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O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulgou em site oficial que mais de 4,3 milhões tiveram as inscrições confirmadas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2024. Dos concluintes do ensino médio da rede pública, 94% se inscreveram. O aumento desse público no exame foi de 36% em relação à edição de 2023, quando 58% dos concluintes fizeram inscrição. 

A estudante Ryllary Ribeiro, de 18 anos, contou ao Lab Notícias que se sente muito pressionada e que é muito difícil para ela compreender que uma prova de 180 questões e 1 redação vai definir seu futuro. Ela também nos conta que era cobrada pela família, escola e amigos, mas a cobrança da estudante consigo mesma sempre cercou a jovem para superar as expectativas de familiares e amigos.

De acordo com a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), os jovens apresentaram um alto índice em doenças psíquicas comparados aos adultos. A pesquisa apresentou que em 2024, a taxa de ansiedade entre adolescentes de 15 a 19 anos (principal faixa etária dos candidatos do Enem), foi de aproximadamente 157 casos a cada 100 mil jovens. Entre adultos com mais de 20 anos, a taxa é de 112,5 por 100 mil.

“Ansiedade, estresse, depressão e síndrome de burnout são comuns durante a preparação intensa para o ENEM e vestibulares. A pressão pelo sucesso e o medo de fracassar também podem levar a dificuldades emocionais e problemas como insônia, falta de concentração e até crises de pânico”, diz o psicólogo Robson Cardoso.

Imagem: PA Media

Robson também nos conta que a pressão social e familiar pode fazer com que o estudante se sinta obrigado a atingir certas expectativas, o que aumenta o estresse e a ansiedade. Esse peso pode afetar negativamente a autoestima e gerar sentimentos de inadequação, além de contribuir para o surgimento de quadros depressivos.

“Minhas expectativas eram boas, porém nem um pouco realistas, eu sabia o meu potencial porque já havia feito 1 vez, mas a prova esse ano estava surreal de difícil, não foi nada do que eu esperava para humanas”, diz a estudante Ryllary Ribeiro.

Existem mitos comuns sobre a preparação para o Enem e seus impactos, são eles: a ideia de que “é preciso estudar 24 horas por dia para passar” pode levar ao esgotamento. Outro mito é que “só os mais inteligentes conseguem”, o que desconsidera a importância de disciplina e resiliência. Esses mitos podem aumentar a ansiedade e afetar a autoestima.

“O psicólogo auxilia o estudante a entender e a gerenciar a ansiedade, a desenvolver estratégias de enfrentamento e a construir uma relação saudável com os estudos. Ele ajuda a identificar crenças limitantes e a fortalecer a autoconfiança e a motivação”, diz o psicólogo Robson Cardoso.

“É minha segunda vez que estou prestando o Enem. Na primeira, eu já sabia todo conteúdo que ia cair, mas na hora de fazer a prova me deu ‘branco’ total e eu fiquei muito nervosa. Hoje em dia, eu consigo perceber que tive uma crise de ansiedade e não soube lidar”, disse a estudante Júlia Guimarães ao site DW.

A professora Luciara Trindade, nos conta que o tema da redação foi muito interessante, pois reflete uma realidade que vivenciamos diariamente. A questão foi amplamente discutida nas escolas e na mídia, mostrando-se relevante para a sociedade. Para os alunos da rede pública, porém, é um desafio competir em igualdade de condições com os estudantes de escolas particulares, já que as desigualdades estruturais tornam essa disputa bastante desigual, diz a professora.

“A família e a escola devem criar um ambiente de apoio e compreensão, evitando cobranças excessivas e reforçando a importância de tentar sem medo de errar. A escola pode promover palestras e oficinas sobre saúde mental, enquanto a família pode oferecer suporte emocional e incentivo”, diz o psicólogo Robson Cardoso.

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