qualquer modificação na lista de convocados, a não ser por lesão. A convocação era imutável. Nós até conversamos com a Fifa sobre isso, mas era uma determinação clara. Se o cara chegou gordo ou chegou magro, não tinha como mudar”.

A jornalista da Band, Mariana Ferrão, chegou a dizer que:

“Eu ficava lá vendo o treino da seleção o dia inteiro. O Ronaldinho Gaúcho só treinava quando a imprensa espanhola chegava, fazia três ou quatro embaixadinhas, colocava a bola no pescoço. Era um negócio… Você ia ver o treino de Portugal, os caras pra lá, pra cá, animal, e você olhava, meu Deus, o que estamos fazendo? Aí eu falava, ninguém vai mostrar que os caras não estão fazendo nada? Você assistia todas as reportagens e todo mundo falando super bem.”

A seleção até chegou a fazer uma primeira fase tranquila, ganhando os 3 jogos da fase de grupos, além de vencer a Gana por 3 a 0 nas oitavas, jogo em que Ronaldo se tornaria o maior artilheiros das copas, marca que seria quebrada futuramente, mas o teto daquela seleção seria as quartas de final onde perderia de 1 a 0 para a França, novamente após uma grande atuação de Zidane, assim como na final de 1998. A França avançaria na copa e terminaria com o vice-campeonato após derrota nos pênaltis frente à Itália. 

Um novo fracasso (2010)

Reprodução: Lance

Após a Copa de 2006, Ricardo Teixeira, então presidente da federação brasileira de futebol (CBF), e aliados se irritaram com a passividade de Parreira. Após o torneio, o técnico é demitido e Dunga foi anunciado como o novo técnico da seleção, o que na época foi visto como um puro ato de populismo, já que o ex-volante do tetra nunca tinha sido técnico, mas tal escolha poderia causar uma certa animação no povo brasileiro. 

Apesar do seu estilo pragmático, focado em contragolpes, a seleção de Dunga venceu a Copa América de 2007 e a Copas das Confederações de 2009, além de novamente ficar em primeiro nas Eliminatórias.

Tostão, campeão mundial em 70 com o Brasil, chegou a afirmar que:

“O futebol brasileiro, admirado em todo o mundo pelo toque de bola, pela troca de passes, pelo domínio do jogo, não existe mais. Agora, é o futebol de muita marcação e de muitos contra-ataques. Muitas vezes, brilhantes, como na belíssima vitória contra o Uruguai. Para um time ser eficiente nessa estratégia, precisa também de uma ótima defesa para suportar a pressão. O Brasil tem dois excelentes zagueiros e um excepcional goleiro. Além disso, nesse esquema de marcar muito atrás, Gilberto Silva e, principalmente, Felipe Melo, que tem bom passe, são também eficientes. Felipe Melo foi uma boa tacada de Dunga.”.

O técnico italiano, vencedor da Copa anterior, Marcello Lippi relatou:

“Dificilmente se vê uma seleção que não se preocupa com a defesa vencer alguma coisa. Um exemplo disso é a do Brasil, que se tornou muito europeizada nos últimos anos, com Dunga. E por isso se tornou a seleção mais forte que existe”

Chegada a convocação para a Copa, houve uma enorme comoção popular para a convocação de Ronaldinho, além dos jovens Neymar e Ganso que estavam despontando no Santos. Grandes nomes como Romário chegaram a defender a convocação dos jogadores. Após o anúncio, Dunga não levou nenhum deles, o que gerou críticas ao técnico, além de conflitos com a imprensa.

Dunga chegou a afirmar que Ronaldinho não teria demonstrado comprometimento: “Cada um teve sua chance na seleção brasileira, a decisão agora fica para a comissão técnica. O Pato teve sua chance na Olimpíada de Pequim, o Ronaldinho também. Agora, decidiremos avaliando aquilo que eles fizeram na seleção. Precisa-se analisar o comprometimento com a seleção, o entusiasmo, a paixão em vestir a camisa do Brasil”.

Ronaldinho tinha terminado aquela temporada como o líder de assistências do campeonato italiano. O jornalista Cícero Melo chegou a afirmar que se Dunga fosse técnico em 1958, o Pelé não teria jogado a copa, após a não convocação de Neymar e Ganso. Tal afirmação gerou a seguinte fala do técnico:

“Ele está falando de Pelé. Se você encontrar um Pelé por aí, me traz. Pelé a gente não pode comparar com ninguém”

O treinador também deixou de convocar Adriano, e afirmou que não o levou por não justificar suas faltas aos treinos do Flamengo. Assim, Kaká foi o único remanescente do quadrado mágico da copa anterior.

