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GEOVANA MIRELLE AGUIS ALVES
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A plataforma Transkribus é baseada em inteligência artificial e serve para reconhecimento, transcrição e análise de documentos históricos e manuscritos, tornando documentos indecifráveis em textos que podem ser pesquisados globalmente. Essa tecnologia foi utilizada no projeto da Biblioteca Apostólica do Vaticano para a digitalização de manuscritos milenares, preservando seu acervo de 80.000 documentos e disponibilizando 15 mil desses manuscritos na internet. Com isso em mente, surge a seguinte pergunta: será mesmo que a IA pode substituir completamente o ser humano com total eficiência?

A Teoria Crítica, proposta por autores da Escola de Frankfurt, como Adorno, Horkheimer e Marcuse, critica como a Indústria Cultural contribuiu para a reificação da cultura e do humano, para a redução de seu valor simbólico para o valor material. A informação, segundo essa teoria, é um recurso fundamental para a condição humana, e o bibliotecário, como agente e mediador da informação, é fundamental para garantir seu acesso aos usuários.

Diante da teoria de Adorno, a inteligência artificial é uma encarnação da ausência de pensamento crítico e a manifestação do pensamento de massa, que percebe-se com o surgimento das Fake News, a desinformação em massa por meios digitais. Isso torna a responsabilidade do profissional bibliotecário ainda maior, já que o mesmo precisa incentivar o pensamento crítico para que os usuários possam acessar e utilizar a informação de forma crítica. Se usada corretamente, a IA pode auxiliar enormemente na verificação e disseminação da informação confiável e verificada, e, em vez de se tornar um problema a ser resolvido, seria uma forma de facilitar e melhorar a função do bibliotecário.

Segundo a Teoria Crítica, a Indústria Cultural retira da cultura sua propriedade reflexiva e a transforma em mercadoria, servindo como uma forma de controle sobre as classes baixas. Desta forma, os autores dessa teoria veriam a IA como uma forma de dominação, já que, se usada acriticamente, as pessoas se tornam dependentes dela e não refletem sobre o que recebem, se aquela informação obtida através dela está correta ou não. Ou seja, se a sociedade se torna alienada ao que acontece ao seu redor, mais fácil é para determinados grupos serem controlados pelas classes altas e se tornarem fantoches daqueles que possuem o poder.

“A racionalidade técnica hoje é a racionalidade da própria dominação. Ela é o caráter compulsivo da sociedade alienada de si mesma.” Os algoritmos de IA decidem o que as pessoas consomem e até como pensam. Para Adorno, essa “racionalidade técnica” pode ser interpretada como um novo “caráter compulsivo da sociedade alienada”, já que o indivíduo acredita que o que consome é uma escolha dele, e não algo pré-definido pelos algoritmos, que está inserido em uma lógica de controle industrial e não possui escolha consciente.

Como mostrado no caso acima, a IA pode auxiliar na recuperação de documentos milenares, algo que antes era impossível, e não apenas isso, mas também pode tornar a informação mais acessível. Entretanto, apesar de possuir muitas vantagens para a área da Biblioteconomia, a inteligência artificial não consegue classificar, catalogar, indexar documentos e informações de forma tão eficiente quanto o bibliotecário. Ele é responsável também pela gestão de acervo, elaboração de fichas catalográficas, entre muitas outras funções, mas principalmente em ser um mediador entre informação e usuário. Dessa forma, o bibliotecário deve atuar para garantir com que os usuários não sejam alienados e se tornem indivíduos pensantes, reflexivos, assegurando com que usem a IA de forma ética e responsável.

REFERÊNCIAS

CFB – CONSELHO FEDERAL DE BIBLIOTECONOMIA. Mês da(o) Bibliotecária(o) 2025: Bibliotecas na Era da Inteligência Artificial. Disponível em: https://cfb.org.br/noticias/mes-dao-bibliotecariao-2025-bibliotecas-na-era-da-inteligencia-artificial/. Acesso em: 01 jun. 2026.

ADORNO, T.; HORKHEIMER, M. Dialética do esclarecimento. Rio de Janeiro: Zahar, 1985. Disponível em: https://files.cercomp.ufg.br/weby/up/208/o/fil_dialetica_esclarec.pdf. Acesso em: 06 jun. 2026.

O Globo. Biblioteca do Vaticano digitaliza manuscritos antigos que ficarão livres para consulta gratuita. Disponível em: https://oglobo.globo.com/brasil/religiao/biblioteca-do-vaticano-digitaliza-manuscritos-antigos-que-ficarao-livres-para-consulta-gratuita-14332255. Acesso em: 08 jun. 2026.

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