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A presença da comunidade LGBTQIAPN+ sempre foi notória em diversos espaços, como na cultura geek, no meio cinematográfico e principalmente na cultura pop, onde a presença de fãs que fazem parte da sigla se torna quase uma característica marcante para quem acompanha esse mundo das celebridades. Dessa forma, é comum a interação entre divas pop com a comunidade, de maneira que boa parte dos fãs são pessoas LGBTQIA+.

Com a voz ativa, o posicionamento de figuras públicas têm um enorme papel na vida de diversas pessoas, como dar visibilidade ao combate ao HIV e conscientizar sobre o uso de preservativos, além do apoio emocional que muitas dessas celebridades oferecem para seus fãs, ao defender causas a favor da comunidade LGBT+ e demonstrar acolhimento a pessoas que estão em uma jornada de autodescoberta. 

No trabalho de conclusão da jornalista Milena Riboli, sobre “Relações fãs-artistas através das mídias sociais e os processos de identificação na cultura pop”, é citado como essa relação de fã e artista cria um vínculo de acolhimento por meio da representatividade: “ a maneira com a qual os fãs performam as músicas e os efeitos que a mesma cria em suas vidas. Afinal, eles as integram às suas rotinas, permitindo que ela opere mudanças, abra portas, seja um caminho mais fácil (e por vezes mais curto) para questões como a autoaceitação, entre outras coisas.”

Além de tudo, esses artistas podem transmitir conforto através das suas próprias músicas, como a cantora Lady Gaga na música “Born this way”.

Acolhimento que traz mudanças

Dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) mostram que os primeiros casos de infecção por HIV foram registrados nos Estados Unidos, Haiti e África Central, em 1982. Durante a descoberta do vírus, não deixava de se notar a alta quantidade de termos pejorativos para se referir à doença, como câncer gay, peste gay e doença dos 5 H, o que consequentemente gerava múltiplos ataques à comunidade LGBT+, e essa estigmatização do tema só tornava o combate contra a doença uma luta mais difícil. No projeto de pesquisa “Corpos marcados: A comunidade LGBT+ durante a epidemia de HIV/AIDS em Pose” de Guilherme dos Santos Gomes, formado em relações públicas, é explicado como a mídia e a população tratavam a epidemia e quem sofria com a infecção do vírus HIV.

“Os casos e informações reportados vinham em sua maior parte de veículos internacionais, que como apontado anteriormente, posicionavam a doença de maneira antiética ao grupo dos homossexuais. A relação, no entanto, não era algo exclusivamente do meio midiático. Aliás, a construção deste discurso, que contribuiu para um imaginário popular sobre a doença, sempre utilizou como fonte informações da comunidade médica, a exemplo do primeiro termo adotado para se referir à AIDS que era Gay-Related Immune Deficiency (GRID), em tradução livre, imunodeficiência relacionada aos gays”, afirma.

Logo se via a necessidade de alguém representar e passar informações corretas sobre a Aids, e é nesse momento que uma figura pública como Madonna entra em cena. Madonna se encontra no cenário queer desde o começo da epidemia, o que fez a artista ter uma visão humana e sem preconceitos sobre a situação, já que ela convivia com pessoas que viviam com a doença. Por isso, seu álbum “Like a prayer” foi lançado juntamente com uma cartilha de conscientização sobre Aids/HIV.

Disponível em: InMagazine

Além de ser uma voz ativa em causas LGBT+ desde jovem, Madonna não deixa de representar a comunidade até os dias atuais, na sua turnê de comemoração de 40 anos de carreira, que passou por Copacabana, a cantora prestou homenagem a diversas pessoas vítimas da Aids, incluindo artistas brasileiros, como Cazuza e Renato Russo, ao som de “Live to tell.

Representatividade é um espelho

A forma como cada indivíduo se sente representado por uma celebridade pode variar, entendendo que cada um tem suas vivências e diferentes formas de ver o mundo, principalmente dentro da própria comunidade. 

“Essa representatividade, ela significa essa disputa narrativa mesmo de pontos de vista, valores, modos e como a gente concebe as existências. Então, eu entendo essa representatividade como muito necessária, porque isso implica articulação desses grupos, implica os processos de entendimento do que possa ser uma própria comunidade”, diz a doutoranda em antropologia social, Priscila Marília Martins, que conta como essa representatividade é vista pela própria comunidade.

“Ao lidar com questões de opressão, por exemplo, essas comunidades, vão perceber figuras que possam representar aquilo que elas demandam na vida. Então, você vai ter grupos que vão se sentir representados, por exemplo, principalmente dentro da comunidade LGBT, pela Anitta. Mas qual é a construção que Anitta gera em torno de si, que representa as questões mais gerais da população LGBT?”, questiona. 

Priscila também pontua porque é importante dar visibilidade a causas LGBTQIAPN+: “Essa visibilidade é necessária para que a ignorância seja extirpada, para que esses grupos sejam reconhecidos para que as comunidades sejam formadas, os indivíduos se sintam vistos e espelhados em figuras, que traduzem muitos seus anseios”.

Disponível em: Lesbocine

Visibilidade

Atualmente, grande parte das celebridades do meio da cultura pop e as chamadas divas pop, fazem questão de demonstrar seu carinho e apoio ao público LGBT+ com ações e falas. Veja a seguir algumas celebridades que já demonstraram de forma ativa seu apoio à comunidade LGBTQIAPN+.

Chappell Roan

A cantora e compositora Chappell Roan, que também faz parte da comunidade como uma mulher lésbica, sempre se posiciona a favor das pautas que rodam o mundo queer, sendo uma grande porta voz de pessoas jovens e uma representação muito forte na música pop atual. A artista recentemente anunciou a criação do The midwest Princess Project, que se trata de um projeto que trará recursos necessários para jovens trans e LGBT+, a iniciativa já arrecadou mais de US$400 mil, que serão doados para organizações específicas que possam ajudar essas comunidades.

Chappell Roan via Instagram

Sabrina Carpenter

Sabrina Carpenter é uma cantora, compositora, atriz e possivelmente a diva pop da nova geração mais comentada atualmente. A cantora possui diversas músicas de sucesso na carreira, como “Espresso” “Taste” e “Please please please”, e é usando toda essa visibilidade que Sabrina se torna uma porta voz para a comunidade LGBT+. Em parceria com a organização PLUS1, a artista criou a iniciativa “Sabrina Carpenter Fund” que destina parte do dinheiro arrecadado em suas turnês para causas de saúde mental e direitos LGBTQIA+, de acordo com a revista Forbes, somente com a turnê norte americana “Short n’ Sweet”, foram reunidos mais de US$ 824 mil.

Sabrina Carpenter via Instagram

Dua Lipa

Dua Lipa já é uma figura que fala pela comunidade desde o começo da sua carreira, e é mais uma artista com o público majoritariamente LGBT+ e feminino. Já fez questão de opinar publicamente a favor da comunidade diversas vezes. Um dos casos mais marcantes da cantora, foi a ocasião na qual ela se opôs às opiniões homofóbicas do cantor DaBaby, que já tinha colaborado anteriormente com Dua: “Estou surpresa e horrorizada com os comentários de DaBaby”. Afirmando sua relação com os fãs, também disse na ocasião: “Eu sei que meus fãs sabem onde meu coração está, e eu estou 100% com a comunidade LGBTQ+. Precisamos nos unir para combater o estigma e a ignorância em torno do HIV/Aids”.

Recentemente, no dia 10 de outubro, Dua Lipa se juntou à icônica boate The Abbey, para participar do “MISTR National PrEP Day” assim promovendo conscientização e cuidado.

Dua Lipa via Instagram

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