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ALICE VALADARES LOURENCO

No sábado(11) a Praça Do TRT de Goiânia foi palco da oficina de dança contemporânea e parkour, Urbanidades, criada pelo Grupo Bacae. Na atividade, além de ensinar parte da coreografia do espetáculo “Pressa”, a diretora e coreógrafa Ingrid Costa também compartilhou detalhes do processo criativo por trás do espetáculo, que aborda como o espaço urbano nos instiga à aceleração. Já a sessão de parkour foi ministrada por Zaf Pk Popper, que é professor na área desde 2010.

Fotografia do Espetáculo Pressa por Lu Barcelos

O parkour é uma atividade física que gira em torno da utilização do corpo para transpor obstáculos que estiverem no caminho, como muros, rampas, escadas e muito mais. Para a oficina, Zaf deu enfoque para três práticas: aterrissagem, vault e salto de precisão.

A aterrissagem, como o nome sugere, é um movimento que os praticantes do parkour utilizam para cair de grandes altitudes em segurança e enquanto conservam o momentum e a energia para seguir para o próximo obstáculo. A oficina deu destaque para a variação “Safety Tap” (Toque de Segurança, em tradução livre), que utiliza as mãos como apoio ao realizar a queda.

Oficina de Dança e Parkour – Praça do Tribunal Regional do Trabalho – TRT/GO, 11 de abril de 2026. Vídeo: Raniê Solarevisky – BIGOD/UFG

O vault é a ultrapassagem suave de um obstáculo por meio de impulsos realizados com as mãos e com o próprio corpo. Dentre as variações ensinadas estão o Dash Vault, o Kong Vault e o Lazy Vault.

 Oficina de Dança e Parkour – Praça do Tribunal Regional do Trabalho – TRT/GO, 11 de abril de 2026. Vídeo: Raniê Solarevisky – BIGOD/UFG

Por fim, o salto de precisão é o salto entre dois pontos com a aterrissagem estática.

Oficina de Dança e Parkour – Praça do Tribunal Regional do Trabalho – TRT/GO, 11 de abril de 2026. Vídeo: Raniê Solarevisky – BIGOD/UFG

A oficina foi planejada para 20 participantes adultos, mas nessa ocasião a atividade foi marcada pela participação de crianças. De acordo com Ingrid: 

“Eu tive uma surpresa que vieram mais crianças do que adultos. Quando abri as inscrições, eu abri para adultos, mas algumas mães me perguntaram se as filhas poderiam participar. Eu respondi que se elas estivessem juntas poderiam, porque o Zaf também tem experiência ensinando para crianças, mas é muita responsabilidade cuidar do corpo da criança de alguém, então geralmente é para adultos.”

Para Ingrid Costa, atividades formativas como a oficina de sábado são importantes para o desenvolvimento da consciência corporal do público. “Quando a gente cria uma consciência corporal, muita coisa na nossa vida muda, até mesmo subir uma escada, ou andar na rua”, diz a coreógrafa.

A mistura da dança contemporânea com o parkour não é à toa. No espetáculo Pressa são utilizados diversos movimentos típicos do parkour. Para a diretora Ingrid Costa:

“O parkour sempre me chamou a atenção porque usa os obstáculos da cidade de maneira criativa. Então quando eu pensei na oficina, eu procurei o Zaf e descobri que tem 20 anos que ele pratica parkour e convidei ele para ministrar a oficina comigo. E a coreografia Urbanidades já tem alguns movimentos parecidos com o parkour, por isso que eu pensei em fazer essa fusão, que eu acho que deu certo!”

Assim, para que o aprendizado da coreografia de dança fizesse mais sentido, o parkour também precisou estar presente.

A PRESSA É A INIMIGA DA PERFEIÇÃO (E DO BEM ESTAR)

Para além das oficinas, o espetáculo Pressa é carregado de críticas e reflexões que estão diretamente ligadas à história do Grupo Bacae. A obra reflete sobre a banalização da urgência e suas consequências na sociedade, como as síndromes de burnout e do pânico. Essas ideias surgem de vivências e dores pessoais de Ingrid Costa. De acordo com Ingrid:

“O meu esposo faleceu vítima de burnout em 2014, muito jovem. Naquela época eu não tinha nem ideia do que era síndrome de burnout e a partir disso eu fui pesquisando quais eram as consequências da síndrome. […] O espetáculo Pressa é sobre tudo isso que levou à morte precoce do Claudio [esposo de Ingrid].”

Ingrid acrescenta que sua pesquisa acerca do burnout foi muito baseada no livro “Devagar: Como um movimento mundial está desafiando o culto da velocidade”, do jornalista canadense Carl Honoré. No livro, o autor traça a história da intensa relação entre a sociedade e o tempo, avaliando as consequências de uma cultura cada vez mais acelerada sob diversas perspectivas. De acordo com Ingrid: “O espetáculo Pressa vem pra fazer essa reflexão e conscientizar as pessoas de que elas podem fazer ações para desacelerar e retomar a qualidade de vida.”

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