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Tivemos agora no último mês o Agosto dourado, campanha nacional dedicada ao incentivo da amamentação. Várias palestras, orientações, incentivos, e muita informação sendo distribuídos desde os sites governamentais de saúde, às unidades básicas de atendimento municipais, tudo em prol de trazer em pauta este assunto tão importante, e pouco divulgado.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda aleitamento materno exclusivo nos seis primeiros meses de vida dos bebês, no entanto, vemos um cenário totalmente diferente no Brasil.
Segundo dados levantados pelo Ministério da Saúde em 2009, a média exclusiva de amamentação no Brasil é de somente 54 dias. Dados um tanto quanto preocupantes no cenário de morte materna infantil, pois o aleitamento é o principal aliado na prevenção de mortes na primeira infância.
Diversos fatores contribuem para o desmame precoce em nosso país, um dos fatores mais óbvios é a licença-maternidade, que tem um período de duração de apenas quatro meses, enquanto todos os órgãos competentes, Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Ministério da Saúde (MS), Organização Mundial da Saúde (OMS), recomendam e incentivam amamentação exclusiva até os seis meses. A própria legislação trabalhista está contra mulheres mães, pois a maioria se encontra dependente do trabalho para levar o sustento para casa.
Além da incongruência da nossa legislação trabalhista com o bem-estar materno infantil, temos que destacar o principal vilão contra o aleitamento, que é a confusão de bicos: sim o uso de bicos e chupetas é a maior causa do desmame precoce, além dos malefícios à saúde da criança.
A jornalista e especialista em amamentação Verônica Linder, autora do livro Toda Mulher é o Mundo, fala sobre amamentação, maternidade, e explora conhecimentos pouco divulgados no dia a dia das mães. Ela diz que “Amamentar não é de graça, amamentar custa tempo, custa informação, educação, disposição, energia, saúde mental. Amamentar faz parte de uma formação saudável da saúde, impacta a curto, médio e longo prazo na vida de uma pessoa.”
São frases que se tornaram tão cotidianas para mulheres que estão iniciando a vida de mãe que são grandes desestímulos a uma luta que não é fácil que é permanecer amamentando. Linder menciona como mulher, profissional e mãe de gêmeas o quanto foi cansativo escutar que você não vai dar conta, que seu leite é fraco, que seu filho chora de fome, que a criança está abaixo do peso, que depois de seis meses o leite vira água, entre tantos outros comentários sutis que só prejudicam.
As nuances da cultura do desmame são muito sutis, são frases usadas em desincentivo como o famoso: “seu leite é fraco temos que suplementar com fórmula”. E assim começa um ciclo que pode dar início ao desmame, pois assim que é ofertada a fórmula infantil na mamadeira, o processo de confusão de bico se inicia, porque o fluxo é diferente, a sensação de saciedade, a quantidade, o modo da pega, tudo muda.
No entanto, não se vê falando as vantagens da amamentação, mesmo estando na cartilha da criança, e nos sites relacionados a saúde no Brasil, tão pouco da amamentação prolongada, que reduz o risco de morte da criança, que aumenta a imunidade, diminui as chances de pneumonia e diarréia, que são causas comuns de morte infantil. Para as mães, reduz riscos de câncer de mama e ovário, que está entre as principais causas de morte de mulheres.
Uma pesquisa de Oxford mostrou que crianças que mamam além de 1 ano tem Q.I maiores na adolescência. Outra pesquisa publicada pela revista Annals of Allergy, Asthma and Immunology, mostra que amamentação prolongada pode contribuir para a prevenção de asma na infância.
