Campus Samambaia UFG — Uma história em concreto
Jornalismo de drone · Campus Samambaia · UFG

Uma história em
concreto

O Campus Samambaia da UFG completa mais de seis décadas. Visto de cima, o crescimento é visível — e ainda não parou.

Por Sofia Costa Goiânia, 2026 LabNotícias · FIC/UFG
role

Em 1962, a Universidade Federal de Goiás recebeu, por decreto presidencial, uma fazenda de 250 hectares na periferia de Goiânia. No local funcionava uma escola agrotécnica que havia fechado por falta de recursos. Dali nasceu o Campus Samambaia.

Hoje, o campus ocupa mais de 1.700 hectares, concentra a reitoria e a maior parte dos cursos da UFG e abriga um parque tecnológico com laboratórios que têm equipamentos únicos na América Latina. Esta reportagem mostra, com imagens aéreas captadas por drone, como esse crescimento aconteceu, da fazenda ao polo de inovação.

Todas as imagens aéreas recentes são do Banco de Imagens Goiano de Drones. Registros históricos do campus, onde indicado, são do acervo do CIDARQ/UFG.

1960
ano de fundação da UFG
1.700
hectares de campus
60+
anos de história em concreto
Vista aérea da Escola de Agronomia da UFG, Campus Samambaia, Goiânia
1962 01

Escola de Agronomia — onde tudo começou

Em 1945, o governo estadual doou ao Ministério da Agricultura uma área de 250 hectares — a Fazenda Samambaia — para sediar a Escola Agrotécnica de Goiânia. A instituição fechou por falta de recursos. Em 24 de outubro de 1962, um decreto presidencial transferiu o terreno à UFG.

As condições eram precárias. Os primeiros alunos chegavam de carroceria de caminhão — quando chovia, faziam o resto a pé. Em 1964, uma greve garantiu o transporte por ônibus.

Fazenda Samambaia transferida para a UFG · 24/10/1962
Escola de Agronomia (EA/UFG), Campus Samambaia, Goiânia, 15 de maio de 2026. Foto: Sofia Costa
Vista aérea da Escola de Veterinária e Zootecnia da UFG, Campus Samambaia, Goiânia
1963 02

Escola de Veterinária e Zootecnia

Em 30 de janeiro de 1963, o Conselho Universitário autorizou os cursos de Agronomia e Veterinária. Em 1966, o presidente Castello Branco assinou a Lei nº 5.139, criando a Escola de Agronomia e Veterinária (EAV) — uma escola unificada, não duas como queriam os idealizadores.

A separação veio em 1981, quando a EAV foi dividida em Escola de Agronomia (EA) e Escola de Veterinária (EV). As duas funcionam até hoje no mesmo terreno da fazenda original.

EAV · Lei nº 5.139, 14/10/1966 · dividida em 1981
Escola de Veterinária e Zootecnia (EVZ/UFG), Campus Samambaia, Goiânia, 15 de maio de 2026. Foto: Sofia Costa

Enquanto a EAV seguia sozinha na fazenda, a UFG crescia pelo centro de Goiânia de forma dispersa, improvisada, em prédios inadequados. Uma comissão de arquitetos e engenheiros concluiu o inevitável: a universidade precisava de um campus integrado. O professor Irineu Borges do Nascimento, da Escola de Engenharia, viajou por vários campi brasileiros em busca de referência e encontrou na Universidade de Brasília.

O período era de contradições intensas. Como descreveu a professora Célia Maria Ribeiro em artigo na Revista UFG Afirmativa, foram anos de “continuidade na descontinuidade”: o regime militar investiu pesado nas universidades, mas ao mesmo tempo silenciou vozes, fechou jornais estudantis, prendeu professores e extinguiu centros de debate político. Construir o novo campus era, ao mesmo tempo, uma conquista e uma estratégia de controle.

Arthur Moreira, técnico em arquivo do CIDARQ/UFG, guarda os registros que contam essa história. Segundo ele, a decisão de transferir a universidade para o Samambaia não foi só administrativa, ela tinha um componente político. “Desde a época final de 60 pra 70 começou a expansão da UFG pra cá, porque ele [o professor Colemar] queria tirar os alunos daquele centro de Goiânia onde tinha muitos policiais e trazer pra cá, não só porque ele queria, ele foi influenciado a fazer isso por causa da ditadura. Existia muita pressão da polícia porque a manifestação de estudantes era forte no centro.”

Vista aérea do Prédio de Humanidades II da UFG, Campus Samambaia, Goiânia
1971 03

Os primeiros blocos — Humanidades I e II

A pedra fundamental do Campus Samambaia foi lançada em 4 de maio de 1971, no km 12 da rodovia Goiânia-Nerópolis. As obras dos primeiros sete blocos começaram naquele ano. Em 1972, as estruturas foram inauguradas — eram os prédios que abrigariam o IMF, o IQG, o ICB, o ICHL e o Instituto de Artes. Os dois Prédios de Humanidades — I e II — fazem parte desse conjunto original e abrigam hoje a Faculdade de História, a Faculdade de Filosofia e a Biblioteca Seccional das Humanidades.

Pedra fundamental · 4 de maio de 1971
Prédio de Humanidades II, Campus Samambaia, Goiânia, 14 de setembro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
Vista aérea dos institutos pioneiros do Campus Samambaia, Goiânia
1973 04

O primeiro instituto a chegar

Em maio de 1973, o Instituto de Ciências Humanas e Letras (ICHL) foi o primeiro a se instalar no campus. Logo vieram o IMF, o IQG e o ICB. A Biblioteca Central foi inaugurada no mesmo ano, mas provisoriamente — no prédio da Faculdade de Direito, no centro de Goiânia.

A transferência não foi simples. O professor Tiettre Couto Roza, do IQG, descreveu o processo como “um martírio”: equipamentos eram transportados sem proteção, expostos a sol e chuva. A imprensa local criticou as condições. A adaptação levou anos.

Primeiro instituto no campus · maio de 1973
Vista aérea dos institutos pioneiros do Campus Samambaia — IQ, ICB e Restaurante Universitário ao fundo, Goiânia, 21 de outubro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
Vista aérea do Restaurante Universitário da UFG, Campus Samambaia, Goiânia
Restaurante Universitário (RU/UFG), Campus Samambaia, Goiânia, 21 de outubro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
1977 05

A reitoria chega ao campus

Até 1977, a Reitoria da UFG funcionava na 5ª Avenida, no Setor Universitário. Naquele ano, ela se transferiu para o Samambaia, junto com uma extensão do Restaurante Universitário. O prédio atual da reitoria só foi inaugurado em 2002, durante o mandato da reitora Milca Severino Pereira.

Reitoria no campus · 1977 · prédio atual inaugurado em 2002
Dados · Campus Samambaia · UFG · 1962–2026

64 anos de construção

Cada marco representa uma estrutura ou conjunto de obras inaugurado no campus. Toque ou passe o mouse para ver o detalhe.

* Baseado em: Jornal UFG, Revista UFG Afirmativa nº 3, Reitoria Digital UFG, SIBI/UFG, Escola de Agronomia/UFG e Parque Tecnológico Samambaia/UFG.

Campus Samambaia da UFG em 1988, Goiânia
Registro histórico · abril de 1988

O campus em 1988: os blocos originais de 1972 já estavam consolidados, a Reitoria e o Restaurante Universitário funcionavam no Samambaia desde 1977. A Biblioteca Central ainda ficava no centro de Goiânia — ganharia sede própria no campus só em setembro do ano seguinte.

Campus Samambaia, UFG, Goiânia, abril de 1988. Foto: Anatoly Kravchenko

1989 06

Biblioteca Central Prof. Alpheu da Veiga Jardim

A Biblioteca Central foi criada em 1973, mas funcionou por 16 anos num prédio provisório da Faculdade de Direito. Só em 13 de setembro de 1989 ganhou sede própria no Samambaia — 29 anos depois da criação da UFG. Hoje reúne quase 153 mil exemplares físicos e 7 mil e-books.

Biblioteca Central · sede no campus desde 13/09/1989
Vista aérea da Biblioteca Central da UFG, Campus Samambaia, Goiânia
Biblioteca Central Prof. Alpheu da Veiga Jardim (BC/UFG), Campus Samambaia, Goiânia, 26 de novembro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
Campus Samambaia da UFG em 1990, Goiânia
Registro histórico · 1990

Em 1990, a Biblioteca Central já havia se instalado no campus — inaugurada em setembro de 1989. O Samambaia tinha então sua estrutura acadêmica básica completa, mas ocupava uma fração do que seria décadas depois.

Campus Samambaia, UFG, Goiânia, 1990. Foto: Anatoly Kravchenko

Nos anos 2000, o campus ganhou estruturas que deixaram de ser apenas acadêmicas. Prédio da reitoria, centro de eventos, centros de aulas equipados com projetores e ar-condicionado.

Vista aérea do Prédio da Reitoria da UFG, Campus Samambaia, Goiânia
2002 07

Prédio da Reitoria

Inaugurado em 2002 durante o mandato da reitora Milca Severino Pereira, o prédio fica em frente à Escola de Música e Artes Cênicas. Concentra o Gabinete da Reitoria, as principais pró-reitorias e secretarias como a de Relações Internacionais e a de Comunicação.

Prédio da Reitoria · inaugurado em 2002
Prédio da Reitoria (UFG), Campus Samambaia, Goiânia, 15 de maio de 2026. Foto: Sofia Costa
Campus Samambaia da UFG em 1992, Goiânia
Registro histórico · 1992

O campus em 1992 — mesma estrutura do início dos anos 1990. Passaria ainda mais de uma década até a próxima grande onda de construções, impulsionada pelo REUNI a partir de 2008.

Campus Samambaia, UFG, Goiânia, 1992. Foto: Anatoly Kravchenko

2008 08

Centro de Cultura e Eventos Prof. Ricardo Freua Bufáiçal

Inaugurado em 12 de dezembro de 2008, o CCE é o espaço multiuso do campus. Sedia todas as colações de grau da Regional Goiânia, o Conpeex, o Espaço das Profissões e outros eventos de grande público.

CCE · inaugurado em 12/12/2008
Vista aérea do Centro de Cultura e Eventos da UFG, Campus Samambaia, Goiânia
Centro de Cultura e Eventos Prof. Ricardo Freua Bufáiçal (CCE/UFG), Campus Samambaia, Goiânia, 21 de outubro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
Vista aérea do Parque Tecnológico Samambaia da UFG, Goiânia
Entrada do Parque Tecnológico Samambaia com ipê amarelo em flor, Campus Samambaia, Goiânia, 14 de setembro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
2013 09

Parque Tecnológico Samambaia — o início

Em dezembro de 2013, foi inaugurado o CRTI — Centro Regional para o Desenvolvimento Tecnológico e Inovação —, primeiro prédio do Parque Tecnológico Samambaia. Com 1.704 m², o laboratório atende empresas, centros de pesquisa e o setor acadêmico. A área do Parque é de 179 mil m². Em 2017 viria o segundo prédio: a Agência UFG de Inovação.

