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“[…]le plaisir délicieux et toujours nouveau d’une occupation inutile” (O delicioso e sempre novo prazer de uma inútil ocupação).
Henri-François-Joseph de Régnier
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Grigori, uma simples engrenagem da vontade maior.

O dogma, o ciclo, a vontade, os peões e o Arisen

O dogma do dragão se resume a duas escolhas, abandonar algo muito precioso para você em troca de não lutar contra o dragão, lhe poupando e poupando a sociedade naquele momento mas deixando-o imortal e imoralizado ou enfrentar o seu destino correndo o risco de ser morto pelo dragão e condenar aquela geração juntamente consigo em sua queda.

Parece algo simples, mas por trás mostra-se que até mesmo as decisões mais simples, ou melhor, as que apresentam pouco sentido podem representar algo muito maior. O dogma é apenas um pretexto ao ciclo sem fim, de que não importa sua escolha o seu destino já foi selado éons atrás por uma vontade maior, vontade essa que gira infinitamente, em multiplos momentos e realidades, mas que nunca muda.

A vontade maior apresenta-se como neutra, parcial ou até mesmo faltante na trama, mas que no fim estava puxando as cordas em algo que já foi decidido muito antes, por algo ou alguém, a humanidade vive uma fachada linda de sua liberdade mas que na realidade seu futuro já está escrito, não há liberdade, apenas o conceito do que ela mesma acha que vive.

Os peões representam esta casca vazia humana, a falta de liberdade que os tornam dependentes do Arisen, eles possuem personalidade, sentimentos, sentem como humanos mas nunca fogem muito do mesmo script das ordens do Arisen, presos nas infinitas engrenagens dos ciclos e infinitas dimensões.

Arisen nos representa, nossa jornada do herói, nossos objetivos, nossos deveres, nosso “modo automático”, mas que se não tomar cuidado sempre vai seguir as regras do jogo, nunca irá pensar fora do padrão imposto. O dilema do dogma do dragão é prova do pensamento binário pregrado desde sempre, o Arisen tem poder de muda-lo, mas ele não sabe, há outras saídas para o dilema, talvez nenhuma quebrará o ciclo assim como não se pode quebrar uma perpétua maldição, mas talvez um dia o solução seja encontrada.

Em conclusão

Dragon’s Dogma é uma obra interativa que usa muitos artifícios filosóficos para justificar sua narrativa, está longe de ser perfeita mas certamente consegue dá vida a certos estudos e conceitos antropológicos, filosóficos e sociológicos.

O dogma do dragão é alvo interessante para estudos te algumas teorias da comunicação, já que bebe bastante destas fontes, entretanto observa-se que a teoria crítica é o alicerce do dilema, ou melhor a manivela que faz o dogma funcionar.

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