Em relação a campanha na copa, a seleção novamente liderou seu grupo na primeira fase, dessa vez com 7 pontos, com um futebol muito contestado. Chegando na fase eliminatória, a seleção eliminou o Chile nas oitavas por um expressivo 3 a 0 e chegava para o duelo contra a Holanda com esperança. 

Chegada a partida, o Brasil até terminou o primeiro tempo a frente no placar, com um gol de Robinho com assistência de Felipe Melo. Quis o destino que o mesmo Felipe Melo que participou da jogada do gol brasileiro, se tornaria o vilão daquela eliminação. Aos oito minutos do segundo tempo, Felipe se atrapalha com o goleiro Júlio César e Sneijder empata para a Holanda. Mais tarde, aos 22 minutos, Sneijder marca novamente e vira o jogo. Para piorar, Felipe Melo é expulso minutos depois, após pisão em Robben.

Ali acabava mais uma copa para o Brasil, frente a Holanda que viria a ser vice-campeã, e o hexa estava novamente adiado. Mais tarde, Jorginho, que foi o auxiliar de Dunga naquela copa, revelou que o preparador físico da seleção havia alertado a possível expulsão de Felipe Melo, muito antes do jogador nem sequer levar o primeiro amarelo, mas Dunga acabou não fazendo a substituição.

Após a partida, Tostão fez a seguinte análise:

“O Brasil fez o melhor primeiro tempo e o pior segundo tempo da Copa. No primeiro, poderia ter feito mais de um gol. No segundo, quando perdia por 2 a 1, foi todo para a frente, e a Holanda teve mais chances de fazer o terceiro que o Brasil de empatar. O Brasil, que, durante os quatro anos sob o comando de Dunga, fez um grande número de gols em jogadas aéreas, levou dois gols nesse tipo de lance. O Brasil, que, durante quatro anos, procurou um lateral-esquerdo, levou dois gols em jogadas que se iniciaram por esse setor”.

Em casa a gente resolve (2014)

Reprodução: Rádio Educadora

Após o fracasso em 2010, a seleção tinha uma nova missão, se preparar para a Copa do Mundo de 2014, que seria sediada no Brasil, onde a seleção teria a pressão de jogar em casa.

A seleção começaria o ciclo com Mano Menezes como técnico, mas após não vencer a Copa América de 2011 e nem os Jogos Olímpicos de 2012, o técnico acabou sendo demitido. Nesse cenário, a seleção foi atrás de um velho conhecido, então em 28 de novembro de 2012, Felipão voltaria à seleção, com Carlos Alberto Parreira como auxiliar. 

Como o Brasil seria sede da próxima copa, a seleção não disputava as eliminatórias para o torneio, então o técnico teria apenas a Copa das Confederações e os amistosos para preparar a equipe para o torneio.

Após vários amistosos, com goleadas sobre equipes mais fracas, a seleção chegava a Copa das Confederações onde sairia campeã após um expressivo 3 a 0 sobre a Espanha, que era a atual campeã do mundo. Ali se firmava a “Neymar dependência”, que continuaria por muito tempo. Além de uma nova esperança para quem não estava esperando o hexa em 2014, já que o Brasil acabava de ganhar uma competição onde enfrentou e ganhou da Itália, uma seleção tradicional, e da Espanha, a seleção mais temida naquele período, além da consolidação de Neymar como um dos melhores jogadores do mundo.

Chegada a copa, apesar de não fazer uma primeira fase brilhante, a seleção se classifica em primeiro com 7 pontos, assim como em 2010. Nas oitavas, assim como na última copa, a seleção enfrentaria o Chile, mas diferentemente da última vez, a seleção não teria vida fácil e se classificaria apenas nos pênaltis, em um jogo que ficaria marcado pelo choro de Thiago Silva durante as penalidades, o’que já indicava uma possível falta de controle emocional entre os jogadores de seleção.

Chegada às quartas, a seleção teria pela frente outra seleção sul-americana, a Colômbia. Novamente o Brasil ganharia, com direito a um golaço de falta de David Luiz, mas o lance mais marcante desse jogo foi outro. Aos 42 minutos do segundo tempo, Neymar sofreu uma fratura na vértebra após entrada de Zúñiga e ficaria fora do resto da competição.

