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Campus Samambaia UFG — Uma história em concreto
Jornalismo de drone · Campus Samambaia · UFG
Uma história em concreto
O Campus Samambaia da UFG completa mais de seis décadas. Visto de cima, o crescimento é visível — e ainda não parou.
Por Sofia CostaGoiânia, 2026LabNotícias · FIC/UFG
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Em 1962, a Universidade Federal de Goiás recebeu, por decreto presidencial, uma fazenda de 250 hectares na periferia de Goiânia. No local funcionava uma escola agrotécnica que havia fechado por falta de recursos. Dali nasceu o Campus Samambaia.
Hoje, o campus ocupa mais de 1.700 hectares, concentra a reitoria e a maior parte dos cursos da UFG e abriga um parque tecnológico com laboratórios que têm equipamentos únicos na América Latina. Esta reportagem mostra, com imagens aéreas captadas por drone, como esse crescimento aconteceu, da fazenda ao polo de inovação.
Todas as imagens aéreas recentes são do Banco de Imagens Goiano de Drones. Registros históricos do campus, onde indicado, são do acervo do CIDARQ/UFG.
1960
ano de fundação da UFG
1.700
hectares de campus
60+
anos de história em concreto
196201
Escola de Agronomia — onde tudo começou
Em 1945, o governo estadual doou ao Ministério da Agricultura uma área de 250 hectares — a Fazenda Samambaia — para sediar a Escola Agrotécnica de Goiânia. A instituição fechou por falta de recursos. Em 24 de outubro de 1962, um decreto presidencial transferiu o terreno à UFG.
As condições eram precárias. Os primeiros alunos chegavam de carroceria de caminhão — quando chovia, faziam o resto a pé. Em 1964, uma greve garantiu o transporte por ônibus.
Fazenda Samambaia transferida para a UFG · 24/10/1962
Escola de Agronomia (EA/UFG), Campus Samambaia, Goiânia, 15 de maio de 2026. Foto: Sofia Costa
196302
Escola de Veterinária e Zootecnia
Em 30 de janeiro de 1963, o Conselho Universitário autorizou os cursos de Agronomia e Veterinária. Em 1966, o presidente Castello Branco assinou a Lei nº 5.139, criando a Escola de Agronomia e Veterinária (EAV) — uma escola unificada, não duas como queriam os idealizadores.
A separação veio em 1981, quando a EAV foi dividida em Escola de Agronomia (EA) e Escola de Veterinária (EV). As duas funcionam até hoje no mesmo terreno da fazenda original.
EAV · Lei nº 5.139, 14/10/1966 · dividida em 1981
Escola de Veterinária e Zootecnia (EVZ/UFG), Campus Samambaia, Goiânia, 15 de maio de 2026. Foto: Sofia Costa
Enquanto a EAV seguia sozinha na fazenda, a UFG crescia pelo centro de Goiânia de forma dispersa, improvisada, em prédios inadequados. Uma comissão de arquitetos e engenheiros concluiu o inevitável: a universidade precisava de um campus integrado. O professor Irineu Borges do Nascimento, da Escola de Engenharia, viajou por vários campi brasileiros em busca de referência e encontrou na Universidade de Brasília.
O período era de contradições intensas. Como descreveu a professora Célia Maria Ribeiro em artigo na Revista UFG Afirmativa, foram anos de “continuidade na descontinuidade”: o regime militar investiu pesado nas universidades, mas ao mesmo tempo silenciou vozes, fechou jornais estudantis, prendeu professores e extinguiu centros de debate político. Construir o novo campus era, ao mesmo tempo, uma conquista e uma estratégia de controle.
Arthur Moreira, técnico em arquivo do CIDARQ/UFG, guarda os registros que contam essa história. Segundo ele, a decisão de transferir a universidade para o Samambaia não foi só administrativa, ela tinha um componente político. “Desde a época final de 60 pra 70 começou a expansão da UFG pra cá, porque ele [o professor Colemar] queria tirar os alunos daquele centro de Goiânia onde tinha muitos policiais e trazer pra cá, não só porque ele queria, ele foi influenciado a fazer isso por causa da ditadura. Existia muita pressão da polícia porque a manifestação de estudantes era forte no centro.”
197103
Os primeiros blocos — Humanidades I e II
A pedra fundamental do Campus Samambaia foi lançada em 4 de maio de 1971, no km 12 da rodovia Goiânia-Nerópolis. As obras dos primeiros sete blocos começaram naquele ano. Em 1972, as estruturas foram inauguradas — eram os prédios que abrigariam o IMF, o IQG, o ICB, o ICHL e o Instituto de Artes. Os dois Prédios de Humanidades — I e II — fazem parte desse conjunto original e abrigam hoje a Faculdade de História, a Faculdade de Filosofia e a Biblioteca Seccional das Humanidades.
Pedra fundamental · 4 de maio de 1971
Prédio de Humanidades II, Campus Samambaia, Goiânia, 14 de setembro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
197304
O primeiro instituto a chegar
Em maio de 1973, o Instituto de Ciências Humanas e Letras (ICHL) foi o primeiro a se instalar no campus. Logo vieram o IMF, o IQG e o ICB. A Biblioteca Central foi inaugurada no mesmo ano, mas provisoriamente — no prédio da Faculdade de Direito, no centro de Goiânia.
A transferência não foi simples. O professor Tiettre Couto Roza, do IQG, descreveu o processo como “um martírio”: equipamentos eram transportados sem proteção, expostos a sol e chuva. A imprensa local criticou as condições. A adaptação levou anos.
Primeiro instituto no campus · maio de 1973
Vista aérea dos institutos pioneiros do Campus Samambaia — IQ, ICB e Restaurante Universitário ao fundo, Goiânia, 21 de outubro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
Restaurante Universitário (RU/UFG), Campus Samambaia, Goiânia, 21 de outubro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
197705
A reitoria chega ao campus
Até 1977, a Reitoria da UFG funcionava na 5ª Avenida, no Setor Universitário. Naquele ano, ela se transferiu para o Samambaia, junto com uma extensão do Restaurante Universitário. O prédio atual da reitoria só foi inaugurado em 2002, durante o mandato da reitora Milca Severino Pereira.
Reitoria no campus · 1977 · prédio atual inaugurado em 2002
Dados · Campus Samambaia · UFG · 1962–2026
64 anos de construção
Cada marco representa uma estrutura ou conjunto de obras inaugurado no campus. Toque ou passe o mouse para ver o detalhe.
* Baseado em: Jornal UFG, Revista UFG Afirmativa nº 3, Reitoria Digital UFG, SIBI/UFG, Escola de Agronomia/UFG e Parque Tecnológico Samambaia/UFG.
Registro histórico · abril de 1988
O campus em 1988: os blocos originais de 1972 já estavam consolidados, a Reitoria e o Restaurante Universitário funcionavam no Samambaia desde 1977. A Biblioteca Central ainda ficava no centro de Goiânia — ganharia sede própria no campus só em setembro do ano seguinte.
Campus Samambaia, UFG, Goiânia, abril de 1988. Foto: Anatoly Kravchenko
198906
Biblioteca Central Prof. Alpheu da Veiga Jardim
A Biblioteca Central foi criada em 1973, mas funcionou por 16 anos num prédio provisório da Faculdade de Direito. Só em 13 de setembro de 1989 ganhou sede própria no Samambaia — 29 anos depois da criação da UFG. Hoje reúne quase 153 mil exemplares físicos e 7 mil e-books.
Biblioteca Central · sede no campus desde 13/09/1989
Biblioteca Central Prof. Alpheu da Veiga Jardim (BC/UFG), Campus Samambaia, Goiânia, 26 de novembro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
Registro histórico · 1990
Em 1990, a Biblioteca Central já havia se instalado no campus — inaugurada em setembro de 1989. O Samambaia tinha então sua estrutura acadêmica básica completa, mas ocupava uma fração do que seria décadas depois.
Nos anos 2000, o campus ganhou estruturas que deixaram de ser apenas acadêmicas. Prédio da reitoria, centro de eventos, centros de aulas equipados com projetores e ar-condicionado.
200207
Prédio da Reitoria
Inaugurado em 2002 durante o mandato da reitora Milca Severino Pereira, o prédio fica em frente à Escola de Música e Artes Cênicas. Concentra o Gabinete da Reitoria, as principais pró-reitorias e secretarias como a de Relações Internacionais e a de Comunicação.
Prédio da Reitoria · inaugurado em 2002
Prédio da Reitoria (UFG), Campus Samambaia, Goiânia, 15 de maio de 2026. Foto: Sofia Costa
Registro histórico · 1992
O campus em 1992 — mesma estrutura do início dos anos 1990. Passaria ainda mais de uma década até a próxima grande onda de construções, impulsionada pelo REUNI a partir de 2008.
Centro de Cultura e Eventos Prof. Ricardo Freua Bufáiçal
Inaugurado em 12 de dezembro de 2008, o CCE é o espaço multiuso do campus. Sedia todas as colações de grau da Regional Goiânia, o Conpeex, o Espaço das Profissões e outros eventos de grande público.
CCE · inaugurado em 12/12/2008
Centro de Cultura e Eventos Prof. Ricardo Freua Bufáiçal (CCE/UFG), Campus Samambaia, Goiânia, 21 de outubro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
Entrada do Parque Tecnológico Samambaia com ipê amarelo em flor, Campus Samambaia, Goiânia, 14 de setembro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
201309
Parque Tecnológico Samambaia — o início
Em dezembro de 2013, foi inaugurado o CRTI — Centro Regional para o Desenvolvimento Tecnológico e Inovação —, primeiro prédio do Parque Tecnológico Samambaia. Com 1.704 m², o laboratório atende empresas, centros de pesquisa e o setor acadêmico. A área do Parque é de 179 mil m². Em 2017 viria o segundo prédio: a Agência UFG de Inovação.
CRTI · inaugurado em dezembro de 2013 · Parque Tecnológico Samambaia
2008–201310
A expansão do REUNI
O Programa REUNI, lançado pelo governo federal em 2007, viabilizou uma onda de obras no campus. Foram entregues quatro Centros de Aulas — Aroeira (2008), Baru, Caraíba e Pequi —, cada um com 29 salas e capacidade para 1.350 alunos. Novas sedes surgiram para o IME, INF, IESA, FAV, Labicom e Lapig. O Cercomp e o Ciar também ganharam prédios próprios.
Expansão REUNI · 2008–2013
Centro de Aulas Baru (CAB/UFG), Campus Samambaia, Goiânia, 7 de outubro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
2010s11
Oca Indígena, Centro de Saúde e moradia estudantil
O Núcleo Takinahakỹ de Formação Superior Indígena é a única graduação em Educação Intercultural para povos indígenas do país. O Centro de Saúde do Campus atende as 40 mil pessoas da região norte de Goiânia, entre servidores, alunos e moradores do entorno. A Casa do Estudante Universitário (CEU V) ampliou a moradia estudantil no campus.
