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Mais de quatro anos após o início da invasão russa, o conflito permanece sem perspectiva de acordo definitivo, enquanto civis convivem com perdas, deslocamentos e incertezas que ultrapassam as fronteiras europeias.
Enquanto novos eventos disputam espaço nos noticiários internacionais, a guerra entre Rússia e Ucrânia continua atingindo a rotina de milhões de pessoas. Sirenes antiaéreas ainda interrompem o sono de famílias ucranianas, cidades seguem sob ameaça constante de ataques e soldados permanecem nas trincheiras de um conflito que já atravessa anos sem uma solução.
Como a guerra começou
Embora a invasão em larga escala tenha começado em 2022, as raízes do conflito entre Ucrânia e Rússia são mais antigas do que isso. Em 2014 houve a queda do presidente ucraniano Viktor Yanukovych, o que levou a Rússia a anexar a Península da Crimeia, reconhecida globalmente como parte do território ucraniano. Logo após a anexação da Crimeia, a Rússia passou a apoiar, armar e financiar milícias pró-rússia separatistas nas regiões de Donetsk e Luhansk, no leste da Ucrânia. A atitude foi criticada por países ocidentais e deu início à uma crise diplomática que escalaria nos próximos anos, gerando o começo de uma longa guerra.

Com as atitudes russas, a Ucrânia buscou se aproximar ainda mais da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e da União Europeia. O objetivo principal do país era usufruir da proteção mútua do bloco, especialmente contra a Rússia, e consolidar sua integração com o mundo ocidental, se desvencilhando da influência geopolítica de Moscou.
Dias antes da invasão do território ucraniano em 2022, o presidente, Vladimir Putin, fez um pronunciamento televisionado dizendo reconhecer a independência de Donetsk e Luhansk. e alegou ver a possível aliança entre Ucrânia e OTAN como uma ameaça à sua segurança, já que os Estados Unidos estariam em seu “quintal”. Em resposta, Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia, se pronunciou mais tarde sobre o discurso de Putin e disse que “nós não temos medo”, declarando um claro apoio do ocidente, segundo a agência France Presse.
Em 25 de fevereiro de 2022, o presidente, Vladimir Putin, e suas tropas russas avançaram sobre o território ucraniano em múltiplas frentes, incluindo locais próximos à capital, Kiev. A justificativa, era que a operação militar tinha o objetivo de proteger as áreas separatistas e impedir o avanço da OTAN para as fronteiras russas, no entanto, a justificativa foi rejeitada pela comunidade internacional e classificada como uma violação da soberania ucraniana e do direito internacional.
Conflito mudou de rosto
Se, nos primeiros meses da invasão, a imagem que tomava os noticiários eram tanques atravessando cidades e longas linhas militares no fronte, hoje a guerra apresenta novas características. O conflito se tornou um laboratório de novas tecnologias militares. Segundo uma previsão feita por uma fabricante de armamentos de origem britânica e ucraniana em entrevista à BBC, os robôs poderão superar o número de soldados humanos no campo de batalha na Ucrânia.
Além do uso de aeronaves não tripuladas, os drones são novos protagonistas no campo de batalha, e são utilizados pelos dois lados da guerra em suas missões de monitoramento e ataques com precisão. A disputa tecnológica também inclui o desenvolvimento de novos métodos de defesa aérea e estratégias para neutralizar ataques à distância.
Outros acontecimentos são os ataques contra infraestruturas essenciais, como redes de energia, indústrias e sistemas de abastecimento da população, que não afetam somente os objetivos militares, mas também milhões de civis que têm acesso a serviços básicos barrados pela guerra. Guerra esta que dura cinco anos.
Ademais, a guerra deixou de ser Rússia vs Ucrânia e passou a ser Rússia vs Ocidente, umas vez que os ucrnianos se mantiveram de pé, e ainda se mantém, por meio de auxílio ocidental, que forneceu armas, ajuda financeira e até mesmo treinamento militar.
Custo humano da guerra
Por trás das disputas territoriais, avanços tecnológicos e estratégias de guerra, o conflito armado na Ucrânia segue sendo uma crise humanitária. Após anos da invasão oficial, o conflito deixou rastros de morte, feridos e deslocamentos forçados da população.
Segundo dados disponibilizados em 25 de fevereiro de 2025 pela ACNUR (Agência da ONU para Refugiados):
- Cerca de 10,6 milhões de pessoas ucranianas foram deslocadas de forma forçada, 6,8 milhões como refugiados no exterior;
- Cerca de um terço da população que ainda vive na Ucrânia (12,7 milhões de pessoas) precisa de assistência humanitária;
- 63% da população refugiada são mulheres e meninas, e 33% são crianças, apresentando famílias monoparentais vulneráveis.
Devido à variação de números e limitação de acesso à certas áreas, a dimensão exata das baixas é difícil de concluir. Ainda assim, estimativas divulgadas em janeiro de 2026 pelo Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, apenas as forças russas sofreram mais de um milhão de soldados mortos, feridos ou desaparecidos.
Além das perdas humanas de forma direta, a guerra provocou uma grande crise de deslocamento na Europa, fazendo com que milhões de ucranianos deixassem suas casas e cidades inteiras em busca de segurança em outras regiões do país ou até mesmo em nações vizinhas. Para muitos ucranianos, a esperança de um rápido retorno para casa foi substituída pela incerteza ao recomeçar a vida longe de onde está sua história.

O impacto também atinge as famílias que permaneceram e tem suas cidades constantemente bombardeadas e violadas. Interrupções no acesso à energia, destruição de escolas, hospitais e bairros inteiros alteraram o cotidiano de uma população inteira. Uma vida de escassez e medo. Uma vida interrompida.
Embora as estatísticas e boletins de notícia ajudem a dimensionar a magnitude da guerra, elas não conseguem traduzir o peso das perdas individuais. Cada número representa uma família separada, em ambos os lados do conflito. Fora dos holofotes, o conflito continua aterrorizando a população e produzindo consequências que permanecerão por gerações, muito além de um possível acordo diplomático.