CRTI · inaugurado em dezembro de 2013 · Parque Tecnológico Samambaia
2008–2013 10

A expansão do REUNI

O Programa REUNI, lançado pelo governo federal em 2007, viabilizou uma onda de obras no campus. Foram entregues quatro Centros de Aulas — Aroeira (2008), Baru, Caraíba e Pequi —, cada um com 29 salas e capacidade para 1.350 alunos. Novas sedes surgiram para o IME, INF, IESA, FAV, Labicom e Lapig. O Cercomp e o Ciar também ganharam prédios próprios.

Expansão REUNI · 2008–2013
Vista aérea do Centro de Aulas Baru da UFG, Campus Samambaia, Goiânia
Centro de Aulas Baru (CAB/UFG), Campus Samambaia, Goiânia, 7 de outubro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
Vista aérea do Núcleo Takinahakỹ de Formação Superior Indígena da UFG, Campus Samambaia, Goiânia
2010s 11

Oca Indígena, Centro de Saúde e moradia estudantil

O Núcleo Takinahakỹ de Formação Superior Indígena é a única graduação em Educação Intercultural para povos indígenas do país. O Centro de Saúde do Campus atende as 40 mil pessoas da região norte de Goiânia, entre servidores, alunos e moradores do entorno. A Casa do Estudante Universitário (CEU V) ampliou a moradia estudantil no campus.

Núcleo Takinahakỹ · Centro de Saúde · CEU V
Núcleo Takinahakỹ de Formação Superior Indígena (NTFSI/UFG), Campus Samambaia, Goiânia, 14 de setembro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky

A partir de 2017, o Parque Tecnológico entrou em ritmo acelerado. Em menos de dez anos, o complexo passou de um prédio para sete — financiados por Finep, Fapeg, Petrobras e outras parcerias. Cada inauguração trouxe mais empresas, pesquisadores e equipamentos para dentro do campus.

Vista aérea da Agência UFG de Inovação, Parque Tecnológico Samambaia, Goiânia
2017 12

Agência UFG de Inovação

Inaugurado em 18 de dezembro de 2017, o segundo prédio do Parque Tecnológico tem 1.555 m² e custou R$ 4,8 milhões. Sob o mesmo teto, funcionam a Pró-reitoria de Pesquisa e Inovação (PRPI) — criada em 2013 para coordenar a política de pesquisa científica, propriedade intelectual e empreendedorismo da UFG —, o NIT/UFG, o CEI e o IPElab Unidade I. Também sedia empresas incubadas e residentes.

Agência UFG de Inovação · PRPI · 18/12/2017 · R$ 4,8 milhões
2018 13

IPElab — laboratório aberto de prototipagem

Inaugurado em dezembro de 2018 em parceria com o Sebrae Goiás e a Fapeg, o IPElab reúne impressoras 3D, fresadoras, tornos e outros equipamentos. O espaço é aberto a estudantes, inventores e empresários. Em 2019, o galpão de máquinas foi ampliado em 240 m².

IPElab · inaugurado em 20/12/2018 · UFG/Sebrae/Fapeg
Vista aérea do edifício LIFE no Parque Tecnológico Samambaia, Goiânia
2020 14

LIFE — Laboratórios Integrados para Inovação em Ciências Farmacêuticas

Inaugurado em dezembro de 2020, o edifício LIFE tem mais de 2.000 m² e custou R$ 9 milhões. Reúne quatro laboratórios voltados à pesquisa farmacêutica: Farmatec, iBIOM, ToxIn e cNanoMed, todos vinculados à Faculdade de Farmácia da UFG.

LIFE · dezembro de 2020 · R$ 9 milhões
Edifício LIFE, Parque Tecnológico Samambaia, Goiânia, 15 de maio de 2026. Foto: Sofia Costa
Vista aérea da sede da FUNAPE no Parque Tecnológico Samambaia, Goiânia
2020 14B

FUNAPE — sede própria no Parque

No mesmo mês de dezembro de 2020, a Fundação de Apoio à Pesquisa da UFG (Funape) inaugurou sua sede própria no Parque Tecnológico, com 1.772 m² e R$ 5,5 milhões investidos — encerrando décadas de funcionamento em espaços locados dentro do campus.

FUNAPE · dezembro de 2020 · R$ 5,5 milhões
Sede da FUNAPE, Parque Tecnológico Samambaia, Goiânia, 15 de maio de 2026. Foto: Sofia Costa

Os dois prédios mais recentes do campus, inaugurados entre novembro de 2025 e janeiro de 2026, somam R$ 64,5 milhões em investimentos. O campus que começou com uma fazenda hoje tem equipamentos que não existem em mais nenhum lugar na América Latina.

Vista aérea do CEMEP no Parque Tecnológico Samambaia, Goiânia
nov. 2025 15

CEMEP — pesquisa em petróleo e energia

Inaugurado em 11 de novembro de 2025, o CEMEP recebeu R$ 45 milhões, a maior parte da Petrobras. O prédio abriga equipamentos únicos no Brasil — entre eles um espectrômetro de massas de 15 tesla, capaz de analisar a composição química de petróleo e biocombustíveis — e o primeiro laboratório da América Latina para análise de isótopos agrupados de metano.

CEMEP · inaugurado em 11/11/2025 · R$ 45 milhões · Petrobras
CEMEP — Centro de Excelência em Estudos Moleculares, Energia e Petróleo, Parque Tecnológico Samambaia, Goiânia, 15 de maio de 2026. Foto: Sofia Costa
Vista aérea do Colabora+, Parque Tecnológico Samambaia, Goiânia
jan. 2026 16

Colabora+ — o prédio mais novo do campus

Inaugurado em 9 de janeiro de 2026, o Colabora+ tem 1.772 m² e custou R$ 19,5 milhões, financiados por Finep e Fapeg. Foi construído em 18 meses e já nasceu completamente ocupado. Sedia o Centro de Inteligência Artificial (CEIA), o CIAP, o Centro de Empreendedorismo e Incubação (CEI) e o Centro de Competência Embrapii em Tecnologias Imersivas (Akcit).

Na inauguração, a reitora Angelita Pereira de Lima disse que o prédio “materializa quatro anos de trabalho e reafirma o papel da universidade pública no desenvolvimento social”.

Colabora+ · inaugurado em 9/1/2026 · R$ 19,5 milhões · Finep/Fapeg
Colabora+ — Centro de Inovação e Empreendimentos Tecnológicos, Parque Tecnológico Samambaia, Goiânia, 15 de maio de 2026. Foto: Sofia Costa
Campus Samambaia · Outras estruturas

O campus que o drone encontrou

Além dos prédios que marcaram a cronologia do campus, o Samambaia reúne faculdades, laboratórios, espaços esportivos e equipamentos de infraestrutura que formam o dia a dia de uma cidade universitária com mais de 40 mil pessoas.

Escola de Música e Artes Cênicas da UFG, Campus Samambaia, Goiânia
EMAC — Escola de Música e Artes Cênicas

Surgiu em 1996 com o desmembramento do Instituto de Artes, que funcionava desde 1972. Abriga a Escola de Música — uma das fundadoras da UFG, criada em 1956 como Conservatório Goiano de Música.

Campus Samambaia, Goiânia, 26 de novembro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
Instituto de Artes da Cena da UFG, Campus Samambaia, Goiânia
IAC — Instituto de Artes da Cena

Criado em 2025 após 17 anos de propostas. A primeira proposta de criação foi apresentada em 2008, mas só em 2025 as condições foram consolidadas. O curso de Dança, que era da FEFD, passou a integrar o IAC.

Campus Samambaia, Goiânia, 26 de novembro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
Faculdade de Informação e Comunicação da UFG, Campus Samambaia, Goiânia
FIC — Faculdade de Informação e Comunicação

Instalada como Facomb em 20 de agosto de 1997, após desmembramento do ICHL. Em 2013, com o REUNI, tornou-se FIC. Abriga os cursos de Jornalismo (o mais antigo, criado em 1966), Publicidade, Relações Públicas, Biblioteconomia e Gestão da Informação.

Campus Samambaia, Goiânia, 21 de outubro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
Labicom da FIC/UFG, Campus Samambaia, Goiânia
Labicom — Laboratórios de Comunicação e Informação

Inaugurado em 28 de agosto de 2013, o Labicom é o maior projeto laboratorial da FIC. Reúne agências-escola dos cursos de comunicação e estruturas de produção audiovisual, pesquisa e redação.

Campus Samambaia, Goiânia, 14 de setembro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
Faculdade de História da UFG, Campus Samambaia, Goiânia
FH — Faculdade de História

Originada do desmembramento do ICHL, um dos institutos pioneiros instalados no campus em 1973. Hoje ocupa prédio próprio no Samambaia.

Campus Samambaia, Goiânia, 7 de outubro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
Faculdade de Letras da UFG, Campus Samambaia, Goiânia
FL — Faculdade de Letras

Também originada do ICHL, instalado no campus em 1973. Ocupa prédio próprio no Samambaia ao lado da FH e do CAA.

Campus Samambaia, Goiânia, 7 de outubro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
Faculdade de Administração e Ciências Econômicas da UFG, Campus Samambaia, Goiânia
FACE — Faculdade de Administração e Ciências Econômicas

Prédio próprio no Samambaia. Fica próxima ao CAB e ao INF, na área da expansão do REUNI.

Campus Samambaia, Goiânia, 7 de outubro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
Instituto de Matemática e Estatística da UFG, Campus Samambaia, Goiânia
IME — Instituto de Matemática e Estatística

Herdeiro do Instituto de Matemática e Física (IMF), um dos primeiros a se instalar no campus em 1973. Ganhou sede própria com a expansão do REUNI a partir de 2008.

Campus Samambaia, Goiânia, 14 de setembro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
Instituto de Estudos Socioambientais da UFG, Campus Samambaia, Goiânia
IESA — Instituto de Estudos Socioambientais

Criado a partir do desmembramento de unidades ligadas à Geografia e ao meio ambiente. Abriga o Lapig — Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento, referência nacional em monitoramento do Cerrado.

Campus Samambaia, Goiânia, 14 de setembro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
Instituto de Informática da UFG, Campus Samambaia, Goiânia
INF — Instituto de Informática

Prédio inaugurado com o REUNI. Fica ao lado do CAB e do FACE. Em 2012, transferiu o curso de Gestão da Informação para a FIC.