Núcleo Takinahakỹ · Centro de Saúde · CEU V
Núcleo Takinahakỹ de Formação Superior Indígena (NTFSI/UFG), Campus Samambaia, Goiânia, 14 de setembro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
A partir de 2017, o Parque Tecnológico entrou em ritmo acelerado. Em menos de dez anos, o complexo passou de um prédio para sete — financiados por Finep, Fapeg, Petrobras e outras parcerias. Cada inauguração trouxe mais empresas, pesquisadores e equipamentos para dentro do campus.
201712
Agência UFG de Inovação
Inaugurado em 18 de dezembro de 2017, o segundo prédio do Parque Tecnológico tem 1.555 m² e custou R$ 4,8 milhões. Sob o mesmo teto, funcionam a Pró-reitoria de Pesquisa e Inovação (PRPI) — criada em 2013 para coordenar a política de pesquisa científica, propriedade intelectual e empreendedorismo da UFG —, o NIT/UFG, o CEI e o IPElab Unidade I. Também sedia empresas incubadas e residentes.
Agência UFG de Inovação · PRPI · 18/12/2017 · R$ 4,8 milhões
201813
IPElab — laboratório aberto de prototipagem
Inaugurado em dezembro de 2018 em parceria com o Sebrae Goiás e a Fapeg, o IPElab reúne impressoras 3D, fresadoras, tornos e outros equipamentos. O espaço é aberto a estudantes, inventores e empresários. Em 2019, o galpão de máquinas foi ampliado em 240 m².
IPElab · inaugurado em 20/12/2018 · UFG/Sebrae/Fapeg
202014
LIFE — Laboratórios Integrados para Inovação em Ciências Farmacêuticas
Inaugurado em dezembro de 2020, o edifício LIFE tem mais de 2.000 m² e custou R$ 9 milhões. Reúne quatro laboratórios voltados à pesquisa farmacêutica: Farmatec, iBIOM, ToxIn e cNanoMed, todos vinculados à Faculdade de Farmácia da UFG.
LIFE · dezembro de 2020 · R$ 9 milhões
Edifício LIFE, Parque Tecnológico Samambaia, Goiânia, 15 de maio de 2026. Foto: Sofia Costa
202014B
FUNAPE — sede própria no Parque
No mesmo mês de dezembro de 2020, a Fundação de Apoio à Pesquisa da UFG (Funape) inaugurou sua sede própria no Parque Tecnológico, com 1.772 m² e R$ 5,5 milhões investidos — encerrando décadas de funcionamento em espaços locados dentro do campus.
FUNAPE · dezembro de 2020 · R$ 5,5 milhões
Sede da FUNAPE, Parque Tecnológico Samambaia, Goiânia, 15 de maio de 2026. Foto: Sofia Costa
Os dois prédios mais recentes do campus, inaugurados entre novembro de 2025 e janeiro de 2026, somam R$ 64,5 milhões em investimentos. O campus que começou com uma fazenda hoje tem equipamentos que não existem em mais nenhum lugar na América Latina.
nov. 202515
CEMEP — pesquisa em petróleo e energia
Inaugurado em 11 de novembro de 2025, o CEMEP recebeu R$ 45 milhões, a maior parte da Petrobras. O prédio abriga equipamentos únicos no Brasil — entre eles um espectrômetro de massas de 15 tesla, capaz de analisar a composição química de petróleo e biocombustíveis — e o primeiro laboratório da América Latina para análise de isótopos agrupados de metano.
CEMEP · inaugurado em 11/11/2025 · R$ 45 milhões · Petrobras
CEMEP — Centro de Excelência em Estudos Moleculares, Energia e Petróleo, Parque Tecnológico Samambaia, Goiânia, 15 de maio de 2026. Foto: Sofia Costa
jan. 202616
Colabora+ — o prédio mais novo do campus
Inaugurado em 9 de janeiro de 2026, o Colabora+ tem 1.772 m² e custou R$ 19,5 milhões, financiados por Finep e Fapeg. Foi construído em 18 meses e já nasceu completamente ocupado. Sedia o Centro de Inteligência Artificial (CEIA), o CIAP, o Centro de Empreendedorismo e Incubação (CEI) e o Centro de Competência Embrapii em Tecnologias Imersivas (Akcit).
Na inauguração, a reitora Angelita Pereira de Lima disse que o prédio “materializa quatro anos de trabalho e reafirma o papel da universidade pública no desenvolvimento social”.
Colabora+ · inaugurado em 9/1/2026 · R$ 19,5 milhões · Finep/Fapeg
Colabora+ — Centro de Inovação e Empreendimentos Tecnológicos, Parque Tecnológico Samambaia, Goiânia, 15 de maio de 2026. Foto: Sofia Costa
Campus Samambaia · Outras estruturas
O campus que o drone encontrou
Além dos prédios que marcaram a cronologia do campus, o Samambaia reúne faculdades, laboratórios, espaços esportivos e equipamentos de infraestrutura que formam o dia a dia de uma cidade universitária com mais de 40 mil pessoas.
EMAC — Escola de Música e Artes Cênicas
Surgiu em 1996 com o desmembramento do Instituto de Artes, que funcionava desde 1972. Abriga a Escola de Música — uma das fundadoras da UFG, criada em 1956 como Conservatório Goiano de Música.
Campus Samambaia, Goiânia, 26 de novembro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
IAC — Instituto de Artes da Cena
Criado em 2025 após 17 anos de propostas. A primeira proposta de criação foi apresentada em 2008, mas só em 2025 as condições foram consolidadas. O curso de Dança, que era da FEFD, passou a integrar o IAC.
Campus Samambaia, Goiânia, 26 de novembro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
FIC — Faculdade de Informação e Comunicação
Instalada como Facomb em 20 de agosto de 1997, após desmembramento do ICHL. Em 2013, com o REUNI, tornou-se FIC. Abriga os cursos de Jornalismo (o mais antigo, criado em 1966), Publicidade, Relações Públicas, Biblioteconomia e Gestão da Informação.
Campus Samambaia, Goiânia, 21 de outubro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
Labicom — Laboratórios de Comunicação e Informação
Inaugurado em 28 de agosto de 2013, o Labicom é o maior projeto laboratorial da FIC. Reúne agências-escola dos cursos de comunicação e estruturas de produção audiovisual, pesquisa e redação.
Campus Samambaia, Goiânia, 14 de setembro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
FH — Faculdade de História
Originada do desmembramento do ICHL, um dos institutos pioneiros instalados no campus em 1973. Hoje ocupa prédio próprio no Samambaia.
Campus Samambaia, Goiânia, 7 de outubro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
FL — Faculdade de Letras
Também originada do ICHL, instalado no campus em 1973. Ocupa prédio próprio no Samambaia ao lado da FH e do CAA.
Campus Samambaia, Goiânia, 7 de outubro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
FACE — Faculdade de Administração e Ciências Econômicas
Prédio próprio no Samambaia. Fica próxima ao CAB e ao INF, na área da expansão do REUNI.
Campus Samambaia, Goiânia, 7 de outubro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
IME — Instituto de Matemática e Estatística
Herdeiro do Instituto de Matemática e Física (IMF), um dos primeiros a se instalar no campus em 1973. Ganhou sede própria com a expansão do REUNI a partir de 2008.
Campus Samambaia, Goiânia, 14 de setembro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
IESA — Instituto de Estudos Socioambientais
Criado a partir do desmembramento de unidades ligadas à Geografia e ao meio ambiente. Abriga o Lapig — Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento, referência nacional em monitoramento do Cerrado.
Campus Samambaia, Goiânia, 14 de setembro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
INF — Instituto de Informática
Prédio inaugurado com o REUNI. Fica ao lado do CAB e do FACE. Em 2012, transferiu o curso de Gestão da Informação para a FIC.
Campus Samambaia, Goiânia, 7 de outubro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
CAA — Centro de Aulas Aroeira
Primeiro dos quatro centros de aulas entregues pelo REUNI, em 2008. Cada centro tem 29 salas e capacidade para 1.350 alunos simultâneos. O nome homenageia espécies nativas do Cerrado.
Campus Samambaia, Goiânia, 21 de outubro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
CAC — Centro de Aulas Caraíbas
Um dos quatro centros de aulas do REUNI. Fica próximo ao IME e ao IESA, na área de expansão do campus.
Campus Samambaia, Goiânia, 7 de outubro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
FEF — Faculdade de Educação Física
Criada como Coordenação de Educação Física em 1978, tornou-se faculdade em 1996. O prédio foi inaugurado em 1994. A área é de aproximadamente 100 mil m² e inclui campo de futebol, ginásio, duas piscinas, pista de atletismo e quadras. Em março de 2026, voltou à denominação Faculdade de Educação Física após o curso de Dança migrar para o novo IAC.
Campus Samambaia, Goiânia, 21 de outubro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
Piscinas da FEF
A FEF mantém duas piscinas — uma olímpica e uma infantil — abertas à comunidade por meio de projetos de extensão. Natação e hidroginástica estão entre as atividades oferecidas à população do entorno do campus.
Campus Samambaia, Goiânia, 21 de outubro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
Centro de Esportes da UFG
Gerido pela PRAE — Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis —, atende prioritariamente estudantes de baixa renda. Conta com academia e quadra poliesportiva, com horários disponíveis também para atléticas e eventos estudantis.
Campus Samambaia, Goiânia, 15 de abril de 2026. Foto: Raniê Solarevisky
TV UFG
A Rádio Universitária UFG foi inaugurada em 1965, na Alameda Botafogo. O prédio atual no Campus Samambaia abriga três estúdios com isolamento acústico, auditório para 110 pessoas e departamentos de jornalismo e produção. A TV UFG funciona sob a mesma estrutura da Fundação RTVE.
Campus Samambaia, Goiânia, 7 de outubro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
Árvore Solar
Instalada em 5 de junho de 2018, Dia Mundial do Meio Ambiente, como símbolo do projeto UFG Sustentável em parceria com a Enel. É uma palmeira metálica de 11 metros com dez painéis fotovoltaicos, localizada entre o Centro de Convivência e a EMAC. O campus também conta com 2.440 placas solares instaladas nos telhados, inauguradas em junho de 2019.
Campus Samambaia, Goiânia, 26 de novembro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
DEI — Departamento de Educação Infantil
Creche universitária que atende filhos de servidores e estudantes da UFG. Fica no Campus Samambaia, próximo à FIC, FH e CAC.
Campus Samambaia, Goiânia, 7 de outubro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
LAMES — Lab. de Métodos de Extração e Separação
Criado em 2003 com recursos da FINEP (CTPetro), o LAMES é vinculado ao Instituto de Química e atua em pesquisa, ensino e prestação de serviços em Química e Ciências Ambientais. Coordena projetos financiados por FINEP e CNPq com empresas dos ramos petroquímico, farmacêutico e alimentício, e captou cerca de R$ 40 milhões em 20 anos de atuação.
Campus Samambaia, Goiânia, 21 de outubro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
Lapig — Lab. de Sensoriamento Remoto e Geoprocessamento
Vinculado ao IESA, é referência nacional no monitoramento do Cerrado e de pastagens brasileiras por imagens de satélite. Produz dados usados por pesquisadores, órgãos públicos e imprensa.
