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No próximo domingo, dia 30 de novembro de 2025, o Goianos Futebol Americano vai disputar a final da Superliga D2 no estádio Ferreira Pacheco às 10h, contra o Londrina Bristlebacks.

O clube surgiu em 2024 oriundo da fusão entre dois arquirivais do estado no esporte, o Goiânia Saints e o Goiânia Rednecks. Pedro Henrique, dirigente do time, explica essa situação e o que levou a ela: “Eram times arquirrivais, quase um Vila e Goiás, era bem rival mesmo, mas era só em campo. Aí a gente sentou e viu que depois da pandemia nós perdemos muito jogador. Então assim, vamos ter que juntar as forças porque senão os dois times vão acabar. Então a ideia foi essa, fazer a fusão dos dois times para poder organizar a casa e ter um time forte em Goiás e representativo, que é o que a gente está conseguindo agora.” Desde então, o time conseguiu uma ascensão meteórica e no dia 2 de novembro obteve a classificação para a primeira divisão da Superliga FA.
A liga nacional também passou por um processo de fusão. Anteriormente, existia o Brasileirão FA e a Liga Brasileira de Futebol Americano, a Liga BFA. Após essa união, agora existe apenas uma liga de futebol americano no país, a Superliga FA, dividida em D1, D2, e D3. Em todos os níveis, os times são divididos em Conferências baseados em suas regiões e jogam uma fase de pontos corridos antes dos playoffs que definem o verdadeiro campeão. O Goianos, por exemplo, em 2025 disputou a Conferência Cerrado da Superliga D2 e se sagrou campeão.
Evolução da liga
Deivis Chiodini, comentarista dos canais ESPN e ex-treinador do Joinville Gladiators apresenta o crescimento da NFL no Brasil como algo positivo, pois para ele “sempre que gera interesse e principalmente interesse em pessoas mais jovens, é importante”.
Pedro Henrique, que já foi jogador, avalia que houve um nítido aumento na qualidade em relação a época em que jogava devido ao aumento no número de interessados e como dirigente, diz que isso facilita pois com “mais pessoas participando, você vai acabar achando peças melhores”.
João Pedro, defensive back (jogador de defesa responsável por marcar o fundo do campo) do Goianos e do Brasil Onças (seleção brasileira da modalidade) considera que embora a modalidade já viesse crescendo no Brasil, houve um boom nos últimos dois anos e que isso tende a aumentar o número de jogadores nos próximos anos.
Andrew Bernardini, o técnico do Goianos, no entanto alerta sobre uma situação que percebeu no jogo da NFL no Brasil: “Deu para perceber que todo mundo em volta de mim entendia de futebol americano, sabia a hora que tinha que ficar quieto, a hora que tinha que gritar, entendia quando uma jogada era boa ou não. Só que eu tenho certeza que de repente uns 70, 75% ou 80% daquelas pessoas que estavam no estádio não sabem que existe futebol americano no Brasil. Conhece a NFL, mas não conhece o futebol americano no Brasil. Então eu percebi muito isso.”
Diferenças entre a liga nacional e outras ligas
O time finalista da Superliga D1 conta com dois jogadores estrangeiros, Shonny Nelson e Jaylin Babers. Ambos jogaram futebol americano nos Estados Unidos e vieram para o Brasil após um contato com o técnico Andrew Bernardini.
Para Shonny, uma das questões mais diferentes entre o jogo universitário nos Estados Unidos e o jogo praticado aqui no Brasil é a velocidade, além obviamente do nível, devido ao pouco tempo da prática do esporte em solo brasileiro. Já Jaylin enxerga essa diferença no nível técnico e destacou também a dificuldade de recursos, afirmando que na universidade existem técnicos para todas as posições, algo que não acontece aqui.


Essa questão sobre os treinadores, também é destacada por Andrew.
Eu não diria que a qualidade do futebol americano lá é muito melhor. O que tem de melhor lá é que tem mais mão de obra qualificada. Cada time tem um coach por posição. Aqui é muito raro, deve ter dois ou três times no Brasil que têm um coach por posição (8 posições mais os coordenadores). Hoje no Goianos a gente tem três que não jogam e eu que jogo também, quatro coaches no total.
Deivis Chiodini, destaca a diferença na parte física e técnica, como no caso de Jason Tate, jogador com o qual ele trabalhou e que era atleticamente muito acima dos demais. Ainda diz que embora não seja garantia que os estrangeiros que vem jogar no Brasil joguem em alto nível, ele teve experiências positivas com os que trabalhou, e que eles ajudaram muito também no desenvolvimento de outros jogadores. O comentarista, aprova a ideia de estrangeiros jogando no país e dá uma sugestão: “Uma coisa que a gente deveria pensar muito é em importar treinadores”.
Principais dificuldades
Em um cenário de um país dominado pelo futebol tradicional, todos os envolvidos no meio do futebol americano concordam com o principal problema: investimento. Pedro Henrique, presidente do Goianos, relatou como isso afeta: “É um esporte muito caro, querendo ou não. Capacete aí custa mais de R$ 1.000. A proteção de ombros, que é o shoulder, custa lá R$ 500, R$ 600. Uma chuteira é R$ 400, uma luva é R$ 300, protetor bucal… E assim o céu é o limite. Então assim, o financeiro, é isso, a galera aqui paga mensalidade para a gente conseguir jogar campeonato, viajar, tem que vender ingresso. Então assim, com certeza é o mais difícil de antes, depois e, infelizmente, até por muito tempo ainda”.