Campus Samambaia, Goiânia, 7 de outubro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
Centro de Aulas Aroeira da UFG, Campus Samambaia, Goiânia
CAA — Centro de Aulas Aroeira

Primeiro dos quatro centros de aulas entregues pelo REUNI, em 2008. Cada centro tem 29 salas e capacidade para 1.350 alunos simultâneos. O nome homenageia espécies nativas do Cerrado.

Campus Samambaia, Goiânia, 21 de outubro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
Centro de Aulas Caraíbas da UFG, Campus Samambaia, Goiânia
CAC — Centro de Aulas Caraíbas

Um dos quatro centros de aulas do REUNI. Fica próximo ao IME e ao IESA, na área de expansão do campus.

Campus Samambaia, Goiânia, 7 de outubro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
Ginásio e campo da Faculdade de Educação Física da UFG, Campus Samambaia, Goiânia
FEF — Faculdade de Educação Física

Criada como Coordenação de Educação Física em 1978, tornou-se faculdade em 1996. O prédio foi inaugurado em 1994. A área é de aproximadamente 100 mil m² e inclui campo de futebol, ginásio, duas piscinas, pista de atletismo e quadras. Em março de 2026, voltou à denominação Faculdade de Educação Física após o curso de Dança migrar para o novo IAC.

Campus Samambaia, Goiânia, 21 de outubro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
Piscina da Faculdade de Educação Física da UFG, Campus Samambaia, Goiânia
Piscinas da FEF

A FEF mantém duas piscinas — uma olímpica e uma infantil — abertas à comunidade por meio de projetos de extensão. Natação e hidroginástica estão entre as atividades oferecidas à população do entorno do campus.

Campus Samambaia, Goiânia, 21 de outubro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
Centro de Esportes da UFG, Campus Samambaia, Goiânia
Centro de Esportes da UFG

Gerido pela PRAE — Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis —, atende prioritariamente estudantes de baixa renda. Conta com academia e quadra poliesportiva, com horários disponíveis também para atléticas e eventos estudantis.

Campus Samambaia, Goiânia, 15 de abril de 2026. Foto: Raniê Solarevisky
TV UFG e Fundação RTVE, Campus Samambaia, Goiânia
TV UFG

A Rádio Universitária UFG foi inaugurada em 1965, na Alameda Botafogo. O prédio atual no Campus Samambaia abriga três estúdios com isolamento acústico, auditório para 110 pessoas e departamentos de jornalismo e produção. A TV UFG funciona sob a mesma estrutura da Fundação RTVE.

Campus Samambaia, Goiânia, 7 de outubro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
Árvore Solar da UFG, Campus Samambaia, Goiânia
Árvore Solar

Instalada em 5 de junho de 2018, Dia Mundial do Meio Ambiente, como símbolo do projeto UFG Sustentável em parceria com a Enel. É uma palmeira metálica de 11 metros com dez painéis fotovoltaicos, localizada entre o Centro de Convivência e a EMAC. O campus também conta com 2.440 placas solares instaladas nos telhados, inauguradas em junho de 2019.

Campus Samambaia, Goiânia, 26 de novembro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
Departamento de Educação Infantil da UFG, Campus Samambaia, Goiânia
DEI — Departamento de Educação Infantil

Creche universitária que atende filhos de servidores e estudantes da UFG. Fica no Campus Samambaia, próximo à FIC, FH e CAC.

Campus Samambaia, Goiânia, 7 de outubro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
LAMES da UFG, Campus Samambaia, Goiânia
LAMES — Lab. de Métodos de Extração e Separação

Criado em 2003 com recursos da FINEP (CTPetro), o LAMES é vinculado ao Instituto de Química e atua em pesquisa, ensino e prestação de serviços em Química e Ciências Ambientais. Coordena projetos financiados por FINEP e CNPq com empresas dos ramos petroquímico, farmacêutico e alimentício, e captou cerca de R$ 40 milhões em 20 anos de atuação.

Campus Samambaia, Goiânia, 21 de outubro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
Lapig da UFG, Campus Samambaia, Goiânia
Lapig — Lab. de Sensoriamento Remoto e Geoprocessamento

Vinculado ao IESA, é referência nacional no monitoramento do Cerrado e de pastagens brasileiras por imagens de satélite. Produz dados usados por pesquisadores, órgãos públicos e imprensa.

Campus Samambaia, Goiânia, 21 de outubro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
LabTIME da UFG, Campus Samambaia, Goiânia
LabTIME — Lab. de Tecnologia da Informação e Mídias Educacionais

Desenvolve soluções digitais para o ensino e produziu as plataformas AvaMEC e AvaCAPES, usadas pelo Ministério da Educação em todo o país. Já produziu cerca de 3 a 4 mil horas de programação educacional para o MEC e oferece cursos de extensão gratuitos abertos ao público.

Campus Samambaia, Goiânia, 21 de outubro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
NUPEC da UFG, Campus Samambaia, Goiânia
NUPEC — Núcleo de Pesquisa em Ensino de Ciências

Nasceu em 2002 como um grupo informal de alunos e professores do Instituto de Química e foi oficializado em 2004. Reúne professores do IQ, IF e ICB, além de docentes da rede básica estadual e municipal. Realiza encontros quinzenais para discutir ensino de ciências, formação docente e questões ambientais.

Campus Samambaia, Goiânia, 21 de outubro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
Vista aérea do CRTI — Centro Regional para o Desenvolvimento Tecnológico e Inovação, Parque Tecnológico Samambaia, Goiânia
CRTI — Centro Regional para o Desenvolvimento Tecnológico e Inovação

Inaugurado em 9 de dezembro de 2013, o CRTI foi o primeiro prédio do Parque Tecnológico Samambaia. Com investimento de R$ 20 milhões de Finep, Fapeg, Sectec, UFG e emendas parlamentares, oferece dez técnicas instrumentais organizadas em quatro divisões — de microscopia eletrônica de varredura a cromatografia líquida de alta resolução. Atende instituições de ensino e pesquisa de todo o país.

Parque Tecnológico Samambaia, Goiânia, 15 de maio de 2026. Foto: Sofia Costa
Espaço Intercultural Indígena da UFG em construção, Campus Samambaia, Goiânia
Espaço Intercultural Indígena

Em 10 de fevereiro de 2025, a UFG lançou a pedra fundamental do novo Espaço Intercultural Indígena. Com 3.723 m² e R$ 17,8 milhões do PAC, o complexo prevê auditório para 340 pessoas, alojamento, refeitório, redário e área infantil — com conclusão prevista para julho de 2026. É complementar ao Núcleo Takinahakỹ, que desde 2006 oferece a única licenciatura em Educação Intercultural para povos indígenas do país e, em 2025, contava com 270 alunos de 27 povos.

Campus Samambaia, Goiânia, 15 de maio de 2026. Foto: Sofia Costa
NDH — Núcleo de Direitos Humanos da UFG, Campus Samambaia, Goiânia
NDH — Núcleo de Direitos Humanos

O Programa de Direitos Humanos da UFG existe desde 10 de dezembro de 1999. Em 2010, formalizou-se como Núcleo Interdisciplinar de Pesquisa, Ensino e Extensão. Em dezembro de 2018, inaugurou sede própria no Campus Samambaia em parceria com o Ministério Público do Trabalho. Mantém o Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Direitos Humanos (PPGIDH), com mestrado desde 2012 e doutorado aprovado em 2018.

Campus Samambaia, Goiânia, 15 de maio de 2026. Foto: Sofia Costa
CIDARQ — Centro de Informação, Documentação e Arquivo da UFG, Campus Samambaia, Goiânia
CIDARQ — Centro de Informação, Documentação e Arquivo

Criado pela Resolução CONSUNI n.º 002/2010, o CIDARQ guarda a memória institucional da UFG. A sede no Campus Samambaia gerencia o Sistema Eletrônico de Informações (SEI) e o acervo arquivístico digital da universidade. Mantém também a Casa da Memória — um prédio de 1930, tombado como patrimônio histórico em 1982, no centro de Goiânia — onde pesquisadores e jornalistas encontram os registros mais antigos do campus.

Campus Samambaia, Goiânia, 15 de maio de 2026. Foto: Sofia Costa
Faculdade de Artes Visuais da UFG, Campus Samambaia, Goiânia
FAV — Faculdade de Artes Visuais

Herdeira do Instituto de Belas Artes de Goiás, criado em 1960, a FAV nasceu em 1996 com o desmembramento do Instituto de Artes da UFG. Em 25 de março de 2013, inaugurou prédio exclusivo no Campus Samambaia: 4.400 m² com ateliês, laboratórios e auditório. Oferece sete cursos — entre eles Arquitetura e Urbanismo, Design Gráfico e Design de Moda — e dois programas de pós-graduação stricto sensu.

Campus Samambaia, Goiânia, 15 de maio de 2026. Foto: Sofia Costa

Em 62 anos, o Campus Samambaia passou de uma fazenda com uma escola fechada a um dos maiores polos de inovação do Centro-Oeste. O Parque Tecnológico, que começou com um prédio em 2013, tem hoje sete estruturas e não parou de crescer. O campus que o drone vê hoje não é o mesmo de dez anos atrás, e esperamos que não seja o mesmo daqui a dez anos.

Faculdade de Informação e Comunicação · UFG
Reportagem: Sofia Costa · Orientação: Raniê Solarevisky
Imagens captadas com drone DJI · 2025/2026
Estrutura visual feita em HTML com auxílio do Claude Code
labnoticias.jor.br

A mostra ‘O amor, a morte e as paixões” alcança sua 17ª edição em 2026 e a estrutura externa é uma das novidades. O espaço, inspirado na ‘brasilidade’, foi projetado ao longo de quatro meses. O evento vai de 8 a 22 de abril e, além dos filmes, tem diversas opções culturais para o público de forma totalmente gratuita.

Fachada da mostra, no Centro Cultural Oscar Niemeyer, 15 de abril de 2026. Foto: Sofia Costa

O coordenador geral da mostra e proprietário do CineX, Gerson Santos, explica que, no ano passado, o tema principal foram os clássicos, mais voltado para a Europa. Já neste ano, a inspiração foi o Brasil. Ele explica que iniciativa é para “homenagear a beleza de ser brasileiro”, especialmente em um ano emblemático como 2026, que tem eleições e Copa do Mundo.

Entrada da mostra, corredor que fica abaixo do toldo branco, quando visto de cima, 15 de abril de 2026. Foto: Sofia Costa

“Esse ano o tema principal foi brasilidade, então a gente resolveu pegar referências do Teatro Goiânia, Rio de Janeiro, São Paulo, Recife. Você passa por uma cenografia na qual você pode observar esses estados maravilhosos que compõem o Brasil” – Gerson Santos, coordenador geral da mostra

Para projetar a estrutura do evento foram necessários quatro meses. Já a montagem da estrutura e ornamentação exigiu 15 dias de trabalho.