Campus Samambaia, Goiânia, 21 de outubro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
LabTIME — Lab. de Tecnologia da Informação e Mídias Educacionais
Desenvolve soluções digitais para o ensino e produziu as plataformas AvaMEC e AvaCAPES, usadas pelo Ministério da Educação em todo o país. Já produziu cerca de 3 a 4 mil horas de programação educacional para o MEC e oferece cursos de extensão gratuitos abertos ao público.
Campus Samambaia, Goiânia, 21 de outubro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
NUPEC — Núcleo de Pesquisa em Ensino de Ciências
Nasceu em 2002 como um grupo informal de alunos e professores do Instituto de Química e foi oficializado em 2004. Reúne professores do IQ, IF e ICB, além de docentes da rede básica estadual e municipal. Realiza encontros quinzenais para discutir ensino de ciências, formação docente e questões ambientais.
Campus Samambaia, Goiânia, 21 de outubro de 2025. Foto: Raniê Solarevisky
CRTI — Centro Regional para o Desenvolvimento Tecnológico e Inovação
Inaugurado em 9 de dezembro de 2013, o CRTI foi o primeiro prédio do Parque Tecnológico Samambaia. Com investimento de R$ 20 milhões de Finep, Fapeg, Sectec, UFG e emendas parlamentares, oferece dez técnicas instrumentais organizadas em quatro divisões — de microscopia eletrônica de varredura a cromatografia líquida de alta resolução. Atende instituições de ensino e pesquisa de todo o país.
Parque Tecnológico Samambaia, Goiânia, 15 de maio de 2026. Foto: Sofia Costa
Espaço Intercultural Indígena
Em 10 de fevereiro de 2025, a UFG lançou a pedra fundamental do novo Espaço Intercultural Indígena. Com 3.723 m² e R$ 17,8 milhões do PAC, o complexo prevê auditório para 340 pessoas, alojamento, refeitório, redário e área infantil — com conclusão prevista para julho de 2026. É complementar ao Núcleo Takinahakỹ, que desde 2006 oferece a única licenciatura em Educação Intercultural para povos indígenas do país e, em 2025, contava com 270 alunos de 27 povos.
Campus Samambaia, Goiânia, 15 de maio de 2026. Foto: Sofia Costa
NDH — Núcleo de Direitos Humanos
O Programa de Direitos Humanos da UFG existe desde 10 de dezembro de 1999. Em 2010, formalizou-se como Núcleo Interdisciplinar de Pesquisa, Ensino e Extensão. Em dezembro de 2018, inaugurou sede própria no Campus Samambaia em parceria com o Ministério Público do Trabalho. Mantém o Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Direitos Humanos (PPGIDH), com mestrado desde 2012 e doutorado aprovado em 2018.
Campus Samambaia, Goiânia, 15 de maio de 2026. Foto: Sofia Costa
CIDARQ — Centro de Informação, Documentação e Arquivo
Criado pela Resolução CONSUNI n.º 002/2010, o CIDARQ guarda a memória institucional da UFG. A sede no Campus Samambaia gerencia o Sistema Eletrônico de Informações (SEI) e o acervo arquivístico digital da universidade. Mantém também a Casa da Memória — um prédio de 1930, tombado como patrimônio histórico em 1982, no centro de Goiânia — onde pesquisadores e jornalistas encontram os registros mais antigos do campus.
Campus Samambaia, Goiânia, 15 de maio de 2026. Foto: Sofia Costa
FAV — Faculdade de Artes Visuais
Herdeira do Instituto de Belas Artes de Goiás, criado em 1960, a FAV nasceu em 1996 com o desmembramento do Instituto de Artes da UFG. Em 25 de março de 2013, inaugurou prédio exclusivo no Campus Samambaia: 4.400 m² com ateliês, laboratórios e auditório. Oferece sete cursos — entre eles Arquitetura e Urbanismo, Design Gráfico e Design de Moda — e dois programas de pós-graduação stricto sensu.
Campus Samambaia, Goiânia, 15 de maio de 2026. Foto: Sofia Costa
Em 62 anos, o Campus Samambaia passou de uma fazenda com uma escola fechada a um dos maiores polos de inovação do Centro-Oeste. O Parque Tecnológico, que começou com um prédio em 2013, tem hoje sete estruturas e não parou de crescer. O campus que o drone vê hoje não é o mesmo de dez anos atrás, e esperamos que não seja o mesmo daqui a dez anos.
Imagens históricas do campus podem ser solicitadas ao CIDARQ — Centro de Informação, Documentação e Arquivo da UFG (cidarq@ufg.br). Imagens atuais: Banco de Imagens Goiano de Drone – BIGOD.
A Universidade Federal de Goiás (UFG) é uma das maiores instituições públicas de ensino superior do Centro-Oeste brasileiro. Fundada em 1960, a universidade conta atualmente com mais de 22 mil estudantes matriculados e mais de 100 cursos de graduação, distribuídos em diversas partes do estado.
Em Goiânia, o Campus Samambaia — o maior da instituição — concentra parte significativa dessa estrutura acadêmica, reunindo unidades de ensino, pesquisa e outros.
Vista de cima, a dimensão do campus impressiona. Prédios, vias extensas e áreas de circulação revelam uma universidade ampla e consolidada. No entanto, ao se aproximar, as imagens de drone mostram um cenário marcado por barreiras físicas que comprometem a acessibilidade.
Em diferentes pontos, calçadas apresentam irregularidades, com buracos, desníveis e trechos sem pavimentação adequada. A falta de padronização dificulta a locomoção de cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida, além de aumentar o risco de acidentes. Em alguns casos, o percurso é interrompido, obrigando o desvio por áreas não adaptadas.
imagem feita por drone sobrevoando a UFG. Foto: Raniê Solarevisky/BIGOD/UFG
A dificuldade de circulação também se agrava pela falta de conexão acessível entre os prédios. Em um campus de grandes proporções, a ausência de rotas contínuas e adaptadas faz com que estudantes com deficiência precisem percorrer trajetos mais longos — ou, em alguns casos, deixem de acessar determinados espaços.
Imagem de drone sobrevoando a UFG. Foto: Raniê Solarevisky/ BIGOD/UFG
Além disso, a sinalização ainda é insuficiente. A ausência de piso tátil em diversos trechos compromete a autonomia de pessoas com deficiência visual, que dependem desse recurso para se orientar com segurança pelo ambiente. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 8,4% da população brasileira possui algum tipo de deficiência. A ampliação de políticas de acesso ao ensino superior nos últimos anos aumentou a presença desse público nas universidades, tornando a adaptação dos espaços físicos uma demanda cada vez mais urgente.
imagem de drone sobrevoando a UFG. Foto: Raniê Solarevisky/BIGOD/UFG
Para estudantes com deficiência, os desafios vão além da sala de aula. “Tem lugares que eu evito, porque sei que não vou conseguir chegar com facilidade. Isso acaba limitando minha rotina dentro da universidade”, Juliana Moreira, aluna do curso de música que possui cegueira.
imagem de drone sobrevoando a UFG. Foto: Raniê Solarevisky/BIGOD/UFG
A legislação brasileira garante o direito à acessibilidade em espaços públicos e institucionais. A Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015) determina que ambientes de uso coletivo devem ser planejados e adaptados para garantir autonomia e segurança a todas as pessoas.
Enquanto a UFG amplia o acesso ao ensino superior e fortalece políticas de inclusão, as imagens de drone mostram que a estrutura física do Campus Samambaia ainda representa um desafio para a permanência e a plena participação de estudantes com deficiência.
César, graduando em artes visuais pela Universidade Federal de Goiás (UFG), expôs na galeria da faculdade, na manhã do dia 18 de setembro, mais de 30 obras desenvolvidas ao longo de 2024 e 2025
Tendo como referência artistas internacionais como Julião Sarmento e Francis Bacon, o jovem graduando em Artes Visuais pela UFG, Felipe César, expõe os seus trabalhos de forma individual, que estreou na quinta-feira, dia 18 de setembro, na galeria ExpoLab. A exposição reúne mais de 30 pinturas desenvolvidas ao longo do seu período de aula e férias, no ano de 2024 e 2025. “Não necessariamente toda a exposição é inspirada pelo Julião Sarmento e Francis Bacon, alguns também foram feitos a mão livre”, afirma o estudante. César deixa claro que busca focar na figura humana, de forma abstrata ou não, assim como esses artistas. “O Julião Sarmento é mais puxado para o conceito, o Francis Bacon é mais puxado para a pintura, para a figura, mas no final é tudo ser humano, tudo pessoa e é isso que me interessa. Eles abordam questões que eu também gostaria de fazer, mas do meu jeito”, diz o jovem.
Trabalhos diversos;2024-2025; Foto: Ana Paula Penha
A decisão de expor em um laboratório da sua faculdade veio a partir de uma vivência na FARGO 2025 (Feira de Arte Goiás), na qual percebeu a necessidade de mostrar o que produz. Ele compartilha: “Durante a FARGO eu vendi algumas obras e fiquei pensando que talvez deveria dar continuidade a isso. Conversei com alguns galeristas e eles se interessaram pelos meus trabalhos, então eu decidi que queria expor e não queria ficar parado sem produzir nada”. César também deixa claro a influência que amigos e professores lhe fizeram, além de contar sobre o seu interesse pela exposição em galerias.
A mostra, sem dúvida, cumpre um importante papel formativo. O desenvolvimento de trabalhos individuais proporciona aos alunos a experiência de organizar uma exposição, observando de perto o processo de expografia, que planeja a visibilidade e mensagem que as obras irão passar ao público, como também o processo de curadoria, que busca aproximar o público do artista. Além disso, todo o processo é indispensável para o amadurecimento artístico do estudante.
Série sem título; Foto: Ana Paula Penha
A curadoria, composta por Beka e Dominixarty, estudantes de artes visuais na UFG, foi responsável pela organização do espaço e a maneira como cada obra seria composta. Toda a exposição seguiu uma série de critérios, como o lugar em que a obra deve estar , o nível e a ficha técnica com a apresentação dos trabalhos, combinando, ao final, com os critérios que o próprio artista desejava para a sua exposição. Durante todo o processo a equipe agiu em conjunto, pensando na melhor forma de expor as obras no espaço, priorizando as séries criadas, como “Alexitimia”, “Beijos” , “Praia do Futuro” e “Rabiscos”.
Série “Praia do Futuro”, 2025; Foto: Ana Paula Penha
Dominixarty explica a importância da exposição das obras:
O trabalho de expografia serve justamente para se pensar cada mínimo detalhe, incluindo qual obra deve ser colocada primeira e por último. Muitas vezes não percebemos, mas até qual obra se encontra primeiro e por último, podemudar completamente as expectativas e interpretações do público. Por isso, o trabalho curatorial de uma galeria também envolve um pouco de psicologia, sociologia e arquitetura para que a obra possua o seu sentido completo e não tenha os sentidos esvaziados ao ser colocada de forma aleatória em um espaço. Por essa razão muitos artistas acreditam que o espaço e a obra são uma única instalação, no qual a obra conversa com o lugar que está inserido.