Após o jogo Neymar declarou: “Não tenho rancor, não sinto ódio. O Zúñiga me ligou no dia seguinte (ao jogo), pediu desculpa, me disse um tanto de coisa legal. Eu desejo só o melhor para ele, que tenha sucesso na carreira” 

Agora sem Neymar, o Brasil tinha uma semifinal de copa para disputar, e o adversário seria a Alemanha no primeiro reencontro em copas após final de 2002. Bernard herdaria a vaga no time em um pré jogo que ficaria marcado pela seguinte frase: “Dante conhece os alemães”, se referindo ao zagueiro brasileiro que na época, atuava no Bayern de Munique da Alemanha.

Essa frase, assim como tudo que diz respeito a essa partida, envelheceu muito mal, o Brasil sofreu uma humilhação tão grande que fez o “Maracanaço” de 1950 parecer nada. A seleção até começou bem, acabou sofrendo o gol aos 11 minutos, mas até reagiu positivamente, isso até o segundo gol, onde sofreu 4 gols em apenas 7 minutos, assim fechando o primeiro tempo com um estrondoso 5 a 0. No segundo tempo, os alemães ainda marcaram mais duas vezes e o Brasil descontou com Oscar, com o jogo terminando com um sonoro 7 a 1.

Além dos recordes negativos que a seleção alcançou nesse dia, como a maior diferença de gols em uma semifinal, Ronaldo ainda perdeu o posto de maior de maior artilheiro das copas após Miroslav Klose marcar contra o Brasil.   

Para terminar de completar o que já estava ruim, o Brasil vai para a disputa de terceiro lugar e leva 3 a 0 da Holanda. A copa poderia ter sido pior ainda para o brasileiro, tal feito não ocorreu apenas porque a Alemanha venceu a final contra a Argentina de Lionel Messi, assim impedindo os hermanos de serem campeões no Maracanã.

A era Tite (2018 e 2022)

Reprodução: Folha de S.Paulo

Duas semanas após o 7 a 1, Dunga foi anunciado novamente como técnico da seleção, o que novamente não deu certo. Após duas copas américas ruins, em 2015 com o Brasil eliminado nas quartas de final pelo Paraguai e em 2016 com a seleção caindo na primeira fase, em um grupo com Peru, Equador e Haiti, além de um péssimo início de eliminatórias, ficou impossível manter Dunga à frente da seleção. 

Sendo assim, em 2016, Tite é anunciado como o novo técnico da seleção. O treinador teve um aproveitamento de 84% nas eliminatórias, fazendo a melhor campanha pré-Copa brasileira desde 1970. A campanha contou com vários jogos marcantes, incluindo uma vitória de 3 a 0 sobre a Argentina no Mineirão, além de um 4 a 1 sobre o Uruguai em solo uruguaio.

A campanha contou com uma grande reformulação em relação a 2014, com Philippe Coutinho se tornando um dos destaques da seleção ao lado de Neymar, e com Gabriel Jesus sendo o artilheiro da era Tite.

O Brasil chegava na Copa de 2018 como uma das seleções favoritas ao título, e após um empate frustrante na estreia contra a Suíça, a seleção conseguiu vencer Costa Rica e Sérvia, ambos por 2 a 0 e se classificou para o mata-mata. A seleção venceu o México nas oitavas e novamente estava nas quartas, onde mais uma vez enfrentaria uma seleção europeia, a Bélgica.

Em um jogo marcado por polêmicas de arbitragem, erros de marcação brasileira e ótima atuação do goleiro Courtois, o Brasil perdeu de 2 a 1 para os belgas, que contavam com a melhor geração da história.

Ali houve uma dualidade, enquanto um lado não conseguia aceitar que o Brasil foi eliminado por um país sem tradição no futebol, o outro entendia que foi apenas um acidente de percurso, pois era apenas a primeira derrota em jogos oficiais da seleção do Tite em todo ciclo, e dessa vez, diferentemente das outras vezes, o técnico ficaria para a próxima copa.

Então, agora com mais tempo ainda para trabalhar, em 2019, a seleção vence a Copa América no Brasil, e sem Neymar que estava lesionado, assim gerando uma sensação de que a “Neymar dependência” poderia estar no fim e que finalmente a seleção aprendeu a jogar sem depender totalmente dele.

Durante a pandemia, houve outra Copa América, onde a seleção, apesar de uma sequência de placares magros de vitórias por 1 a 0, onde chegou a final e acabou perdendo para a Argentina, que a partir dali embalaria e acabaria sendo campeã do mundo no ano seguinte. 

Novamente o Brasil liderou as eliminatórias, desta vez terminando sem derrotas. Agora o Brasil chegava para mais uma copa com o mesmo técnico e com um time mais experiente, dessa vez o time conseguiu sua classificação para o mata-mata já na segunda partida, após vencer Sérvia e Suíça, e mesmo com a derrota no terceiro jogo para Camarões, avançou como líder do grupo.

