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A transformação urbana provocada pelo BRT Norte-Sul já pode ser percebida em algumas das regiões mais movimentadas de Goiânia. Entre corredores exclusivos, estações reformuladas e novos sistemas de circulação, avenidas históricas passaram a apresentar outra dinâmica visual e funcional. Em diferentes pontos da capital, imagens registradas entre 2015 e 2026 revelam mudanças na paisagem urbana.

O processo conhecido como metronização ganhou força com a implantação do corredor do BRT e com a modernização da infraestrutura viária ao longo do trajeto. O objetivo é aproximar o funcionamento do transporte coletivo ao de um metrô de superfície, utilizando vias prioritárias, integração operacional e redução das interferências do trânsito comum.

Além do impacto no deslocamento, as intervenções alteraram visualmente regiões tradicionais da cidade. Avenidas passaram a receber iluminação em LED, estações padronizadas, reorganização de faixas e novas estruturas de acessibilidade. Em muitos trechos, o cenário observado atualmente pouco lembra a configuração urbana registrada poucos anos atrás.

O BRT Norte-Sul possui cerca de 29,6 quilômetros de extensão e atravessa Goiânia e Aparecida de Goiânia. O sistema conecta terminais estratégicos, passa por regiões centrais e integra mais de 130 linhas do transporte coletivo metropolitano.

Modelo busca aproximar ônibus da lógica do metrô

A proposta da metronização está diretamente ligada à tentativa de reduzir o tempo de viagem e tornar o transporte coletivo mais previsível. O sistema utiliza corredores exclusivos, pagamento antecipado nas estações e prioridade semafórica para os ônibus.

Segundo a professora de engenharia de transportes da Universidade Federal de Goiás, Poliana Leite, a lógica operacional do modelo segue princípios semelhantes aos dos metrôs urbanos. “O termo ‘metronização’ refere-se ao modelo operacional do metrô: uma via prioritária, sem interferência do trânsito de outros veículos, prioridade na circulação, menos paradas e embarque e desembarque mais rápidos”, explica a professora.

A Prefeitura de Goiânia implantou, em 2025, uma nova etapa do sistema inteligente de semáforos no trecho entre o Terminal Isidória e a Praça Cívica. A tecnologia utiliza comunicação direta entre ônibus e cruzamentos para reduzir o tempo parado no trânsito. A expectativa do município é reduzir em até 30% o tempo de deslocamento do transporte coletivo.

Estação Cajá expõe transformação no eixo Norte-Sul

A região da Estação Cajá se tornou um dos exemplos mais visíveis das mudanças urbanas provocadas pelo BRT em Goiânia. Localizada no Jardim Balneário Meia Ponte, próximo à Avenida Goiás Norte, a área concentra um dos fluxos viários mais intensos da capital a área passou por uma reorganização completa do espaço viário nos últimos anos.

As imagens comparativas mostram que, em 2015, o trecho ainda apresentava características marcadas pela circulação intensa de veículos, excesso de elementos visuais e pouca integração entre mobilidade e paisagem urbana. A avenida funcionava dentro de uma lógica tradicional de trânsito, com prioridade para o fluxo de carros e interferências constantes no transporte coletivo.

Já em 2026, a região apresenta outra configuração. Corredores exclusivos, iluminação padronizada, sinalização reorganizada e estações modernas passaram a dominar a paisagem urbana. O espaço ganhou elementos ligados à acessibilidade e à circulação contínua dos ônibus do BRT.

A mudança também alterou a leitura visual da região. Visto de cima, o corredor apresenta uma ocupação mais linear e organizada, aproximando o cenário urbano de modelos observados em grandes corredores metropolitanos.

Antes/Depois
Foto de cima: Google Earth Foto do Drone: Raniê Solarevisky

Estação Jenipapo muda circulação e paisagem urbana

Na Estação jenipapo proximo ao setor Crimeia oeste, as transformações aparecem tanto na dinâmica do trânsito quanto na organização visual da avenida e parte mobiliaria. A região, que conecta áreas de grande circulação da capital, passou a concentrar estruturas voltadas à priorização do transporte coletivo.

As obras reorganizaram faixas de circulação, modificaram retornos e implantaram novos elementos urbanos ao longo do corredor. A iluminação pública em LED e as estruturas padronizadas passaram a ocupar espaços antes dominados por postes antigos, publicidade irregular e trânsito fragmentado.

O trecho também evidencia como a metronização impacta diretamente a mobilidade em horários de pico. Com menos interferências ao longo do percurso, os ônibus conseguem manter maior regularidade operacional em determinados horários do dia.

Segundo Poliana, o principal ganho do sistema é o aumento da velocidade operacional, reduzindo o tempo de viagem dos passageiros. Ela ressalta, porém, que os resultados dependem da extensão das intervenções. “Se uma linha tem 3 quilômetros e as melhorias são feitas em apenas 1, quem percorre todo o trajeto pode não perceber tanta diferença no tempo”, explica.

Antes/Depois
Foto de cima: Google Earth Foto do Drone: Raniê Solarevisky

Rua 84 concentra mudanças em uma das áreas mais tradicionais da capital

A região da Rua 84 concentra uma das transformações urbanas mais perceptíveis ligadas às obras do BRT Norte-Sul. Localizado no Setor Sul, um dos bairros mais tradicionais e simbólicos de Goiânia, o trecho passou por intervenções que alteraram circulação, infraestrutura e organização visual.

As obras na região envolveram implantação de semáforos inteligentes, reorganização do corredor viário, instalação de novos sistemas de drenagem e adequações para acessibilidade. Em 2021, parte da Rua 84 chegou a ser interditada para a passagem de cabos ligados à operação semafórica do BRT.

As imagens registradas por drone e Google Earth mostram diferenças claras entre os cenários de 2015 e 2026. O trecho passou a apresentar corredores mais definidos, iluminação reforçada e uma distribuição urbana mais alinhada à lógica do transporte coletivo rápido.

A proximidade com a Praça Cívica também faz da Rua 84 um ponto estratégico dentro do corredor Norte-Sul. A região concentra fluxo intenso de veículos, ligação com áreas comerciais e acesso a setores tradicionais da capital, como o Setor Sul e o Centro.

Apesar dos avanços na estrutura, o sistema ainda exige ajustes constantes na operação para evitar atrasos ou adiantamentos nas linhas. “O ganho de velocidade é real e faz com que o ônibus chegue mais rápido aos pontos, exigindo atualização no planejamento das viagens”, destaca Poliana. “Também não é vantajoso para o usuário que o ônibus passe antes do horário previsto”, completa.

Antes/Depois
Foto de cima: Google Earth Foto do Drone: Raniê Solarevisky

Mudanças urbanas dividem percepções sobre o sistema

As transformações provocadas pela metronização também mudaram a relação da população com determinados espaços urbanos da capital. Regiões antes associadas ao trânsito desorganizado passaram a apresentar corredores mais estruturados, nova iluminação e estações padronizadas. Em diferentes trechos da cidade, as intervenções alteraram tanto a dinâmica da circulação quanto a percepção visual das avenidas ao longo dos últimos anos.

As comparações feitas entre 2015 e 2026  mostram que a metronização alterou significativamente regiões importantes de Goiânia em poucos anos. Corredores urbanos passaram a seguir outra lógica de circulação e diferentes avenidas tiveram sua paisagem completamente modificada pelas obras de mobilidade urbana.

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