- A queda no número de bibliotecas - 23 de junho de 2025
A matéria publicada pelo G1, intitulada “Brasil perdeu quase 800 bibliotecas públicas em 5 anos”, relata essa redução e destaca o descaso dos órgãos públicos diante de uma questão de extrema importância para a sociedade. O artigo apresenta dados concretos que evidenciam a negligência no cuidado com o acesso à cultura e à educação.
Especialistas alertam que a situação pode ser ainda mais grave devido à fragilidade do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas e à falta de políticas voltadas para a preservação e o desenvolvimento sociocultural. A diminuição da quantidade de bibliotecas públicas compromete o acesso à educação, tornando-o ainda mais precário. Isso afeta principalmente pessoas em situação de vulnerabilidade, que dependem desses espaços para ter acesso gratuito ao conhecimento.
Segundo o BBC News Brasil, a Secretaria Especial da Cultura do Ministério do Turismo não respondeu aos questionamentos sobre o fechamento de centenas de bibliotecas públicas nos últimos anos.
Vivemos em uma sociedade que pouco se preocupa com a preservação da cultura e o desenvolvimento coletivo. As bibliotecas brasileiras, muitas vezes elitizadas, acabam sendo inacessíveis para grande parte da população. No entanto, são justamente as pessoas que não têm condições de adquirir livros em livrarias que mais necessitam desses espaços culturais, podendo encontrar nas bibliotecas locais uma oportunidade de acesso ao conhecimento.
O fechamento de quase 800 bibliotecas públicas no Brasil entre 2015 e 2020 é um dado alarmante. Isso não é apenas uma questão administrativa, é um reflexo de prioridades políticas que negligenciam os direitos culturais da população, especialmente dos mais vulneráveis.
As bibliotecas desempenham um papel fundamental na construção do conhecimento e no desenvolvimento social. Mais do que simples repositórios de livros, elas são espaços democráticos que promovem o acesso à informação, incentivam a leitura e fomentam o aprendizado ao longo da vida.
Um dos principais benefícios das bibliotecas é a inclusão social. Elas garantem que pessoas de diferentes classes sociais tenham acesso gratuito a livros, revistas, jornais e conteúdos digitais, reduzindo barreiras econômicas para a educação e cultura. Para aqueles que não podem comprar livros, a biblioteca representa uma oportunidade única de adquirir conhecimento.
Fatores como o avanço da internet podem ser utilizados como justificativa para a redução do número de frequentadores nas bibliotecas. No entanto, esse é apenas um dos motivos. O descaso governamental, a falta de políticas públicas e até mesmo tentativas de limitar o acesso ao conhecimento são questões igualmente relevantes.
Em minha opinião, um dos fatores mais preocupantes é o desinteresse de muitos bibliotecários em promover o acesso ao público. Frequentemente, os cargos nas bibliotecas são preenchidos de maneira inadequada, resultando em profissionais despreparados ocupando funções essenciais. Além disso, já presenciei bibliotecários com posturas elitistas e apáticas, o que dificulta ainda mais a aproximação da população com esses espaços de conhecimento.
No capítulo cinco do texto, Mercado de Trabalho do Bibliotecário do Século XXI, escrito pela Katyusha Madureira Loures de Souza, aborda os desafios enfrentados pelos profissionais da Biblioteconomia, destacando questões como a baixa autoestima e os esforços pouco reconhecidos.
A profissão de bibliotecário enfrenta desafios significativos, incluindo a escassez de oportunidades e o preconceito social em relação à sua importância. De acordo com Katyusha Madureira Loures de Souza, além desses aspectos, observa-se a falta de valorização da formação por parte dos próprios bibliotecários, bem como baixa autoestima no exercício de suas atividades. Essas características refletem, em muitos casos, a ausência de convicção dos profissionais quanto à relevância do trabalho desempenhado e à qualidade da formação recebida. Consequentemente, essa falta de segurança dificulta a imposição técnica dos bibliotecários no ambiente profissional, impactando sua atuação e reconhecimento na área.
A desvalorização da profissão como bibliotecário impactam diretamente a preservação e o desenvolvimento das bibliotecas, Em muitos casos, a falta de compromisso de alguns profissionais contribui para a marginalização dessas instituições, tornando-as esquecidas e subutilizadas.
A Teoria Crítica e sistêmica se encaixam nessa análise ao evidenciar a negligência do sistema em relação à preservação das bibliotecas para a sociedade, especialmente nas regiões menos favorecidas. É fundamental compreender que bibliotecas e bibliotecários enfrentam desafios políticos significativos enquanto buscam democratizar o acesso ao conhecimento. Vivemos em meio a um sistema frágil, que demonstra pouco interesse em favorecer o bem coletivo.
Esse texto, inspirado pela Teoria Crítica, mostra como o poder em nossa sociedade ajuda a manter a desigualdade. Trata-se de uma estrutura de poder que perpetua a desigualdade social por meio da limitação ao acesso cultural.
Ao limitar o acesso à cultura, certas estruturas acabam mantendo privilégios para alguns e excluindo muitos outros.
REFERÊNCIA
G1. Brasil perdeu quase 800 bibliotecas públicas em 5 anos. G1 – Educação, 16 jul. 2022. /: https://g1.globo.com/educacao/noticia/2022/07/16/brasil-perdeu-quase-800-bibliotecas-publicas-em-5-anos.ghtml.
BBC News Brasil (2022). Brasil perdeu quase 800 bibliotecas públicas em 5 anos. Brasil perdeu quase 800 bibliotecas públicas em 5 anos – BBC News Brasil
SOUZA, Katyusha Madureira Loures de. Mercado de trabalho do bibliotecário do século XXI. Capítulo 5. : https://repositorio.ipea.gov.br/bitstream/11058/8678/1/Mercado%20de%20trabalho.pdf.