Veja aqui a programação da mostra ‘O amor, a morte e as paixões”, que vai até dia 22 de abril.

Fachada da mostra, no Centro Cultural Oscar Niemeyer, 15 de abril de 2026. Vídeo: Sofia Costa

A mostra, que ocorre desde 2001 em Goiânia, já reuniu mais de 300 mil pessoas. Nos anos anteriores as edições costumavam ocorrer durante o Carnaval. Gerson compartilha que os organizadores temiam que, por ser em outra época do ano, que não conta com o feriado, o público não fosse aderir. A surpresa deste ano foi positiva, já que as sessões e eventos continuam lotando.

Maria Clara, que faz parte da ação “Tecendo o futuro” da Organização das voluntárias de Goiás (OVG), tem 15 anos e veio pela primeira vez. Ela diz que pretende voltar com a família. Sobre o espaço, a estudante relata que é “lindo, tudo perfeito, aqui é muito arejado, bem refrescante”.

Vale lembrar que esta é a primeira edição totalmente gratuita da mostra. Nos anos anteriores, atividades que envolviam outros artistas como apresentações e rodas de conversa eram gratuitas, mas o ingresso do filme era pago. O coordenador da mostra também compartilha que a gratuidade foi possível por meio de uma emenda parlamentar do deputado Virmondes Cruvinel. Gerson acrescenta: “a gente sempre pensou em fazer gratuito pra trazer uma turma jovem que não comparecia, tem dado muito certo”.

Estacionamento do Centro Cultural Oscar Niemeyer, 15 de abril de 2026. Vídeo: Sofia Costa

Esta reportagem foi inteiramente apurada, redigida e editada por humanos. Também contém um ChatBot interativo desenvolvido com auxílio de inteligência artificial, utilizada para gerar códigos e automações.

O chatbot funciona de forma parecida com ChatGPT, a aparência é parecida também. Ele é especializado em responder perguntas relacionadas aos processos sobre direitos autorais contra a OpenAI.

Você pode perguntar a ele sobre:

  • Casos judiciais envolvendo a OpenAI e direitos autorais;
  • Empresas e pessoas envolvidas nesses processos;
  • Resultados preliminares ou decisões judiciais relacionadas;
  • Aspectos legais considerados nos casos, como uso justo e propriedade intelectual;
  • O tempo envolvido nos processos ou atualizações sobre o andamento;
  • E o que mais quiser relacionado ao tema.

A OpenAI é uma empresa de pesquisa em inteligência artificial que desenvolve modelos avançados de IA, como o ChatGPT, um modelo de linguagem treinado para gerar texto e imagem de forma semelhante à produção humana. Para treinar esses modelos, grandes volumes de dados são utilizados.

Os processos judiciais contra a OpenAI surgem de alegações de que obras protegidas por direitos autorais foram usadas sem permissão para treinar esses modelos. Isso levanta questões legais sobre o uso justo, propriedade intelectual e os limites éticos e legais no uso de dados para treinar IA.

*A aplicação foi feita com botpress e sua base de conhecimento é composta por documentos compilados pela Reuters e por esta lista. Além disso, usa os modelos Claude Sonnet 4 (Standard ou Reasoning mode).

Esta reportagem foi inteiramente apurada, redigida e editada por humanos. Também contém Quizzes interativos desenvolvidos com auxílio de inteligência artificial, utilizada para gerar códigos e automações.

“Na vida moderna, tocamos mais em plástico do que em nossos entes queridos”, é o que diz o Atlas do plástico, da Fundação Heinrich Boll. O plástico barato (e quase sempre descartável) que usamos todos os dias está sendo incansavelmente fabricado. É difícil pensar em alternativas quando vivemos em uma realidade em que este foi o material mais produzido no mundo nos últimos 65 anos. Em uma perspectiva otimista e quase distópica para o cenário atual, existem os que estão na vanguarda da mudança.

O plástico de uso único é um enorme problema, segundo dados do relatório “Plástico de uso único no Brasil: contexto e impactos ambientais”, produzido pela Universidade Federal de São Paulo, em 2019, 35% de todo o plástico produzido no Brasil foi de uso único. Ele gera lixo como nenhum outro e seu principal uso são as embalagens de alimentos. Os novos hábitos de consumo e a normalização do “pedir comida” ou mesmo “comer fora de casa” constituem as novas práticas deste novo mundo cada vez mais frenético e inconsequente. 

Clique em um número e descubra o que ele representa!
Selecione um número acima!

Ainda segundo a Fundação Heinrich Boll, “só no Brasil, são mais de 11 milhões de toneladas de plástico, o que coloca o país como quarto maior produtor de lixo plástico no mundo”. O plástico não é biodegradável, de acordo com o doutor em Ciência e Engenharia de Materiais, Alfredo Sena Neto, o microplástico é uma forma menor dos elementos plásticos, e existe por causa do descarte inadequado que gera partículas que vão parar no meio ambiente: nos solos, nos meios aquáticos, no ar, nos organismos e microrganismos.

Iniciativa internacional

Em 2025, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) lançou um plano internacional voltado à redução do consumo de plásticos descartáveis no setor HoReCa — que engloba hotéis, restaurantes e cafés. A iniciativa, que conta com um investimento de R$ 9 milhões para o Brasil, será implementada, inicialmente, em cinco cidades costeiras: Belém (PA), Salvador (BA), Santos (SP), Florianópolis (SC) e Rio de Janeiro (RJ); além de São Paulo (SP). 

O plano prevê a definição de metas progressivas para a diminuição do uso de plásticos, além da realização de campanhas educativas direcionadas tanto aos gestores quanto aos consumidores. A estratégia inclui a criação de parcerias com empresas do setor, o desenvolvimento de linhas de crédito e incentivos fiscais para estabelecimentos que adotarem práticas mais sustentáveis, e a implementação de um sistema de monitoramento para acompanhar os resultados. Relatórios periódicos serão divulgados para avaliar o impacto das ações e orientar possíveis ajustes, reforçando o compromisso do Brasil com a sustentabilidade e a redução dos resíduos plásticos no ambiente urbano e turístico.

Palha de milho?

A empresa GrowPack foi criada com um propósito ambicioso: ser plásticos sem plástico. Para o co-fundador, Ezequiel Bunge Berg, a alternativa igualmente funcional e eficiente e sem os malefícios do plástico já existe: a palha de milho, uma tecnologia 100% nacional. Essa biomassa excedente pode se transformar em embalagens resistentes, facilmente recicláveis e compostáveis. Além disso, utilizam 80% menos água e emissões comparadas ao papelão, o que as fazem superar soluções tradicionais baseadas em fibras, tanto em sustentabilidade quanto em preço.

Embalagem Growpack – Imagem: Sofia Costa

No Brasil, seu impacto foi potencializado pela parceria com o Ifood. No Relatório de Sustentabilidade 2022/23 do Ifood, a empresa menciona que já investiu mais de R$500 mil reais na GrowPack e, com isso, conseguiu expandir as operações e diminuir o custo médio por embalagem, que hoje já se assemelha a que é produzida com plástico tradicional. As embalagens da GrowPack se destacam por possibilitar o uso com alimentos úmidos e secos, poderem ir ao forno e possuírem ótima vedação.

Em Goiânia…

Em Goiânia, empresas que adotam práticas sustentáveis recebem o reconhecimento da Agência Municipal do Meio Ambiente – AMMA. Em entrevista, Ravena Borges, gerente de Formulação de Educação, Política e Pesquisas Ambientais, explica que, dentre as 29 práticas que o empreendimento pode desenvolver em seu espaço físico para obter um dos selos, não há uma exclusiva para empresas zero plástico.

A gestora justifica a ausência pelo fato de que, em alguns ramos, essa prática não é possível, mas que “nada impede que o empreendimento que desenvolva alguma prática que não está lá apresente essa prática como uma inovação”, explica Borges.

E dá pra usar mesmo?

Ludimila Silveira conta que considerou o alinhamento de valores de sua empresa com suas práticas e percebeu que o plástico não deveria ter espaço. “Vem com essa intenção de alinhar os valores da empresa com compromisso, com a ética, com a proteção da terra e dos seres vivos”, relata Ludimila. Ela é proprietária do “Vaca, Comida Vegana”, um estabelecimento que serve alimentos de origem 100% vegetal.

A empresária também compartilha que seus clientes abraçaram a mudança e se adaptaram: “Eu falo de veganismo, de uma forma diferente de lidar com os animais e com o planeta, então acaba que eu preciso estar de acordo com isso”. Os feedbacks de clientes são um grande indicador de satisfação, eles ressaltam o diferencial do negócio e o interesse despertado pelas embalagens.

Apesar disso, Ludmila conta que o acesso a essas embalagens não é fácil, precisa procurar bastante, em especial porque o custo costuma ser mais elevado que o das embalagens tradicionais.

Fécula de mandioca?

Uma das embalagens utilizadas por Ludimila é de fécula de mandioca. Seu maior diferencial? É comestível! As empresas Oka bioembalagens e Já fui Mandioca utilizam a fécula para criar potes, marmitas e copos que se degradam completamente em até 90 dias.

O estudante e pesquisador Victor Arantes já provou as embalagens comestíveis e declara que o sabor é semelhante à de uma tapioca, mas sem sal, e ela absorve o gosto do alimento que foi servido.

Embalagens Oka Bioembalagens – Imagem: Sofia Costa

Existe uma lei municipal que prevê a substituição de embalagens plásticas convencionais por congêneres biodegradáveis desde 2018. De autoria da vereadora Sabrina Garcêz, a lei foi aprovada por unanimidade pelos membros da Comissão de Constituição, Justiça e Redação e visa poupar recursos naturais utilizando sacolas reutilizáveis. Na defesa da proposta, a vereadora argumentou que “cerca de 80% das embalagens são descartadas após usadas apenas uma vez” e sem reciclagem adequada este lixo ajuda a superlotar os aterros e lixões, exigindo novas áreas de depósito para o lixo gerado.

Jogo: Tempo de Decomposição dos Materiais
Associe cada material ao tempo correto de decomposição.
Clique em uma das opções para responder.
Você ganha 1 ponto a cada acerto. Boa sorte!
Pontos: 0
Fonte: Fiocruz

No Brasil todo, já há ao menos 214 leis municipais e estaduais a respeito do plástico de uso único, quase três quartos delas focadas em canudos, copos e produtos plásticos similares. Esses dados são de 2022, apresentados pela ICIS no estudo Single-use plastic in Brazil: policies and laws, elaborado por pesquisadores da Universidade de São Paulo.