Ambos os curadores expressaram a sua admiração pelo artista, que possui uma visão específica de como sua estética se apresentará, além de carregar temáticas contemporâneas que remetem muito ao que está em alta no mercado de arte, podendo chamar atenção de muitos de artista e galeristas.
Se você estiver interessado, a exposição ficará disponível até o dia 26, sexta-feira.
Serviço
Título: Intersecções Experimentais
Local: ExpoLab, sala 09 da Faculdade de Artes Visuais da UFG (Av. Esperança, s/n – Chácaras de Recreio Samambaia, Goiânia – GO, 74690-900)
Horário: 9h40 às 17h
Data: 18 de novembro a 26 de novembro.
Entrada gratuita
Diretor da Faculdade de Farmácia comenta sobre a proposta da criação de nova graduação na Universidade Federal de Goiás
Em 2021, foi proposto pelo Instituto de Química a criação do curso de bacharelado em engenharia farmacêutica; entre as justificativas para a sua implementação estão a de atender demandas da indústria farmacêutica e cosmética, capacitação de profissionais para a produção em larga escala e a inovação acadêmica e pioneirismo, visto que nenhuma outra universidade apresentou proposta semelhante.
A proposta tramita desde 2021 na câmara de graduação e teve a decisão adiada após mobilização da comunidade farmacêutica. Na reunião realizada na última segunda-feira (08), foi aprovada a criação de uma comissão sem vínculo com nenhum dos dois cursos envolvidos, para reavaliar a proposta. Instituições como o Conselho Regional de Farmácia de Goiás (CRF-GO), a Federação Nacional dos Farmacêuticos (Fenafar) e o Sindicato dos Farmacêuticos de Goiás (Sinfar-GO) repudiaram a iniciativa.
Prof. Luiz Carlos da Cunha. Foto: Acervo pessoal
Devido a isso, convidamos o professor Luiz Carlos da Cunha, diretor da Faculdade de Farmácia da Universidade Federal de Goiás (UFG), graduado em Farmácia pela UFG (1989), mestre em Fármacos e Medicamentos: Química e Biologia (1993), doutor em Fármacos e Medicamentos pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas de São Paulo (1998) e membro da Sociedade Brasileira de Toxicologia.
Para começarmos, poderia nos contar um pouco sobre a sua formação acadêmica e experiência profissional na área farmacêutica?
Eu sou o professor Luiz Carlos da Cunha. Estou na Faculdade de Farmácia como professor desde 1991. Fiz graduação em farmácia aqui na própria universidade. Fiz o mestrado na USP de Ribeirão Preto, doutorado na USP de São Paulo. E, depois, o restante da minha vida foi basicamente aqui em Goiânia, como professor e participante de várias atividades, como coordenador de laboratório de pesquisa, orientação de alunos de graduação, pós-graduação, mestrado, doutorado e especialização.
Ajudei também a fundar, junto com os professores, o primeiro Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas. E, depois, com o passar do tempo, a Faculdade de Farmácia chegou a ter quatro programas de pós-graduação, sendo dois deles doutorado. Fui coordenador do Programa de Pós-Graduação e, desde agosto de 2022, estou como diretor da Faculdade de Farmácia da UFG, que este ano está completando 80 anos de existência.
Recentemente, voltou à pauta a proposta de criação do curso de Engenharia Farmacêutica na UFG. Como farmacêutico, você acredita que há necessidade de uma graduação específica nessa área? E, na sua opinião, a criação desse curso representaria uma evolução natural da profissão farmacêutica ou uma fragmentação desnecessária?
Boa pergunta, Kauan. Desde setembro de 2021, antes de eu assumir a diretoria, era a professora Thelma e o professor Ricardo Marredo, que eram os diretores; eu já estava participando da discussão da proposta. A Faculdade de Farmácia, em fevereiro de 2022, emitiu um documento contrário à nossa participação e à criação do curso de engenharia farmacêutica, nos moldes em que ele foi colocado no projeto original.
E nós nos posicionamos de forma contrária, inclusive com o apoio do Conselho Federal de Farmácia, na época, com um parecer muito bem elaborado, colocando todos os motivos, o porquê, um conselho profissional e o porquê uma faculdade de farmácia, que nem a nossa, são contrários ou foram contrários à criação do curso e também à participação nele.
Depois, esses documentos foram enfatizados e aprimorados com outros documentos, com novas decisões do nosso Conselho Diretor. Em todas as decisões, nós nos posicionamos de forma contrária à criação do curso, porque, no nosso entendimento e no entendimento do Conselho Federal de Farmácia, e agora mais recentemente de todos os conselhos regionais de farmácia, de sindicatos, de farmacêuticos, da Federação Nacional de Farmacêuticos, do Sindicato das Indústrias do Estado de Goiás e do próprio Conselho Federal de Farmácia, a gente entende que a criação do curso de engenharia farmacêutica busca apreender, para essa nova profissão, aquilo que é o coração da profissão farmacêutica e que é o mais substancial da profissão farmacêutica na área de produção de medicamentos.
Deste modo, nós entendemos que haverá uma fragmentação, como você citou, desnecessária, e nós enfatizamos isso nos nossos pronunciamentos e nos nossos documentos: uma fragmentação desnecessária para o curso de farmácia, e o próprio curso de engenharia farmacêutica criado; vai nascer um curso capenga, porque nem é farmácia e nem é uma engenharia completa; é um misto, é um Frankenstein que mistura duas áreas que até podem algum dia ter alguma conciliação, mas que, por enquanto, não existe como previsão legal, não existe como profissão.
Nós já temos um profissional no país, o qual atende completamente às necessidades da indústria, na fabricação de medicamentos. Lembro que o Brasil possui cerca de 900 faculdades de Farmácia e que boa parte das faculdades já forma este profissional que faz o que a indústria precisa, isso amparado por várias leis que vêm desde a década de 1960, então não é uma atividade recente.
Então, todo esse movimento que aconteceu na universidade e envolvendo, inclusive, a participação da sociedade civil, através dos órgãos de representação, foi um movimento legítimo, em defesa do que a gente entende como sendo aquilo que existe de mais vital na profissão farmacêutica. Eu diria, para dar um exemplo, você que é da área de comunicação, vamos falar assim: a partir de hoje, nós vamos criar um curso de graduação em jornalismo investigativo, sei lá, jornalismo literário ou jornalismo de opinião. Então, eu sei que você está me entendendo o que quero dizer.
Nós sentimos da mesma forma. Até comentei lá na reunião da câmara de graduação, nós sabemos o que é essa profissão, o que ela faz e até onde ela pode ir; o que a gente tem direito de conquistar, o que a gente tem para evoluir. Nós sabemos que precisamos melhorar, evoluir, mas não precisamos deixar que uma profissão nova criada por uma instituição pública, que é a Universidade Federal de Goiás, utilizando recursos públicos, faça mau uso desses recursos; ao invés de melhorar, aprimorar aquilo que já existe, criar uma coisa nova que vai atrapalhar o próprio curso de engenharia química, o curso de engenharia de produção e vai atrapalhar o curso de farmácia.
Nós não sabemos direito para que rumo esses profissionais, uma vez formados, irão tomar; se vão ter espaço no mercado. Então, a gente tem uma série de questionamentos em torno desse assunto, e são bem profundos, o que acabou resultando, por enquanto, no adiamento da decisão na Câmara de Graduação.
Você falou que, em algum momento, seria entrelaçado, talvez futuramente, o curso de farmácia e o curso de engenharia, mas como? E por que essa proposta saiu do Instituto de Química e não do Instituto de Engenharia ou da própria farmácia?
Bom, vou falar por nós, em princípio. A primeira pergunta é sobre entrelaçamento. Para o trabalho em uma indústria, é necessário que nós tenhamos vários profissionais, e isso inclui profissionais na área administrativa, financeira, contábil, gestão de pessoal; inclui todo o staff técnico, corpo técnico, e isso inclui, aí, farmacêuticos, químicos, engenheiros, os mais variados: engenheiro civil, engenheiro eletricista, engenheiro mecânico, engenheiro de computação.
Então, a engenharia está presente. Assim como tem a participação dos biólogos, às vezes de médicos veterinários, eu falei dos químicos: químicos já estão inseridos na indústria, são excelentes profissionais. Desde o início, a gente enfatiza, inclusive, que nós não temos uma rixa com o Instituto de Química, que é um assunto institucional. Interação com as funções, nós já fazemos; o que nós não precisamos é que se crie uma nova profissão para fazer aquilo que nós já damos conta de fazer muito bem.
A indústria já nos aceita, já nos recebe, já nos legitima. A nossa legislação brasileira, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, já legitima o farmacêutico, o profissional responsável por todas as etapas da cadeia de produção de medicamentos. E essa questão do porquê que não nasceu nem no curso de farmácia nem no de engenharia, é porque o Instituto de Química tomou iniciativa por conta de um edital interno da Universidade Federal de Goiás, UFG Pro Pessoas para distribuição de 10 vagas docentes, e as unidades que poderiam apresentar projetos, a Química apresentou esse projeto, e ele acabou sendo um dos contemplados. Não nasceu na Faculdade de Farmácia justamente porque a Faculdade de Farmácia entende que nós não devemos criar um curso que vai tirar a parte mais nobre da profissão farmacêutica.
Nós já temos essa área de tecnologia farmacêutica, de fabricação, de garantia da qualidade, de boas práticas de fabricação de medicamentos, já inserida na nossa alma farmacêutica; faz parte da nossa vida, faz parte da nossa matriz curricular, nosso PPC, nas diretrizes curriculares nacionais. Então, nós não temos por que criar outro curso para concorrer com algo que já é nosso. Isso é bem claro, e acho que é fácil de entender, mesmo não sendo da área técnica.
No documento elaborado pelo Instituto de Química, tem a seguinte comparação: dizendo que a engenharia farmacêutica seria para a farmácia o que a engenharia química é para a química. Essa comparação é feita devido ao fato de que o químico trabalha mais no nível científico e laboratorial, investigando e entendendo fenômenos químicos, e o engenheiro químico trabalha mais no nível aplicado e industrial, projetando e controlando processos que usam esses fenômenos para gerar produtos em grande escala. Você acredita que essa comparação é válida?
Eu acho que cada um pode fazer a comparação que lhe couber, que achar conveniente. Na química, nós temos bacharelado e licenciatura. A química é uma das ciências básicas, digamos assim, como a matemática, ciências biológicas, a física; tanto que surgiram os institutos, os institutos surgiram para dar conta da parte básica. Com o passar do tempo, eles começaram também a querer ir para um lado mais aplicado. Aí, começaram a criar outros cursos.
Então, eles podem fazer a comparação, mas, quando você inclui palavras assim, o engenheiro farmacêutico vai trabalhar com processos. Se você for procurar no dicionário o significado da palavra “processo”, processo é quase tudo. E o importante, lá atrás, quando fizeram o projeto, é que eles usaram, nitidamente, colocaram que era um nicho na área farmacêutica: a fabricação de medicamentos, a tecnologia farmacêutica. E, depois, ao passar do tempo, o projeto pedagógico do curso foi sendo adequado até para suprimir um palavreado que fosse muito mais farmacêutico e que, portanto, seria mais contestável. Mas, mesmo assim, quando nós fizemos uma análise da matriz curricular do PPC e nós destacamos isso em documento nos processos que estão correndo na universidade, o quanto a proposta desse curso invade áreas que são privativas da farmacêutica.
