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Medicamentos injetáveis conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras têm ganhado cada vez mais destaque no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2. Entre os mais utilizados estão Ozempic, Mounjaro, Saxenda e Wegovy, que atuam no controle do apetite e da saciedade, auxiliando na perda de peso e na melhora da saúde metabólica.

Sofia Mendes é uma jovem de 20 anos que, devido ao uso de remédios controlados, ganhou 30kg e chegou no grau 1 de obesidade. Após ter tentado diversas formas de emagrecimento sem sucesso, o médico psiquiátrico de Sofia recomendou o uso de canetas emagrecedoras. Ela já perdeu 20 kg e está quase saindo do sobrepeso.
“Já usei Ozempic, mas me deu muito naúsea. A mesma coisa aconteceu com o Saxenda e Wegovy. Até que eu comecei a aplicar o Monjauro semanalmente e foi o melhor para mim. Não senti mais naúsea e me deixa muito bem saciada. O único efeito colateral que tive foram as acnes, mesmo eu já tendo tomado Rocutan há alguns anos atrás. Mas assim que eu chegar no meu peso ideal e saudável, eu vou parar com o tratamento e continuar com uma vida saudável.”
Sofia Mendes
Apesar das canetas emagrecedoras mostrarem eficácia na perda de peso durante o uso, especialistas ressaltam que o tratamento não garante que o peso se mantenha após a interrupção da medicação – a menos que seja acompanhado de mudanças permanentes nos hábitos de vida, como alimentação equilibrada e prática regular de exercícios.
Uma análise da Universidade de Oxford revelou que a maioria dos pacientes que interrompe o uso de medicamentos como Ozempic e Mounjaro tende a recuperar praticamente todo o peso perdido dentro de um período de 10 a 20 meses se não houver manutenção de um estilo de vida saudável, o que aponta para a necessidade de cuidados contínuos, mesmo depois de alcançado o peso ideal.
“Esses medicamentos são muito eficazes para ajudar a perder peso, mas quando você para de usá-los, o ganho de peso é muito mais rápido do que após parar dietas tradicionais.”
Susan Jebb, coautora do estudo de Oxford
O canal de informações National Geographics publicou um estudo que mostra que medicamentos como semaglutida, levaram a perdas de peso significativas, com efeitos visíveis até 2 anos de uso, além de resultados consistentes em comparação com placebo. Diversos especialistas dizem que as canetas emagrecedoras são um achado e um avanço após décadas de tentativas frustradas de tratamentos de obesidade.
Um levantamento publicado recentemente pela Cochrane mostra que medicamentos como semaglutida (presente em Ozempic e Wegovy) e tirzepatida (Mounjaro), têm promovido redução de peso em estudos clínicos. De acordo com a análise, tirzepatida produziu uma redução média de cerca de 16% do peso corporal em 12 a 18 meses, enquanto a semaglutida alcançou em média 11% de perda de peso em até dois anos, ambos superiores ao placebo em diversos estudos controlados.
Uso em função da estética
Porém, mesmo com os efeitos positivos para pessoas que precisam emagrecer por questões de saúde, pessoas insistem em usar as “canetas milagrosas” por questões de estética. O ginecologista Haroldo Noleto revela que muitas de suas pacientes pedem a receita para usar canetas emagrecedoras, e que a maioria delas estão saudáveis e no peso ideal, mas têm essa vontade de se inserirem no padrão de corpo que a sociedade hoje está impondo.
Famosos extremamente influentes e que já eram considerados magros e com o corpo “dentro dos padrões”, estão abusando do uso de medicamentos que reduzem o apetite, trazendo a imagem de que o corpo de magreza extrema é o novo padrão que deve ser seguido.
Como explica Simon Cork, fisiologista da Anglia Ruskin University, medicamentos como Ozempic não são destinados a quem está apenas buscando fins estéticos e podem causar efeitos adversos como náuseas, vômitos ou até complicações mais sérias em casos raros se usados fora de orientação adequada. O consenso entre endocrinologistas é que esses tratamentos precisam ser parte de um plano médico completo, incluindo acompanhamento de um profissional de saúde e mudanças no estilo de vida.