Nas oitavas, a seleção venceu a Coreia do Sul por 4 a 1 em uma partida que iludiu muitos, e mais uma vez chegava às quartas de final para enfrentar um europeu, desta vez a Croácia. 

Para muitos, dessa vez seria diferente, já que não eram as poderosas França ou Alemanha, muito menos uma histórica Holanda ou a boa geração belga. A realidade foi outra, o Brasil foi dominado no meio campo e teve dificuldades de entrar na defesa croata, isso até a prorrogação quando Neymar fez um gol espetacular, onde tudo indicava que o Brasil finalmente eliminaria um europeu no mata-mata, o que não acontecia desde a final de 2002.

Quis o destino que faltando 4 minutos, a equipe não soube segurar o placar, acabou subindo para o ataque, e os croatas conseguiram um último ataque contra uma seleção desorganizada, então conseguiram o empate.

Nos pênaltis, o Brasil acabou mais uma vez eliminado, e outra vez, assim como em 2018, para uma geração de ouro de uma seleção que não conquistou nada. Dessa vez, a crítica foi em cima do fato do Neymar não ter cobrado nenhum dos pênaltis e da seleção aparentar não possuir mental para os grandes jogos.

Tite terminou sua passagem com um bom aproveitamento, mas com derrotas nos momentos chaves, além de sua imagem final onde após o fim do jogo, vai direto para o vestiário sem nem falar com os jogadores.

A seleção que quebrou todos os recordes negativos (2026)

Reprodução: ContilNet Notícias

Antes do fim da copa de 2022, já estava acordado que Tite deixaria a seleção, e nem isso foi suficiente para a confederação brasileira agir rápido e já buscar um técnico pós copa.

Em um ciclo marcado por várias trocas de técnico, além de mais uma destituição de presidente na Confederação Brasileira de Futebol, o Brasil conseguiu fazer o pior ciclo de sua história, além de quebrar todos os recordes negativos.

Em 2023, vários nomes eram cotados para assumir a seleção, entre eles o de Carlo Ancelotti, até então técnico do Real Madrid. Enquanto as coisas não se resolviam, Ramon Menezes, técnico da seleção sub-20, foi colocado como técnico interino da seleção principal e após uma série de amistosos ruins acabou sendo demitido.

Então, em junho Fernando Diniz acabou sendo contratado como novo técnico interino, enquanto treinava o Fluminense, assim treinando dois times ao mesmo tempo. Enquanto isso, a seleção ainda tinha esperança na contratação de Ancelotti.

Em novembro daquele ano, a seleção enfrentou a Argentina no Maracanã pelas eliminatórias, e acabou perdendo pela primeira vez na história em solo brasileiro pelas eliminatórias e chegando a sua terceira derrota seguida nas eliminatórias.

No fim do ano, Carlo Ancelotti anuncia sua renovação com o Real Madrid, assim acabando com os rumores que ele treinaria a seleção. No inicio de 2024, Ednaldo Rodrigues, o presidente da CBF, demite Fernando Diniz e anuncia Dorival Júnior como novo técnico da seleção.

Dorival teve um bom início, após dois amistosos contra Inglaterra e Espanha, onde o Brasil venceu os ingleses por 1 a 0 com gol de Endrick e um 3 a 3 contra os espanhóis, tudo indicava um futuro melhor para a seleção. A mescla de jogadores jovens do Brasileirão, como Edrick e Pablo Maia, com os mais experientes que atuam já estavam a mais tempo no time parecia funcionar.

Isso tudo mudou quando chegou a Copa América, onde a equipe não faz uma boa Copa América e é eliminada nas quartas de final para o Uruguai, novamente em uma disputa de pênaltis, em jogo marcado pela cena de Dorival Júnior tentando falar com o time antes das penalidades e sendo ignorado. 

Em março de 2025, em partida que já começou tensa muito antes do apito inicial após declaração de Raphinha sobre “descer porrada nos argentinos”, o Brasil sofreu outra derrota para a Argentina, dessa vez um sonoro 4 a 1  em solo argentino, com essa sendo a maior derrota da seleção na história das eliminatórias. Essa derrota marcou o fim de Dorival no comando da seleção, assim se tornando mais um técnico demitido nesse ciclo.

Após isso, depois de uma temporada ruim no Real Madrid, surgiram rumores de que Carlo Ancelotti deixaria o comando do clube, o que reacendeu os rumores do técnico italiano a frente da seleção brasileira. Sendo assim, em maio de 2025, o Brasil anunciou Ancelotti como novo técnico da seleção.