Então, como destacou um colega nosso, o professor Bruno Neves: “fazendo a leitura crítica do PPC, a proposta do curso, lemos aproposição; entretanto, vamos enxergar qual é a intenção. A intenção da proposta do curso de engenharia farmacêutica, no nosso entendimento, é usufruir e pegar para si uma boa parte, ou futuramente, em 10 anos, 20, 30 anos que muita gente às vezes não quer enxergar por longe aquilo que é mais característico da profissão farmacêutica na indústria do medicamento, tá?” Então, essa comparação, para a gente, fica meio sem sentido diante do que a gente enxerga, como sempre, aquilo que é privativo da nossa profissão.
Ainda falando do documento, tem o seguinte trecho: “A iniciativa inova ainda ao identificar um nicho do mercado industrial tipicamente ocupado por profissionais das Ciências Farmacêuticas, cuja formação ao longo dos anos não tem sido orientada ao desenvolvimento de processos em escala.” Você concorda com essa colocação? Por quê?
Olha, eu não concordo com uma crítica direta à ineficiência das faculdades de farmácia do Brasil inteiro; eu acho que é um equívoco, porque eles estão enxergando esse nicho, tanto que eu adiantei, né? É típico das ciências farmacêuticas, se é típico de ciências farmacêuticas, não deveriam nem pleitear entrar nessa seara, porque já têm, em certo modo, profissionais capacitados e em processos de transformação. Tudo na vida muda, e as profissões e os cursos também; tanto que, frequentemente, nós temos novas diretrizes curriculares, nós temos alterações de PPC e, às vezes, dentro, por conta da universidade, opressões externas, motivos externos, a gente tem necessidade de se mexer, modificar e melhorar. E é o que nós procuramos fazer, não só aqui, mas no Brasil todo: as faculdades de farmácia, algumas mais ou outras menos, especialmente as públicas, se dedicam a determinados setores com mais intensidade. Então, o setor industrial: muitíssimas faculdades de farmácia se dedicam e se aprimoram continuamente, e é o que a gente tem feito aqui na nossa universidade.
Então, colocar dessa forma já está colocando, em certo modo, o que eu acabei de falar para você, mostrando a intenção. Qual é a intenção? A intenção é se apropriar de uma área, tipicamente, das ciências farmacêuticas. Pronto. Então, eles mesmos, nesse documento que eu li, claro, a gente tem, por isso que é uma das nossas críticas, colocam, já de forma bem clara para todo mundo que quiser entender, qual é a intenção.
Na proposta também fala que a criação desse curso vai ampliar a relevância da universidade, no caso da UFG, apresentando no mercado um novo perfil profissional, capacitado essencialmente ao desenvolvimento de processos produtivos na cadeia industrial. Eles sempre estão dando ênfase na produção em escala e produção industrial. Então, tendo em vista que nenhuma outra universidade apresentou proposta parecida, você acredita que essa possível criação de graduação realmente ampliaria a relevância da UFG?
Olha, a criação de novos cursos é uma prerrogativa das universidades. Ela pode criar e propor criação de novos cursos. Nos últimos 15 anos, nós tivemos muitos cursos novos criados. Não é proibido propor. Mas essa proposição tem que ter um pé na realidade. Ela tem que ser discutida amplamente, e foi o que nós, a Faculdade de Farmácia e todas as organizações das entidades farmacêuticas, fizemos com essa proposta: fizemos a universidade refletir, pensar, comparar, avaliar e saber o que existe, o que não existe, o que é invasivo e o que não é invasivo. Tudo isso nós provocamos.
Nós podemos, como eu acabei de citar, criar outro tipo de curso de jornalismo. Isso vai ser inovação do ponto de vista do professor Luiz Carlos, que é farmacêutico. Nossa! Jornalismo científico eu adoraria fazer um curso de jornalismo científico, por exemplo. Mas nós sabemos que isso faz parte de uma das atribuições do jornalista. Então, do meu ponto de vista, que sou farmacêutico, o jornalismo científico é um curso de graduação inovador. Então, aquilo que a gente enxerga como inovação depende do observador ou de quem está ouvindo. Se pego um trabalho de ciências farmacêuticas aqui, mostrando como se fabrica um comprimido e mostrando de todas as formas, explicando, desenhando, botando fotos, aí eu posso botar até um videozinho com o equipamento funcionando. E eu pedi para o Kauan, que é estudante de jornalismo, avaliar e falar que aquilo ali é uma coisa nova, inovadora. E, na verdade, todo mundo em farmácia sabe que aquilo já existe há muito tempo. E, se você não for procurar outras fontes na literatura ou outras experiências ou outras instituições para poder comparar, você vai acreditar que é inovação, porque apresentei o negócio de uma forma muito bonita. Isso acontece muito no nosso meio.
Dependendo de quem está avaliando, ele pode considerar aquilo como inovador. E, na verdade, a pessoa não tem a experiência para julgar se aquilo é inovação ou não. Nós entendemos que não existe inovação no curso de engenharia farmacêutica, porque, na prática, quando falam em escala, em processo, nós já fazemos isso. Isso não é inovação, tá bom? Nós vamos usar técnicas estatísticas de controle de qualidade. Beleza, a gente faz isso e a gente pode evoluir, melhorar. Vamos usar inteligência artificial. Todo mundo vai usar inteligência artificial, ou já está usando em algum momento. Então, o inovador só parece inovador às vezes e, nem sempre, ele é o que parece.
Caso essa graduação seja criada, você acredita que o mercado farmacêutico nacional teria espaço para absorver um novo perfil profissional diferenciado do farmacêutico tradicional? E quais seriam os impactos para os atuais estudantes de farmácia e para os já formados?
Olha, uma das essências da proposta da criação do curso de engenharia farmacêutica, mais uma vez ressaltando que a minha participação neste processo, participação da faculdade de farmácia, é institucional, não é pessoal, e nós temos, até agora, um excelente relacionamento com o Instituto de Química, os professores de lá, de muitas décadas, não é só agora. O que nós entendemos é que a proposta deles deveria trazer para a gente esses subsídios. Eles deveriam conversar com a sociedade. E, lá na proposta do que nós lemos, eles não conversaram com a sociedade. Então, por exemplo, eles não conversaram com o patrão, o empregador.
Nós conversamos. Nós conversamos com o sindicato das Indústrias Farmacêuticas do Estado de Goiás. Esse sindicato emitiu uma nota de esclarecimento, junto com repúdio; não me lembro o título correto, por isso que eu tomo a dúvida, mas ela é pública, do SINDIFARGO, é a sigla do nosso sindicato aqui em Goiás, que espalhou para os sindicatos de todo o país, e eles divulgaram essas notas. Então, não foi só uma atividade corporativa. Ah, só os farmacêuticos? Não, nós conversamos com o sindicato patronal. O sindicato patronal fez uma nota esclarecendo que não precisa de mais gente nesse setor, de mais um profissional chamado Engenheiro de alguma coisa, que não sabe direito a que vai servir ainda.
Quem deveria fazer estimativas de mercado, quantas pessoas vão se formar por ano, quem vai absorver, quais vão ser os impactos internos e externos, nós questionamos isso nos nossos documentos: qual vai ser o impacto nas químicas, na engenharia química, na engenharia de produção? Qual vai ser o impacto para a farmácia, para os alunos e para os profissionais farmacêuticos? Como uma profissão, ela não consegue um lugar no mercado de trabalho em pouco tempo. Isso demora 10 anos, 15, 20, 30 anos.
Nós temos casos de profissões que, agora, depois de 40 anos, estão se estabilizando como relevantes para a sociedade brasileira. Então, é isso tudo que você se trouxe: o impacto deveria ter sido colocado no projeto original e, depois, até no PPC, naquela parte introdutória de contextualizar o curso, para onde ele vai, qual o perfil do egresso e tudo mais. E isso não foi feito. Foi um grande questionamento que nós fizemos. Então, acho que a outra parte deveria também procurar responder a esse questionamento.
Já existem cursos de pós-graduação, como de tecnologia industrial farmacêutica, que aprofundam a formação para a atuação em processos industriais. Qual seria, então, a diferença prática entre essa especialização e o curso de graduação de engenharia farmacêutica?
Desde a primeira conversa que nós tivemos com os professores, com os colegas do Instituto de Química, a primeira proposta que nós fizemos foi: vamos montar um bom curso de especialização envolvendo atividade laboratorial, atividade prática, fazer uma imersão. Depois, nós tivemos outras ideias: vamos montar, sei lá, um mestrado profissionalizante, vamos criar uma linha de pesquisa, até pensamos em residência, um projeto de residência, como na medicina, na área de saúde, residência na área farmacêutica industrial, fazer um convênio com a indústria e colocar profissionais para fazer uma imersão, um estudo profundo dentro de um prazo curto, sei lá, de um ano, por exemplo, de imersão. Aí, teria que conseguir financiamento para esses colegas ou profissionais que vão atuar como residentes, que têm custo. Então, nós fizemos várias propostas e todas elas foram rechaçadas.
Nós sugerimos mudanças de nome e, claro, mudando o nome, teria que mudar o PPC. Nosso objetivo principal é que a área farmacêutica não seja vilipendiada. Vilipêndio se usa normalmente para cadáver, né? Vilipêndio, mas pode ser vilipêndio de coisa viva também — que nós não morremos. Nós estamos fazendo 80 anos com unidade acadêmica; a farmácia no Brasil começou lá em Ouro Preto, em 1838. Em 1838, a Família Real veio para cá em 1808, com João VI. Então, 30 anos depois, tínhamos uma faculdade de farmácia. O curso de farmácia aqui em Goiás foi o primeiro curso na área de saúde, farmácia e odontologia. Então, nós temos uma vida toda lidando com os mais diversos aspectos da nossa profissão. E um dos aspectos mais relevantes é, por lei, competência jurídica e, obviamente, pela capacidade da nossa formação. Aí são as habilidades que a gente adquire.
Nós temos todo direito e condição de continuar a trabalhar nessa área e produzindo medicamentos. Lembrando que nós somos extremamente importantes na produção de medicamentos há muitas décadas. Agora, de uma hora para outra, falar que a partir de agora tudo vai mudar… Nós estamos antenados em relação a medicamentos antigos. A gente chama de formas farmacêuticas: comprimido, um xarope, uma injeção, tá? A gente sabe fazer, a gente sabe fabricar, a gente sabe controlar, a gente sabe distribuir, a gente sabe orientar. E é claro que são áreas diferentes, né? O farmacêutico que produz, ele não vai orientar no balcão da drogaria. Ele não vai orientar o paciente no hospital. Então, são áreas diferentes de atuação. Mas não é uma área restrita. Falar “nós só podemos atender” ou “assim, não podemos fabricar”… Nós estamos na farmácia de manipulação, nós estamos na indústria, nós fabricamos medicamentos.
