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O maior pacote de ações e de investimentos da história da capital goiana, o Goiânia Adiante, focado em três áreas de desenvolvimento: Saúde, Educação, Infraestrutura e Mobilidade, conta com cerca de R$ 1,7 bilhão de recursos municipais próprios. O programa foi criado em 2022, durante a gestão do Prefeito Rogério Cruz, com intenção de comemorar os 89 anos da capital, buscando o seu avanço e desenvolvimento.
Com o objetivo de solucionar os problemas de mobilidade e avançar na melhoria do trânsito, o principal grupo do programa, Infraestrutura e Mobilidade, que conta sozinho com R$1,4 bilhão, tem como ação a construção de complexos viários, como a Agrovia Castelo Branco e outras interseções na BR-060, BR-153 e no Cepal do Setor Sul. Além disso, iluminação pública em LED, recapeamento asfáltico, tapa buraco e construção de pontes ganham destaque no grupo. É importante pontuar que o ex-prefeito Iris Rezende focou nessas obras no seu último mandato e entregou a prefeitura muito bem avaliado, lembrando que Iris já possuía uma vasta experiência na vida política e administrativa.
Construções
Outras obras iniciadas enfrentam transtornos como atrasos e suspensão de prazos, é o caso do BRT que teve sua obra iniciada em março de 2015 e com a previsão de conclusão para outubro de 2020, contudo até hoje a obra não foi entregue. Outro problema recente é a construção da Agrovia da Castelo Branco que conta com prazos prorrogados e obras paralisadas.
Partindo para as obras planejadas do Goiânia Adiante, apenas a do cruzamento entre a Avenida Leste-Oeste e Castelo Branco, está em execução. As outras 4 obras estão em fase de elaboração e a do Cepal do Setor Sul está em Análise Técnica, confira o mapa abaixo com a localização, valores estimados dos gastos e foto dos locais.
Fonte: Dados do Programa Goiânia Adiante. Mapa criado pelo Autor: Arthur Oliveira
Sobre a demanda de obras e o planejamento de novas construções, o Engenheiro Civil da Mobilidade, Mateus Brito, explica os critérios utilizados: “Antes de toda e qualquer intervenção urbana para que seja eficaz se torna necessário a realização de estudos técnicos preliminares de maneira a garantir o ordenamento e, consequentemente a reestruturação urbana. Devem ser analisados a atribuição do tipo de tráfego (pedestre e veículos) que as vias podem receber e em que intensidade (volume), e consequentemente as características físicas e funcionais que estas apresentam. Ademais, esse estudo deve estar inteiramente vinculado aos estudos de impactos ambientais, de maneira a atender a sociedade de maneira sustentável, garantindo ao município um bom sistema de mobilidade urbana e promovendo o crescimento urbano com obras de infraestrutura”.
Em comparação aos problemas do trânsito de Goiânia, o engenheiro explica se essas construções como pontes, viadutos e novas vias, seriam a melhor alternativa para solucionar o problema:
A realização de intervenções nas vias contribui ativamente para a mitigação de problemas no tráfego, seja na circulação viária (bem como a inversão de sentido de circulação das vias; abertura de novas vias; a implantação e otimização de semáforos; alterações das sinalizações verticais e horizontais; implantação de faixas exclusivas para transporte público; e análise e alterações em rotas do transporte público), na construção de pontes e viadutos
Mateus Brito, Engenheiro Civil da Mobilidade
Cenário Político
Tendo as obras de mobilidade como carro-chefe da sua gestão, caso o atual prefeito consiga entregar todas essas obras até o final do seu mandato, sua imagem pode ser melhorada perante os eleitores goianos e uma possível reeleição pode ser almejada, como explica o cientista político, Pedro Mundim:
Existe uma literatura sobre o voto econômico que se aplica aos países que têm eleições periódicas. Essa literatura diz que os eleitores têm miopia, ou seja, dificuldade de enxergar de longe. Isso quer dizer que, do ponto de vista do governo nacional, a economia do último ano ou do ano eleitoral tem mais peso do que a economia do período de quatro anos de governo. Os eleitores tendem a esquecer o que aconteceu no início do mandato e se concentrar no que aconteceu no final. Talvez essa miopia se aplique não só à economia, mas também a outras variáveis importantes, como as obras de mobilidade no trânsito. Então, um tipo de obra que vai trazer muito transtorno, como uma reforma viária ou uma construção de metrô, o ideal é que você faça no início do mandato. Porque, quando chegar ao ano da eleição, você está prestes a entregar ou vai entregar a obra e satisfazer os eleitores. Então, a questão da agenda eleitoral acaba influenciando muito nessa forma de governar.
Pedro Mundin, Cientista Político.
Já entre a população que tem acompanhado as obras, muitos reclamam dos transtornos causados, é o que explica o estudante de ciências da computação, Fernando Machado: “Desde quando começaram as obras, vários anos atrás, o trânsito na praça cívica se tornou caótico, mudanças constantes no trânsito, desde interdições não explicadas e nem avisadas em avenidas importantes. Claramente isso gerou uma quantidade de trânsito anormal e completamente imprevisível na praça cívica, o que fez com que eu, por muito tempo, e até hoje, ou me planeje pra sair com muita antecedência de casa, ou tente evitar a praça cívica em certos horários”.
Para o cientista político, Guilherme Carvalho, o prefeito pode enfrentar dificuldades diante das obras em execução e explica como Rogério Cruz poderia aproveitar esse tema para a sua agenda eleitoral:
A grande dificuldade que o Rogério Cruz terá em relação a esse tema, caso ele seja candidato, será realmente de explicar o porquê da não entrega das obras do BRT até agora, isso tem impactado direto na mobilidade. Acho que ele deve utilizar a entrega do viaduto da Goiás Norte, por exemplo, como uma plataforma da gestão dele, mas via de regra o problema de afogamento no trânsito ainda é sintomático. Além da reversão de transformar algumas das principais vias da cidade em mão única. Então, não vejo como ele pode aproveitar substancialmente esse tema como agenda eleitoral para ele.
Guilherme Carvalho, cientista político
Em contrapartida às críticas, existe quem tem também elogie as outras obras de infraestruturas desenvolvidas na cidade, como por exemplo, obras de drenagem para reduzir os riscos de alagamentos em tempo chuvoso. O estudante Mateus Lisita, detalha essa questão “Acredito que melhore sim, porque é uma rua muito perigosa em períodos chuvosos, conhecida por arrastar veículos e que inclusive culminou na morte de um motociclista esse ano que foi arrastado pela correnteza, então melhorar as vias de escoamento era algo essencial para essa região e para o transito local”.

Contato
O Lab Notícias entrou em contato por e-mail com a Secretaria de Mobilidade de Goiânia, contudo até o fechamento desta matéria não obtivemos resposta.
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