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O Clube do Remo volta ao Campeonato Brasileiro Série A depois de 32 anos, marcando a volta de um clube da região norte à primeira divisão. Com altos e baixos, o Leão da Amazônia conseguiu com raça e muita determinação conquistar o acesso na última rodada do Brasileirão Série B, para o delírio de toda a nação azulina e assim firmar pela primeira vez a presença do Remo na elite nacional no século XXI.
HISTÓRIA
Foi em fevereiro de 1905 que sete atletas de remo tiveram a ideia de criar um clube para competir na modalidade, o Grupo do Remo. Três anos depois, a agremiação enfrentou uma crise que forçou o clube a fechar suas portas até 1911. Contudo, a história do Azulino não se encerraria ali, ficaria na mão do Cordão dos onze reorganizar e dar início ao Clube do Remo, o Leão da Amazônia.

Cordão dos Onze, reorganizadores do Grupo do Remo em 1911. Foto: Remopedia
Com a equipe de futebol criada apenas em 1913, o time paraense estreou empatando em 0x0 contra o Guarany e conquistou sua primeira vitória na segunda partida contra o mesmo adversário por 4×1, com o primeiro gol da história do time sendo marcado pelo histórico atacante Rubilar. Ainda no mesmo ano, o Remo conquistou seu primeiro campeonato Paraense, dando início a maior sequência do estado, o heptacampeonato. A sequência contou com seis conquistas em cima do seu maior rival, Paysandu, e apenas o campeonato de 1916 não foi vencido de forma invicta.
Com o passar do tempo, o Leão mostrou sua força, conquistando vários estaduais e colecionando títulos. A década de 1990 foi um dos auges da equipe, com grandes campanhas na Copa do Brasil, chegando às quartas de final em 1990 e em 1991 alcançando a semifinal, a melhor campanha de um time do Norte na competição. Em 1992 começou o maior sonho do torcedor até aquele momento: chegar à elite do futebol brasileiro. Composto por nomes como Artur, Formiga e Wagner Xuxa, o Remo se manteve na Série A por três anos, até o ano de 1994, em que foi rebaixado para a segunda divisão, a última vez em que o clube pisou na Série A.

Foto: Remopedia
Após uma má gestão de Raimundo Ribeiro, o Leão azulino aparentava ter chegado no fundo do poço, pois em 2009, não tinham divisão nacional para jogar. Porém, está enganado quem achou que o seu torcedor abandonaria o clube nos momentos difíceis.
“Quando o clube estava sem divisão e sem calendário é que a gente esteve lá lotando. Eu lembro que o Remo teve um jogo contra o Flamengo sub-20 na Copa do Brasil que a gente colocou 30 mil (torcedores do Remo) no Mangueirão e ganhamos do Flamengo de 3×0.”
Diz Ayrton Brito, torcedor e influencer remista.
Depois de muita batalha, o time paraense conseguiu sua reascensão. Em 2015, luta pelo acesso à Série C e, em 2020, em meio à pandemia, volta para a segundona mas é rebaixado novamente. Já em 2024, começou a trajetória de vitória do clube, com o acesso na última vaga para a segunda divisão e no ano seguinte viria a campanha histórica, onde nada estaria definido até a última rodada para enfim alcançar a tão esperada Série A do Brasileirão.
2025
“A gente esperava que o Remo viesse forte para essa temporada, mas ganhar mais um Parazão em cima deles (Paysandu) foi um gás a mais para o início.”
Afirma Cleide Assunção, torcedora do Remo que estava no jogo contra o Goiás.
O ano de 2025 para o torcedor do Leão começou com tudo, a conquista do 48° título paraense sobre o seu maior rival trouxe esperanças para a temporada. Em seguida, veio a Série B, na qual o Remo se manteve sempre no topo da tabela, diferente do Paysandu que em quase todo campeonato esteve na zona de rebaixamento. Em meio à troca de técnicos e contratações como Pedro Rocha, artilheiro da série B, a equipe se encaixou com o técnico Guto Ferreira e em uma sequência de 6 vitórias seguidas aumentou a espctativa dos torcedores.
“Com a chegada do Guto emplacamos aquelas seis vitórias seguidas,e a chama do torcedor reacendeu novamente”
Conta Ayrton Brito.
Assim, chegou a última rodada e o Remo recebeu o Goiás, que vinha embalado de uma das melhores campanhas do clube goiano. Porém, o acesso não viria fácil, Willian Lepo marcou aos 7 minutos do primeiro tempo, colocando o time esmeraldino na zona de classificação. O torcedor paraense não se intimidou e continuou cantando até o gol de empate vir nos acrécimos da primeira etapa. A festa no Mangueirão era geral e todos tinham a certeza que aquele seria um jogo histórico. Aos 63 minutos, João Pedro estufou as redes para o completo delírio da torcida e depois de mais pressão, aos 84 minutos ele sacramenta a virada e garante a volta do Remo à Série A.

Acesso do Remo: Vitória no Mangueirão, em Belém
Foto: Beatriz Reis
E com o apito final, não se tinha outra certeza a não ser que o Leão da Amazônia conquistou aquilo que merecia, à elite do futebol. A torcida entrou em campo para comemorar com os jogadores essa conquista, fruto do suor e da garra do time azulino. Durante a celebração, uma cena linda pode ser vista um bandeirão de Nossa Senhora de Nazaré, padroeira do estado do Pará e do clube, estendido no meio do campo refletindo todo o amor e devoção doos torcedores.
“Foi um momento único pra mim conquistar o acesso a série A depois de uma série B tão complicada ainda mais com a torcida lotada e a cidade parada e a gente sempre acreditou no clube.”
Desabafa Ayrton Brito.
“Esse choro estava entalado há muito tempo. A gente pôde extravasar e mostrar a nossa força, que com muito esforço e apoio o Remo finalmete vai voltar ao topo.”
Conta Cleide Assunção.

Mosaico com a imagem de Nossa Senhora de Nazaré
Foto: transmissão ESPN
Depois de mais de três décadas de espera, o Clube do Remo volta ao primeiro escalão do futebol brasileiro. O acesso à Série A representa mais do que um feito esportivo: simboliza a resistência de um clube que atravessou crises sem perder sua identidade nem o apoio das arquibancadas. A campanha construída com empenho, superação e força reafirma a imponência do futebol paraense. Agora, de volta à elite, o Leão da Amazônia inicia um novo capítulo de sua história carregando a esperança de um povo que nunca deixou de acreditar.