Com Ancelotti a frente da seleção, houveram alguns bons momentos, mas nada que empolgasse. Estevão se tornava o destaque da ”Era Ancelotti”, além de Vinicius Junior que começava a corresponder pela seleção.

Chegado 2026, a seleção acaba perdendo alguns de seus principais jogadores como Rodrygo e Estevão, além do surgimento de uma pergunta que duraria até o dia da convocação, “será que Carlo Ancelotti vai convocar o Neymar?”.

Essa questão começaria a ficar cada vez maior, principalmente após declarações de diversos jogadores afirmando que a seleção precisava do camisa 10.

No dia 15 de maio, é anunciada a renovação de contrato do italiano até 2030, já mirando a próxima copa, já que o atual ciclo tinha sido complicado e o técnico chegou apenas um ano antes do torneio. 

Chegado o dia da convocação, no dia 18 de maio, a lista era finalmente anunciada, e Neymar é convocado para sua quarta e última copa após apelo popular. Outro nome muito festejado foi o de Endrick, o jovem jogador salvou a seleção algumas vezes durante o ciclo e era visto por muitos como solução.

Chegada a Copa, o Brasil estreou contra Marrocos e saiu no lucro após conseguir um empate mesmo com uma partida muito ruim e depois venceu Haiti e Escócia por 3 a 0, o que indicava uma melhora na seleção.

A seleção enfrentou o Japão no mata-mata, e conseguiu uma vitória suada de virada ao puro estilo Real Madrid de Ancelotti, o que para muitos poderia ser mais um sinal de melhora e que o time tinha tudo para evoluir cada vez mais. 

Agora o próximo jogo era contra a Noruega, o Brasil novamente se depararia com o tabu contra europeus no mata-mata, além de estar à frente do único adversário que nunca perdeu para a seleção em toda a história.


A história foi novamente a mesma, o Brasil cai novamente frente ao primeiro adversário europeu que enfrenta na fase eliminatória. Em um jogo que a seleção teve até mais chances que o adversário mais não foi eficaz, a Noruega vence com o brilho de Haaland, que foi tema central durante a semana e não perdoou quando teve chance, marcando dois gols, o primeiro de cabeça após se adiantar a marcação e o segundo em um chute preciso de fora da área.

O Brasil se viu punido por sua falta de efetividade, além do pênalti perdido por Bruno Guimarães na primeira etapa, que gerou muita discussão principalmente pela torcida que acha que Vinicius Junior tinha a obrigação de cobrar a penalidade, minutos antes do primeiro gol, Endrick acaba perdendo uma chance cara a cara.

Para terminar a humilhação, no fim do jogo o Brasil tem mais um pênalti a seu favor, dessa vez com Neymar na cobrança, a seleção chega ao primeiro gol, mas em vez do jogador pegar a bola e correr para o meu para tentar o empate, ele perde tempo respondendo às provocações do goleiro adversário.

Assim, de forma melancólica se encerrou o ciclo do Neymar na seleção, que após o jogo anunciou sua aposentadoria do futebol de seleções. Além do mais, outros jogadores como Danilo, Alex Sandro e Casemiro também devem ter feito sua última partida em mundiais.

Assim, de forma melancólica se encerrou o ciclo do Neymar na seleção, que após o jogo anunciou sua aposentadoria do futebol de seleções. Além do mais, outros jogadores como Danilo, Alex Sandro e Casemiro também devem ter feito sua última partida em mundiais.

Também não se pode esquecer do Luiz Henrique, que foi um dos destaques do ciclo, mas foi esquecido durante a Copa, além do mal planejamento do técnico que levou muitos atacantes e poucos meias e se viu sem um jogador da função quando perdeu Lucas Paquetá por lesão, chegando a afirmar que não tinha um jogador que fizesse a mesma função. Tambem houve uma falta de coragem do técnico em tirar Casemiro do time, que no todo, foi um dos piores jogadores da seleção nessa copa.

Para completar, o Brasil que muitas vezes foi conhecido por seu futebol ofensivo e bonito, termina a Copa eliminado em um jogo que abriu mão da posse de bola, tendo apenas 34%, o’que para ter ideia, é menos do que o Iraque teve contra essa mesma Noruega, que teve 39% em um jogo que acabou sendo goleada por 4 a 1.

Agora resta ao Brasil buscar entender o que está acontecendo, porque a seleção não consegue mais ser campeã, muito menos vencer adversários europeus em jogos eliminatórios e porque jogadores, como o Raphinha por exemplo, jogam bem pelos seus clubes mas não conseguem desempenhar pela amarelinha.

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