É a nossa essência. Sem isso, é como tirar o nosso oxigênio. Aí, você vai matar uma profissão que é secular, talvez milenar, citada na Bíblia, o boticário e essas coisas todas. Então, o nosso apelo não é só pela tradição da profissão farmacêutica; é muito mais profundo que isso. Tem a ver com a nossa existência ou não, nos próximos anos, nas próximas décadas. Por isso, esse movimento todo na universidade, fora da universidade, ele aconteceu e continua acontecendo, porque o processo não foi definido. Só na próxima segunda-feira, a Câmara de Graduação deverá definir uma comissão, que vai fazer uma segunda vista, digamos assim, sobre esse processo, e esperamos que, ouvindo as partes interessadas e lendo atentamente as nossas contribuições, as nossas críticas e as nossas contestações, tudo seja considerado.
Feira Intercultural, que acontece desde 2020 em Goiânia, mostra a importância do encontro de culturas, línguas, ritmos e saberes
Na tarde de sábado, 19 de Julho, aconteceu a 5° edição da Feira Intercultural no Museu Antropológico da Universidade Federal de Goiás (UFG), com o tema: “A Força das Artes e Narrativas Indígenas”. Esse evento reuniu a comunidade indígena e estudantes da universidade com o objetivo de dar visibilidade a cultura indígena.
Esse projeto acontece duas vezes, início e meio do ano, e permite que os alunos consigam autonomia econômica ao comercializarem os seus produtos, movimento que ajuda cada um a permanecer na universidade, além de compartilhar seus saberes, história e arte.
A feira foi uma iniciativa promovida pela professora Lorena Dallara e outros docentes e discente da UFG, parceria realizada com o Museu Antropológico para promover a diversidade cultural.
Foto: Daniela Letícia
Apresentações da edição
• Exposição e venda de Arte Indígena;
• Pintura Corporal, feita pela comunidade indígena presente;
• Oficina de observação de pássaros com o grupo Óia Passarinhar, que possuem o objetivo de engajar a sociedade na preservação e proteção da biodiversidade, conscientizando através da observação de pássaros;
• Apresentação da cantora e compositora Aridan, com foco em consonâncias da Música Popular Brasileira (MPB) e samba;
Cia de Teatro Senhoras do Cerrado; Foto: Daniela Letícia
A 5°edição, assim como as anteriores, foi essencial para promover e ensinar sobre a importância da cultura dos povos tradicionais, acolhendo, ensinando e transformando cada um dos presentes.
Para não perder as próximas Feiras Interculturais acompanhe o Instagram do Museu UFG: LINK
Junho chega com mais uma Feira Agro Centro-Oeste Familiar (Acof). O evento é promovido pela Escola de Agronomia da Universidade Federal de Goiás (EA/UFG) e começa nesta quarta (04/06), com encerramento no dia 7 de junho. Em sua 22ª edição, a Acof traz a temática “Agricultura Familiar forte é cooperativismo forte!” e ocorrerá no Centro de Cultura e Eventos Professor Ricardo Freua Bufáiçal, no campus Samambaia da UFG.
Segundo a organização da feira, a estimativa é de 15 mil visitantes durante os quatro dias de evento. Quem participar poderá escolher atividades bem diferentes, como palestras, cursos, minicursos, seminário científico, cozinha camponesa e até shows culturais. Para os envolvidos na programação, esses ambientes diversos favoreceram e ainda favorecem que o evento seja um “espaço de trocas, fomento à inovação e estímulo à autonomia dos territórios rurais”.
A Feira Agro Centro-Oeste Familiar adapta sua programação anualmente, mas sempre volta sua atenção para tópicos como sustentabilidade e tecnologias no campo. Em 2025. o evento terá:
feira livre da agricultura familiar
estandes institucionais
seminários temáticos
seminários científicos
cursos e oficinas práticas
visitas técnicas à áreas de cultivo
exposição de máquinas e implementos agrícolas
rodas de conversas
apresentações artísticas
Confira aqui todos os detalhes da programação deste ano.
Tradição há 25 anos
Foto: Julia Kuramoto
A Feira Agro Centro-Oeste Familiar foi criada em 2000 pela UFG e se tornou um evento anual de grande relevância para a agricultura familiar no Brasil, especialmente na Região Centro-Oeste. Até então realizada anualmente em Goiânia, ao decorrer do tempo a feira se consolidou como um espaço crucial para reunir agricultores, pesquisadores, estudantes, gestores públicos e a sociedade civil, onde ocorre a promoção, valorização e o fortalecimento da agricultura familiar. Portanto, é uma importante oportunidade para que os expositores possam apresentar e comercializar suas produções.
Realizado anualmente, o evento que de início tinha um foco mais amplo passou, a partir de 2005, a concentrar-se na agricultura familiar. Esse foco vem como reconhecimento da necessidade de apoio a esse segmento, proporcionando um local para expor produtos, bem como palco para discussão de políticas públicas.
Essa necessidade se deve a diversos fatores estruturais, sociais e econômicos, visto que apesar da agricultura familiar ter uma vasta produção de alimentos, os agricultores enfrentam diversas dificuldades, entre elas o acesso a crédito, assistência técnica, tecnologias adequadas e mercados para comercialização.
O professor Rogério Almeida, que idealizou o projeto, comenta que: “eu sempre entendi que o pequeno produtor ia precisar da mecanização. Nos últimos anos, os pequenos agricultores perceberam isso também. Então, agora, eles querem máquinas e a gente tem buscado trazer, não só máquinas, mas mais tecnologias. Por exemplo, hoje eu tô trazendo o drone. Tem gente que vai questionar: ‘mas o drone para o pequeno agricultor?’ Sim, acho que ele tem que ter acesso a toda a tecnologia, inclusive drone, agricultura de precisão, tem que ter acesso a tudo isso, se beneficiar disso também. Essa é a nossa visão.”
Sendo assim, a criação da Acof e seu redirecionamento de foco respondem a essa lacuna de apoio e integração do setor ao desenvolvimento rural sustentável no Brasil. Desde então, a feira tem sido organizada por uma rede de instituições como a UFG, o Instituto Federal Goiano (IFG), o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), a Emater-GO, a Embrapa, a Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar de Goiás (Fetraf-GO), entre outras.
Ao longo dos anos, a Acof expandiu seu alcance, sendo realizada em diferentes municípios goianos, como Morrinhos (2014), Urutaí (2016), São Luís de Montes Belos (2018) e Ceres (2022), além de retornar periodicamente à UFG em Goiânia. Embora a feira complete em 2025 25 anos desde sua criação, houve apenas 22 edições, devido a interrupções ocasionais, principalmente a pandemia de COVID-19, que impossibilitou a realização do evento por alguns anos. Apesar disso, a feira mantém sua tradição anual e chega, agora em junho, com mais uma edição.
Por dentro do evento
Por ter uma lista de atividades extensa e diversa, a Agro Centro-Oeste funciona com uma dinâmica diferente de outros eventos acadêmicos que estudantes e professores da UFG estão habituados. Cada roda de conversa, mesa redonda, exposições de produtos agrícolas, praça de alimentação e comercialização por parte dos agricultores e artesãos que participam funcionam de forma paralela. Esse é um diferencial que chama a atenção de quem visita o local.
Neste ano, inclusive, a Acof contou com o “Espaço Saúde”, com vacinação contra Influenza e testes de ISTs (Infecções Sexualmente Transmissíveis). Além dessa ação, momentos simbólicos para o evento também ocorreram: a Câmara Municipal de Goiânia homenageou a feira pelos 25 anos de criação. Segundo a organização da Acof, mais de 100 pessoas já fizeram parte dessa história.
Foto: Julia Kuramoto
No entanto, em entrevista ao Lab Notícias, a professora Magda Matteucci relata algumas contradições quando o assunto é o crescimento e o reconhecimento da Acof no cenário regional e nacional. “Eu não vejo dimensão nenhuma. Eu acho que o projeto está se desviando muito da finalidade, por exemplo, essas máquinas não eram para estar aqui e eu não sou saudosista, acho que as coisas têm que evoluir, mas sempre com foco. “Dessa vez, achei o ano mais desorganizado e acho que precisamos de mais diálogo”, desabafa.
Já para Ludmilla Luciano, que participa de uma Comunidade que Sustenta a Agricultura chamada CSA Artigo 5º, “a Acof é muito importante na medida que ela traz como protagonistas as camponesas, os camponeses, as comunidades tradicionais, quilombolas, indígenas que detém esse conhecimento da agrobiodiversidade e, sendo assim, a CSA comunga com essa matriz de produção de alimentos mais gentil, mais biodiversa que respeita a terra e que respeite as pessoas que estão trabalhando ali para nos oferecer o melhor alimento saudável”, reflete.
A Acof é muito importante porque ela consegue recepcionar esses sujeitos e sujeitas, protagonistas da produção desses alimentos saudáveis, e consegue aproximar também o consumidor dessas pessoas, né, de poder conhecer quem são as pessoas que colocam alimento de verdade nas suas mesas.
Um dos maiores desafios das cidades hoje é a mobilidade: a péssima qualidade de transporte público e o mal planejamento urbano é um dos motivos para a falta de fluxo no trânsito. É evidente que há muitos carros nas vias, mas apenas dizer que é isso que causa o congestionamento do tráfego é muito simplista.
Há pelo menos duas décadas, a mobilidade urbana em Goiânia é um problema a ser solucionado. Para a população, a solução para a melhoria do trânsito e transporte público é reduzir o uso dos veículos motorizados nas ruas da capital.
Segundo o diagnóstico feito por pesquisadores da Universidade Federal de Goiás (UFG) a frota atual já soma cerca de 1.332.170 veículos, o que é cerca de 100 mil carros e motos a mais do que havia em 2021.
O transporte público é um serviço essencial para a população, especialmente para o desenvolvimento da mobilidade urbana. Entretanto, na Região Metropolitana de Goiânia, o transporte público ainda enfrenta diversos desafios, como superlotação, longos tempos de espera, desconforto, frota envelhecida e uma sensação de insegurança.
Segundo a arquiteta e urbanista Carolina Gontijo, para melhorar o problema de mobilidade urbana em Goiânia
‘‘É necessário pensar em escala metropolitana. Assim, seria importante que a capital, por ter uma maior estrutura administrativa, também tivesse um protagonismo na gestão metropolitana, procurando articular principalmente políticas de mobilidade, uso do solo, ambientais e socioeconômicas com os demais municípios, especialmente os conturbados, como por exemplo Aparecida de Goiânia, Trindade e Senador Canedo.”
A urbanista acredita ainda que o BRT Norte-Sul vai ajudar, mas não vai resolver por completo o problema da mobilidade na capital metropolitana.
Mobilidade e causas do congestionamento
De acordo com o mestre em transporte Miguel Ângelo Pricinote, coordenador técnico do Mova-se Fórum de Mobilidade, o congestionamento é um dos problemas urbanos mais preocupantes. Portanto, há um efeito considerável na qualidade de vida nas cidades. “Não é surpreendente descobrir que as regiões com maior número de veículos apresentam, em média, níveis mais elevados de poluição atmosférica e sonora. Os carros são uma das maiores fontes de poluição do planeta”, pontua.
