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Na madrugada do dia 24 de junho, o norte da Venezuela foi atingido por um fenômeno sismológico raro e devastador: um terremoto “duplo”, também conhecido como sismo gêmeo. Dois tremores massivos sacudiram a região em um intervalo de apenas 39 segundos, derrubando prédios inteiros em Caracas e em cidades litorâneas. De acordo com as informações mais recentes, o número de mortos atingiu 2.295 nesta quarta-feira (1º), segundo o governo do país, mais de 11 mil pessoas foram contabilizadas como feridas e mais de 15.000 foram afetadas pelo terremoto.

Além disso, a crise humanitária preocupa especialistas, pois o risco de disseminação de diversas doenças como: sarampo, dengue, febre-amarela, malária é alta, principalmente pelas condições enfrentadas pelas vítimas que muitas vezes estão dormindo em carros ou em locais públicos sem acesso à água ou a qualquer outro tipo de assistência.
Esse fator acaba intensificando a crise no sistema de saúde venezuelano, que já vem se desenrolando a anos e que agora se vê sobrecarregando novamente com as vítimas dessa tragédia. Como afirma Christian Lindmeier, porta-voz da Organização Mundial da Saúde, em uma coletiva de imprensa em Genebra.
“O sistema de saúde venezuelano, sobrecarregado por décadas de pouco investimento e anos de crise econômica, está “sob extrema pressão, com instalações operando além da capacidade para atender à crescente demanda por casos de trauma”
Organizações humanitárias como a ONG ISAR Alemanha, especializada em operações de busca, resgate e assistência humanitária em áreas afetadas por desastres, denunciaram que o governo venezuelano tem dificultado a chegada e a distribuição de ajuda às regiões mais afetadas pelos terremotos que atingiram o país. Segundo os relatos, autoridades impõem restrições burocráticas, atrasam a liberação de suprimentos e limitam o acesso de equipes independentes às áreas devastadas.
Entenda o Fenômeno do “Terremoto Duplo”
Esse desastre causado por esses terremotos foram denominados como: terremoto “duplo” ou sismo gêmeo, que é o abalo por dois terremotos em um curto período de tempo, no caso em questão ocorreu um intervalo de tempo de apenas 39 segundos, a região foi atingida por dois tremores principais: o primeiro de magnitude 7,2 e o segundo de magnitude 7,5.
Diferente de uma sequência comum onde um tremor principal é seguido por réplicas menores, em um evento duplo ambos os abalos liberam quantidades comparáveis de energia e são originados de fontes ou falhas geológicas distintas, ainda que próximas. No caso venezuelano, os epicentros estavam a cerca de 15 quilômetros de distância. Especialistas apontam que o primeiro tremor pode ter causado uma transferência de tensão ou desestabilizado falhas vizinhas que já estavam no limite de ruptura.
