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Esses riscos ainda podem ser intensificados com a chegada do fenômeno El Niño, que em Goiás pode trazer chuvas irregulares e ondas de calor

Com a chegada do tempo seco, marcado pela baixa umidade do ar, longos períodos sem chuvas e temperaturas elevadas, os riscos de incêndios florestais aumentam em Goiás. O gerente do Centro de Informações Meteorológicas e Geográficas de Goiás (CIMEHGO), André Amorim, explicou que isso acontece porque a vegetação seca faz as chamas se alastrarem com mais facilidade. 

“Você imagina que tem um pasto ou alguma área onde tem vegetação. A pessoa começa a colocar um fogo ali, isso alastra. Então, o fogo não para simplesmente; ele vai se alastrando e vai queimando tudo o que vê pela frente, até literalmente parar quando não tiver mais nada para incendiar, detalha André Amorim”

Incêndio florestal na Chapada dos Veadeiros. Imagem: Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Goiás

André também explicou que o período de estiagem de Goiás começou um pouco mais cedo do que o comum, em abril. E que apesar das chuvas intermediárias que atingiram algumas regiões de Goiás nos últimos dias, o período de estiagem continua.

Em 99% dos casos, os incêndios florestais têm origem humana, sendo raros os casos gerados por causas naturais. Isso porque ainda é muito comum a utilização de fogo para limpeza de pastagens e também para o descarte de lixo.

“Além disso, o fogo continua sendo usado, principalmente nas regiões Norte e Nordeste, como uma técnica agropastoril para limpeza de pastagens, controle de pragas e até mesmo para estimular a rebrota do capim em áreas com atividade agropastoril intensa”,detalha o major Paulineli do corpo de bombeiros.

Incêndio florestal na Chapada dos Veadeiros. Imagem: Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Goiás

Entre as causas naturais, os raios são os principais responsáveis pelos incêndios florestais. Isso costuma ocorrer com mais frequência em agosto, quando as chamadas “chuvas do caju”, podem atingir áreas de vegetação seca e iniciar focos de incêndio.

Outro fator explicado por Paulinelli Damasceno é que de forma geral houve redução nos casos de focos de incêndios entre 2009 e 2023, apesar de grandes incêndios como o de 2020 na chapada dos Veadeiros. Mas em 2024 e 2025 foram registrados aumentos nos focos de calor.

Chapada dos Veadeiros antes e depois de incêndio. Imagem: Rede Contra Fogo

Imagens de satélite mostram áreas da Chapada dos Veadeiros antes e depois dos incêndios de 2017. À esquerda, imagem em cores reais; à direita, imagem em falsa cor, que destaca as áreas queimadas. Registros do satélite Terra, da NASA. Imagem: NASA.

Além disso, Paulinelli destaca a importância de diferenciar focos de calor de incêndios. Isso porque em um único incêndio podem ser detectados diversos focos de calor, o que pode levar a interpretações equivocadas sobre os números divulgados pelos órgãos de monitoramento.

Dentre as regiões de zona rural, as mais afetadas por incêndios florestais são o Norte, o Nordeste e a Zona Leste do estado. Já a maioria dos incêndios que ocorrem na zona urbana são em lotes baldios. “Nos últimos anos, a região Nordeste registrou muitos focos de incêndio, especialmente em municípios como Cavalcante, Alto Paraíso, Niquelândia, Colinas do Sul, Nova Roma e Monte Alegre, principalmente no ano de 2025”, observa Paulineli.

Em Goiás, os incêndios ocorrem com mais frequência normalmente entre os meses de julho e outubro. Sendo que, os períodos mais críticos costumam ser entre agosto e outubro. Nessa época do ano, os principais fatores que contribuem para o aumento das ocorrências são a baixa umidade do ar e as condições climáticas típicas da estiagem.

Indicadores para identificar situações de risco

Para identificar áreas com maior risco de incêndios florestais, o Cimehgo utiliza uma série de indicadores meteorológicos e ferramentas de monitoramento em tempo real. Um exemplo disso é o risco de incêndios, que é um mapa gerado todos os dias de acordo com as condições do tempo. Ele gera um mapa mostrando se o risco está alto ou mais baixo. “Normalmente, quando chega agosto, setembro, outubro e novembro, se não voltar a chover, o risco fica alto”, explica André Amorim, gerente da Cimehgo.

Imagem: CIMEHGO

Outra tecnologia utilizada é a ferramenta monitor de queimadas. Através dessa ferramenta é possível ter de maneira estratégica pessoas cadastradas que vão receber, em pontos estratégicos, informações de onde estão acontecendo as queimadas. Isso permite mais agilidade e amplitude no combate às queimadas.

Ferramenta da CIMEHGO ajuda no monitoramento de queimadas. Imagem: CIMEHGO

O CIMEHGO também utiliza a técnica 30-30-30 onde são registrados ventos acima dos 30 km/h, umidade relativa do ar abaixo dos 30%, temperaturas superiores a 30 graus e mais de 30 dias sem chuvas. 

Fenômeno El Niño pode agravar incêndios florestais em Goiás 

O El Niño é um fenômeno climático oceânico que ocorre quando as águas do oceano Pacífico Equatorial aquecem mais do que o normal. Apesar de ter sido lançado oficialmente na última semana, dia 11, o El Niño já está ativo com temperaturas elevadas. O gerente da CIMEHGO, André Amorim, explicou que essas temperaturas ainda não chegaram ao ponto de ter um acoplamento entre o oceano e a atmosfera. 

André Amorim também relatou que por enquanto o El Niño está em uma fase primária/juvenil. Com isso os efeitos desse fenômeno vão começar a aparecer gradativamente e vão ser sentidos entre o segundo semestre de 2026 e 2027. Sendo que os efeitos mais críticos do El Niño vão aparecer entre setembro, outubro e novembro de 2027. 

Em Goiás, o El Niño pode trazer chuvas irregulares e ondas de calor. A expectativa do CIMEHGO é de que por exemplo a chuva que deveria começar em outubro, comece apenas entre o final de novembro ou início de dezembro. O El Niño ainda deve trazer muitas chuvas para o sul do País, e seca extrema para o Norte e Nordeste. 

“E isso prejudica muito o calendário agrícola, porque você planta e, se você planta com a chuva e passa 10 dias sem chover, você perde aquela semente. Planta de novo. Então, isso para o produtor rural é muito complicado”, André Amorim.

As ondas de calor associadas ao fenômeno El Niño podem contribuir para o aumento do risco de queimadas em Goiás. Com temperaturas acima da média e redução das chuvas, a vegetação tende a ficar mais seca, criando condições favoráveis para o surgimento e a propagação de incêndios florestais. Nesse cenário, qualquer fonte de ignição, seja de origem humana ou natural, encontra um ambiente propício para que as chamas se espalhem com maior rapidez.

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Imagem de satélite mostra a diferença em relação à temperatura média da superfície do mar na faixa equatorial do Oceano Pacífico tropical durante a primeira semana de junho de 2026. Tons de vermelho e laranja indicam áreas mais quentes que a média. Imagem: NOAA Satellites.

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