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ÍSIS MARISSA

Os jogos de aposta fazem parte da história e da cultura brasileira há séculos, acompanhando as transformações sociais, econômicas e tecnológicas do país. Desde sua chegada no período colonial, trazidos por influências europeias, até o atual cenário digital das apostas online, o setor passou por momentos de expansão, proibição e regulamentação. Ao longo do tempo, as apostas assumiram diferentes formas de práticas populares como o jogo do bicho às sofisticadas plataformas digitais, sempre despertando debates sobre seus impactos econômicos, legais e sociais. Com o avanço da tecnologia e a recente regulamentação, o tema ganha ainda mais relevância, exigindo uma compreensão histórica para analisar seu papel no Brasil contemporâneo.

janeiro 1, 2019

Período Colonial

Jogos de cartas, dados e outras formas de aposta são introduzidos pelos europeus durante o período colonial fazendo parte do cotidiano da população, principalmente nas classes mais altas. Em 1892 foi então criado o Jogo do Bicho.

janeiro 1, 2019
janeiro 1, 2019

Legalização e auge dos cassinos (1934 – 1945)

Durante o governo de Getúlio Vargas, os cassinos são legalizados e vivem seu período de maior expansão. Esse momento, conhecido como a “Era de Ouro”, transforma os cassinos em centros de entretenimento, cultura e turismo, com forte impacto econômico e presença de artistas nacionais e internacionais.

janeiro 1, 2019
janeiro 1, 2019

Proibição e clandestinidade (1946 – década de 1990)

Com o Decreto-Lei nº 9.215 de 1946, os jogos de azar voltam a ser proibidos no Brasil. Apesar disso, as apostas não desaparecem, passam a operar na ilegalidade, como no caso do Jogo do Bicho. Ao longo das décadas seguintes, surgem tentativas frustradas de regulamentação, marcadas por impasses políticos e debates sobre os impactos sociais do setor.

janeiro 1, 2019
janeiro 1, 2019

Reabertura e avanço legal (2000 – 2018)

O crescimento da internet e das apostas online pressiona por regulamentação. Em 2018, a aprovação da Lei nº 13.756 autoriza as apostas esportivas, ainda que sem uma regulamentação completa.

janeiro 1, 2019
janeiro 1, 2019

Regulamentação e era digital (2018 2024 )

Em 2023 foi regulamentado a Lei nº 14.790/2023 (conhecida como a Lei das Bets). A norma instituiu o mercado de apostas de quota fixa, estabelecendo um controle rígido sobre empresas operadoras e garantindo a taxação, a transparência e a segurança dos apostadores.

janeiro 1, 2019
janeiro 1, 2019

Atualmente (2025 – 2026)

Com a criação de normas específicas e atuação da Secretaria de Prêmios e Apostas, o mercado passa a operar de forma regulamentada desde 2023. As apostas se consolidam no ambiente digital, com exigências de segurança, controle financeiro, combate à lavagem de dinheiro e proteção aos usuários, marcando uma nova fase de institucionalização do setor no Brasil.

janeiro 1, 2019

Jogo do Bicho

Um dos maiores e mais antigos jogos de apostas realizados no Brasil é o Jogo do Bicho, criado em 1892 pelo barão João Batista Viana Drummond, no Rio de Janeiro. Inicialmente, a proposta era simples: incentivar a visitação ao zoológico por meio de bilhetes associados a animais, com sorteios e premiações em dinheiro. Com o tempo, o jogo se desvinculou de sua origem institucional e se espalhou pelo país, tornando-se uma prática popular, baseada na associação de números a 25 animais. Mesmo sendo considerado ilegal desde o início do século XX, o jogo do bicho continua amplamente difundido, operando de forma informal e adaptando-se às diferentes realidades urbanas e tecnológicas.

Do ponto de vista econômico e social, o jogo do bicho ocupa uma posição ambígua. Por um lado, movimenta grandes quantias de dinheiro e gera renda para milhares de pessoas, especialmente em contextos de informalidade, funcionando como uma espécie de economia paralela. Por outro, sua ilegalidade o associa a redes de contravenção e à ausência de regulação estatal, o que levanta preocupações relacionadas à segurança, transparência e arrecadação de impostos. Socialmente, o jogo do bicho está profundamente enraizado na cultura popular brasileira, sendo visto por muitos como uma prática cotidiana e acessível, mas também é alvo de críticas por sua relação com desigualdades sociais e pela falta de mecanismos de proteção aos apostadores.

Uso das Bets no Brasil

A ascensão das “Bets” no Brasil não aconteceu por acaso, após a regulamentação da lei da 13.756/2018 na qual legalizou as apostas esportivas no Brasil, criando a modalidade de apostas de quota fixa (onde o apostador sabe exatamente quanto pode ganhar no momento da aposta), essa lei abriu caminho para a regulamentação das apostas esportivas de quota fixa, mas a implementação efetiva demorou, após alguns anos o mercado ganhou novas regras rígidas de operação, tributação e segurança jurídica com a aprovação da Lei 14.790/2023 (conhecida como a Nova Lei das Bets), que alterou e complementou a lei de 2018. Nesse intervalo, empresas estrangeiras passaram a operar no país, muitas vezes em uma zona cinzenta regulatória. O resultado foi uma explosão de plataformas acessíveis, com poucos controles iniciais e forte investimento em marketing. Clubes de futebol estampando marcas de casas de apostas, influenciadores promovendo “palpites” e bônus de entrada agressivos passaram a fazer parte da paisagem midiática.