Deivis Chiodini fala também sobre a necessidade de investimento por parte dos próprios jogadores e destaca que no caso do Timbó Rex, time que possui apoio da prefeitura e de investidores, é onde se encontra a melhor estrutura, “Algo minimamente semelhante ao dos times lá fora”.
O técnico Andrew Bernardini ainda trouxe outros pontos: “Dificuldade, às vezes, de conseguir estrutura de boa qualidade, conseguir mão de obra qualificada, que é a comissão técnica, ter recursos para entregar o melhor possível para os atletas é uma dificuldade que vem tendo desde sempre no futebol americano. Tanto como atleta como coach, é a mesma coisa.”
Expectativas para o futuro do esporte no Brasil
Deivis e Andrew, um ex-técnico e um técnico, concordam no principal ponto que é necessário para evoluir a liga brasileira: o incentivo na base.
Para Deivis, enquanto não houver um investimento para incentivar a prática do esporte desde criança, o problema seguirá e ele explica o motivo baseado em sua vivência: “Enquanto a gente não fizer as crianças virem lá de baixo estudando futebol americano, a gente vai continuar a ter dificuldade. Porque o cara chega com 20, 22 anos, empolgado para jogar. Ele joga 2 anos, vê quanto tudo aquilo custa, casa, tem filho, ele sai e o time fica. E as renovações são muito duras.”
Andrew, ainda sugere possíveis soluções para essa questão: “Se a gente conseguir atingir as escolas e for algo obrigatório para cada time ter um time de base, senão não participa do campeonato, aí a gente tem grande chance de crescer o esporte aqui. Tá faltando isso e é por isso que você tem os mesmos dinossauros de sempre jogando há 15 anos no futebol americano daqui”.
João Pedro, que já foi convocado no ano passado para a equipe do Brasil Onças para jogadores de até 20 anos e que agora tem treinado com a equipe principal também, destaca que a seleção brasileira entende essa questão e tem começado a focar em um processo de renovação: “A seleção está buscando essa renovação, descobrir novos atletas para estar fazendo parte, alguns atletas da seleção sub-20 foram convidados para estar fazendo parte de uma semana de treinamento em São Paulo. Então mostra que está preocupada em se renovar”.
Essa ideia do treinador do Goianos de levar o futebol americano para as escolas, pode ser resolvido com o crescimento do flag footbal um “primo” do esporte. O flag, que agora é modalidade olímpico, tem ideias de jogos similares ao futebol americano tradicional, mas elimina o tackle (contato físico geralmente mais forte do futebol americano) o que facilita a prática por crianças e adolescentes.
Goianos em 2026

Foto: Rafael Arruda
Embora a final da Superliga D2 ainda não tenha acontecido e consequentemente a temporada não tenha se encerrado, o time já está classificado para a Superliga D1, a divisão mais alta do futebol americano nacional e deve disputar a Divisão Cerrado com Rondonópolis Hawks, Cuiabá Arsenal e Tubarões do Cerrado.
Assim, mesmo com o foco completo na final no momento, já existem metas para 2026: “Quero dar à equipe umas boas férias, eles merecem, porque a gente começou o treino dia 16 de janeiro. Eu acho que foi um dos primeiros times do Brasil a começar a treinar. Após isso aí, é fazer um ano de planejamento, trazer atletas novos interessados no esporte e jogando a primeira divisão, eu tenho como objetivo algo realístico, chegar nos play-offs (fase final eliminatória da liga). Não é algo que você chega na primeira divisão e já imagina ganhando a primeira divisão, é uma construção. É fazer uma boa pré-temporada para poder chegar e levar esse time para os playoffs da primeira divisão”, diz o técnico Andrew Bernardini.
Pedro Henrique destaca que a expectativa é de seguir evoluindo com novos jogadores que devem chegar na próxima temporada, tanto estadounidenses como brasileiros.
Na visão de ambos os estrangeiros do elenco, o projeto do Goianos é muito bom e tende a seguir evoluindo. Jaylin diz crer que isso acontecerá independente se estiver no time ou não em 2026 (jogadores estrangeiros no Brasil costumam jogar apenas uma temporada). O atleta acredita que o time está formado para novos jogadores conseguirem chegar e performar.
João Pedro tem boas expectativas para o próximo ano apesar do projeto ser focado no longo prazo: “O time já mostrou que tem nível de futebol americano para jogar contra qualquer equipe aqui do Centro-Oeste”.

excelente!!!
Que legal!! 👏🏻👏🏻