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A expansão da desinformação nas redes sociais tem influenciado o voto e reduzido a confiança dos brasileiros nas instituições públicas, segundo dados oficiais e especialistas que alertam para os riscos ao processo democrático.

O ambiente digital se transformou em um campo fértil para a disseminação de notícias falsas. De acordo com pesquisa do Instituto DataSenado, 81% dos brasileiros acreditam que fake news podem impactar as eleições, e 72% afirmam ter visto notícias que desconfiavam ser falsas. O levantamento também revela que quase metade da população tem dificuldade em distinguir conteúdos verdadeiros de falsos.

Esses dados ajudam a dimensionar a amplitude do problema, mas o impacto vai além dos números. Como observou a senadora Eliziane Gama:
“quem produz essas notícias falsas é 100% ardiloso, pois usa a adulteração e a deturpação da informação para que sua mensagem tenha determinado alcance ou efeito”
Essa manipulação estratégica reforça bolhas ideológicas e estimula reações emocionais, moldando percepções políticas a partir de conteúdos enganosos.
Para o jornalista Daniel Bramatti, presidente da Abraji,
“a decisão de voto feita com base em informações fraudulentas é uma decisão que pode levar a um resultado prejudicial”
Sua fala, reproduzida em notícia do TSE, resume o cerne da preocupação institucional: a desinformação altera não apenas a percepção do eleitor, mas também o equilíbrio do processo democrático.
A lógica dos algoritmos, ao privilegiar conteúdos de alto engajamento, cria um ciclo vicioso: quanto mais polêmico ou emocional o conteúdo, maior sua visibilidade. Essa arquitetura da informação potencializa a viralização de boatos e fabrica realidades alternativas que ganham força e credibilidade com o simples ato de compartilhamento.

“Ciclo de viralização” de uma fake news:
- Criação e Lançamento: A fake news é criada e publicada, muitas vezes em grupos fechados.
- Disseminação Inicial: Pequenos perfis compartilham o conteúdo entre pessoas com crenças semelhantes.
- Amplificação: Influenciadores ampliam o alcance da notícia falsa.
- Formação de “Bolhas” e Engajamento: Algoritmos reforçam o conteúdo em bolhas informacionais, estimulando novos compartilhamentos.
- Pico de Viralização: A desinformação alcança máxima exposição antes da checagem.
- Declínio e Persistência: O interesse diminui, mas o conteúdo pode permanecer em nichos ou ressurgir depois.
O TSE define a desinformação como “a divulgação ou compartilhamento de fatos notoriamente inverídicos ou gravemente descontextualizados que atinjam a integridade do processo eleitoral”. Trata-se, portanto, de uma questão que ultrapassa a esfera da opinião e atinge diretamente a confiança nos mecanismos institucionais de votação, apuração e transparência.
A pesquisadora Angela Pimenta, do Projeto Credibilidade, alerta que vivemos “dois fenômenos globais e bastante impactantes”, sendo esses a aceleração da informação e a crise da confiança e que “a reação deve ser democrática, ágil e ponderada”. Em outras palavras, combater a desinformação requer mais do que proibições: exige alfabetização midiática e participação social.
Como a desinformação afeta o voto e enfraquece a confiança no governo
O efeito acumulado da desinformação se reflete no abalo da confiança pública. Como observou o pesquisador Marco Ruediger, da FGV, em audiência ao Senado:
“as fake news quebram a confiança nas instituições e minam a legitimidade de processos decisórios”
A frase sintetiza o impacto corrosivo desse fenômeno sobre a democracia representativa.
Os resultados podem ser observados em episódios recentes. De ataques ao sistema eletrônico de votação à disseminação de teorias conspiratórias sobre fraudes eleitorais, o país assistiu à transformação de desinformações digitais em conflitos concretos.
O ministro Ricardo Lewandowski lembrou do período pós-2022:
“marcado pela disseminação de fake news impulsionadas por robôs, criando uma falsa realidade que levou parte da população a desacreditar da democracia”


Essa desconfiança tem efeitos diretos: reduz a credibilidade do voto, fragmenta o debate público e favorece o discurso autoritário. A desinformação, portanto, não ameaça apenas a verdade factual, mas o próprio sentido coletivo de nação e de comunidade política.

A desinformação enfraquece a confiança nas instituições democráticas ao espalhar dúvidas sobre a legitimidade das eleições e das autoridades. Ao distorcer fatos e manipular percepções, ela mina a credibilidade do processo eleitoral e alimenta a polarização social.
A resposta institucional: sistemas de alerta e educação midiática
Frente a essa crise, o TSE e outras instituições vêm articulando uma série de ações. A Justiça Eleitoral criou o portal “Desinformação”, que reúne campanhas, canais de denúncia e materiais educativos.
Além disso, a Advocacia-Geral da União (AGU) e o TSE firmaram parcerias para o desenvolvimento de cursos e pesquisas sobre democracia e eleições. O advogado-geral da União, Jorge Messias, explicou que:
“a ideia é oferecer aos servidores e à sociedade uma oportunidade de aprimoramento na defesa da democracia”
O Observatório da Democracia, criado pela AGU, também se propõe a “analisar os desafios da desinformação e apresentar soluções que fortaleçam a confiança eleitoral”.
Apesar dos avanços, ainda há zonas cinzentas. A legislação eleitoral tem buscado se adaptar às novas realidades digitais, como mostra a Resolução TSE nº 23.610/2019, que trata da propaganda eleitoral na internet e do combate à desinformação. No entanto, o ritmo das mudanças tecnológicas supera o da regulação.
Essas medidas se somam ao esforço de checagem de fatos e à atuação das agências de jornalismo independente, que têm papel essencial na reconstrução da credibilidade pública. No entanto, especialistas apontam que o combate às fake news não deve ser apenas reativo: é necessário promover educação midiática, fortalecer a transparência algorítmica e incentivar o pensamento crítico dos cidadãos.
