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Por: Ana Beatriz Serafim e Maria Eduarda Siqueira
Reconhecida como “Cidade Árvore do Mundo” e considerada a segunda capital mais arborizada do Brasil, Goiânia voltou a discutir a importância da preservação ambiental após o arquivamento de um projeto de reurbanização no Setor Parque das Laranjeiras.
A decisão ocorreu depois que a Secretaria Municipal de Engenharia de Trânsito (SET) acatou recomendações do Ministério Público de Goiás (MPGO) e descartou intervenções em áreas verdes do bairro.
Bosque Bouganville, Pq. das Laranjeiras, 21 de outubro de 2025. Vídeo: Raniê Solarevisky – BIGOD/UFG
Segundo dados da Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma), Goiânia possui mais de 1 milhão de árvores, cerca de 70 parques e mais de 200 áreas verdes espalhadas pela capital. Além disso, aproximadamente 90% das residências da cidade estão localizadas em ruas arborizadas.
O projeto original previa alterações em áreas verdes, retirada de árvores antigas e mudanças em espaços de convivência. Após denúncias de moradores e pareceres técnicos, a proposta foi revista e apenas a construção de uma rotatória próxima ao Parque Sabiá será mantida, sem impacto na vegetação local.
O promotor de Justiça Juliano de Barros Araújo afirmou que a SET decidiu seguir as recomendações técnicas apresentadas pelos órgãos responsáveis. De acordo com ele, não haverá intervenções que eliminem gramados, árvores ou áreas de lazer.
Bosque Bouganville, Pq. das Laranjeiras, 21 de outubro de 2025. Vídeo: Raniê Solarevisky – BIGOD/UFG
Para a manicure Roberta Rodrigues, a preservação das árvores é essencial para melhorar a qualidade de vida da população. Segundo ela, a diminuição da arborização contribui para o aumento do calor e dos problemas respiratórios na capital. “Hoje o pessoal prefere cimentar os quintais e não replantar as árvores. Por isso sofremos tanto com o calor e com o tempo seco”, afirmou.
A entrevistada também destacou a diferença entre ambientes arborizados e locais com excesso de concreto. “Você sente paz em um lugar cheio de plantas e árvores. Já em lugares só com cimento, o calor fica excessivo”, disse.
Roberta acredita ainda que o contato com a natureza influencia diretamente no bem-estar das pessoas. “Planta é vida. Quando você planta, cuida e vê crescer, tudo fica melhor”, completou.
A decisão de preservar as áreas verdes do Parque das Laranjeiras reforça a discussão sobre desenvolvimento urbano e conservação ambiental em Goiânia, cidade que tem a arborização como uma de suas principais características.
Bosque Bouganville, Parque das Laranjeiras, 26 de novembro de 2025. Vídeo: Raniê Solarevisky – BIGOD/UFG
