A Mediação da leitura é uma prática fundamental no campo da biblioteconomia, especialmente quando ocorre em espaços comunitários voltados para públicos historicamente marginalizados. As bibliotecas comunitárias, muitas vezes criadas e mantidas por movimentos sociais ou coletivos locais, atuam como pontos de resistência frente à exclusão, no que diz respeito à parte informacional e também cultural.
A teoria do pensamento crítico é composta por uma série de reflexões filosóficas e sociológicas que oferecem uma análise crítica das estruturas de dominação existentes na atualidade. Escritores como Theodor Adorno, Max Horkheimer e Herbert Marcuse contribuíram significativamente para a percepção do papel que a cultura possui na área da educação e comunicação da formação das pessoas. Um dos pontos em destaque da teoria é a crítica da indústria cultural, que busca transformar a cultura em algo manipulado e padronizado pelo mercado, com grandes produções para manter as pessoas em um estado de passividade e conformidade.
Pensando nisso, quando a leitura é mediada de forma crítica e reflexiva, a literatura pode contribuir uma quebra desse modelo. Ao invés do consumo rápido de conteúdo, ela passa a ser uma prática que permite aos indivíduos desenvolver sua capacidade de reflexão e ação sobre o mundo. Por isso a mediação literária pode ser entendida como uma abordagem educacional que busca não apenas incentivar o hábito de leitura, mas também, formar pessoas críticas e participativas.
A teoria crítica fornece elementos para entender a realidade das bibliotecas comunitárias. Segundo Adorno e Horkheimer, a sociedade administrativa visa neutralizar ou adotar práticas baseadas na lógica da produção e do consumo. Enquanto a cultura de massa é amplamente divulgada por meios técnicos e comerciais, a cultura crítica é marginalizada. Nesse sentido, as bibliotecas comunitárias servem como símbolo de representação da ordem vigente, uma vez que oferecem meios alternativos de produção cultural.
O mediador da leitura desempenha um papel estratégico. Ele não apenas facilita o acesso ao livro, mas também atua como agente cultural e educador social. Então é seu dever escolher temas, facilitar discussões, incentivar a participação dos jovens e o pensamento crítico. Para isso, é preciso estar em formação contínua e aberto ao diálogo. Sua ação deve estar voltada para a emancipação, a autonomia e a transformação da realidade.
É importante ressaltar, que embora muitas das bibliotecas comunitárias existam como alternativas às políticas públicas, elas não devem ser vistas como soluções para substituir o papel do Estado. Por isso, é importante seu reconhecimento dentro de uma política mais ampla de literatura. Buscando valorizar as iniciativas locais, respeitando as diferenças entre eles e também garantindo os direitos culturais de todos. Nesse contexto, o papel do bibliotecário também é atuar de forma a defender essas causas e contribuir para uma biblioteconomia mais justa e igualitária.
REFERÊNCIAS
ADORNO, Theodor W.; HORKHEIMER, Max. Dialética do esclarecimento: fragmentos filosófico. Rio de Janeiro: Zahar, 1985.
CARNEIRO, J. C. R. B.; DE MORAES, R. P. T.; CABRAL, R. M. A ação cultural e apropriação da informação sob a perspectiva da teoria crítica. Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação, v. 20, p. 1-21, 2024.
FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. São Paulo: Cortez, 2011.