Sistema B Brasil

Uma certificação nacional que promove a sustentabilidade de empresas e também se preocupa com o lixo gerado é o Sistema B Brasil, que em 2022, celebrou a marca de 5 mil Empresas B espalhadas pelo mundo. Empresas B certificadas equilibram sucesso financeiro, bem-estar social e ambiental. A Já Fui Mandioca é certificada desde 2016 e mantém o propósito de tentar copiar a embalagem mais perfeita que existe, segundo a própria empresa, “a embalagem de uma fruta”.

Farelo de trigo?

Outra empresa inovadora é a Orquidea Alimentos, que, em 2019, deu um passo importante em direção à sustentabilidade quando transformou o farelo de trigo em embalagens biodegradáveis. A ideia, sugerida por um funcionário, foi encampada pela empresa e levada adiante por Nei Antônio Marquetti, supervisor industrial da unidade de Bento Gonçalves.

O processo de produção, que consiste em misturar farelo de trigo com água em uma máquina, seguida de secagem em forno, exigiu o desenvolvimento de uma tecnologia específica e superou desafios, já que não existia no mercado nada similar ao produto criado. Hoje, a linha Orquídea Eco oferece potes biodegradáveis, que se desintegram em até 45 dias e são utilizados em diversas sorveterias e estabelecimentos.

Embalagem Orquídea Alimentos
Você se lembra? 🌱
O que é plástico de uso único e por que é um problema?
O plástico de uso único é aquele feito para ser descartado após um único uso, como embalagens de alimentos. No Brasil, 35% de todo o plástico produzido é desse tipo, gerando muito lixo e poluição.
Existem embalagens comestíveis?
Sim! Empresas como Oka Bioembalagens e Já fui Mandioca produzem embalagens feitas de fécula de mandioca, que podem ser comidas e se degradam em até 90 dias.
O que são microplásticos?
Microplásticos são pequenas partículas resultantes do descarte inadequado de plásticos. Eles poluem solos, águas, o ar e podem ser ingeridos por organismos vivos.
Quais empresas brasileiras inovam com embalagens biodegradáveis?
GrowPack, Oka Bioembalagens e Já fui Mandioca são exemplos de empresas brasileiras que desenvolvem soluções inovadoras e sustentáveis para embalagens.

Atualizada em 14/07/2023 às 16h40

Fonte: Freepik

O TC educa é um sistema que foi criado para monitorar os planos de educação no Brasil. Sua base de dados vem dos microdados do Censo Escolar. Os dados disponíveis no sistema indicam que no Estado de Goiás, a meta 3A do Plano Nacional de educação, que busca alcançar 100% de frequência dos jovens de 15 a 17 anos na escola, não foi cumprida. O manual do TC educa explica quais foram as metodologias de cálculo utilizadas para a obtenção das informações.

Vale lembrar que a meta 3A se refere a uma Taxa Bruta, ou seja, considera apenas que os alunos estejam matriculados, mas não especifica se estão no nível de ensino adequado à faixa etária em relação ao total da população da mesma idade.

Fonte: TC educa

Em 2020, o estado que apresentou a maior integralização escolar desses jovens foi Santa Catarina (SC), com 89,78%. Em contrapartida, o estado do Amapá tem o índice mais baixo, contando com apenas 67,52% dos adolescentes dessa faixa etária frequentando a escola. A taxa de atendimento do Brasil em 2020 foi de 79,74%. Cabe ressaltar que, segundo a apuração desta reportagem, a maior parte das metas do PNE em Goiás não foi cumprida.

Mas por que os dados só vão até 2020? Onde estão os dados dos últimos três anos?

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira – Inep ocultou informações do sistema e deletou microdados do Censo Escolar e Enem em 2022. A decisão foi tomada para eliminar a possibilidade de identificação das pessoas, e com a justificativa de adequar-se à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais – LGPD. Apesar de serem republicados, os microdados do Enem não estão em sua versão completa. Os de 2020, que foram apresentados na versão inicial e depois adaptados, sofreram uma redução de 44%, passando de 136 colunas para 76. Os dados do Censo Escolar que voltaram ao ar não são suficientes para estudo.

Como funciona o sistema do TC educa?

A fim de entender o funcionamento dos dados do TC educa, a reportagem buscou uma das idealizadoras do projeto, Mariana Ramada, que é Doutora em Ciências da Computação e trabalha como Analista de Tecnologia da Informação na Fábrica de Software. Algumas das questões levantadas foram:

Por que alguns indicadores apresentam percentuais superiores a 100%?
Os dados populacionais são estimativas, são uma estatística calculada. Já os dados sobre alunos são concretos, por isso os dados podem apontar mais alunos frequentes do que alunos existentes. Além disso, em alguns casos ocorre de um aluno estudar em uma escola na cidade vizinha. Dessa forma, ele irá contar na quantidade de alunos daquela cidade, porém não irá contar na população daquela cidade.
Por que no sistema a meta do indicador é de 100% já que a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura – Unesco considera a meta de 97%?
No sistema, para que uma meta seja considerada cumprida, ela pode ter uma margem de 3 pontos percentuais. Dessa forma, a partir de 97% as metas são consideradas cumpridas.
Por que a partir de 2019 os números da população começam a subir?
De 2014 a 2018, os dados populacionais eram obtidos através do DataSUS, mas esses dados não eram atualizados. Em 2019, começamos a utilizar uma estimativa própria, que considera vários fatores para estimar a população.
Onde estão os dados de 2021 a 2023, por que eles não estão disponíveis?
Essa foi uma decisão do Inep. Nós estamos passando por um processo burocrático para tentar ter acesso aos novos dados. Os dados que utilizamos para montar o sistema estão inclusive fora do ar. Só foi possível montar o sistema porque já tínhamos esses dados salvos.

Mariana ressalta ainda a importância da disponibilidade de dados e sistemas para democratizar o acesso à informação e elaboração de políticas públicas: “Esses dados são importantes para toda a população, a partir deles podemos encontrar formas de melhorar a qualidade do país”.

Por que 22% da população de 15 a 17 anos não está na escola?

Em conversa com Márcia Carvalho, Superintendente de Gestão Estratégica e Avaliações de Resultados da Secretaria de Educação do Estado de Goiás – Seduc, ela relata que os motivos são distintos:

“A falta de frequência escolar desses alunos é um problema que vai além da escola: é uma questão social, a educação é um dever do Estado e da família. São vários os motivos que fazem os jovens desistirem da escola; pode ser por necessidades financeiras, por falta de motivação, por vontade de sair da casa dos pais e buscar uma fonte de renda que dificulta o estudo ou até por se envolverem com a criminalidade, que é uma realidade triste aqui no Brasil.”

Márcia ressalta ainda que o Estado tem disponibilidade de vagas para todos esses jovens, e, apesar da existência das vagas, não há adesão. A Superintendente citou as iniciativas adotadas para motivar os adolescentes, que são as seguintes:

De acordo com o próprio site, a Busca Ativa Escolar é uma estratégia composta por uma metodologia social e uma ferramenta tecnológica disponibilizadas gratuitamente para estados e municípios. A intenção é apoiar os governos na identificação, registro, controle e acompanhamento de crianças e adolescentes que estão fora da escola ou em risco de evasão. Por meio da Busca Ativa Escolar, municípios e estados têm dados concretos que possibilitarão planejar, desenvolver e implementar políticas públicas que contribuam para a garantia de direitos de meninas e meninos.

O programa Bolsa Estudo, do Governo de Goiás, foi criado pela Lei 21.162 – Lei Programa Bolsa Estudo e consiste em uma política pública de caráter educacional e assistencial, que busca incentivar a aprendizagem, combater a evasão escolar e atenuar os efeitos econômicos da pandemia da Covid-19. A Bolsa Estudo também está vinculada ao programa Busca Ativa: Acolher para Permanecer, lançado pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc) em outubro de 2021. (informações do site do Programa Bolsa Estudo).

Durante os períodos de matrículas, ocorre nos veículos midiáticos uma ampla divulgação da oportunidade. Estão envolvidos nessa campanha redes de televisão, rádio, redes sociais e até mesmo panfletos a fim de alcançar todos os públicos. A matrícula também pode ser feita online, o que facilita o processo de adesão dos estudantes.

A reportagem questionou ainda a existência de campanhas e projetos contínuos para alertar e informar as pessoas em maior vulnerabilidade social sobre a importância e viabilidade dos estudos formais, em especial a nível médio. A representante da Seduc informou que não existem.

O que esses jovens perdem por não frequentar a escola?

A Profª Drª Márcia Torres, que é psicóloga e pedagoga, alerta que o problema abrange os níveis pessoal e social. A professora explica que, para o desenvolvimento do indivíduo, é necessário que haja convívio social saudável e que a educação formal é necessária para a formação do pensamento crítico.

“A cultura digital é capaz de deixar o indivíduo não mais humanizado. A educação é importante para combater a frieza e a indiferença, que fomentam o fascismo.”

O Plano Nacional de Educação – PNE

O Plano Nacional de Educação, instituído pela Lei nº 13.005/2014, determina diretrizes, metas e estratégias para a política educacional no período de 2014 a 2024. O PNE tem como objetivo fomentar os gestores federais, estaduais e municipais e do Distrito Federal a adotarem medidas governamentais necessárias para elevar a taxa de alfabetização, universalizar o atendimento escolar na etapa obrigatória (4 a 17 anos), superar as desigualdades educacionais, melhorar a qualidade do ensino, valorizar os profissionais da educação, democratizar a gestão, ampliar os investimentos em educação, dentre outras diretrizes que buscam alcançar educação de qualidade a todas as crianças, adolescentes e jovens no país. As informações sobre o PNE são do site TC educa.

Planos Estaduais de Educação – PEE

Existem também os PEEs que estabelecem critérios mais específicos para atender as necessidades estaduais educacionais mais profundas singulares, além das gerais. Você pode acessar o Plano Estadual de Educação de Goiás e também um documento que contém todas as metas do PNE e do PEE no estado de Goiás.

Desde a sua inauguração, o Comedy Club de Goiânia tem se firmado como um dos principais destinos para quem busca uma noite repleta de risadas e entretenimento. O Comedy fica na rua 86, nº 605, setor sul. Você pode visitar o estabelecimento de quarta a domingo e o horário de funcionamento é das 19h às 1h. Os ingressos podem ser comprados no site.

Além das apresentações de comediantes consagrados, o Comedy Club também oferece oportunidades para talentos locais, promovendo noites de “open mic” e permitindo que novos artistas possam mostrar seu potencial ao público. Às quartas, acontecem as noites de testes, o show denominado “Quimera” que tem entrada gratuita.

