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Dia 1º de junho, quase dois anos após o falecimento do meu pai, sua antiga casa, à qual não ia há algum tempo devido às lembranças, mudou seu significado. A velha casa que me dava nó na garganta, onde não conseguia permanecer por mais de 20 minutos, agora visito com certa frequência e fico bastante tempo.
Recordo-me de anos atrás, quando meu pai compartilhou comigo suas memórias sobre o dia em que nasci, descrevendo-o como um dos momentos mais felizes de sua vida. Naquele dia, ele expressou o desejo de sentir essa mesma alegria no futuro, mas desta vez ao receber a notícia de que era avô. Naquele momento, eu o repreendi brincando – “Deus me livre de ser mãe, cobra seu filho Elvis isso aí”.
Elvis é meu irmão, que assumiu a casa após o falecimento, ele agora é pai de Helena, que nasceu quase dois anos depois, no mesmo mês da morte do nosso pai. Helena, cujo nome significa “iluminada”, resinificou o mês mais difícil das nossas vidas, e transformou uma casa cheia de saudades e dor, novamente em um lar.
O silêncio ensurdecedor que habitava ali foi substituído por músicas infantis rodando o dia todo na TV, e outra hora pelo choro de um bebe recém-nascido, e as memórias dolorosas foram suavizadas pelo consolo de um ser ainda tão pequeno. Às vezes fico imaginando como seria se ele estivesse aqui, e sempre prometo a mim mesma que Helena vai saber como era desejada por ser avô Paulo, até mesmo antes de existir.
A cada visita, sinto que a partida do nosso pai foi avassaladora, mas nos uniu ainda mais como família. Helena, a iluminada, é a prova de que a vida segue adiante, trazendo consigo a beleza da continuidade. E, ao olhar para ela, sinto a presença de nosso pai, guiando-nos com seu legado de amor, para que possamos sempre encontrar conforto e significado em cada capítulo que a vida nos reserva.
