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Marta na inauguração da estátua de cera ao lado de Tite, Ednaldo Rodrigues e Pia Sundhage (da esquerda para a direita) — Foto: Lucas Figueiredo (CBF)

Marta, seis vezes a melhor jogadora de futebol do mundo e maior artilheira do país entre as seleções masculina e feminina, recebeu na última quinta (8) uma estátua em tamanho real no Museu da Confederação Brasileira de Futebol, no Rio de Janeiro.

Símbolo do futebol feminino, a atleta de 36 anos é apelidada de “rainha” do esporte. A camisa 10, na última Copa do Mundo, tornou-se a maior artilheira da história entre as modalidades masculina e feminina. Com 17 gols, no jogo contra a Itália, em 2019, Marta supera o antigo artilheiro das Copas – o alemão Miroslav Klose.

Estreia há quase 20 anos

Marta estreou representando a “amarelinha” na competição em 2003, com 17 anos. No jogo, contra a Coréia do Sul, ela marca seu primeiro gol pela Copa do Mundo. Era pênalti para o Brasil e quem cobrava era a futura rainha do futebol, goleando. Da mesma forma foi o gol que deu a Marta a artilharia das Copas em 2019: de pênalti, contra as italianas, aos 74 minutos.

Marta em comemoração do gol contra a Itália, em 2019 — Foto: Philippe Huguen (AFP)

Ao ser entrevistada na inauguração da estátua do Museu da Seleção, Marta conta sobre o reinado do futebol brasileiro ao lado de Pelé:

“A gente batalha pra fazer história. Nossa história é coletiva. Não existe um rei sem rainha, né?”, diz Marta, em entrevista à TNT Sports, sobre a “realeza” brasileira no futebol.

Conhecido como maior jogador da história do futebol, Pelé é popularmente conhecido como “rei” da modalidade. O jogador foi considerado pela Federação Internacional do Futebol o melhor jogador do século XX. Agora, ao lado dele, é eternizada a figura da “rainha” Marta no Museu da Confederação.

Feita por mais de 25 artesãos ingleses e pesando 30 quilos, a estátua foi colocada em um espaço reservado do museu. Junto à de Pelé, as figuras materializam dois dos grandes nomes do futebol brasileiro.

Vitória para o futebol feminino:

A homenagem representa também a maior visibilidade e reconhecimento do futebol feminino, como aponta a própria jogadora. À CBF TV, Marta diz que “Quando se homenageia uma atleta da Seleção Feminina, se homenageia a todas. Para mim é algo que não tem preço, me deixa muito emocionada e honrada com tudo isso”.

Hoje, a atleta é referência e inspiração para muitas meninas que buscam atuar no futebol feminino. A estátua, pela carga de representação das mulheres no futebol, como aponta o presidente da CBF Ednaldo Rodrigues, é símbolo disso.

Isso porque historicamente o futebol feminino caminhou a passos lentos no país, quando comparado ao masculino. Em 1941, em um processo de regulamentação do esporte, a modalidade foi proibida de ser praticada por mulheres. Pelos próximos 38 anos, mulheres não poderiam jogar futebol no Brasil. Enquanto isso, a Seleção Masculina se tornava tricampeã mundial, em 1970. Só em 1979, o futebol feminino (re)nascia, com a regulamentação legal apenas em 1983.

Assim, o reconhecimento de atletas como Marta é fundamental para a devida visibilidade que o futebol feminino vem conquistando, como afirma o presidente da CBF.

“É um orgulho para a CBF homenagear aqueles que tanto fazem pelo futebol brasileiro em vida. É um reconhecimento do que tem sido feito por Marta, uma das maiores incentivadoras para o futebol feminino do Brasil estar nesse estágio”, diz Ednaldo à CBF TV.

5 thoughts on “‘Não existe um rei sem uma rainha’ | Marta recebe estátua de cera no Museu da Seleção Brasileira”
  1. Eu tô chocada que houve um período no Brasil em que as mulheres foram proibidas de jogar futebol. Durante toda a matéria, já fiquei ‘arrepiada’ com a homenagem à Marta, mas ao saber desse fato eu percebi o peso AINDA MAIOR de uma estátua dela — o que representa às atletas da modalidade e toda a história do futebol feminino. É bom saber que esse reconhecimento tá vindo, ainda que a passos lentos para um país que se denomina o “país do futebol”, né? Enfim, matéria perfeita como todas as outras. Obrigada por trazer à tona o nosso futebol!

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