Fachada do Goiânia Comedy Club Foto: Sofia Costa

Segundo Hellen Cássia, gerente do Goiânia Comedy Club, o objetivo é oferecer entretenimento de qualidade e momentos de descontração para o público goianiense. “É muito importante ter um Comedy Club na cidade para fortalecer a cena da comédia, fomentar a cultura regional e promover entretenimento. O legal do comedy é que você pode ver os artistas de pertinho e rir junto”, destaca Hellen.

Para complementar a experiência, o Comedy Club disponibiliza um cardápio variado, com opções variadas de petiscos e bebidas. A respeito das atrações, o Comedy abraça diversos estilos de comédia, desde o aclamado stand-up comedy até improvisação e esquetes cômicas.

Uma pesquisa realizada pela Unesp ressalta a importância do riso e bom humor: “Estudos que envolvem o humor e o riso estão mostrando sua importância para melhorar não só a saúde, mas também a qualidade de vida e a longevidade. Parece que o riso tem mesmo poder terapêutico. O riso franco pode trazer benefícios, não tem custo, causa bem estar em quem ri, influencia pessoas e o ambiente”, conclui o estudo.

Alice Souza, de 28 anos, em sua primeira vez no Comedy, declara: “Meus amigos já vieram aqui e falaram super bem da casa e, como eu sou alegria, não podia estar em um lugar diferente em plena quarta-feira aqui em Goiânia. Então, se a alegria é aqui dentro dessa casa, alegria combina com Alice e eu vim pra cá comemorar meu aniversário”.

O depoimento de Alice foi transcrito por meio do Pinpoint, uma ferramenta que usa inteligência artificial para transformar arquivos de áudio em texto.

Campus Party 2022 Foto: Secti

A Campus Party ocorrerá de 7 a 11 de junho no Shopping Passeio das Águas. O evento de tecnologia e inovação chega à sua 3ª edição em Goiânia. Os ingressos já estão à venda.

O acesso a todas as atividades propostas é garantido através da compra do ingresso, que pode ser feita no link https://bit.ly/ing-cp. O acesso online é gratuito e os ingressos devem ser adquiridos no mesmo link. Também haverão atividades sem custo abertas ao público geral. Além disso, o festival conta com o maior camping indoor do mundo, de acordo com a organização.

“Considero a Campus mais do que um evento, é uma mobilização de um ecossistema que gera diversos efeitos colaterais pré-evento, pós evento, sobre o uso da tecnologia e a transformação digital da sociedade, porque isso tem a ver com todas as áreas, não apenas com a área de tecnologia diretamente e em particular”, destaca o Doutor Anderson Soares, professor e coordenador do curso de bacharelado em Inteligência Artificial da Universidade Federal de Goiás.

Segundo a Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), o evento contará com 3 palcos presenciais, 2 áreas de workshop, além de 100 bancadas de comunidade e ações como hackathons. São esperadas diversas caravanas.

O graduando em Inteligência Artificial Victor Arantes, que foi na edição anterior e trabalhará na edição de 2023, relata: “Ano passado eu participei de várias atrações e pude conhecer várias pessoas que participaram da criação de startups que evoluíram. Esse ano eu vou trabalhar em um workshop de inteligência artificial para crianças, a proposta é que elas escrevam um livro e o ilustrem através de ferramentas de inteligência artificial generativa para fomentar esse interesse.”

A Campus Party

É o maior festival de tecnologia, empreendedorismo, ciência e disruptividade do mundo com mais de 70 edições realizadas em 30 países, segundo o site oficial da organização. Em 2022, mais de 150 mil pessoas passaram pela Campus Party Goiânia.

“Oi” em Libras

Você conhece alguma pessoa surda? Como você se comunica com surdos? Já pensou em como a universidade pode ser acessível para essas pessoas? Apenas no município de Goiânia, existiam 58.081 pessoas com algum grau de deficiência auditiva, sendo 3.028 delas completamente surdas, segundo dados do último Censo (2010) do IBGE.

Surdo ou Deficiente Auditivo?

De acordo com artigo, em resumo: “Uma compreensão da surdez baseada em uma perspectiva histórica e cultural enfatiza diferentes modos de vivenciar as diferenças de audição. Os surdos, ou Surdos com letra maiúscula, como proposto por alguns autores, são pessoas que não se consideram deficientes, utilizam uma língua de sinais, valorizam sua história, arte e literatura e propõem uma pedagogia própria para a educação das crianças surdas. Os deficientes auditivos seriam as pessoas que não se identificam com a cultura e a comunidade surda.”

Libras

Língua ou linguagem?

A Língua Brasileira de Sinais – Libras é uma forma de comunicação e expressão, com sistema linguístico de natureza visual-motora e estrutura gramatical própria, que constitui um sistema linguístico de transmissão de ideias e fatos, oriundos de comunidades de pessoas surdas do Brasil.

Antes da instituição da lei n°10.436/2002, oficialmente os surdos se comunicavam por linguagem, um mecanismo para pessoas com deficiência; qualquer comunicação pode ser entendida como linguagem. Um bebê que chora ou balbucia palavras pratica uma linguagem com a mãe, pois há comunicação, há entendimento. A partir da lei, a Libras foi reconhecida como língua, portadora de um código característico, sistemas linguísticos próprios, e, com isso, tornou-se uma também uma cultura.

Os surdos podem ter a Libras, e não a Língua Portuguesa como primeiro idioma. Isso implica que nem todos os surdos no Brasil tem completo domínio da língua Portuguesa. Por ter estruturas diferentes, por exemplo, em Libras não utilizam artigos como “a, o”, a escrita dos surdos também é diferente, é mais próxima das estruturas utilizadas em Libras. Por isso, a tradução em Libras é um direito dos surdos.

Inclusive, na correção da redação do Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM, corretores específicos com aptidão para essa função são dispostos.

Alfabeto em Libras/ Fonte: UOL

Ingresso de surdos na UFG e iniciativas para adaptação

  • ENEM

Segundo a LEI Nº 12.711, DE 29 DE AGOSTO DE 2012., a Lei de Cotas, que foi atualizada pela lei LEI Nº 13.409, DE 28 DE DEZEMBRO DE 2016., 50% das vagas devem ser reservadas para pretos, pardos, indígenas e pessoas com deficiência, o que inclui os surdos.

  • UFGInclui

O Programa UFGInclui gera uma vaga extra em cada curso onde houver demanda indígena e quilombola, bem como para candidatos surdos na graduação Letras Libras, quando oriundos de escola pública.

  • SIGAA

Atualmente existe o Núcleo de Acessibilidade da UFG, e o aluno pode solicitar apoio ao Sistema Integrado de Núcleos de Acessibilidade – SINAce.

No canto superior direito, existe a opção “outros”

Após clicar em “outros”, selecionar “Necessidades Educacionais Especiais” e, em seguida, “Solicitar apoio à SINACE”.

Então uma nova guia é aberta contendo os dados do aluno e as opções de solicitação. Essa solicitação será diretamente encaminhada ao coordenador do curso para que seja possível discutir a respeito com o corpo docente e realizar a integração do aluno.

NEPTILS

Na UFG, o NEPTILS é o Núcleo de Estudos e Pesquisas na Área de Tradução e Interpretação em Língua de Sinais, que pode ser acessado pela Coordenação de Intérpretes/Tradutores Libras | Letras (ufg.br). O NEPTILS dispõe de um formulário aberto à comunidade, onde pode ser feita a solicitação de um intérprete.

O ensino de Libras em áreas específicas

Como na Língua Portuguesa, cada área tem seu vocabulário próprio, as áreas da saúde, jurídica e científica, por exemplo, requerem conhecimento mais específico a respeito da Língua.

Em relação a isso, pedagoga e estudante de Letras/Libras Laura Beatriz questiona a falta de direcionamento em segmentos específicos na formação dos intérpretes:

É importante, por isso que de forma crescente os profissionais de cada área tem o conhecimento da língua de sinais, principalmente o vocabulário da sua área específica, isso auxilia muito no processo de inclusão da pessoa surda em qualquer lugar.”

Apoio à pessoa surda em Goiânia

Em Goiânia existe o CAS/Goiânia – Centro de Capacitação de Profissionais da Educação e de Atendimento às Pessoas com Surdez (casgoiania.com.br) O objetivo da instituição é contribuir com a melhoria da educação ofertada às pessoas surdas.

A Associação dos Surdos de Goiânia desenvolve ações de Assistência Social voltados para pessoas com deficiência e/ou em situações de risco. 

Acesso ao ensino de LIBRAS na UFG

Existem alguns modos de ter acesso direto ao ensino de Libras na UFG:

A respeito do ensino de Libras no CL, Rafaela Nogueira, discente de Jornalismo, relata: “Sempre tive interesse em aprender libras para ter essa comunicação maior com pessoas surdas, principalmente na questão do Jornalismo, pois onde precisamos chegar em todas as pessoas e colaborar para que seja acessível. Mas, não é tão fácil assim achar aula de libras, então quando o CL abriu turma, aproveitei para me inscrever.”

Em relação ao ensino, a estudante afirma que “Foi excelente. As aulas, a dinâmica em sala de aula, o conteúdo e o formato de avaliação, tudo isso foi adaptado pra que toda a turma sentisse a qualidade do ensino, além de permitir um aprendizado maior.”

