
Na madrugada do dia 1º de abril de 2026, a cidade histórica de Cidade de Goiás foi novamente tomada por luzes de tochas, tambores e devoção durante a tradicional Procissão do Fogaréu. O evento, nesta 281ª edição, considerado um dos mais emblemáticos da Semana Santa no estado, atraiu milhares de fiéis, turistas e autoridades, reafirmando sua força cultural e religiosa após mais de dois séculos de história. Destaque para a presença do governador de Goiás em exercício, Daniel Vilela e sua esposa, Iara Netto Vilela.
A história por detrás desta tradição
A tradição começou em 1745, introduzida pelo padre espanhol João Perestrello de Vasconcelos. Ele trouxe para a então capital da capitania de Goiás uma encenação inspirada em rituais da Semana Santa realizados na Espanha, especialmente na região da Andaluzia. As vestimentas são confundidas com as usadas pela famosa Ku Klux Klan.
A procissão representa a prisão de Jesus Cristo, um dos momentos centrais da Paixão narrada na Bíblia. Desde sua criação, o ritual foi mantido quase ininterruptamente, tornando-se um símbolo de fé e tradição.
Como a procissão acontece
O evento ocorre na madrugada da Quarta-feira Santa para Quinta-feira Santa, durante a Semana Santa. O ponto de partida tradicional é a Igreja de Nossa Senhora da Boa Morte.
Os principais elementos incluem os 60 Farricocos (homens encapuzados que representam soldados romanos, fazem o percurso todo descalços), tochas acesas (iluminam o caminho e simbolizam a busca por Jesus), Percurso pelas ruas históricas (segue até a Igreja de São Francisco de Paula, onde ocorre uma tradição celebração religiosa católica) e silêncio e tambores, que criam uma atmosfera dramática e solene.
Durante o trajeto, é encenada a perseguição e captura de Cristo.

Além do significado religioso, a Procissão do Fogaréu também exerce papel importante na preservação do patrimônio cultural goiano. Reconhecida como patrimônio imaterial, a manifestação mobiliza investimentos públicos e movimenta a economia local, com o aumento do fluxo turístico durante o período da Semana Santa. Em 2026, o evento contou com apoio institucional para garantir estrutura e organização adequadas, completando sua 281ª edição.
Autoridades estaduais acompanharam a celebração e destacaram a importância da participação popular na manutenção das tradições. Para líderes religiosos, o momento reforça valores como fé, sacrifício e renovação espiritual, reunindo diferentes gerações em um mesmo propósito.
Com suas ruas históricas transformadas em palco de uma encenação secular, a Procissão do Fogaréu segue como um dos maiores símbolos da identidade cultural de Goiás, perpetuando uma tradição que atravessa séculos e continua a emocionar o público a cada edição.
A tradicional Procissão do Fogaréu, realizada na Cidade de Goiás, teve raríssimas interrupções ao longo de sua história — e a mais recente ocorreu em 2020 e 2021.
Nesses dois anos, a procissão foi cancelada devido à pandemia de COVID-19, que impôs restrições a eventos públicos e aglomerações em todo o mundo.
Uma multidão que cresce a cada ano
A cidade de Goiás, com população estimada em 25 mil habitantes, conforme o Censo de 2022, reuniu cerca de 60 mil pessoas no evento deste ano de 2026, segundo O GLOBO, o que corresponde a mais que o dobro de seus habitantes, confirmando a importância deste evento para a cultura goiana.
Eu sempre quis conhecer este evento. Vim uma vez e todo ano faço questão de comparecer, reforçando minha fé nesta Semana Santa e aproveitando para viver esse momento que, mesmo sendo igual, me emociona todo ano.
ELAINE ROCHA SILVA, entrevistada durante a procissão de 2026.
Eu me arrepiei em diversos momentos. Acredito que a tradição, a fé e a energia das pessoas tornam o ambiente único. Essa foi minha primeira vez aqui, e tinha uma expectativa alta, mas a experiência superou qualquer expectativa.
DAYAN CÉSAR, morador de Goiânia, primeira vez na procissão.
Texto e Imagens: Leonardo Silva