Essa presença massiva não é neutra, a comunicação das bets é cuidadosamente construída para reduzir a percepção de risco e aumentar o engajamento. Cores vibrantes, linguagem informal, uso de termos como “jogo”, “diversão” e “chance” substituem a ideia de perda por uma narrativa de entretenimento. Promoções como apostas grátis e multiplicadores de ganhos funcionam como portas de entrada, especialmente para públicos jovens. Ao mesmo tempo, a lógica das plataformas, com atualizações em tempo real, notificações constantes e recompensas rápidas estimula um comportamento contínuo, próximo ao de redes sociais e jogos eletrônicos.

Retirada da Internet

Outro fator dominante é o uso de apostas relacionadas a times de futebol, impulsionadas pela ampla divulgação em campeonatos, clubes e mídias digitais. Atualmente cerca de 15 dos 20 times que fazem partes da série A do Brasileirão são patrocinados por casas de apostas, isso totaliza uma média de 80% dos times presentes no campeonato. Quando clubes, atletas e influenciadores promovem plataformas de apostas, a linha entre entretenimento e incentivo ao risco se torna tênue. Para muitos torcedores, a aposta passa a ser uma extensão natural do ato de assistir a um jogo. Esse contexto reforça a necessidade de discutir limites e responsabilidades na comunicação dessas marcas.

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Dos times de futebol da série A do Brasileirão são patrocinados por casas de apostas

Bets e seus patrocínios no futebol brasileiro (2026)

Casa de ApostasTimes Patrocinados
Bet7kSantos, EC Vitória, Mirassol
BetdáSorteSanta Cruz, Maguary
SportingbetPalmeiras
StakeJuventude
NovibetSantos
BlazeAtlético Goianiense
BetanoFlamengo
SuperbetSão Paulo, Fluminense, América-RJ

Os números ajudam a dimensionar esse fenômeno, estimativas recentes indicam que bilhões de reais circulam mensalmente em apostas online no país. Parte desse dinheiro vem de uma parcela da população já vulnerável economicamente. Relatórios de instituições financeiras e pesquisas de opinião mostram um crescimento do uso de plataformas de apostas entre jovens e pessoas de renda mais baixa, muitas vezes associado à expectativa de complementar renda. Em um cenário de instabilidade econômica e alta informalidade, a aposta aparece não apenas como lazer, mas como estratégia, ainda que arriscada, de sobrevivência. Isso torna-se mais preocupante ao analisar que o Brasil encontra-se 5º na posição de países que mais movimentam o mercado de bets no mundo.

Fonte: Regulus Partners 

É nesse ponto que o debate sobre apostas ultrapassa o campo econômico e entra na esfera social e de saúde pública. Especialistas alertam para o aumento de casos de ludopatia, o transtorno relacionado ao vício em jogos de azar. Diferente de outras formas de entretenimento, as apostas combinam recompensas variáveis com acesso ilimitado. A qualquer hora do dia, com poucos cliques, é possível apostar, perder e tentar novamente. O ciclo é rápido, silencioso e, muitas vezes, invisível para familiares e amigos. O uso frequente de plataformas de apostas esportivas pode gerar efeitos psicológicos significativos, especialmente por conta da lógica de recompensa variável que sustenta esse tipo de atividade. A possibilidade de ganhos imprevisíveis ativa circuitos de prazer no cérebro, incentivando a repetição do comportamento mesmo diante de perdas. Com o tempo, isso pode levar à perda de controle, aumento da impulsividade e à chamada “ilusão de recuperação”, quando o indivíduo continua apostando na tentativa de reverter prejuízos. Além disso, é comum o surgimento de ansiedade, estresse e sentimentos de culpa ou frustração, sobretudo quando as apostas passam a comprometer a vida financeira e as relações pessoais. Em casos mais graves, esse padrão pode evoluir para a ludopatia, um transtorno reconhecido que afeta diretamente o bem-estar emocional e a capacidade de tomada de decisão.

As histórias individuais ajudam a dar rosto a esse processo. Jovens que começaram apostando valores baixos, atraídos por bônus iniciais, e que, em pouco tempo, passaram a comprometer parte significativa da renda. Trabalhadores que veem nas apostas uma chance de “virar o jogo” financeiro, mas acabam acumulando dívidas. Há também quem relate a sensação de perda de controle, marcada por tentativas frustradas de parar e pela necessidade constante de recuperar prejuízos. Essas narrativas revelam um padrão: o deslocamento da aposta de um ato pontual para um hábito recorrente.

Vi o meu irmão perder tudo, casa, carro, família. Tudo por conta dessas apostas, as pessoas começam achando que é uma brincadeira e quando vão ver já se afundaram em dívidas.Depoimento de uma jovem que preferiu não se identificar.

Caixa informativa

QUALQUER TIPO DE APOSTA É PROIBIDO PARA MENORES DE 18 ANOS. Atenção: a prática de apostas pode causar dependência e levar a problemas relacionados ao jogo compulsivo. Há sempre risco de perdas financeiras. Participe com responsabilidade e moderação.

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