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Festival transforma o Parque Mutirama em uma experiência que une gastronomia, memória urbana e referências ao patrimônio Art Déco de Goiânia
A capital goiana vive, neste mês de maio, uma imersão entre gastronomia, cultura e memória urbana com o Goiás Gastronomia 2026. Integrando a programação da Semana S, o festival transforma o Parque Mutirama em um espaço de experiências que vão além do paladar, conectando o público à identidade visual e histórica de Goiânia por meio de uma cenografia inspirada no patrimônio Art Déco da cidade.
Com o tema “Goiás, a Mesa do Futuro: Raízes e Releituras”, o festival une a tradição dos ingredientes do Cerrado à modernidade das técnicas contemporâneas. Essa dualidade entre o antigo e o novo também se reflete na ambientação do evento, que homenageia o patrimônio arquitetônico que deu fama internacional à capital.

Arquitetura como cenário
Para entender a importância de realizar um evento deste porte dialogando diretamente com a memória urbana da cidade, a reportagem conversou com o arquiteto e urbanista Bráulio Vinícius Ferreira, professor associado da UFG e assessor especial para Projetos Estratégicos de Arquitetura e Urbanismo da universidade.
Segundo o professor, o patrimônio Art Déco de Goiânia vai além da estética arquitetônica e representa parte fundamental da construção da identidade da capital. Os edifícios, praças e espaços urbanos desse período ajudam a contar a história da formação da cidade e preservam valores culturais, sociais e políticos presentes desde a criação de Goiânia. “O patrimônio Art Déco não representa apenas um estilo arquitetônico, mas também o próprio projeto de modernidade que deu origem à capital”, explica.
Para Bráulio, a escolha do Goiás Gastronomia em utilizar o Art Déco como inspiração para a cenografia do evento aproxima a população de um patrimônio que muitas vezes passa despercebido no cotidiano. Segundo ele, iniciativas culturais ajudam a fortalecer o sentimento de pertencimento e criam novas formas de valorização da memória urbana.
“Muitas pessoas convivem diariamente com construções Art Déco sem conhecer sua história. A preservação começa justamente pelo reconhecimento e pela criação de vínculos entre as pessoas e a cidade”, destaca.
O professor afirma ainda que arquitetura, cultura e gastronomia possuem papel importante na construção da identidade urbana, já que a memória das cidades também é construída pelas experiências coletivas e afetivas vividas nesses espaços.
“Não existe patrimônio vivo sem uso, sem convivência e sem experiência coletiva. Quando arquitetura, cultura e gastronomia dialogam, a cidade deixa de ser apenas cenário e passa a ser experiência compartilhada”, completa.
A cenografia do festival foi planejada para transportar o visitante à atmosfera das décadas de 1930 e 1940, período de consolidação do estilo Art Déco em Goiânia. Linhas geométricas, simetria, elementos metálicos e referências às fachadas históricas da cidade aparecem distribuídos entre palcos, barracas e espaços de convivência.

Segundo a cenógrafa do evento, Regiane Gundin, a proposta de utilizar o Art Déco como inspiração para a ambientação do Goiás Gastronomia 2026 surgiu do desejo de valorizar a identidade cultural goianiense e criar uma conexão entre o público e a cidade. Para desenvolver a cenografia, a equipe realizou pesquisas sobre o patrimônio arquitetônico da capital e incorporou elementos característicos do movimento, como linhas geométricas, simetria, volumes arquitetônicos e referências presentes em construções históricas da região central e da Praça Cívica. “A escolha do Art Déco nasceu do desejo de valorizar a identidade cultural de Goiânia e conectar o evento à alma da cidade”, explica.
A proposta, segundo Regiane, era transformar a arquitetura em uma experiência sensorial e imersiva para o visitante. Elementos como iluminação, texturas, paisagismo e volumetria foram pensados para despertar sensações de acolhimento, pertencimento e descoberta, dialogando diretamente com o tema “Raízes e Releituras”, que une referências históricas da cidade a uma estética contemporânea. “O maior desafio foi fazer com que a arquitetura deixasse de ser apenas contemplativa e passasse a ser vivida”, destaca.
A cenógrafa afirma ainda que a intenção era criar um ambiente de conexão entre gastronomia, memória e identidade cultural. “Mais do que um evento gastronômico, buscamos criar um ambiente de conexão com a cidade, com as raízes goianas e com as pessoas”, completa.
Gastronomia e identidade cultural
Além da proposta estética e histórica, o Goiás Gastronomia reúne chefs, produtores locais e experiências gastronômicas que valorizam ingredientes do Cerrado e a produção artesanal goiana. O projeto Mesa ao Vivo, sob curadoria de Ian Baiocchi, integra a programação do festival com aulas-show, apresentações culinárias e encontros entre grandes nomes da gastronomia nacional e produtores regionais.
Segundo o presidente do Sistema Fecomércio Sesc Senac Goiás, Marcelo Baiocchi Carneiro, o festival também funciona como uma vitrine para o setor produtivo do estado. “Além de valorizar ingredientes e tradições regionais, o evento movimenta a economia, incentiva o empreendedorismo e amplia o acesso da população a experiências de qualidade”, destaca.
Como participar
A programação cultural e gastronômica segue até o próximo fim de semana, reforçando a proposta do festival de unir entretenimento, memória cultural e valorização da identidade goiana.
O diretor regional do Sesc e Senac Goiás, Leopoldo Veiga Jardim, reforça que o evento é um encontro entre conhecimento e solidariedade. “A proposta é proporcionar ao público não apenas entretenimento, mas também aprendizado e vivências que fortalecem a relação com a gastronomia e com a identidade do nosso estado”, afirma.
A entrada é solidária, mediante a doação de 1 kg de alimento não perecível. O evento acontece no Parque Mutirama e faz parte da Semana S, coordenada pela CNC, com realização do Sindtur GO e Senac Goiás.
Reportagem: Ana Luiza Póvoa e Tainá Mariano