O Plano Municipal de Mobilidade de Goiânia (PlanMob), a pedido da Secretaria Municipal de Planejamento e Habitação (Seplanh), afirma que mais da metade das viagens feitas na capital são de menos de 10 minutos. Os deslocamentos são feitos em até 5 quilômetros, o que, segundo o PlanMob, poderiam ser realizados por outros modos, como a bicicleta, caminhada ou mesmo o transporte público, o que reduziria a quantidade de veículos nas ruas e, logo, aumentaria o espaço viário para a fluidez.
Para a estudante de direitoVanessa Duarte, a falta de sinalização adequada e um asfalto e um dos principais motivos de congestionamento em Goiânia
‘‘Um dos maiores problemas do trânsito hoje em dia é a falta de uma sinalização adequada, o asfalto e de péssima qualidade e acaba estragando os veículos muito mais rápido. Um prejuízo muito maior.’’
De acordo com a Secretaria Municipal de Mobilidade (SMM), Goiânia passa pela mesma situação de “toda capital brasileira ou município que concentra grandes polos geradores de tráfego”. A pasta cita que os principais problemas são o crescente número de veículos, a necessidade de vagas para estacionamento frente à demanda dos serviços e a velocidade desenvolvida por condutores. “Esses problemas não apenas afetam a eficiência do tráfego, mas também têm impactos na segurança viária”, afirma.
O agente de trânsito Daniel Paiva destaca alguns fatores para a melhoria do fluxo da via de trânsito: ‘‘A recuperação das vias, das massas asfálticas e das sinalizações é essencial para melhorar a fluidez do trânsito. Um escalonamento dos comércios para abrir em horários distintos, para que as pessoas não saiam de casa ao mesmo tempo, para que as vias não fiquem travadas’’.
Soluções
As bicicletas têm um papel fundamental. Contudo, é preciso aplicar conceitos de planejamento urbano para que esse seja um modo eficiente de transporte, com integração a outros modais para percorrer longas distâncias.
A gestão de tráfego pode contar com uma grande aliada: a tecnologia. Existem várias soluções tecnológicas para auxiliar as cidades a lidarem com o congestionamento. De acordo com o agente de trânsito Daniel Paiva a câmera de monitoramento é uma grande aliada para melhorar a mobilidade do trânsito.
‘‘As câmeras ajudam na fiscalização de trânsito, além disso hoje elas são utilizadas pela Guarda Civil, Polícia Militar e Polícia Civil para inibir a criminalidade. Através das câmeras eles conseguem rastrear um veículo que foi roubado ou que está causando um congestionamento. Então além de fiscalização de trânsito é muito importante as câmeras nesse sentido de dar segurança’’.
Tradicionalmente, o período de férias no Brasil é disponibilizado nos meses de janeiro, julho e dezembro. No entanto, algumas instituições estão enfrentando uma certa dificuldade em relação a oferta nesses períodos, essa situação acaba gerando um certo desconforto tanto para alunos quanto para professores.
A Universidade Federal de Goiás (UFG) é um exemplo dessa situação, de ter que disponibilizar férias em períodos completamente contraditórios do que o esperado, reduzir a duração de alguns períodos e também interromper semestre com recessos. As últimas férias, por exemplo, foram ofertadas em setembro do ano passado, resultando no começo de período em outubro e finalização apenas no início de fevereiro. Isso resultou em aulas até a véspera do Natal, havendo apenas um curto intervalo durante as festas de fim de ano.
Imagem: iStock
Impactos na vida acadêmica e pessoal
Em entrevista, Guilherme Gonçalves, estudante de Jornalismo da UFG, relata um dos grandes problemas que enfrenta devido essa situação. Ele menciona como as aulas em períodos como dezembro, atrapalha as oportunidades de passar um tempo com sua família e também destaca a dificuldade de conciliar os trabalhos acadêmicos nesse período de festa.
Eu acho muito desanimador estudar em períodos nos quais todos estão de férias, como por exemplo, nas férias de dezembro, quando toda a sua família tem planos de viajar e se reunir para passar um tempo com as pessoas que gostam, mas infelizmente, você não pode participar, pois tem o dever de fazer provas, trabalhos e cumprir suas obrigações da faculdade.
Iara Brito, estudante de Jornalismo também na UFG, comenta sobre os impactos que isso causou não apenas em sua rotina, mas também na interações com amigos de outras instituições. Além disso, Iara relata como isso dificultou em planejar atividades pessoais com sua família.
Esse desalinhamento acaba confundindo bastante a nossa cabeça e, principalmente, a das pessoas de fora. Muitas vezes, quando o nosso período está terminando, o de outras universidades está começando, e vice-versa. Há períodos em que toda a minha família está de férias, querendo viajar, mas eu, por exemplo, não posso, pois não estou de férias e acima de tudo tenho trabalhos a serem entregues.
O Professor Substituto Mário Manzi relata um dos problemas enfrentados por ele devido à interrupção no meio do semestre causada por recessos, e segundo ele essas pausas acabam comprometendo o aprendizado.
Essa interrupção causada pelos recessos e a continuidade do semestre após as festas traz alguns problemas relacionados à continuidade da disciplina. Assim, há uma perda de conteúdo, e muitas vezes o aluno fica um tempo no meio do semestre sem contato com aquele assunto específico, o que acaba gerando problemas de compreensão e seguimento.
Compreenda a causa e o processo de regularização.
Para explicar com clareza a respeito desse assunto, entrevistamos Eline Carneiros, Pró-Reitora Adjunta de Graduação para discutir os motivos por trás do desalinhamento acadêmico.
O que levou o calendário de graduação a não estar compatível com o ano civil foram consequências relacionadas ao período da pandemia. Cancelamos o semestre e ficamos um tempo sem atividades presenciais e acadêmicas, mas a universidade implementou medidas para o enfrentamento da pandemia. Portanto, o desalinhamento do calendário se deu devido a esse período que ficamos afastados, no qual ocorreu esse descompasso entre o calendário acadêmico e o calendário civil.
Eline fala sobre os métodos adotados para a regularização do calendário e compartilha as estratégias implementadas para cumprir o ano letivo conforme a legislação.
Para regularizar o calendário, sabemos que devemos cumprir os dias letivos de acordo com o que a legislação preconiza. Por conta disso, a cada ano desde que retornamos de forma presencial, estamos diminuindo esse distanciamento. Neste ano de 2024, conseguimos, com o calendário aprovado, fazer esse alinhamento, começando o período em 18 de março e finalizando no dia 21 de dezembro.
Em entrevista, Eline Carneiros acrescenta que compreendem os impactos que essas férias fora de época causam nos servidores, docentes e alunos que têm filhos de férias enquanto estão em período letivo. Eline reconhece as dificuldades enfrentadas, mas destaca que é necessário cumprir os dias letivos, pois tudo isso é definido previamente em uma resolução que passa por uma câmara de graduação e aprovação do CEPEC.
Equipe da CSVM UFG de 2024 no prédio de Núcleo de Desenvolvimento Humano. Foto: Andréa Vettorassi
A Cátedra Sérgio Vieira de Mello (CSVM) é um projeto idealizado e implementado, desde 2003, pela ACNUR (Agência da ONU para Refugiados), em cooperação com centros universitários nacionais, que visa promover a educação, pesquisa e extensão acadêmica. Além do trabalho direto com as pessoas em condição de refúgio, fomentando o acesso e permanência ao ensino, revalidando diplomas, levando o ensino da língua portuguesa, entre outras iniciativas de apoio aos refugiados, a Cátedra busca também difundir o ensino universitário sobre temas relacionados ao refúgio e promover a capacitação dos demais professores e estudantes dentro desta temática.
O nome da CSVM trata-se de uma homenagem ao brasileiro Sérgio Vieira de Mello, morto no Iraque, também em 2003. Sérgio dedicou boa parte de sua vida ao trabalho humanitário direcionado aos refugiados e trabalhou na própria ACNUR. Ele estava em missão no Iraque, como representante oficial do Secretário-geral das Nações Unidas, quando o Hotel usado como sede da ONU no país sofreu um ataque terrorista, provocado por um caminhão-bomba, 22 pessoas foram mortas e outras 150 ficaram feridas ao todo.
Universidade Federal de Goiás e a CSVM
A UFG integrou a Cátedra oficialmente em março de 2021. A professora doutora Andréa Vettorassi, além de docente da Faculdade de Ciências Socias da UFG, também é Coordenadora Geral da Cátedra e explicou:
A Cátedra é uma espécie de carta de intenções em que a UFG firma parceria com o alto comissariado das Nações Unidas para refugiados que é o ACNUR. Esse projeto foi aprovado no final de 2020 e teve seu início efetivo em março de 2021. Nessa carta de intenções há uma série de atividades nos três pilares básicos que sustentam a universidade pública, que são: o ensino, a pesquisa e a extensão. Ou seja, nessa carta a gente apresenta para o ACNUR tudo que a UFG faz tanto na área de ensino, quanto na área da pesquisa, quanto nas atividades possíveis de extensão e que estejam atreladas as demandas dos refugiados e dos imigrantes, de uma forma geral, não só na cidade de Goiânia, mas em todo o estado de Goiás. Então é uma atividade bastante interdisciplinar que reúne muitas faculdades diferentes e que, portanto, possui um trabalho de atuação bastante significativo.
Confira abaixo os objetivos específicos da Cátedra na UFG:
Difundir o ensino universitário sobre temas relacionados ao refúgio
Promover a formação acadêmica e a capacitação de professores e estudantes dentro da temática
Aumentar a quantidade de trabalhos diretos com refugiados em projetos comunitários
Permitir o acesso e permanência ao ensino, a revalidação de diplomas, assim como o ensino da língua portuguesa à população de refugiados.
Fortalecer a Proteção Internacional dos Refugiados
Fomentar investigações interdisciplinares no tema
Promover a formação do campo do direito internacional dos refugiados.
A dinâmica do refúgio no Brasil
Nos últimos anos, conflitos armados, políticos, de religião e crises humanitárias voltaram a dominar noticiários e capas de jornais. Essas adversidades levam muitas pessoas a fugirem do lugar onde nasceram e buscar asilo em outros países, onde geralmente encontram muita dificuldade para morar, estudar e arranjar emprego.
A quantidade de pessoas refugiadas a que a Cátedra presta apoio depende muito da época do ano, depende muito de quais são as demandas. Nós já atendemos mais de 100 pessoas em situação de refúgio ou de imigração. Temos uma grande demanda de venezuelanos, mas também atendemos haitianos, bolivianos, cubanos e até mesmo pessoas do leste europeu, e mais recentemente, afegãos. Então é um número bastante significativo de pessoas que vão receber apoio jurídico, vão receber também apoio básico mesmo, como cesta básica e colchões. Além disso temos o ensino da língua portuguesa, que a gente promove pela Faculdade de Letras, entre muitas outras atividades para apoiar a inclusão.
