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Existem mais de 770 mil estrangeiros em Portugal, isso nas contas oficiais do relatório do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras. Mas diversas entidades e especialistas dizem que o número é superior. Muitos brasileiros saem da sua zona de conforto em busca de uma oportunidade e qualidade de vida melhor, para si e sua família.
Em conversa com a cozinheira Fernanda Rodrigues Araújo, de 40 anos, que atualmente mora em Portugal, Fernanda relata para o Lab Notícias a sua atual realidade morando em um país europeu.
Lab noticias: Quais foram os principais fatores que influenciaram sua decisão de imigrar?
Fernanda: O principal fator na minha decisão de emigrar, foi pensar na minha família, é dar uma melhor condição de vida para eles, em principal dar um estudo melhor para o meu filho de 8 anos, e assim conseguir trazer minha família também para ter uma estrutura de vida melhor.
Lb: Quais foram os maiores desafios que você enfrentou ao se mudar de país?
Fernanda: Para mim, o maior desafio que eu enfrentei para mudar de país foi deixar minha família, sem dúvidas. Tive que deixar eles no Brasil e vim na frente para tentar uma vida melhor, deixar minhas coisas e tudo que construí no Brasil foi muito doloroso. Simplesmente virar as costas e vir, é um desafio enorme todos os dias.
Lb: Qual é a sua percepção sobre a qualidade de vida em Portugal, especialmente em termos de segurança e infraestrutura?
Fernanda: A minha percepção sobre a segurança e infraestrutura é a segurança, que é nota dez aqui — diferente do Brasil, onde temos que andar preocupados em ser roubados ou algo do tipo, aqui andamos bem tranquilos, confortáveis e sem medo. Aqui a maioria das pessoas tem celulares e coisas de última geração sem se preocupar com furto, aqui não vemos falar em falta de segurança. A infraestrutura aqui também não temos nada a reclamar, é bem organizado, a cidade é um local limpo, recursos bons, eu não tenho que reclamar daqui.
Lb: Quais eram suas expectativas em relação a Portugal antes de se mudar? Elas corresponderam à realidade?
Fernanda: A minha expectativa em relação a Portugal era diferente, pensei que quando chegasse aqui as coisas seriam mais fáceis, por ser brasileira pensei que seria similar, mas não é. Aqui onde estou em Funchal – Ilha da madeira, tem muito ingleses, pensei que seria diferente, e não correspondeu às minhas expectativas.
Lb: Você teve alguma dificuldade com a língua portuguesa em Portugal, considerando as diferenças regionais e sotaques ?
Fernanda: A respeito da dificuldade com a língua, do sotaque deles, tive um pouco, porque eles conversam rápido e são totalmente diferentes de nós brasileiros. Quando eles conversam rápido, você tem que… “Opa, peraí, deixa eu captar um pouquinho para conseguir compreender” . Mas tem uns que falam devagar, aí dá para compreender, apesar de ter algumas mudanças no entender deles, um exemplo; aí no Brasil falamos “jogar o lixo fora“, aqui eles falam, “deita o lixo“. Então você tem que compreender o que eles falam, o sotaque, se eles conversam correndo, não conseguimos entender, é um pouco difícil, mas o básico conseguimos entender sim, para se comunicar no dia a dia.
Lb: Como é o processo de integração no mercado de trabalho português para um estrangeiro?
Fernanda: Sobre o processo de integração no mercado de trabalho, não é muito fácil, são dias de persistência, porque eles são um pouco preconceituosos, quando se trata de imigrantes. Então, o mercado tem bastante trabalho, o trabalho aqui é muito. Só que até você conseguir um tem que ter persistência, porque devido ao preconceito eles têm várias exigências. Por você estar aqui, então as exigências deles são maiores em questão. Mas é acima da persistência para conseguir, porque não é fácil.
Lb: Por último, quais conselhos e dicas você daria para brasileiros que estão querendo se mudar para Portugal?
Fernanda: O meu conselho é para a pessoa que tem vontade e oportunidade de vim, não deixar passar, mas vim preparado, pesquisar antes sobre o lugar que vai, tudo e se preparar mesmo, se precisar fazer curso de línguas, pois aqui muitos empregos pedem, mas é vim preparado. Não é fácil, sair da zona de conforto, é muito difícil, muito sofrimento, aqui todos os dias choro, todos os dias sorrio, mas é na persistência. Não é fácil, mas é uma experiência muito boa.