Legislação

Em relação ao acesso à educação de surdos, algumas leis preveem direitos:

  • LEI No 10.098, DE 19 DE DEZEMBRO DE 2000.
    Estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida, e dá outras providências.
  • LEI Nº 10.436, DE 24 DE ABRIL  DE 2002. Dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais – Libras e dá outras providências.
  • LEI N 10.845, DE 5 DE MARÇO DE 2004 Institui o Programa de Complementação ao Atendimento Educacional Especializado às Pessoas Portadoras de Deficiência, e dá outras providências.
  • LEI Nº 12.319, DE 1º DE SETEMBRO DE 2010. Regulamenta a profissão de Tradutor e Intérprete da Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS.
  • LEI Nº 4.309, DE 14 DE ABRIL DE 2004. DORJ 15.4.04 Dispõe sobre o ingresso de pessoas com deficiência auditiva nas universidades públicas estaduais.
  • LEI Nº 8.160 – DE 08 DE JANEIRO DE 1.991. Dispõe sobre a caracterização de símbolo que permita a identificação de pessoas portadoras de deficiência auditiva“.
  • PORTARIA NORMATIVA MEC 20/2010 – DOU:  08.10.2010 Dispõe sobre o Programa Nacional para a Certificação de Proficiência no Uso e Ensino da Língua Brasileira de Sinais – Libras e para a Certificação de Proficiência em Tradução e Interpretação da Libras/Língua Portuguesa – Prolibras.
  • PORTARIA nº 1.679, de 2 de Dezembro de 1999 Dispõe sobre requisitos de acessibilidade de pessoas portadoras de deficiências, para instruir os processos de autorização e de reconhecimento de cursos, e de credenciamento de instituições.
  • PORTARIA Nº 3.284, DE 7 DE NOVEMBRO DE 2003. Dispõe sobre requisitos de acessibilidade de pessoas portadoras de deficiências, para instruir os processos de autorização e de reconhecimento de cursos, e de credenciamento de instituições.
  • LEI Nº 13.146, DE 6 DE JULHO DE 2015.   Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência), destinada a assegurar e a promover, em condições de igualdade, o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais por pessoa com deficiência, visando à sua inclusão social e cidadania.
“Tchau” em Libras
Reflexões sobre o jornalismo
Professor Juarez segurando livro de Jornalismo publicado pela UFG / Foto: Jornal O Popular

O Professor Doutor em Jornalismo Juarez Ferraz de Maia possui uma trajetória de 35 anos como servidor da Universidade Federal de Goiás. Juarez nasceu na cidade de Itaberaí, interior de Goiás, em 1947. Na década de 60 mudou para a capital do estado, Goiânia, foi estudante da universidade e participou do movimento estudantil no período da Ditadura Militar no Brasil. O Professor foi preso pelos militares e expulso do Brasil em 1971, exilou-se no Chile e iniciou o curso de Ciências Sociais e Jornalismo.

Com o golpe militar do Chile em 1973, no governo Pinochet, Juarez foi expulso também do país e se exilou no México. Após um período no país, o professor mudou para a Bélgica e ingressou e concluiu o curso de Jornalismo. Com a Independência de Moçambique, o professor mudou-se para o país, onde residiu durante uma década. Em 1987 voltou para o Brasil e, através de um concurso, ingressou na UFG como professor.

Início da vida acadêmica

LabNotícias: Professor, como foi a sua vida acadêmica como discente nos cursos de comunicação que fez no Chile e na Bélgica?

Dr. Juarez: O Chile foi um período muito transitório porque na verdade eu fiquei na universidade quase três anos saindo do Brasil na ditadura militar, então foi um período de respirar tranquilamente, o Chile passava por uma revolução democrática, uma experiência que intentava fazer aquilo que o Lula faz hoje no Brasil. Mas durou pouco tempo, de 1971 a 1973 quando eu fui pro Chile. Na universidade se tinha uma ampla discussão sobre a América Latina, mas a coisa mais importante que eu tenho a dizer que durante o meu período de vida no Chile eu descobri uma coisa: eu era latino-americano. Até então eu era brasileiro e a nossa formação era toda voltada para Europa, ou então era voltado para França, Alemanha, Inglaterra ou Estados Unidos. Essa formação política e cultural foi muito importante na minha vida. Não é como hoje que tem a internet, a televisão, você tem acesso a qualquer parte do mundo, naquela época era muito difícil tudo isso, as ligações eram difíceis, tudo se fazia por carta. Lá descobri a música latino-americana, uma comunidade latinoamericana muito grande no Chile.

Na Bélgica foi diferente porque eu saí do golpe militar do Brasil, depois da militância, depois do Chile teve um golpe militar, então fui obrigado a abandonar o Chile, fui para o México e do México fui pra Bélgica, e na Bélgica foi um período de respirar, pra sentar, fazer com que o mundo girasse de novo na cabeça porque tudo estava desorganizado. Brasil, clandestinidade, o Chile com aquele golpe de estado violento, que violentou o mundo, violentou a gente e de repente uma vida que estava sendo construída no Chile desapareceu em 24 horas por causa do Golpe de Estado, então eu recebi a passagem, o visto para o México através da Embaixada do México onde eu me exilei.

Tem outro mundo chamado Europa; que não tinha golpe militar, não tinha militares, não tinha ditadura. Entrei na universidade e ganhei uma bolsa de estudo. Vivia uma vida calma, tranquila. A Bélgica foi o tempo que eu tive de ver o mundo com outra cabeça, de repente era tudo perto e você conhecia a Europa. E as pessoas, os trabalhadores viviam bem, ganhavam bem, eu recebi na Bélgica um cartão de Saúde, a qualquer momento eu podia ir no médico, tinha garantia de saúde. Descobri que você podia dentro do próprio capitalismo ter uma condição boa de vida e tudo isso como os trabalhadores da Bélgica que ganhavam muito bem. Tinham saúde gratuita, tinham educação pública, transporte público, segurança pública. A descoberta de outro mundo, que estava mais avançado e se tinham aquelas garantias públicas.

E ao descobrir esse mundo diferente a gente pensa “puxa vida a gente na América Latina, na América do Sul, está na ditadura militar onde o salário mínimo é uma desgraça, é realmente uma tristeza, uma pobreza enorme”, naquela época a pobreza era muito maior do que hoje, a situação era muito pior.

A Bélgica foi um momento de descobrir que havia dentro da própria sociedade condições de você melhorar a capacidade das pessoas viverem bem dentro de uma democracia. O partido não era partido único, pluripartidário, uma democracia onde havia debate, e na universidade havia um debate enorme sobre o mundo.

E dentro da Universidade de Bruxelas foi muito importante porque eu estudei jornalismo, mas eu peguei muitas disciplinas na área de direito internacional, disciplinas complementares e gostei do assunto, por isso que eu sempre fui ligado muito à disciplina de jornalismo internacional. A Bélgica foi um momento de terminar o curso, ter uma bolsa de estudo, ir para a Universidade, sair às 8 horas da manhã e chegar em casa às 6 da tarde só para estudar, você não tinha que trabalhar, tinha tudo na universidade. Foi um momento que intelectualmente eu cresci muito, conheci uma realidade política da América do Sul, fiquei conhecendo uma realidade política da Europa e intelectualmente eu fui descobrindo outros autores, com outros pensamentos que me deram uma grandeza muito vasta do mundo e que eu podia sobreviver de viver como cidadão dignamente.

A Europa foi um momento de paz, de muita tranquilidade. Mas como sempre o ser humano nunca está contente com o que tem, eu pensei em não ficar mais na Europa, porque era muito frio, muita angústia, as pessoas eram muito tristes. Trabalhei depois que terminei o curso, um ano como correspondente principalmente para os jornais da América Latina. E aí resolvi ir embora para Moçambique para trabalhar em um grande projeto. Então a Europa foi um momento de conhecimento, de paz, e tranquilidade como ser humano.

Criação de projetos na Universidade

LabNotícias: Dos inúmeros projetos extracurriculares e acadêmicos que o senhor fundou e participou da criação, quais hoje o senhor vê como essenciais e necessários para a universidade?

Dr. Juarez: Nesses 35 anos eu participei de vários projetos do corpo docente da universidade, mas um foi muito importante na época, que foi a criação do Jornal da UFG, em 1989. Hoje já não tem tanta importância por causa da internet, por causa da televisão, mas na época era o jornal que circulava entre os professores, entre os acadêmicos. Esse projeto segue até hoje. E depois dentro do sindicato fundei o jornal do professor, no Sindicato dos Professores, também está lá até hoje funcionando. E dentro do curso do jornalismo, nós tivemos uma participação muito grande na criação de um livro, porque o curso de jornalismo ele era muito disperso do ponto de vista do pensamento.

Um professor dava uma disciplina, outro dava outra disciplina mas isso não se juntava em nenhum lugar então eu tive a ideia, como coordenador do curso na época de criar uma publicação anual sobre o trabalho dos professores do curso de Jornalismo. Então todo professor publicava anualmente um trabalho que ele antes tinha que mandar para São Paulo, para Minas Gerais, mas não, ele publicava aqui dentro da Universidade, e todo ano publicamos mais um volume na coletânea, e esse ano faz 10 anos da coletânea do curso. Inclusive, a Capes reconheceu o livro.

Ditadura e militância política

LabNotícias: O senhor foi um militante do movimento estudantil em um período de extrema repressão e censura do governo militar. Como foi esse período no movimento? Quais ações vocês buscaram com movimento e como essa censura foi imposta a vocês?

A censura era geral, não se podia fazer reunião, não se podia criticar o governo, não se podia ser “contra” nada. As pessoas hoje não tem ideia do que foi uma ditadura. Na sala de aula, por exemplo, sempre tinha uma pessoa que era do Serviço Nacional de informação, você não sabia quem era, era um estudante, que estava ali para te vigiar Era um colega do seu lado. Você não sabia, então você não podia discutir. O professor não podia dar opinião dele sobre política nacional, porque era absolutamente proibido, os jornais não publicavam nada contra o poder ou faziam crítica alguma ação do governo porque tinha a censura prévia, antes de publicar o jornal do dia, tinha um censor dentro do jornal que lia e aprovava as matérias.

Grandes jornais que tinham força no Brasil, por exemplo, “O Estado de São Paulo”, “A Folha de São Paulo”, ou “O Globo”, por exemplo, muitas vezes no lugar das matérias que foram censuradas, eles publicavam receitas de bolo. Aí todo mundo sabia que ali naquele lugar da receita de bolo tinha uma matéria que tinha sido censurada, e era muito engraçado porque se você fizer pesquisas da época você vai rir, né? Porque de repente muda de notícia e vem meia página de receita de bolo, dez receitas de bolo.

Dentro dos jornais, rádios e televisões havia a censura prévia, ou seja, o que você escrevia ia pra um censor. Ele dizia que você tem que mudar a informação, aí você tinha que mudar. Muitos jornalistas que estavam dentro das redações lutavam, escreviam contra a censura, mas isso não saía nos jornais, e esses jornalistas também iam presos, automaticamente iam responder um inquérito policial militar. Você não podia fazer reunião, você não podia fazer debate na universidade, você não podia ter encontros que eram considerados subversivos.

Aí os estudantes se revoltaram na época, 1967, 1968 e começaram a fazer manifestações públicas e essas manifestações públicas eram violentamente reprimidas, mas os estudantes faziam. Aliás, nós fazíamos manifestações.  Eu fiz várias manifestações, em 1967, fui preso nessa ocasião, depois em 1968 veio a grande explosão nacional, o Brasil explodiu, principalmente no meio acadêmico, intelectual, teatros, jornais, e aí começaram as manifestações públicas, e culminou com uma grande manifestação no Rio de Janeiro que tinha na época, na ditadura militar, uma manifestação com 100 mil pessoas.

