- O Papel da Biblioteconomia na Preservação e Visibilização Audiovisual - 15 de junho de 2026
A preservação audiovisual na biblioteconomia envolve a aplicação de princípios de Ciência da Informação para organizar, conservar e garantir o acesso a documentos em vídeo, sendo definida como o conjunto de procedimentos, princípios e práticas necessários para manter a integridade do documento e garantir permanentemente o acesso. Ray Edmondson, em sua obra “Arquivística Audiovisual: Filosofia e Princípios”, define que a “preservação e o acesso são as duas faces de uma mesma moeda. Por comodidade, esses conceitos serão examinados separadamente, mas guardam entre si tal relação de interdependência que o acesso pode ser encarado como parte integrante da preservação”. Afinal, preservar um arquivo é também e garantir o seu uso, impedindo que o registro se perca no tempo. Contudo, pela falta de uma organização técnica eficiente, o patrimônio corre o risco de ser tornar invisível, permanecendo oculto e inacessível para a memória coletiva. Utilizando a Teoria Crítica e as Teorias da Representação, este ensaio analisa de que maneira a Biblioteconomia garante a visibilidade e o acesso a esses registros.
Com a evolução tecnológica, embora traga novos recursos, faz com que diferentes formatos de registro audiovisual acabem se perdendo, visto que são muitas vezes descartados sem a preservação correta. Para a Teoria Crítica, esse abandono é uma forma de exclusão. Dessa forma, é um ato politico de combater a exclusão e a lógica de descarte da indústria cultural, com isso acaba tornando as mídias audiovisuais invisíveis para o acesso da comunidade. Dessa forma, a preservação desses registros é fundamental para garantir que histórias e vozes importantes não sejam simplesmente esquecidas. Seguindo o “Manual de Catalogação de Filmes” da Cinemateca Brasileira, que estabelece a catalogação como atividade central de todo o processo de preservação, realiza-se a representação do arquivo, o bibliotecário ao catalogar um vídeo, não registra apenas o elementos físicos, mas define a sinopse e os descritores temáticos baseados na análise de conteúdo. Se o profissional não definir que em um determinado vídeo contém registro no “IV Encontro Afro Goiano”, essa informação não será recuperada por uma busca de assunto. Por meio desse processo, definem-se os pontos de acesso necessários para a busca e a recuperação de informação, possibilitando transformar o material físico em dados organizados para fins de preservação, pesquisa e exibição.
Ao aplicar os pressupostos das Teorias da Representação, o bibliotecário constitui formas com as quais o documento pode ser representado, permitido que seja localizado, usado e compreendido. Como destaca o “Guia de Arquivamento de Vídeo para Ativistas”, que sem esse tratamento qualificado, o patrimônio corre o risco de permanecer “invisível”, mesmo existindo fisicamente, mas sendo considerado inexistente por falta de organização técnica. Tendo em vista que a biblioteconomia protege vozes que a indústria cultural normalmente descartaria, a falta de acesso não é apenas um erro técnico, mas uma forma de exclusão social que a biblioteconomia visa combater.
Em conclusão, a atuação da Biblioteconomia no campo audiovisual reafirma a premissa de Ray Edmondson de que a preservação e acesso são as duas faces de uma mesma moeda, possuindo uma interdependência onde o acesso justifica a própria existência da guarda. O bibliotecário utiliza as Teorias da Representação para transformar suportes físicos em pontos de acesso pesquisáveis, garantindo que o patrimônio não permaneça “invisível”.
Sob a lente da Teoria Crítica, esse rigor técnico deixa de ser uma tarefa meramente administrativa para tornar-se uma estratégia de combate ao apagamento cultural protegendo vozes e memórias que a indústria cultural normalmente descartaria devido à obsolescência tecnológica ou à falta de interesse comercial. Ao assegurar que diferentes formatos de registros sobrevivam ao tempo e à exclusão social, a biblioteconomia cumpre o papel social de combater o esquecimento e a marginalização informativa. Assim, o arquivamento e a organização audiovisual consolidam-se como um ato de resistência, luta e conquista pelo direito à memória coletiva.
