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Kaciane Caroline apareceu pela primeira vez na mídia aos dez anos, em 2014, após fazer uma campanha de arrecadação de livros para a fundação de uma biblioteca pública nos fundos de sua antiga casa, no bairro da Lealdade, em São José do Rio Preto (SP).
Com conteúdo totalmente voltado aos videogames e mais de 67 mil seguidores no Instagram, a Menina do Play 2, faz lives diárias na Twich – famoso pelos streams de gameplays – com mais de 12 mil visualizações ao vivo. Conta também com mais de um milhão de curtidas em sua conta do TikTok e 75 mil inscritos em seu canal no YouTube, iniciado em 2019.
A rio-pretense já fez parceria com marcas importantes, como a Adidas, e é influenciadora oficial de grandes nomes como Cup Noodles e PlayStation.
Em janeiro, a Ministra do Esporte e ex-voleibolista, Ana Moser, defendeu a falta de investimentos nos e-Sports. A ministra acusa e-Sports de serem “indústria do entretenimento, não esporte”.
“A meu ver o esporte eletrônico é uma indústria de entretenimento, não é esporte. Então você se diverte jogando videogame, você se divertiu. O atleta de e-Sports treina, mas a Ivete Sangalo também treina para dar show e ele não é atleta, ela é uma artista que trabalha com entretenimento. O jogo eletrônico não é imprevisível, ele é desenhado por uma programação digital, cibernética. É uma programação, ela é fechada, diferente do esporte.”, declarou Moser para a UOL.
Luisa Medeiros: Primeiramente, como começou a sua carreira no ramo dos esportes eletronicos e streaming?
Kaciane Caroline: Eu comecei nesse ramo de jogos em 2017 através de uma página no Facebook onde eu postava apenas memes sobre games, né? Logo depois eu vim também para o Instagram, e o pessoal começou a me pedir e perguntar por que eu não tinha um canal no YouTube ainda, só que eu achava que ninguém iria me assistir, mas mesmo assim eu decidi criar na época. Eu não tinha placa de captura, não tinha PC, não tinha quase nada, nem microfone e nem headset. Eu tinha apenas o PlayStation 2 e o PlayStation 3, eu comecei dessa forma gravando a tela da televisão enquanto eu jogava com o meu celular, até que minha mãe conseguiu depois futuramente comprar um PS4 [PlayStation 4] para mim, o que fez com que eu começasse mesmo de verdade a me dedicar ainda mais nesse ramo.
LM: É preciso muito recurso e capital para começar a se aventurar nos esportes em questão?
KC: Então, não é preciso de muito capital até como eu te disse, né? Eu comecei na época tendo apenas o PlayStation 2 e o PlayStation 3, eu não entendia quase nada de lives, nem de vídeos mesmo. A edição era bem simplesinha. Então assim, eu comecei dessa forma e foi. É evoluindo aos poucos mesmo. Atualmente eu tenho muita coisa bacana para poder gravar diversos equipamentos, mas eu não comecei dessa forma então acredito, assim, que não seja necessário começar com o setup incrível, entendeu? Você pode começar a se dedicar da melhor forma com o que você tem.
LM: Vimos recentemente as falas da Ministra Ana Moser acerca dos esportes eletrônicos, como se define alguma atividade como esporte?
KC: Bom eu acredito que esporte seja algo benéfico para o nosso corpo. E também para a nossa mente. Então, na minha opinião, tudo que agrega valor a isso, que melhora o nosso bem-estar, pode ser considerado esporte.
LM: Há o argumento de que e-Sports promovem o sedentarismo. Como você encara essa crítica?
KC: Bom, eu não acredito que promove o sedentarismo até porque muitos jogadores profissionais tem todo um treinamento mesmo. Para estarem aptos para conseguir competir conseguir jogar, jogam todos os dias, como forma de treinamento e diversas horas por dia [esse treinamento ocorre por meio da prática diária dos jogos – por pelo menos seis horas -, cuidado com a saúde mental, fortalecimento da musculatura vertebral, abdominal e escápula, e boa alimentação, para aguentar as longas jornadas e o desgaste físico e psicológico dos atletas], além de promover mesmo seu bem-estar físico e mental. Além disso, até mesmo para quem não compete profissionalmente, tem uma vasta opções de jogos aí que promovem mesmo a movimentação, como por exemplo, o Just Dance.
LM: A internet e a comunidade de e-Sports causaram grande alvoroço sobre as falas, mas afinal qual seria o diferencial de ser considerado esporte pelo governo?
KC: Bom, os jogos nunca foram muito levados a sério, né? O pessoal achava que era uma zoação, que era só um passatempo e não que poderia realmente transformar a vida de diversas pessoas, como tem sido feito de um tempo para cá. A gente tem grandes nomes aí, como o Paulinho O Loko, como o BRKS Edu, e diversas outras personalidades desse mundo que realmente mostram que os games podem mesmo transformar a vida das pessoas. O diferencial de ser aceito não só pelo governo, como pela sociedade em si, seria que ele deixaria de ser levado apenas como uma brincadeira e faria parte da vida de cada vez mais pessoas.
LM: Vemos que o esporte eletrônico tem sido destaque mundialmente, principalmente depois do período pandêmico, não seria bom para ambas as partes fazer parte desse mercado tendo em vista esse crescimento?
KC: Sim, com certeza! Os games cresceram muito durante a pandemia e eu acredito que se tivesse um investimento, eles poderiam crescer cada vez mais e transformar a vida de várias outras pessoas.