Em Goiânia houve várias manifestações, morreram vários estudantes e houve uma manifestações de setembro de 68, que foi muito reprimida e durou 14 horas a manifestação e repressão; bombas, por exemplo a catedral onde nos refugiamos na época a polícia invadiu a Catedral Metropolitana de Goiânia, o padre foi preso, levaram dois companheiros nossos, dois estudantes; um levou um tiro na perna, o outro levou um tiro nas costas. E era assim, você convivia com isso diariamente. Você estava vivo hoje mas não sabia se estaria amanhã.

Os estudantes eram presos e dentre eles morreram vários na tortura, em Goiânia e no Brasil inteiro. Até que aconteceu no Rio de Janeiro uma manifestação e mataram o estudante Edson e a morte dele teve uma repercussão nacional muito grande e o Brasil explodiu dessa época. Houve manifestações gerais e muitas prisões, e você vê por exemplo hoje artistas conhecidos do Brasil, Caetano Veloso, Gilberto Gil, ficaram tempos na prisão, as músicas do Chico Buarque de Holanda eram praticamente todas censuradas. E aí você vai ver, prisão de artistas, de intelectuais, de trabalhadores, assassinato. Então os movimentos eram de rua, de rebelião, e a rebelião tinha um preço, você pagava com suas próprias costas através de porrada ou prisão. E nesse sentido, muitos estudantes foram presos comigo naquela época.

Progresso da Universidade

LabNotícias: Você acredita que a faculdade tenha progredido nesses 35 anos lecionando?

Dr. Juarez: O progresso é visível, naquela época você trabalhava com máquinas, datilografia, hoje se trabalha com computador, tem máquina pra filmar, mesmo que for máquina de fotografia você faz a fotografia como foto e como filme, na mesma máquina. Não se tem mais laboratório para revelar as imagens, tudo era preto e branco. Evoluiu tecnicamente de uma maneira extraordinária. No ponto de vista do conteúdo também evoluiu muito, hoje a faculdade tem mestrado, doutorado. Isso fez com que a Faculdade de Informação e Comunicação tivesse uma base teórica consolidada. O mestrado e o doutorado e o mestrado aqui tem 10, 15 anos e evoluiu. Tem uma coisa interessante que, se você for em Brasília, por exemplo, grande parte dos jornalistas são formados aqui na UFG, e também na Folha de São Paulo, no Rio de Janeiro, na Globo.

Ainda assim, eu acho que a evolução não acompanhou a involução dos estudantes, porque os estudantes em épocas anteriores eram muito mais estudiosos do ponto de vista de ser autodidata, fora da universidade liam muito, iam para a biblioteca, discutiam política, discutiam questões culturais e tinham o prazer da leitura, chegavam em sala de aula e discutiam com o professor, não era só o professor passando a matéria no quadro, aquela coisa chata. O professor passava um ponto no quadro e aí vinha uma discussão muito grande.

Hoje não, tem um problema muito sério que, não sei se o ensino secundário não acompanhou essa evolução, tem o problema da ditadura, passou esse período todo com os estudantes tendo que decorar as coisas, não teve a questão do pensamento. Eu acho que não é culpa dos estudantes, é culpa da formação das escolas, da criação das escolas. Nesse sentido, evoluiu tecnicamente, mas, do ponto de vista da aprendizagem os estudantes hoje leem menos, um texto de duas páginas parece que é o fim do mundo. Naquela época você trabalhava com livros, o estudante era mais preparado intelectualmente, ele era autodidata, muitas vezes o estudante formava-se fora da universidade se autoformava e muitas vezes ia para a sala e aula para discutir com o professor aquele assunto. Um grande problema hoje é ter que lidar com problemas que aparentemente não tinha, como a fragilidade emocional que muitos estudantes tem em sala de aula.

Os estudantes leem menos, e quando leem menos, discutem menos e sabem menos. Grande parte dos alunos de outra épocas não eram técnicos, eram intelectuais, eram tão inteligentes quanto um professor que estudava dez, quinze anos para se formar e discutia no mesmo nível do professor. E eu não estou aqui querendo dizer que os estudantes eram melhores ou piores, são circunstâncias diferentes em momentos históricos diferentes.

Aposentadoria

LabNotícias: A respeito do senhor, hoje como professor aposentado o senhor se sente realizado pessoalmente e profissionalmente?

Dr. Juarez: Sim, do ponto de vista profissional a gente se sente realizado porque quando você chega ao final da carreira que você é mandado embora, aos 75 anos você é obrigado. Coisa terrível isso, né? Já vou perder o sorriso dos meninos em sala de aula, as brigas cotidianas que tem em sala de aula, mas fica uma coisa importante no nosso espírito, no nosso coração, que é aquilo que você ganhou dos estudantes durante 35 anos, isso não tem preço, e se eu dei alguma coisa para os estudantes, eu recebi muito mais, que foram sorrisos, alegria, a capacidade da rebeldia do estudante, como eu era rebelde na época de estudante, eu fui rebelde então eu entendia a rebeldia do estudante.

Tem uma frase de um argentino que diz o seguinte “juventude sem rebeldia é velhice precoce”. Então essa coisa que a gente recebe do estudante fica para o resto da vida é muitas das vezes o dia. Tem aquela alegria de encontrar um ex-aluno e saber que aquela pessoa agora é um profissional, trabalha. O prazer e alegria do estudante no coração da gente, essa é a realização de um professor.

LabNotícias: E agora, quais os planos para a aposentadoria?

Dr. Juarez: Primeiro eu tirei um tempo para passear, ir para o interior de Goiás. Ir para a minha cidade e outras do interior, conversar com as pessoas, beber muita cachaça, comer muito frango caipira. Agora eu estou pretendendo ir lá para maio, junho, para Moçambique e ficar lá um tempo na África e continuar com meu projeto na África durante um período lá, não sei quanto tempo e espero depois trabalhar como correspondente em algum jornal estrangeiro alguma coisa assim. A minha cabeça não para, intelectualmente a gente tem que correr atrás.

Caso queira saber um pouco mais da trajetória do professor, confira esse vídeo produzido pela Adufg: https://youtu.be/pPNtQDPZliI

Os formandos de medicina da Faculdade Unicesumar, em Maringá-PR, tiveram seu Baile de Formatura cancelado. No último dia 19, o jantar de formatura decepcionou pelo Buffet, diferente do acordado e de qualidade inferior ao contratado. No dia 20 de janeiro, a Colação de Grau ocorreu normalmente e a empresa soltou uma nota informando suposto débito dos estudantes e solicitando um pagamento adicional para a realização do Baile de Formatura. A última festa, prevista para hoje (21) foi cancelada devido ao não pagamento do valor adicional solicitado, segundo alega a empresa.

Aluna alega ter pagado 18 mil reais, fora custos pessoais

Nota da empresa

Em Nota Pública de Esclarecimento, a empresa alega “fornecedores e prestadores de serviços, passaram a destratar e/ou modificar as condições de pagamento das prestações de serviços já contratadas, alterando todo o fluxo anteriormente definidos;”, informa um suposto saldo devedor de 530 mil reais e, por isso, afim de realizar o Baile de Formatura, solicita “Contrapartida de cada Formando (para ajuste no cardápio a ser executado pelo pessoal da Brave): Integralização de R$ 2.500,00, até as 17 horas de hoje (via pix a ser informado);”, considerando que a reunião, segundo o próprio documento, havia ocorrido às 13 horas.

Nota de resposta da comissão de formatura

Segundo a comissão, as atrações previstas em contrato não haviam sido pagas pela empresa. Também alegam que os próprios funcionários da empresa não recebem salário há mais de 2 meses. Ainda segundo a comissão, assim que tomaram conhecimento dos fatos, imediatamente tentaram entrar em contato com a empresa, por diversos meios, e ela se manteve omissa. A nota alega que “Quanto ao suposto déficit de R$530 mil citado pela empresa, ressalta-se que ele não tem qualquer fundamento fático”.

Manifestações de envolvidos

Fonte: Redes Sociais

Depoimento

Um dos formandos, que preferiu não ser identificado, falou a respeito:

A um tempo atrás começaram a surgir especulações, desde o momento em que o dono da empresa não estava respondendo da forma esperada. Ele se negava  a responder certas perguntas e coisas do tipo. Ainda assim, tudo estava entrando dentro dos conformes. Porém, há cerca de uma semana, fomos surpreendidos com a questão da festa de Cascavel, da FAG, e começou a surgir aquele leve desespero, né? Então alunos começaram a entrar em contato com atrações, entrar em contato com outros contratados e nós descobrimos que boa parte não estava sendo paga, mas, as alegações da empresa era de que seriam pagas, então acabou que ficou aquela questão de confiança.

Porém, somente no dia do jantar nós somos surpreendidos de que o buffet não estava pago. O buffet no valor de, se não me engano, mais de 300 mil reais não estava pago. Tinha sido pago uma pequena parte, o buffet praticamente fez de graça o jantar para gente com o que tinha sido pago, foi uma comida totalmente escassa e de qualidade ruim perto daquilo que havia sido pago, não teve nada. E a partir disso, então nós vimos que aqueles boatos realmente estavam sendo confirmados, e da pior maneira possível. Então ficamos nessa dúvida a respeito do baile.

No entanto, a decisão do baile surgiu essa madrugada, quando eles nos enviaram um comunicado dizendo” não aconteceu nada” então, já existia certa desconfiança, mas que era naquela crença de “está sendo resolvido, vamos confiar, vai dar tudo certo, tem outras festas que já foram feitos por eles que deram certo”. Falaram até pra gente, inclusive, que eles já atrasaram o pagamento, mas eles pagam e dá certo, “podem até pagar no dia, mas eles pagam”. A gente não teve essa sorte e culminou em tudo isso que nos aconteceu hoje.

Sobre o que foi entregue, foi satisfatória a parte da missa, colação de grau, foram satisfatórias essas partes que não envolvem fornecedores externos da empresa, nem pagamentos externos para sua realização, o jantar foi satisfatório, as atrações foram satisfatórias, o bar de bebidas, isso foi perfeitamente satisfatório, não tem que reclamar. A parte de organização foi péssima, e pior ainda foi a parte do jantar porque o fornecedor não recebeu a parcela do jantar, então os convidados praticamente não tiveram comida de um cardápio imenso que teria para várias horas de festa simplesmente não teve nem sequer 3% do que tinha sido acordado.

Para os formandos, além da questão material da coisa, a questão financeira, existem vários outros fatores envolvidos. Nós temos famílias que vieram de fora para Maringá justamente para poder participar deste momento, famílias que têm histórias por trás da realização dessa formatura, pessoas que fizeram como uma herança do falecimento de alguém, pessoas que são de classes sociais menos favorecidas e lutaram esses seis anos parcelando em parcelas mínimas ou que vão pagar agora adiante nos próximos meses, que infelizmente perderam tudo e sabe-se lá como vão ser ressarcidas disso.”