Apresenta a Dra. Vettorassi.
A tabela abaixo ressalta essa diversidade de países de origem dos solicitantes de reconhecimento da condição de refúgio no Brasil.
A verdade é que é muito difícil, principalmente no começo, porque a língua é diferente, a cultura, comida né. Muita gente chega aqui sem conhecer ninguém e coisas básicas como ir comer, ir no mercado, são muito difíceis. Com o tempo, fui pegando o jeito, fazendo amigos e foi melhorando. Mas se eu tivesse esse apoio desde o começo teria sido mais fácil. Nós, imigrantes, viemos em busca de oportunidades de trabalho e de ter uma vida melhor. O pessoal costuma ir mais pra São Paulo e Rio de Janeiro, eu vim para Goiânia e gostei muito. Mas no começo foi complicado.
Comenta Josué Ulysse, imigrante vindo do Haiti após os terremotos que abalaram o país.
Desafios
No entanto, a Cátedra ainda enfrenta dificuldades para ser reconhecida e difundida, a fim de alcançar essas pessoas em situação de refúgio. Ainda existe o desafio de ser um trabalho voluntário, ou seja, os professores e alunos participantes não recebem nenhum tipo de bolsa de auxílio. Segundo a coordenadora, a CSVM UFG está em busca de aprimorar seu serviço de comunicação, trabalhando para levar informações tanto para a população em condição de refúgio quanto para o restante da comunidade acadêmica.
Foi muito interessante conhecer esses projetos dentro da universidade. Antes do estágio, eu jamais teria contato com esse órgão que oferece tanto suporte aos refugiados. Acho muito interessantes as ações de validação de diplomas e as assistências linguísticas fornecidas para realmente acolher esses acadêmicos na universidade e fazê-los se sentirem pertencentes.
Relata Maria Eduarda Beltrão, estagiária voluntária da CSVM UFG.
Clique abaixo para conferir o instagram da Cátedra Sérgio Vieira de Mello UFG:
Em paralelo a esse trabalho feito pela Cátedra, o Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Social (Seds), está realizando uma consulta pública para elaborar o primeiro Plano Estadual de Políticas Públicas para Refugiados, Migrantes e Apátridas de Goiás.
O planejamento desse plano está contando diretamente com a consultoria da ACNUR e irá propor diretrizes para a implementação de políticas públicas de atenção a essa população. A consulta pública vai ser realizada até o dia 26 de janeiro, já o lançamento do Plano está previso para o mês de fevereiro.
Segue abaixo o link para o formulário da consulta pública:
No dia 11 de dezembro de 2023, o Consórcio Brasil Central divulgou o resultado final da segunda edição do Prêmio de Boas Práticas. O projeto Hackathon Low Code – que visa a resolução de problemas, de forma inovadora através da programação e é destinado a jovens da rede pública Estadual -, conquistou o segundo lugar na categoria “Educação”. A premiação dos projetos vencedores ocorrerá em Brasília, no dia 23 de janeiro.
A Hackathon Low Code é um projeto formado em parceria entre o Centro de Excelência em Inteligência Artificial (CEIA – UFG), a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e a Secretaria de Educação (SEDUC). Atuando desde 2021, o projeto – que é voltado para alunos entre 9 e 20 anos -, se baseia em quatro etapas: a capacitação de professores da rede estadual de ensino em habilidades de empreendedorismo e no uso de ferramentas Low Code; o “repasse” desse conhecimento para os alunos; a execução de bootcamps preparatórios com os estudantes e a participação nas Campus Party de 2022 e 2023.
Alunos da rede estadual de ensino dos municípios de Jussara e Itapuranga venceram o Hackathon Low Code na Campus Party de 2023/ Fonte: Seduc GO
O Projeto
O Hackathon Low Code teve início em 2021, através da parceria entre o Centro de Excelência em Inteligência Artificial (CEIA – UFG), a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e a Secretaria de Educação (SEDUC). Participaram, ao todo, 354 alunos e 118 professores, de instituições de ensino da rede pública de educação do Estado de Goiás, incluindo escolas indígenas, quilombolas, de tempo integral, parcial, militares e de tecnologia.
Uma Hackathon consiste em uma maratona de tecnologia, em que as equipes precisam desenvolver soluções tecnológicas para um problema de um tema específico da sociedade, que é definido pela organização do evento. Já o formato Low Code, “consiste em diversas plataformas onde é possível desenvolver um aplicativo do zero até a sua entrega pros usuários de forma visual, encurtando a curva de aprendizado para que não-desenvolvedores também consigam colocar suas ideias em prática.”, esclarece João Gabriel Junqueira, coordenador do projeto.
Para João Pedro Marques – professor de matemática do CEPI (Centro de Estudo em Período Integral) José Pereira de Faria, de Itapuranga, colégio que venceu a Hackathon Low Code da Campus Party de 2023 junto ao colégio de Jussara -, projetos como esse, que unem educação, inovação e tecnologia são muito importantes para a formação do estudante e, também, do mercado.
“O mercado de tecnologia, ainda mais atualmente, precisa de gente que pense fora da caixa. O que é normal, o que todo mundo pensa, as inteligências artificiais já fazem. Então o que pode ser pensado envolvendo a tecnologia, pessoas que realmente não fazem mais do mesmo. Pessoas que vão além. Então é essa educação que a gente tem que preparar. A gente tem que preparar os nosso jovens para um mundo que está em processo de mudança.”
Prêmio Boas Práticas
O Prêmio de Boas Práticas, elaborado pelo Consórcio Brasil Central, é uma premiação que visa promover o intercâmbio de boas práticas entre os participantes do Consórcio (Distrito Federal e os estados de Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia e Tocantins), nas áreas de Saúde Pública, Segurança Pública, Educação, Infraestrutura e Logística, Desenvolvimento Econômico e Social, e Gestão Pública e Inovação.
Em 2023 houve a segunda edição da premiação com cerca de 131 iniciativas, sendo que 31 delas vieram de Goiás. Na categoria de Educação, o projeto Hackathon Low Code conquistou o segundo lugar. Já o primeiro colocado da categoria foi o Programa Estudantes de Atitude, também de Goiás.
A participação feminina
Segundo o “Relatório da Diversidade”, realizado pela Brasscom (Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) e de Tecnologias Digitais) em 2022, embora as mulheres representem 51% da população brasileira, no mercado de trabalho elas constam cerca de 44% das contratações. No entanto, na área de TIC (Tecnologia da Informação e Comunicação), a disparidade de gênero se torna um problema mais acentuado: apenas 39% dos cargos são ocupados por mulheres.
Além disso, ao fazer o recorte racial, os índices apresentados na pesquisa se tornam ainda menores: 11,6% do mercado de TIC é composto por mulheres negras.
No projeto Hackathon Low Code, participaram, entre alunas e professoras, cerca de 200 mulheres, o que representaria aproximadamente 40% dos participantes. Para João Gabriel Junqueira, coordenador do projeto, esse número reflete a realidade apresentada na pesquisa e reforça a necessidade de iniciativas que tragam o público feminino para esses ambientes de tecnologia e inovação: “nas duas edições do Hackathon tivemos equipes formadas por apenas alunas mulheres e que ficaram entre as principais colocadas. Também vale ressaltar a participação das escolas indígenas e quilombolas onde também tivemos a presença de alunas e professoras que puderam trazer a diversidade de ideias e talentos.”.
O mercado de tecnologia
O Relatório Setorial de 2022, organizado pela Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) e de Tecnologias Digitais, informa que nos últimos 5 anos houve um crescimento de 6,9% ao ano no Macrossetor de TIC. No entanto, o crescimento do setor não segue o nível de profissionais capacitados no mercado, uma vez que o relatório “Demanda de Talentos em TIC e Estratégia Σ TCEM”, também da Brasscom, indica um déficit de cerca de 106 mil profissionais.
Para João Gabriel Junqueira, instigar o interesse pela tecnologia desde o início da formação do estudante é importante, “Um programa como este na rede básica ajuda a preencher essas lacunas na medida em que os alunos tem acesso a este conteúdo muito antes do ensino médio e do ensino superior”.
Gráfico sobre a projeção de necessidade de profissionais da área de tecnologia nos próximos anos/ Fonte: Brasscom
Em artigo publicado no site oficial da Associação, a ABES (Associação Brasileira das Empresas de Software), reafirma a importância de se aliar a educação com a capacitação profissional no ramo da tecnologia para combater o déficit de profissionais no mercado brasileiro, “Educação e treinamento andam juntos. É fundamental investir em programas de educação e treinamento que preparem as pessoas para as habilidades necessárias na economia digital. Isso pode incluir o desenvolvimento de currículos atualizados, cursos on-line, programas de reconversão profissional e parcerias entre instituições de ensino e empresas para oferecer programas de estágio e aprendizado prático.”
Segundo o estudo Futuro do Trabalho 2023, elaborado pelo Fórum Econômico Mundial com o apoio da Fundação Dom Cabral e divulgado pela revista digital Forbes Brasil, pensamento criativo, flexibilidade e pensamento analítico, então entre as habilidades mais exigidas pelos empregadores.
Para Emília Franco, analista do Sebrae Goiás (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), projetos que visam a tecnologia e educação, são importantes pois fomentam os valores de protagonismo e empreendedorismo, que são benéficos para a formação pessoal e comportamento profissional do jovem: “Então isso é uma formação. Você colabora não só pra pessoa criar o seu negócio, mas ela atuar como empreendedora em outras situações, até mesmo sendo empregado.”
Franco acrescenta, ainda, a importância que o desenvolvimento desses valores tem até mesmo para a economia do Estado “a partir do momento que se tem empresas qualificadas e bem preparadas, você automaticamente vai contribuir para a economia. Se essa pessoa futuramente vai abrir um negócio, vai participar de uma empresa e traz resultados positivos, ela vai contribuir para a economia, para a geração de renda.”
Já para o professor João Pedro do CEPI José Pereira de Faria, a capacidade criativa e de inovação são fundamentais para a formação dos jovens e futuros profissionais da área da tecnologia, “Eu falei para eles [os alunos]: vocês não precisam elaborar uma empresa para ficar rico. Vocês precisam ter uma boa ideia. O que faz com que as pessoas mudem de situação é pensar fora da caixa, algo inovador que faz com que aquilo seja único. Porque tudo que é único tem o seu valor”.
Além disso, ele destaca o caráter de mudança que os jovens já podem trazer, hoje, para a sociedade com a tecnologia. A proposta desenvolvida pelo CEPI de Itapuranga junto ao colégio de Jussara, ganhadora do Hackathon Low Code da Campus Party de 2023, conquistou, também, um projeto de pesquisa em parceria com a Universidade Federal de Goiás para o desenvolvimento da ideia. O aplicativo, consiste em uma proposta que une educação e mobilidade urbana: enquanto a pessoa está aguardando o transporte público, ou mesmo, no seu trajeto, ela pode usar o tempo ocioso para aprender conceitos básicos de programação de forma lúdica, de modo a aumentar o conhecimento e capacitação na área da tecnologia.