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LAURENITA DE SOUSA MATOS
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A alfabetização e o letramento, conforme discutido no episódio “Alfabetizar e letrar: um processo contínuo” ( Brasil Educação,2024), não se limitam a práticas técnicas de codificação e decodificação de palavras. Trata-se de um processo pedagógico contínuo que visa formar sujeitos críticos, capazes de atuar conscientemente em sua realidade. Sob a lente da Teoria Crítica, especialmente a de Paulo Freire, e das Teorias da Representação essa abordagem amplia o entendimento da linguagem como instrumento de construção de significados sociais, culturais e políticos.

Karina Santos Silva coordenadora do Centro de Estudos e Pesquisas da Ateliescola Acaia, destaca que a alfabetização no Brasil enfrenta desafios complexos e desiguais, com muitos alunos do 4º ao 6º ano ainda sem pleno domínio da leitura e escrita. Ela aponta que o problema é sistêmico, envolvendo formação docente, financiamento, políticas públicas e apoio escolar. Ressalta o papel essencial do professor em propor atividades significativas e usar estratégias variadas, incluindo recursos digitais. Destaca também a importância de respeitar os ritmos individuais dos alunos, reconhecendo que todas as crianças já chegam à escola com saberes sobre leitura e escrita, por estarem inseridas em contextos sociais onde esses conhecimentos circulam.

Para Freire (1987), “a alfabetização é mais que um simples aprender a ler e a escrever. É o aprender a ler o mundo”. Essa afirmação sintetiza a proposta de uma educação libertadora, incorporando o letramento como prática social que envolve a leitura e interpretação de diferentes linguagens e discursos que circulam na sociedade.

O podcast destaca que o processo de alfabetização e letramento é contínuo e que deve estar presente em todas as etapas da formação escolar. Isso reforça a ideia de que o desenvolvimento integral do estudante depende de práticas pedagógicas eficazes, que promovam não apenas a decodificação de textos, mas também a compreensão crítica do contexto em que esses textos são produzidos e interpretados. Nesse sentido, S.R. Ranganathan, ao afirmar que “o conhecimento deve estar disponível para todos, independentemente de sua origem”, defende um princípio que se alinha à necessidade de democratizar o acesso à leitura, à informação e à cultura, como componentes fundamentais do letramento.

Sob a perspectiva das Teorias da Representação, isso implica reconhecer que as práticas de leitura e escrita não são neutras: elas carregam ideologias, valores e disputas simbólicas. De tal modo que o educador precisa assumir um papel ativo como mediador cultural, problematizando os discursos dominantes e promovendo o respeito às múltiplas identidades presentes no ambiente escolar.

O professor deve ser um agente transformador, como afirma Paulo Freire, “a educação é um ato de amor, por isso, um ato de coragem”, capaz de contextualizar o ensino da linguagem com a realidade dos alunos, valorizando suas experiências, saberes prévios e representações sociais. Práticas pedagógicas eficazes, nesse sentido, devem ser dialógicas, inclusivas e críticas, favorecendo a construção de significados e o fortalecimento da autonomia dos estudantes.

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