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Nos últimos meses um dos assuntos mais comentados nas mídias tem sido o metanol encontrado em bebidas alcoólicas, algo que gera grande preocupação para os consumidores e órgãos de saúde. Isso se deve ao mercado de adulteração desses produtos, com finalidade de baratear a fabricação de destilados como uísque, gin e algumas cervejas long neck, visto que a substância é mais barata e tem o mesmo cheiro, cor e sabor do etanol (álcool próprio para o consumo).

Quando ingerido, o solvente químico é absorvido e metabolizado no fígado, transformando-se em ácido fórmico. Sendo altamente tóxico para o corpo humano, a substância não é digerida e se acumula, causando o aumento na acidez do sangue. Esse processo é chamado acidose metabólica e seus primeiros efeitos colaterais podem ser confundidos com uma forte ressaca. Com o passar das horas, importantes partes do corpo podem ser afetadas, como a medula, cérebro, rins e em casos mais graves, pode levar à falência múltipla dos órgãos.

Na última atualização do dia 29 de outubro, o Ministério da Saúde,confirmou 59 casos de intoxicação após consumo de bebidas alcoólicas adulteradas e outros 44 estão sendo investigados. Além disso, foram contabilizadas 15 vítimas fatais por intoxicação. O estado de São Paulo lidera o número de confirmados e óbitos com 46 e 9 casos, respectivamente, em segundo vem o Paraná com 6 casos confirmados e 3 mortes, seguido de Pernambuco com 5 casos comprovados e 3 óbitos e depois os estados do Mato Grosso e Rio Grande do Sul, ambos com 1 caso confirmado.

Impactos nas vendas

O setor econômico também foi afetado diretamente pelos últimos acontecimentos. De acordo com a Neotrust, empresa que analisa o consumo do e-commerce, foi registrada uma queda de aproximadamente 47% no faturamento das vendas online de bebidas. Saindo de um arrecadamento de R$ 32,6 milhões para R$ 17,2 milhões depois de pouco mais de um mês, os produtos que mais sofreram com essa baixa foram o gin (-65,9%), uísque (-47,9%), vodka (-42,3%) e cervejas (-16,8%).

Na venda do dia a dia também foi possível notar a baixa nas vendas. Rodrigo Azevedo é proprietário de uma distribuidora e diz que nunca tinha visto os números caírem tanto nesses quatro anos no ramo de bebidas:

“Na primeira semana que saiu os casos a gente não vendeu um uísque e até hoje tá fraco… Até a Heineken, que era disparada a que mais vendia, diminui. Antes chegava a vender umas 40 caixas na semana, hoje se bater 10 é muito.”

Orientações e sinais de alerta

As autoridades de saúde e vigilância recomendam conferir a procedência das bebidas, não consumir bebidas sem lacre de segurança, vendidas de forma informal ou sem selo fiscal da Receita Federal.

Os sintomas podem aparecer entre 6 a 72 horas após o consumo da bebida adulterada. Caso apresente sensação de embriaguez que não passa, acompanhada de náuseas, vômitos, dor abdominal forte, desconforto gástrico, dor de cabeça, tontura ou confusão mental procure o serviço de saúde mais próximo de você.

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