Tempo de leitura: 5 min

Segundo os primeiros resultados do Censo Demográfico de 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no dia 28 de junho, a população brasileira teve um crescimento percentual de 6,5% desde o último censo, elaborado pelo órgão em 2010. Isso totaliza 12.306.713 pessoas a mais, resultado de uma taxa de crescimento anual de 0,52%, a menor já observada desde o início das pesquisas censitárias no país em 1872.

A série histórica evidencia uma redução nas médias anuais de crescimento desde a década de 1960, conforme a população brasileira envelhece e há uma queda acentuada nos números de nascimentos em território nacional. “Em 2022, a taxa de crescimento anual foi reduzida para menos da metade do que era em 2010 (1,17%)”, afirma o coordenador técnico do Censo, Luciano Duarte, no comunicado publicado pelo órgão.

Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil.

Em 2021, último período em que essas informações específicas foram atualizadas, foi registrado o menor número de nascimentos desde que o IBGE começou a reunir dados do tipo em 1974, enquanto houve um aumento nas taxas de mortalidade da população, com 1,78 milhão de mortes computadas. Isso representou um aumento de 18% em relação a 2020, tornando-se um recorde, principalmente em decorrência da pandemia do Covid-19.

Ainda assim, houveram poucas alterações quanto às densidades demográficas. O Sudeste permanece sendo a região mais populosa do país, com 84,8 milhões de habitantes, contabilizando 41,8% da população brasileira; seguido pelo Nordeste, com 54,6 milhões de pessoas, que respondem por 26,9% dos habitantes do país; Sul, com 29,9 milhões (14,7%); Norte, com 17,3 milhões (8,5%); e por fim o Centro-Oeste, a região menos populosa do país, com 16,3 milhões de moradores (8,1%).

Apesar disso, Senador Canedo figurou no ranking como o município com mais de 100 mil habitantes com maior crescimento de moradores entre ambos os Censos de 2010 e 2022, com um aumento de 84,3%. De 84,4 mil residentes, em 2010, a cidade goiana passou para 155,6 mil, em 2022. 

Imagem: Acervo IBGE.

“Muitas vezes o município núcleo da metrópole, daquela concentração urbana, perde população, mas as cidades vizinhas ganham. Isso tem a ver com o espalhamento do tecido urbano para além dos limites municipais. Isso quer dizer que há expansões novas, até pelo esgotamento de área desse município. É uma parte importante da explicação desse fenômeno”, diz Claudio Stenner, diretor de geociências do IBGE.

Mas em números absolutos, as três cidades acima de 100 mil habitantes que registraram maior aumento populacional foram capitais: Manaus, no Amazonas, com um acréscimo de 261,5 mil pessoas em 12 anos; Brasília, que angariou 246,9 mil novos habitantes (população total de 2.817.068); e então São Paulo, a cidade mais populosa do país com 11,5 milhões de habitantes — seguida por Rio de Janeiro e Brasília —, que adquiriu mais 197,7 mil residentes. Goiânia, em comparação, passou de 1.302.001 de moradores em 2010, para 1.437.237 em 2022 (+ 135.236 habitantes).

E dos 203,1 milhões de brasileiros, 124,1 milhões de pessoas vivem em concentrações urbanas. “As concentrações urbanas podem ser formadas por um único município ou por um conjunto de municípios fortemente integrados e articulados entre si que funcionam como uma cidade só. É importante analisar essas informações urbanas porque, por exemplo, muitas vezes o crescimento demográfico se dá pelo espalhamento do tecido urbano de um município para um município vizinho. Então para se entender a taxa de crescimento demográfico desses municípios mais conurbados é preciso olhar para a concentração urbana e as relações que existem ali”, explica Stenner.

Censo Demográfico de 2022

Imagem: Tânia Rego/Agência Brasil.

Promovido regularmente pelo órgão governamental do IBGE, sendo a maior pesquisa do tipo na América Latina, o Censo Demográfico se trata de uma série histórica que busca mapear periodicamente as principais estatísticas referentes à população brasileira, no intuito de obter um panorama geral que ajude principalmente na elaboração e promulgação de políticas públicas. Houve um intervalo de 12 anos entre o Censo 2022 e Censo 2010, que se traduziram em mudanças significativas.

Os primeiros resultados do Censo 2022, relativos à População e Domicílios, foram liberados no dia 28 de junho. Sendo uma pesquisa de campo, feita de porta à porta nos 5570 municípios brasileiros, em sua última edição contou com inovações tecnológicas que auxiliaram os recenseadores em seu trabalho, assim como percalços.

Valto Leão, que atuou como recenseador em 2022 pela primeira vez, define então essa como uma tarefa de grande importância, mas também repleta de dificuldades. “Eu me senti bastante realizado de participar de um trabalho tão necessário e difícil no país. Mas pensando na minha experiência, eu não voltaria a trabalhar de novo [como recenseador], porque mesmo com o advento da tecnologia, mesmo com a facilidade, ainda acho que é um trabalho muito pesado, e as pessoas não estavam receptivas nem informadas o suficiente para receber os recenseadores”, afirma.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *